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O dragão de minha garagem e o conhecimento de contato

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No livro “Os problemas da Filosofia” Bertrand Russell, examina de uma forma muito sóbria sobre vários aspectos da pesquisa filosófica. Entretanto, como o próprio autor afirma em seu prefácio, o livro tem muitas questões que deságua na teoria do conhecimento. Também, pode-se notar não somente uma apresentação dos problemas da filosofia, mas sim dos problemas da filosofia sob a ótica russelliana, que trará conexões com suas ideias até então defendidas naquele momento. É o que vemos, entre vários itens, o caso da teoria correspondencialista da verdade, visível em vários capítulos, mas também, como posso citar, no capítulo “A natureza da matéria”, “O idealismo” e “conhecimento por contacto”, dentre outros.

Seria também muito bom citar que há de certa forma uma ligação entre sua teoria de correspondência da verdade, e com sua concepção de conhecimentos – estabelecidos formas de adquirir conhecimento: de verdade e de coisas, de trato e por descrição.

Russell, diz na página 106, quando explica da sua teoria sobre o conhecimento de contato, no capítulo abordando o “idealismo”, a seguinte asserção:

Se tenho contacto com uma coisa que existe, o meu contacto dá-me o conhecimento de que existe. Mas não é verdade que, pelo contrário, sempre que posso saber que uma coisa de um certo género existe, eu ou alguém tem de ter contacto com a coisa. O que acontece, em casos em que tenho um juízo verdadeiro sem contacto, é que a coisa é por mim conhecida por descrição, e, em virtude de um princípio geral, a existência de uma coisa que responde a esta descrição pode ser inferida da existência de algo com o qual tenho contacto. Para compreender este aspecto completamente, será bom lidar primeiro com a diferença entre conhecimento por contacto e conhecimento por descrição (…)” (Russell, 2009, p. 106).

Para Russell o conhecimento pode se dar das seguintes formas:

O conhecimento de trato, ou por contato, é aquele que se dá diretamente pelos dados dos sentidos, cujo conhecimento de coisas podem ser por contato ou por descrição. Também teríamos o conhecimento por descrição. Russel afirma da seguinte forma sobre o conhecimento por contato:

Dizemos que temos contato com seja o que for do qual estamos directamente cientes, sem ser por intermédio de quaisquer processos de inferência ou qualquer conhecimento de verdades. Assim, na presença de minha mesa tenho contacto com os dados dos sentidos que constituem a aparência da minha mesa (…); tudo isto são coisas das quais tenho consciência imediata quando estou a ver e a tocar a minha mesa” (Russell, 2008, p. 108).

Já sobre o conhecimento por descrição afirma o seguinte:

“O meu conhecimento da mesa é do tipo que iremos chamar de ‘conhecimento por descrição’. A mesa é o ‘objecto físico que causa tais e tais dados dos sentidos. Isto descreve a mesa por meio dos dados dos sentidos.

Portanto podemos perceber que, um conhecimento de descrição pode ser complementar a um conhecimento de contato. É o que me parece mais óbvio de salientar a respeito, visto que se conhecemos por contato os dados dos sentidos (o sentir a mesa) e o objeto físico por intermédio de outras inferências (fazendo assim ser um conhecimento por descrição); parece lógico assumir que um tipo de conhecimento pode ser complementar ao outro, na construção de nosso conhecimento.

Russell chega também a afirmar o conhecimento de universais, de verdades e de coisas, mas a princípio a distinção destes dois tipos de conhecimentos (contato e descrição) são suficientes para analisar (na verdade aplicar), a uma primeira vista a teoria do conhecimento por descrição e contato sobre um célebre exemplo sobre o estudo científico, elaborado por Carl Sagan.

Antes de aplicarmos ao exemplo chamado de “dragão na garagem”, é importante citar que a teoria de Russell a respeito do conhecimento, parcialmente aqui descrita, tem relação com seu posicionamento sobre a teoria da verdade. Russell é um correspondencialista, ou seja, assume que a verdade dos enunciados são obtidos quando estes estão em correspondência coma realidade.

Russell afirma: “O que descobrimos com respeito ao espaço é em grande parte o mesmo que descobrimos com respeito à correspondência entre os dados dos sentidos e as suas contrapartes”.

Agora vamos ao Carl Sagan. Carl Sagan não era filósofo, tampouco um filósofo da ciência. Entretanto um divulgador científico de uma grande competência. Em seu livro, escrito, pouco antes de sua morte “O mundo assombrado pelos demônios” Sagan deixa claro sua preocupação com a má divulgação da ciência e a multiplicação de elementos pseudocientíficos na sociedade sendo apontado como elementos científicos de fato.

Existe um capítulo, chamado “o dragão da minha garagem”, no qual explica características ad hoc de teorias não científicas frente ao método científico para verificá-las e falseá-las. A primeira vista pode parecer um pouco arrogante de sua parte como desfere argumentos contra o suposto interlocutor que sustentaria a existência de um suposto dragão que não é mensurável, entretanto numa ótica mais cuidadosa, verificamos que Sagan está tentando exemplificar como as pseudociências tentam fugir do escrutínio científico. É um exemplo didático, no final das contas.

Escrevi um artigo, publicado em meu blog, chamado “a incomunicabilidade do dragão de minha garagem”, no qual analiso o exemplo supracitado, mostro uma possível escorregada falaciosa de Sagan, mas também mostro como solucionar este problema ao interpretá-lo (o exemplo) como uma existência puramente fenomênica.

O que me interessa agora neste artigo é mostrar é que podemos traçar uma ponte entre o exemplo de Sagan, que sugiro falar de um dragão incomunicável e incognoscível (ver artigo citado em “http://arnaldo.networkcore.eti.br/?p=410”), e a teoria de Russell sobre as nossas formas de conhecimento.

No referido artigo eu afirmo:

“Um dragão, cuja existência não é estimável por análises de sua aparição, ou seja de seu fenômeno, e não está relacionado com nenhuma outra forma de aparição – poderíamos tentar analisá-lo não apenas diretamente, mas em relação a outras observações correlatas – é um dragão indeterminável. É, com muita possibilidade, de natureza incognoscível (se existente) ou incomunicável.” (Vasconcellos, 2010).

E anteriormente posso destacar: “Fenômeno vem do grego “phainomenon” que é basicamente aquilo que é observável, que tem uma aparição.” (Idem).

Por este motivo tomo então que o dragão é uma criatura, cuja dúvida de sua real existência pode ser colocada em questão: embora a não comunicabilidade do mesmo não nos força a assumir uma completa inexistência; apenas não terei garantia de sua existência.

Quando Sagan coloca sua inexistência, é interpretável como uma inexistência fenomênica, afinal afirmar uma inexistência completa seria uma possível falácia.

Entrementes, um ser cuja aparição apenas se dá para um indivíduo e que ninguém pode ter contato com o mesmo, além do relator original (portanto dados de sensações) e não se pode ter descrições do mesmo (inclusive por meio de mensurações com aparelhos, através das “pegadas fenomênicas” não é um ser estudável pela ciência). Isto significa que é um ser desimportante (se existente)? Não: apenas significa que o escopo de estudo da ciência não está relacionado com este tipo de objeto – simplesmente este objeto, se existente como algo além de uma projeção mental (ou seja, não apenas no conhecimento de contato, como contato mental, daquele que afirmou sua existência), não será interessante à ciência (pelo menos a física) visto que não há ponte fenomênica entre o suposto dragão e a realidade que temos contato e descrição.

Para deixar um pouco mais claro, trarei um trecho do livro de Sagan, introduzindo o exemplo:

    – Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.
    Suponhamos que eu lhe faça seriamente essa afirmação. Com certeza você iria querer verificá-la, ver por si mesmo. São inumeráveis as histórias de dragões no decorrer dos séculos, mas não há evidências reais. Que oportunidade!
    – Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.
    – Onde está o dragão? – você pergunta
    – Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.
    Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão
    – Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar.
    Então, você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.
    – Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.
    Você quer borrifar o dragão com tinta para torná-lo visível.
    – Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir.
    E assim por diante. Eu me oponho a todo teste físico que você propõe com uma explicação especial de por que não vai funcionar.
    Qual a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo, flutuante, que cospe fogo atérmico, e um dragão inexistente? Se não há como refutar a minha afirmação, se nenhum experimento concebível vale contra ela, o que significa dizer que o meu dragão existe? A sua incapacidade de invalidar a minha hipótese não é absolutamente a mesma coisa que provar a veracidade dela. Alegações que não podem ser testadas, afirmações imunes a refutações não possuem caráter verídico, seja qual for o valor que possam ter por nos inspirar ou estimular nosso sentimento de admiração. O que eu estou pedindo a você é tão somente que, em face da ausência de evidências, acredite na minha palavra. (Sagan, C. In: O mundo assombrado pelos demônios. Retirado de: http://scm2000.sites.uol.com.br/dragao.html).

Obviamente, o que Sagan está a querer primeiramente deixar claro com este exemplo é que existe um magistério que não é do escopo científico, e que mesmo ao se tentar escrutinar sempre haverá uma desculpa para sua não comunicabilidade. Entretanto, destaco o exemplo aqui por outro motivo: que é secundário, mas importante (e leva em consideração o que aprendemos com Russell sobre o conhecimento por descrições e por contato).

Se a ciência física trabalha similarmente como o exemplo didaticamente aponta, podemos tirar algumas conclusões. Se for conforme o exemplo deixa estabelecido, a ciência necessita de dados sensíveis do suposto ser (exemplificado como uma série de fenômenos), portanto, primariamente se utiliza do conhecimento por contato e depois precisa de conhecimento por descrição: isso porque o trabalho da ciência em teorizar e conformar as observações em modelos, necessita primeiramente de um conhecimento de contato e depois de conhecimento por descrição.

A uma primeira análise este processo esta conforme com a teoria da correspondência da verdade, embora possamos encontrar problemas com algumas teorias que não são diretamente dadas por observação.

Assim, julgo que há um misto de coerência (coerentismo) entre teorias com dados não observáveis e correspondência entre objetos de seu escopo de estudo. Portanto a conclusão, não sei se tão óbvia, é que a ciência, pelo menos nos moldes aqui descritos, precisa que seu objeto de estudo não seja apenas algo passível do conhecimento por descrição, mas que também seja primariamente acessível por meio do conhecimento de trato.

Claro que ainda podemos encontrar problemas nesta afirmação, (como a suposição da existência de partículas elementares, ou a visão de estrelas binárias invisíveis a olho nú), mas creio que a princípio, mesmo assim estes exemplos também necessitam de um tipo de contato: mesmo que um contato virtual com intermédios de aparelhos (que é um grande problema que necessita de uma grande reflexão). Entretanto, suponho que seria assunto para um outro ensaio.

(1) – Ensaio escrito originalmente para a disciplina de teoria do conhecimento, ministrado por Herivelton Souza. UnB.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Educação, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , , , ,

  1. 17, Janeiro, 2011 a 10:27 | #1

    Oi, Arnaldo.

    Gostei deste texto. É verdade, a ciencia precisa de coisas que tenham dimensão, que sejam mediveis. Que produzam comunicação de informação. Creio que é este o ponto do ensaio.

    A minha pergunta para os que dizem conhecer coisas para la da fenomenologia mensuravel é:

    Como é que sabes isso?

    Ainda não obtive nenhuma resposta que me satisfizesse. Todas as que me satisfazem, passam algures pela aprendizagem obtida de medições, directa ou indiretamente.

    Saiu um artigo muito importante para quem se interessa pelo funcionamento da ciencia: http://dl.dropbox.com/u/1018886/Bem6.pdf

    Ainda nao sei se vai ter o impacto que eu penso que merecia, porque o que la diz faz sentido para muitas outras areas para alem da psicologia. Aposto que vai gostar.

    • 19, Janeiro, 2011 a 12:52 | #2

      Olá João,

      Realmente o ponto do ensaio é demonstrar que a ciência (ou o conjunto de ciências), por mais que tenha alto nível de abstração teórica ela possui uma âncora com o que é observável; com o fenômeno.

      Quanto ao que está além da mensurabilidade do fenômeno, não argumento inexistência, apenas acho que não cabe à ciência (como já argumentei em diversos outros artigos). A existência fora do que é mensurável não é suprimida com a não mensurabilidade, mas apenas não conhecível. Portanto a partir daí, a perspectiva que tenho é semelhante a do Wittgenstein no Tractatus: há um silêncio que não aprova e nem reprova a existência de coisas fora do escopo da mensurabilidade do fenômeno; agora o que afirmo com unhas e dentes é que se não está no escopo do fenômeno, não está no escopo da ciência e por isso sou contra a tentativas pseudocientíficas.

      Por estes motivos concordo com o seu tom na pergunta àqueles que dizem conhecer além do mensurável, mas quando estes tentam incluir na ciência um papel que não é de sua alçada.

      Quanto ao artigo, vou ler com muito cuidado. Obrigado pela referência.

      Obrigado pelos comentários,

      Arnaldo.

  2. 26, Janeiro, 2011 a 13:48 | #3

    ARnaldo:

    Vamos imaginar que existe algo que nunca causará efeitos mensuraveis.

    Portanto, não poderá dar informação da sua existencia, directa ou indiretamente.

    Portanto, podemos então dizer que é igual a não existir para todos os efeitos.

    Ao chegar a este ponto a discuçao sobre essas entidades perde qualquer sentido. Não é só a ciencia que não as pode estudar. É qualquer sistema cognitivo.

    Se no entanto houver algo que elas permitam chegar ao nosso cerebro e que nos permitam ter informação sobre elas, então não estou a ver porque não podem ser objecto da ciencia.

    Essa afirmação requer prova.

  3. 26, Janeiro, 2011 a 15:42 | #4

    @João

    Olá João:

    Você disse: “Vamos imaginar que existe algo que nunca causará efeitos mensuraveis.”

    – Ok. Já fiz este experimento mental com outros colegas aqui neste blog.

    Você disse:”Portanto, não poderá dar informação da sua existencia, directa ou indiretamente.”

    – Sim, concordo plenamente até aqui, basta ver que travei conversas com outras pessoas neste blog e tenho esta mesma conclusão. Mas continuemos:

    “Portanto, podemos então dizer que é igual a não existir para todos os efeitos.”

    – Não necessariamente. Por isso argumento nos meus artigos, que pelo objetivo de Carl Sagan, ele afirmou que não existe pelo prisma da análise fenomênica. Mas isso não significa que não exista de fato. Esbarraríamos na falácia ad ignorantian.
    Por isso eu concordo e afirmo que FENOMÊNICAMENTE não há dados da existência e por isso está FORA do escopo da ciência um ser que não cause tais dados de fenômeno. Ou seja fenoménicamente inexistente, mas de fato como um ser que não exista, talvez nunca será sabido.

    Você continua:”Ao chegar a este ponto a discuçao sobre essas entidades perde qualquer sentido. Não é só a ciencia que não as pode estudar. É qualquer sistema cognitivo.”

    – Bem a minha noção teórica da ciência, exposta neste blog, deixa bem claro que não é do escopo da ciência analisar a existencia de um ser que é fenomenicamente inexistente, mas que ela deve-se calar (meio que “wittgensteinianamente”) a respeito deste assunto (visto que não é seu objetivo e nem tem meios para isso).
    Agora repassar que para todos os meios “cognitivos” é impossível é uma derivação deveras exagerada.
    A cognição permite também supormos seres não fenoménicos. Por este mecanismo ser possível, por exemplo, postular exemplos como o do dragão em minha garagem é possível. Por mais que nossas mentes trabalhem com a interpolação de dados de fenômenos, podemos criar suposições e hipóteses, mesmo que elas sejam falsas, imensuráreis ou verdadeiras.
    Posso supor por exemplo que está chovendo agora (que pode ser verdadeiro ou falso)ou que existam noumenons sem fenômenos (imensurável).

    Portanto concordo com você, até o ponto que nenhum sistema cognitivo possa estudá-lo. Talvez não possamos analisá-lo, mas postulá-lo hipotéticamente sim é possível.
    Mas concordo contigo, que se torna sem sentido, pelo menos no âmbito científico, pois está externo ao foco da ciência e não podemos analisar cientificamente. Basta ver minhas respostas a outros comentadores aqui no site (inclusive alguns esbravejaram contra mim).

    Portanto resumindo minha posição: a) seres nouménicos sem fenômenos podem existir? Sim, desde que o significado de existir empregado seja lato sensu e englobe outras possibilidades que não nosso universo observável. Stricto senso e dentro do ponto de vista fenoménico de nosso universo observável, são eles nulos.
    b) A ciência trata destes seres? Não. A ciência trata do que é fenoménicamente viável. Perguntas fora deste escopo estão fora do padrão de poder de resposta da ciência.
    c) Eles então não podem ser supostos como hipóteses? Sim, podemos supor exemplos e hipóteses, em filosofias e teologias; mas cientificamente é nulo e não fazem parte do escopo científico. Dizer que é científico é uma porta para a pseudociência. A ciência não vai confirmar nem negar sua existência de fato (quando digo de fato, refiro-me como noumenos puros).
    d)Inexistência fenoménica trata apenas de nulidade de um ser, ou seja que é >>possível<< sua inexistência baseada em sua nulidade no fato de não deixar fenômeno em nosso universo observável. Uma inexistência de fato e lato sensu, a única coisa que poderemos fazer é ficar calados e não nos pronunciar (pelo menos cientificamente). Veja portanto, João, que concordo com suas posições, mas tenho algumas ressalvas de cunho epistemológico; que considero um arredondamento, um polimento da posição. Como pode perceber parte do que você afirmou nesta sua resposta eu falei em "http://arnaldo.networkcore.eti.br/410-a-incomunicabilidade-do-dragao-da-minha-garagem-serie-pseudociencias-parte-5.html#comments". Por exemplo, parte do que eu disse está abaixo (em resposta a sr Gerson): "Entretanto quando escrevi o post não foi na intenção de desencorajar o falar sobre coisas que supostamente não são passíveis pelo método científico. O que falei, e espero ter ficado claro ao longo da série “pseudo-ciências” é que a ciência parece ter um escopo bem definido de estudo que se encerra nas coisas do mundo. O calar wittgensteiniano que me refiro é em calar como pseudociência (em teologia, filosofia etc sempre poderão ser falados), o calar de um tipo de empreendimento humano que se traveste em outro por uma mera credibilidade. Tanto é que o aforisma sétimo de wittgenstein é um dos mais belos que já li, pois abre margem ao silêncio. Silêncio tal que pode ter uma carga semântica muito forte, mas muito sutil. Entretanto para a ciência (que é o foco desta postagem) falar de um ser que não é comunicável (isto é, tangível fenomenicamente) não é existente fenomenicamente e não acrescenta às teorias, seja elas idênticas à realidade ou verossimilhantes. Se um dia descobrir que existe um acréscimo em teorias e portanto a forma delineativa do que é nosso mundo, por parte de seu dragão (isto de forma do método científico; não estou me atendo a outras formas de teorizar, ok?) estaremos estabelecendo uma ponte fenomênica ao seu dragão. Portanto ele não seria mais considerado incomunicável. Devemos lembrar que fui inspirado pelo escrito de Sagan e acabei continuando a experiência mental. Tentei deixar claro que a existência real do dragão não é determinável (e uma leitura cuidadosa apontará o ponto em que eu disse que é tanto falacioso apontar que ele não existe cabalmente, quanto existe por falta de informações). Apesar disso deixei claro que não se trata de uma “falta de informações” trivial, mas o exemplo dado (que Sagan utilizou ludicamente para explicar o funcionamento de pseudociencias) poderia apontar uma situação de incomunicabilidade fenomênica. A existência real é indeterminada, assim como o noumenon de diversos fenômenos talvez não saibamos tal como é. Sabemos pelo fenômeno, que é a aparição do que há (e essa aparição leva em conta os nossos aparatos cognitivos e sensitivos; ver Kant). Portanto não estou falando de uma incapacidade de dialogar. Estou falando sobre um problema de cunho epistemológico: algo incomunicável não é determinante da existência noumênica de si, mas a nível fenomênico não garante sua existência. Por favor, não me interprete mal. O que digo é pontual e não é falta de abertura para o diálogo, muito menos desonestidade intelectual (se disse algo que não gostou não é indício que seja eu desonesto – lembre-se estou ensaiando no blog). O que denuncio, como outros também denunciam de outras formas é a exagerada cultura social do que é garantia científica a ponto de argumentos se travestirem de um tipo de pensamento em outro (o que é uma pseudociência). Sei, existe o problema da demarcação, mas esse é o ponto: devemos continuar investigando a demarcação. Se bem ler o que escrevi, não se trata de ditadura, censura ou uma “navalha” que corte gargantas. Não, não é isto! O que disse é que, pontualmente, no escopo do que é mundo fenomênico não é possível falar, ficamos com a incerteza da natureza do incomunicável. Teremos apenas possibilidades. Poderemos explanar possibilidades. Mas falar da natureza de supostos seres é insondável, enquanto forem incomunicáveis. E por aí está a beleza de se calar quando realmente daquilo não pudermos falar. E isso diz muita coisa, em outro nível; claro." Abraços, Arnaldo.

  4. 27, Janeiro, 2011 a 06:27 | #5

    Arnaldo:

    Lamento não ter lido a discussão neste blog sobre este assunto. Se me indicar farei os possiveis por le-la, para que não tenha de repetir demasiado os argumentos.

    Quer so chamar a atenção para uma confusão para algo que eu disse:

    ““Portanto, podemos então dizer que é igual a não existir para todos os efeitos.”

    – Não necessariamente. Por isso argumento nos meus artigos, que pelo objetivo de Carl Sagan, ele afirmou que não existe pelo prisma da análise fenomênica. Mas isso não significa que não exista de fato. Esbarraríamos na falácia ad ignorantian.”

    Eu disse “para todos os efeitos”, quem cocluio que o que não existe para todos os efeitos nºao existe realmente não fui eu. Na realidade tenho uma proposta para provar que essas coisas podem existir e ser provadas cientificamente.

    Sempre defendi que a ausencia de consistencia é um dos problemas da pseudociencia. E que a consistencia é uma das marcas da casa da ciencia.

    Se não se importa, escrevo o resto em post no meu blogue, ja que é algo que ando a para fazer fas tempo e é o preludio para outras coisas.

  5. 27, Janeiro, 2011 a 08:21 | #6

    @João

    Tudo bem João. Entendi o posicionamento. Irei visitar seu blog em breve.

    Arnaldo.

  1. 2, Janeiro, 2011 a 18:37 | #1