Hoje não

Hoje não deixarei a tristeza me abater,
Mas não posso deixar de perceber,
num breve suspiro da loucura dos dias,
perante toda essa nossa cotidiana agonia.

Pois daqueles sombrios momentos,
eu ainda vou me esquecer.

Não deixo de ver, no entanto, quanto ao amor,
do amor daqueles que se dizem portar,
Se matam pouco-a-pouco, por pouco argumentar.

Se numa era de luz imaginamos um dia entrar,
não sabíamos quantas trevas teríamos que enfrentar.

A razão esquecida, o diálogo empobrecido,
por falência destas mesmas, que ora virtudes eram,
Agora, detalhes estranhos, de nossa animalidade são;
quando se encontram vitoriosos os que logo berram.

Revelam em pequenas partes,
que o diálogo, ato já vencido,
é passado: passado de nossa real natureza;
que é, ao outro, o desencanto de nossos atos,
o mostrar, dia-a-dia, toda a nossa dureza.

A.