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Presente

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Um dia acordei no passado, e simplesmente não me dava conta disso.

Vi o som, phillips, rodando um LP do PinkFloyd, que hoje está guardado e há muito tempo sem capa.

Consegui ver, com tanta nitidez o rodopiar daquele vinil, que, engraçado eu achava, fazia um movimento que parecia fazer-lhe subir e descer – difícil de explicar, era como se ao rodar as vezes parecia fazer um vai e vem para cima e baixo.

E, ainda lembro, da sensação, uma das primeiras vezes, que sentia enquanto aquilo rodava, e fascinava.

Não entendo como não podia lembrar que é apenas uma velha lembrança. Mas no rodar daquele disco, sentia que estar ali era real – como um retorno eterno, mas sempre com nuances de novidade – daquele simples momento.

De repente, uma sensação voltou a mim. Aquela mesma de satisfação. E só uma simples e sem nenhuma misteriosa sensação – completude.

Daí o tempo pareceu fazer um grande recorte, e como uma grande fenda que se abre – formou-se a sensação de percepção (que ainda não sendo necessariamente acreditada como verdadeira) e pude – agora sim – lembrar de tudo de hoje. Hoje o futuro daquele dia.

E a premonição de hoje, que poderia representar ao passado mostrava o tão certo que aquele disco estava: girava e em cada passo de seu fim estava diferente, mesmo a cada parecido momento.

O bailar que era sua simples ocorrência pareceria muito com a existência de qualquer um: enquanto baila, simplesmente é, simplesmente está ali. No momento em que não mais estiver presente, não haverá mais momento.

Uma sensação de escuro tomou conta. É bom sentir isso. Não é mau. Não é mau mesmo. E assim a ordem natural das coisas voltaram: o passado, mesmo longe e sem mistérios lá. E eu aqui, no que acostumei a chamar, por aceitar essa simples convenção: de presente.

Crônica, Filosofia

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