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Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 1)

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Em ensaios anteriores, eu publiquei minha posição sobre a suspensão dos juízos, uma atitude de cunho um tanto cética, mas de boa serventia para o conhecimento (ver este link e este outro).

Geralmente o ceticismo é adotado como uma possibilidade de destruição do conhecimento, pois algumas pessoas encaram que a questionabilidade do que tomamos como conhecimento é um afronta ao conhecimento (ver nos links acima).

Com base nesta representação (que o ceticismo é um afronta ao conhecimento estabelecido) é que existem diversas afirmações, muitas das quais eu acho um tanto despreparadas: como foi aquela que apontei nos links acima, no qual alguns interlocutores de cunho religioso consideravam a suspensão dos juízos como uma traição com as suas crenças.

Algumas pessoas talvez possam encarar o ceticismo como uma ética, uma forma de se manter limpo para com afirmações que não temos certeza para prosseguir, mas creio que a aplicação e a essência cética está além do âmbito ético – embora seja uma perspectiva muito séria e atraente: mas creio que a resposta ética do cético não é a essência da atitude cética, mas sim uma decorrência de sua postura (e isso não tira a importância de sua ética, muito pelo contrário, apenas coaduna com sua conduta).

Já por uma perspectiva lógica, talvez sejamos impelidos a pensar que a suspensão de juízo, esta atitude tão tipicamente cética, não seja algo lógico, pois podemos cair um “vórtices incompreensíveis”, entretanto julgo que sua natureza também está em outro ponto, que não estritamente lógico: a suspensão do juízo pode até ter, em algum ponto, seu pé na lógica, mas creio que resida quase em sua totalidade na metodologia.

E por ser metodológico, na busca de evitar danos ao que consideramos conhecimento, a própria destruição de coisas que tomamos como conhecimento é no fim construção de algo mais sólido. Isso resulta também numa atitude ética e não vejo mal nisto.

É uma metodologia, uma heurística, como já expus nos outros ensaios supracitados, mas também uma ética. É no fim um instrumento do teste, da busca e da correção do conhecimento – desde que seja usada de forma crítica (até a si mesma).

Arnaldo Vasconcellos

P.S.: Este ensaio terá continuação.

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