Rio doce

Rio doce, rio
Acabaram com ele,
um rio.

Rio doce, rio,
que de antes, doce,
agora, por espúrio descuido,
da economia terceira, dado à primeira,
aguarda, no instante – instaurado;
um novo sabor de seu leito – amargo.

Rio doce, amargo,
Por restos de si, da riqueza exaurida;
passará a ser, em pouco tempo, matéria esquecida.
Mesmo que tenha já vivido um tempo que era coisa querida.

Rio, doce, rio
Que agora está destruído:
um amontoado de lama, assim reduzido.
Rio doce, de seu leito, ao largo

Aguarda um novo tom de seu sabor, amargo.

Arnaldo Vasconcellos.