Do que a ciência se preocupa (Parte #6)

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Na série “Do que a ciência se preocupa?” estamos experienciando detalhes sobre a ciência, um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos.

Neste sexto artigo gostaria de iniciar o desenvolvimento do que é “teoria”.

Será o que define algo como uma teoria? O que diferencia uma teoria científica de uma metafísica (devemos ter muito cuidado com esta última palavra).

Copérnico, criador da teoria heliocêntrica (Foto: Wikipédia)

Peguemos um comparativo para melhor estudarmos: Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria do Heliocentrismo no qual o Sol é o centro do sistema solar.

A grosso modo, a teoria em questão, diz que o Sol seria o centro do sistema solar (entendido originalmente como centro do universo).

Ao analisarmos tal teoria temos pontos que são fundamentalmente falseadores – ou seja podem ser confrontado a observações e podem ser refutados ou corroborados.

Segundo o falseacionismo os pontos falseadores, são pontos em que a teoria pode ser confrontada e falseada de acordo com observações. Para Popper, teorias científicas são passíveis de falseamento.

Uma teoria metafísica supostamente não tem pontos falseadores.

Este ponto de vista tem sido muito mal explorada, como pude verificar na internet algumas pessoas a deturparem esta visão: apesar de uma teoria científica possuir pontos falseadores, que devem estar ligados a possibilidades observacionais, na maioria das teorias em que podemos estudar encontramos tanto pontos falseadores, como termos teóricos, nos quais podem se relacionar com outras teorias.

Usando a metáfora de Hempel, uma teoria científica poderia ser considerada como uma nuvem: esta nuvem possui termos que estão relacionadas a possibilidades observacionais e outras que estão relacionadas a outros termos teóricos (e possivelmente de outras teorias). Isto não torna uma teoria menos científica.

Apesar disto uma teoria metafísica, a grosso modo, parece não apresentar ligações com possíveis falseadores observacionais.

Deve-se levar em conta, também, que um termo teórico ligado a outras teorias dentro de uma teoria “x” pode também ser apresentado como um falseador.

Acontece que o falseacionismo ingênuo (ou falseacionismo dogmático) pensa que todo termo deve estar ligado a uma observação que pode ser falseadora. É ingenuidade leiga achar que toda a teoria está ligada apenas a fatos observacionais falseadores. Uma teoria deve ter ligação com fatos observáveis, mas também pode possuir correlações entre outros termos teóricos (que podem ser pontos falseadores).

Aliás, uma teoria é caracterizada por sua ampliação de conhecimento de cunho de previsão: relacionar fator em si não é uma teoria, pois a teoria possui caráter de prever um fato ainda não relacionado. Este tipo de característica está ligada, também, ao fato de que termos teóricos estejam correlacionados a outras teorias.

Por isso, caros leitores, antes de acreditar em blogs (como criacionista que já citei em outro artigo) que julgam que o evolucionismo não é uma teoria científica, duvidem: no mínimo esta pessoa pode estar participando de uma visão ingênua do que é uma teoria científica.

Arnaldo Vasconcellos

Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Informática, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

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