O que é então o criacionismo?

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A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

Este artigo é uma resposta ao: “o que o criacionismo não é?” (1).

Durante conversas com um colega, foi feita a sugestão que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de análise de artigos.

O artigo O que o criacionismo não é, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolução estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros não. Embora não exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas críticas bem fundamentadas ao evolucionismo  – o foco do artigo não é falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo não pode ser considerado. O autor diz o seguinte:

Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motivações ideológicas e fossem verificados – sob o melhor rigor científico – os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. In: o que o criacionismo não é?)

Concordando com suas palavras acerca da suspensão dos valores ideológicos, efetuando uma espécie de suspensão aos meus valores creditados tentarei ser o mais analítico possível quanto ao artigo e alguns comentários acerca do mesmo.

O autor do artigo, logo deixa claro qual será sua abordagem. Irá mostrar o que, supostamente, o criacionismo não é:

Por isso, é necessário desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa polêmica. Eis alguns deles: (idem)

O autor, portanto inicia suas explicações, clareando melhor acerca do que não é criacionismo, sob sua visão.

Coloco que é sob sua visão pois lendo com cuidado notei que certas explicações não são totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente científica. De um âmbito geral o artigo é bem escrito, tem um espírito que não me parece enganatório, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente está envolto numa visão de mundo determinado.

O autor lista alguns mal entendidos sobre o criacionismo (segundo o mesmo) e esclarece sobre cada um. O primeiro deles é o que diz que o “criacionismo é anticientífico”. Acompanhe as palavras de Michelson:

Para Earl Aagaard, professor de Biologia da Universidade Adventista do Sul, em Collegedale, Tennessee, EUA, a fonte de discórdia reside em especulação histórica. “Os cristãos em geral, e os adventistas em particular, têm muito pouca dificuldade com os resultados empíricos da ciência”, diz Aagaard. “As disputas (…) se manifestam no lado histórico das coisas – em Arqueologia, Paleontologia, Geologia, etc., onde o procedimento consiste em coligir dados e então narrar uma história para explicá-los.” (Idem)

Neste trecho o autor cita Earl Aagaard e existe uma clara intenção em deixar a discussão como apenas possibilidades interpretativas do problema, pois nesta citação fica clara que o problema é como coligir os dados e tratá-los historicamente.

Em seguida o autor cita outro senhor, Nahor Neves que teria criado um resumo esquemático das seguintes áreas: evolucionismo, criacionismo e design inteligente (mais a frente questiono a extração do design inteligente como algo não criacionista).

O trecho é este:

Nahor Neves de Souza Jr. é geólogo e doutor em engenharia pela USP. Como professor e pesquisador universitário, nos últimos 26 anos (metade deles dedicados ao ensino e à pesquisa em duas conceituadas universidades, USP e Unesp), ele tem procurado conhecer em profundidade os três modelos principais: evolucionismo, criacionismo e a teoria do design inteligente. Esse estudo específico e comparativo o induziu a buscar definições mais precisas e epistemologicamente mais corretas para os modelos em questão. Ele elaborou um esquema bastante sintético, mas esclarecedor, a respeito dos três paradigmas:

Evolucionismo = conhecimento científico + naturalismo filosófico
Criacionismo = conhecimento científico + teologia bíblica
Design inteligente = conhecimento científico + argumento teleológico (idem)

Ora, a primeira coisa que saltou-me às vistas neste esquema é a sua simplificação.  Outro fato patente é de utilizar para os três a seguinte fórmula: “conhecimento científico + x”. Conhecimento científico é tratado neste esquema como uma constante. É estranho, pois o autor trata que cada tema (evolucionismo, criacionismo) como paradigmas, mas parece esquecer que “paradigma” orienta também, na visão do filósofo Thomas Kuhn (um dos resposáveis pela inserção to verbete paradigma em teoria da ciência) o que neste esquema é tratado como “conhecimento científico”.

O que seria então este conhecimento científico que o sr. Nahor Neves diz e Michelson endossa? O que então orientaria algo a ser “científico”?

Portanto, para o autor parece ficar claro que o evolucionismo, criacionismo etc não são teorias científicas, pois seriam teorias com um suposto cunho metafísico somado a conteúdos científicos (NOTA: Embora o conteúdo científico seja baseado em paradigmas, segundo Kuhn, e portanto tenha imagens tácitas de natureza e ciência, como abordamos em outros artigos, essas orientam o método seja em ontologias ou epistemologias tácitas; já no esquema apresentado parece existir uma constante ‘conhecimento científico’ somado a uma metafísica, o que não é sinônimo das imagens tácitas por um simples motivo: as imagens de natureza/ciência, embora de cunho “metafísico”, orientam já o que é conhecimento científico e determinam o seu método; assim a fórmula não seria uma soma de constante “conhecimento científico” + concepção ‘metafísica’. Este seria um erro estrutural da formulação apresentada). Podemos notar mais claramente esta posição do autor, de que não são teorias científicas, no seguinte parágrafo:

Esse esquema ajuda a compreender que os três modelos têm um componente científico e outro metafísico. Segundo Nahor, “qualquer paradigma que busca compreender eventos pretéritos únicos e irreproduzíveis (cientificamente não testáveis ou não falseáveis), utilizará, necessariamente, argumentos científicos e metafísicos na construção de modelos. Ou seja, os três paradigmas considerados [existem outros, como o criacionismo islâmico, o criacionismo progressivo, o evolucionismo panteísta, o evolucionismo teísta, etc.] podem, genericamente, ser assim definidos: uma associação entre conhecimentos científicos e conhecimentos metafísicos. Portanto, nenhum desses paradigmas (ou estruturas conceituais) deveria ser traduzido como uma teoria científica (ou seja, um conjunto conciso de afirmações que explicam um conjunto abrangente de fenômenos, na definição do físico Urias Takatohi). Da mesma forma, o evolucionismo não deveria ser confundido com filosofia (ou naturalismo filosófico), bem como o criacionismo não seria sinônimo de religião (ou conhecimento bíblico)”.(Idem). [Grifo meu].

Entretanto, neste mesmo parágrafo o argumento que retira o caráter de teoria científica aos três elementos apresentados, é utilizado para, sutilmente, tentar retirar o criacionismo do sinônimo de religião.

A observação esquemática é interessante, mas é preciso deixar mais claro: afinal o evolucionismo é científico ou não para o autor? E os outros temas como o design inteligente e o criacionismo, são científicos ou participam do mesmo critério do autor?

Algo interessante para se salientar é que a citação dada do físico Urias Takatohi que teoria científica seria “um conjunto conciso de afirmações que explicam um conjunto abrangente de fenômenos” que poderia ser classificada, sob a mesma ótica do esquema, como algo “naturalista”. Pelo menos no contexto empregado é apenas isso que podemos extrair desta frase. O mesmo pode-se dizer das palavras de Nahor, pois para este ao analisar eventos pretéritos, impossíeis, para ele, de serem testados (e neste ponto pode-se entrar um outro problema relacionado ao binômio testabilidade/observação) é, na melhor das hipóteses uma postura com uma imagem de natureza tácita naturenaturalista, pois a testabilidade e a observação compreendem testes/observações de elementos presentes e/ou explicáveis numa dada natureza. Mas neste ponto é que mora a questão: Michelson disse que nenhum dos “paradigmas” apresentados podem ser concebidos como uma teoria científica dentro dessa definição de teoria científica. Ora se a definição apresentada de teoria científica é empregada de uma forma naturalista (no sentido que a natureza será explicada por base em processos naturais ) como que uma fórmula do tipo “conhecimento científico + naturalismo filosófico” não pode ser empregado como ciência? O evolucionismo não se propõe a explicar um fenômeno (origem das espécies) ou um conjunto deles? Sim, o evolucionismo explica com bases naturais o surgimento das espécies. Entendam que estou enfatizando que se formos utilizar o esquema apresentado e o crivo do que é “teoria científica” apresentada no artigo de Michelson podemos sim considerar o evolucionismo uma teoria científica. Se certa ou errada é outra análise.

Para deixar ainda um pouco melhor a discussão, sugiro a leitura do verbete “Naturalismo” no Dicionário de Filosofia, de Ferráter Mora. Lá é possível encontrar a definição lato sensu (palavra, inclusive, de múltiplas sutilezas de definições):

(…) atitude filosófica, ou a doutrina filosófica, (…), que avaliam ser a Natureza e as coisas que nela há as únicas realidades existentes. (…) [NOTA: o link não possui o livro completo. Favor ver livro físico].

Mas também é possível encontrar explicações sobre pseudonaturalismo etc. Portanto para fins de estudo nos deteremos na definição lato sensu e suas variações (embora a discussão ao tema seja interessantíssima, o suficiente para desmascarar a igualdade que alguns criacionistas põem entre naturalismo, materialismo e ateísmo, dentre outras coisas – mas isto é campo para outro possível artigo).

Voltando aos outros “paradigmas” que Michelson cita en passant, como o evolucionismo teísta ou o panteísta, percebemos que não são abordados no esquema. Mas imagino que o evolucionismo panteísta seria na dada formúla “conhecimento científico + naturalismo filosófico + panteísmo”. Ou ainda o teísta “conhecimento científico + naturalismo filosófico + teísmo”. Talvez nestes esquemas não devem ficar claro que existem pontos que devem ser apagados ao unirmos mais de um destes elementos (até porque um evolucionista teísta deveria excluir alguns preceitos do suposto naturalismo; se formos seguir a lógica de que estes paradigmas são todos enquadrados numa mesma categoria).

Aparentemente a classificação do esquema é muito simplista e como abordado no parágrafo anterior não deixam claro se com a soma de “paradigmas” podem haver perdas de características entre si ou se todas são somas pura e simplesmente.

A simplicidade do esquema a meu ver esconde uma riqueza muito maior. Faço a seguinte divisão que é um tanto instrumentalista, mas creio funcionar bem: teorias científicas são instrumentos. Se eu sou um cientista que utiliza o evolucionismo e contribuo descrevendo comparações entre proteínas de diversas espécies estou publicando e trabalhando sobre a teoria científica, que é o evolucionismo moderno, estou aperfeiçoando o cabedal instrumental que a teoria representa para enterdermos a natureza. Entretanto se debruço sobre essa teoria e analiso filosoficamente sobre a possibilidade de que uma crença específica (no caso poderia estar a me referir na crença em Deus) estar relacionada com a teoria não é necessariamente uma teoria científica – isto significa que seu eu sou um evolucionista e decido tomar uma posição chamada de “evolucionismo teísta”, aceitando que a evolução não exclui a minha crença em Deus, eu não estou praticando ciência (e nem aperfeiçoando a teoria da evolução), mas sim estarei aceitando e praticando uma posição metafísica, de como encaro os magistérios da ciência que pratico para com os da religião que posso vir a acreditar. Deixa explicar melhor: se um dado cientista que publica seria e regularmente artigos evolucionistas tratando do ponto em que a aleatoriedade é ponto possível para engendrar multiplicidade em espécies, este está trabalhando com uma teoria científica. Agora se o mesmo acredita em Deus e acredita que a aleatoriedade pode ser “instrumento” de Deus executar tal feito está fazendo um uso instrumental da teoria científica com base em sua crença. Este último seria considerado um pensamento evolucionista teísta, mas nem por isso seria ciência – o escopo destas duas são diferentes.

Imaginemos outro caso. Estevão é um cientista. É físico. Trabalha com a teoria de multiplas dimensões. Se em seu íntimo acredita que outras dimensões podem ser habitadas por anjos, não é esta última crença uma teoria científica – não é falseável e não é coerente com outras instâncias falseáveis. Humanos podem fazer ciência e podem facilmente pensar sobre ciência utilizando seus produtos juntamente com suas crenças de forma, isso porque nós humanos possuímos uma capacidade concatenadora de idéias muito grante (que nem sempre corresponderão necessariamente à realidade, entretanto é uma característica muito peculiar).

A teoria é mais um produto científico e portanto analiso que os “paradigmas” citados por Michelson não são realmente teorias científicas, pois não são falseáveis, mas o crivo usado por Michelson do que é teoria científica parece não se aplicar ao evolucionismo, ou o esquema falha brutalmente. O evolucionismo é teoria, mas também pode ser usado como um “paradigma” que orienta pensamentos e conclusões filosóficas (em lato sensu, conforme a capacidade concatenadora que afirme acima, e isto pode acontecer em qualquer teoria). Entendam, pode ser usado. Toda teoria científica pode ser usada; em última instância quero afirmar que são usáveis. O fato de que podemos usar como paradigma de nossas conclusões não demonstra que seja a melhor forma de fazer uso. Não é incomum muitas deturpações aos usos deste tipo (inclusive o surgimento de pseudociências com este tipo de uso), mas também é interessante a multiplicidade de idéias que se podem surgir com tal ato. Entretanto não podemos confundir uma coisa com outra. É necessário deixar as coisas claras neste âmbito.

Da mesma forma uma crítica endereçada a um paradigma desses não é uma crítica direta a uma teoria científica. É no máximo uma crítica externa à teoria. Criticar um ideal evolucionista panteísta é em última análise criticar a própria idéia de panteísmo orientada por uma visão evolucionista. Não é aplicável à teoria da evolução em si. Teorias científicas devem ser criticadas a nível de teoria (e este é um ponto que repito muito em minhas conversas).

Inclusive ideiais que usam teorias científicas são muitos e profusivos: um ideal de evolucionismo teísta poderia incorporar facilmente ideais de design inteligente e criacionistas (se considerar que a aleatoriedade pode ser um instrumental de uma inteligência seja exterior ou interior – no caso do panteísmo), e este fato não faz com que o evolucionismo teísta (ou o panteísta) seja mais teoria científica do que o criacionismo: ambos são interpretações de fé.

Entretanto Michelson parece saber disso, acima citado (que teorias devem ser criticadas a nível de teoria); coisa que pode ser esclarecida na seguinte passagem:

O “ano de Darwin” ainda promete muita discussão mal focalizada. Os mal entendidos continuarão sendo impressos e veiculados por parte de pessoas que recusam se enfronhar no âmago da questão. Que os criacionistas não repitam esse erro. Grande parte deles não conhece muita coisa sobre as teorias evolucionistas e tenta combatê-las, o que torna normalmente seus argumentos frouxos e falaciosos. [Grifo meu].

Mas, voltando às classes de paradigmas, até então Michelson não deixa claro se aplica a todas as classes, como paradigmas de idéias ou se são realmente ciência. Apesar de sabiamente indicar que uma crítica deva ser a nível de teoria (como eu muito falo nos blogs que visito) o autor não deixa claro sua posição aos supostos paradigmas apresentados (se todos não podem ser teoria científica, ou se uma ou outra o é.

O fixismo

Em seguida no artigo, o autor irá trabalhar com a afirmação de que os criacionistas são fixistas. No texto diz o seguinte:

Essa é uma afirmação tão incorreta quanto aquela que diz ser o homem descendente do macaco (os darwinistas geralmente não afirmam isso). Os criacionistas bem informados entendem que Deus dotou os seres vivos da capacidade de variação, o que lhes permite sobreviver em ambientes diferenciados. A isso chamam de “microevolução”, ou “diversificação de baixo nível”, nas palavras do biólogo e diretor do Geoscience Research Institute, Dr. James Gibson.

Para o Dr. Aagaard, “se as populações não fossem capazes de ‘evoluir’ em resposta ao fato de o clima tornar-se mais seco, ou mais frio, ou quaisquer outras mudanças que têm ocorrido, então a extinção total seria o provável resultado”.

Assim, segundo a visão criacionista, Deus criou os tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e eles “evoluíram” de forma mais ou menos limitada (a tal “árvore da vida” proposta por Darwin estaria para os criacionistas mais para um “gramado”). Extrapolar e dizer que todos os seres vivos descendem de um mesmo ancestral unicelular comum (“macroevolução”), isso, sim, embora teoricamente plausível, não tem sido empiricamente demonstrável.

Apesar do exposto pelo autor, na história dos movimentos criacionistas existiram pessoas com pensamento fixista (seja por interpretação literal da bíblia, ou por desconhecimento da teoria que querem previamente atacar).

Mesmo assim a afirmação do autor é relevante. Não podemos generalizar e colocar todos criacionistas no mesmo saco e falar “são fixistas”. Existe uma multiplicidade enorme nos movimentos criacionistas e alguns deles realmente aceitam preceitos de microevolução. Mas será que aceitar a microevolução é realmente dixar de ser fixista? Pois bem, se, por outro lado interpretarmos o que é fixismo de um modo mais stricto sensu veremos que ser fixista pode ser não aceitar mudança de espécie (e não apenas mudança na espécie). Desta feita aceitar microevolução em detrimento da macroevolução é um tipo, mesmo que gradual, de fixismo.

Mas se interpretarmos fixismo como ausência de mudança, completa, realmente existem criacionistas que não se encaixam no termo. De qualquer forma parece haver uma gradação da doutrina fixista. E dentro desta gradação é importante lembrar que já existiram e podem ainda existir alguns criacionistas participantes do fixismo stricto sensu e já existiram e podem ainda existir participantes do fixismo lato sensu, visto que o movimento criacionista é diversificado.

O que parece ser mais acertado é não generalizar, mas querer extirpar que alguns participaram ou ainda participem do fixismo é um pouco de exagero.

Na definição da Wikipédia fixismo é:

Fixismo era uma doutrina ou teoria filosófica bem aceita no século XVIII. O fixismo propunha na biologia que todas as espécies foram criadas tal como são por poder divino, e permaneceriam assim, imutáveis, por toda sua existência, sem que jamais ocorressem mudanças significativas na sua descendência. Um dos maiores defensores do fixismo foi o naturalista francês Georges Cuvier.

O fixismo na geologia, sustenta que os continentes teriam se mantido estáveis e fixos em seus lugares atuais através de toda história geológica. Essa corrente de pensamento antecede historicamente a teoria proposta por Alfred Wegener em 1912, da deriva contiental, que propõe que os continentes tenham se movido ao longo das eras. Atualmente a deriva contiental é aceita na forma da teoria das tectônica de placas, mas o fixismo geológico persistiu sendo defendido por um considerável tempo até que o acúmulo de evidências eventualmente favoreceu a aceitação científica da deriva continental. (FIXISMO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2009. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fixismo&oldid=16300360>. Acesso em: 3 mar. 2010).

Criacionistas odeiam Darwin e a evolução

Seguindo a mesma linha da seção anterior também parece ser forçoso extirpar todos os criacioniostas de um “ódio”, porque é possível que alguns façam debates motivados por um ódio. Ainda mais quando no desconhecimento da teoria estão, apenas para sustentar suas crenças. E como já citado, existe uma passagem no texto que o autor assume que existem debates fora de foco, e portanto baseados em desconhecimento – para estes é plausível que, em face no desconhecimento parcial ou total, façam suas críticas com um ódio. Entretanto é mais forçoso ainda querer que todos eles devam necessariamente odiar, pois parece que estamos imputando uma infantilização; o que sabemos ser errado (e parece que é este último pensamento de generalização que o autor combate acertadamente).

O mais certo é, julgo, considerar que não precisa ser um ódio a motivar os criacionistas, embora alguns possam padecer deste ítem. Mas, mesmo assim, não podemos generalizar. Talvez, na melhor interpretação possível, os que podem efetuar debates por ódio o façam por equívoco ou desconhecimento da teoria da evolução.

O autor diz o seguinte:

Segundo o biólogo Tarcísio da Silva Vieira, mestre em Química pela Universidade de Brasília, professor universitário de Química Orgânica e membro colaborador da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), simpatizantes do modelo criacionista que tenham tido formação acadêmica entendem a importância da teoria da evolução e reconhecem a contribuição dada por Darwin à comunidade científica. “Entendemos que há aspectos no evolucionismo fundamentados, os quais são úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, assim como para a interpretação de dados. A esses aspectos nenhum criacionista que tenha formação científica se opõe. Porém, como em toda teoria, há alguns pontos no evolucionismo que não são sustentáveis e devem ser questionados, seja por um cientista ou por um estudante de ciências”, pondera.

Os palestrantes da SCB deixam isso evidente no trabalho que vêm realizando no País. “Por isso”, diz Tarcísio, “quando escritores desprovidos de conhecimento do que é o modelo criacionista afirmam que as teses defendidas pelos simpatizantes do criacionismo vão contra o desenvolvimento de vacinas e antibióticos, ou mesmo contra o desenvolvimento científico, estão sendo desonestos.”

A bióloga Márcia Oliveira de Paula, doutora em microbiologia e presidente do Núcleo de Estudos das Origens (NEO), do Centro Universitário Adventista (Unasp, campus São Paulo), arremata dizendo que “a teoria da evolução não consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de matéria não viva; também não consegue explicar a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos; não consegue explicar o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais. Em relação ao registro fóssil, a teoria da evolução não consegue explicar a Explosão Cambriana [surgimento repentino de formas de vida complexas no registro fóssil]; e também não consegue explicar a falta de formas de transição entre os principais grupos de organismos”.

O que ocorre, de fato, é que, como já visto, criacionistas se opõem a aspectos do darwinismo e não têm motivos para “odiar” Darwin – ou qualquer outro ser humano. Além do mais, o que a maioria das pessoas diz que Darwin disse ou é lenda urbana, ou é derivado da teoria darwinista, e não do próprio punho dele.

De qualquer forma, fica registrado o intuito do autor a esclarecer a abertura de um debate epistemológico, que julgo ser importante e que também defendo, que é assumir, em outras palavras as limitações científica (e ao meu ver também a falibilidade humana) e discutir os pontos em que a teoria evolucionista possui supostas lacunas. Este seria uma forma legítima. Porém não vejo que esta abertura meta-científica, epistemológica, possa representar uma legítima substituição do evolucionismo pelo criacionismo. Até porque o debate das limitações não fica somente em uma teoria; qualquer possibilidade humana de teorizar possui lacunas devido ao seu escopo de estudo (E isso não constitui argumento para sua inferiorização, visto que uma ciência ou teoria ter limites não é sinônimo em falhar em seu escopo – este último sim é motivo para troca, ver por exemplo a história do éter).

Particularmente acho importante a discussão dos limites e escopos das ciências e suas teorias (e por isto escrevo neste blog), mas isto não é argumento suficiente para uma necessária substituição, como já abordado, visto que a própria ciência trabalha em retrabalhar seus tecidos teóricos, até certo grau.

Criacionistas creem no Deus das lacunas

O autor afirma:

Essa acusação faz parecer que os criacionistas colocam Deus como explicação para todas as questões não respondidas em ciência, dando a impressão de que são pesquisadores acomodados.

Não necessariamente. Significa que existem pontos que, dentro de uma metodologia com explicação do natural estes assumem explicações sobrenaturais. Afirmações que podem ser tomadas como incompatíveis com o método empregado na ciência em que está se trabalhando.

(…)Ao contrário disso, segundo Tarcísio, “investigar a natureza e fazer ciência é uma motivação deixada pelo próprio Deus ao ser humano. (…)

Esta é uma afirmação de fé. Um cientísta panteísta poderia afirmar que é uma tarefa dada pela natureza. Um cientísta antropocentrista poderia afirma que é uma tarefa que naturalmente existe em função de nós humanos. Um outro cientísta ateu pode afirmar que é simplesmente uma tarefa de sua profissão. Da mesma forma um cientísta teísta pode afirmar também ser uma tarefa de sua profissão. Um cientísta x pode afirmar ser sua competência ética. Esta é uma afirmação de cunho religioso e não procede para explicar o porque o criacionista não crê em um Deus das lacunas.

O criacionismo afirmando que não temos como reduzir a complexidade da informação biológica (interpretada por muitos como uma lacuna explicativa) e portanto isto seria conclusão da existência de um Deus, embasa-se justamente na suposta lacuna de uma explicação mais convicente a respeito da multiplicidade e irredutibilidade da informação biológica.

(…)Ao observar um fato que aparentemente se oponha às teses que se acredita estarem corretas, um pesquisador criacionista simplesmente não fecha os olhos ou procura distorcer os fatos para ‘encaixar’ a realidade em sua visão de mundo“.(…) [Grifos meus].

É tendencioso afirmar que pesquisadores não-criacionistas fecham os olhos e distorcem fatos por não se encaixar na teoria. Deve ser de conhecimento geral como a ciência funciona seus trabalhos e retrabalhos teóricos, envolvidos em aperfeiçoar hipóteses auxiliares, e que isto não constitui ilicitude no processo científico (e que é diferente de “distorcer”).

Entretanto a questão de existência de fraude em ciência é um tema que está além deste funcionamento – a ciência, como qualquer outra atividade humana está passível de possuir casos de fraudes, por causa de motivações pessoais dos cientístas; mas isto é estruturalmente diferente de dizer que re-trabalhar teorias (hipóteses auxiliares) sob a luz de novas evidências é necessariamente equivalente a fraudar.

Fraudar um fóssil é uma coisa, discutir conceitos teóricos e re-trabalhar a teoria é outra coisa.

Um exemplo disso foi a descoberta de pegadas humanas com pegadas de dinossauros no leito do rio Paluxy, no Texas, EUA. Depois de algum tempo, conforme explica o Dr. Roberto Biaggi, diretor do Geoscience Research Institute (filial argentina), foi descoberto que as pegadas de dinossauro eram genuínas, mas as humanas, não. Quem descobriu a fraude? Cientistas criacionistas do GRI, mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. Seria uma tremenda prova da coexistência entre humanos e dinossauros, mas a honestidade científica sempre deve prevalecer. [Grifos meus].

A existência de um caso como este é ótimo, mas não serve de exemplo que criacionistas devam ser mais éticos que outros cientistas com posições de fé diferentes. Usar isto como exemplo é generalizar. E não constitui explicação do porque o criacionismo não está relacionado com Deus das lacunas.

Essa discussão toda é entre fé e ciência

O autor diz:

Na verdade, conforme explica o biólogo Tarcísio, o verdadeiro embate entre as argumentações evolucionistas e criacionistas está centrado na existência ou não de planejamento e intenção nas coisas existentes. (…)

O Evolucionismo baseia-se em explicar a origem das espécies, sua multiplicidade por meio a bases naturais. Lógico que o criacionista vê nisso um problema, visto que para alguns isto representa um corte com sua crença em uma Ser criador. Embora existam evolucionistas que possam acreditar em Deus, o criacionismo quer pôr isso em formato científico. Então o embate não é somente no “planejamento e intenção de coisas existentes”, em primeiro plano sim, mas também na inserção de uma explicação além-ciência dentro do escopo científico. É como se alguem quisesse explicar a queda dos corpos com uma intenção de um algum tipo de ser (não precisa ser necessariamente Deus) ou algum outro tipo de intencionalidade do mundo em chamar uma pedra ao chão. Esse tipo de pensamento teleológico era de certa forma empregado na física aristotélica.

(…) Dentro desses limites, a discussão poderia ser puramente científica. Enquanto o evolucionismo defende a ideia de acaso e aleatoriedade, buscando explicar a vida como o resultado de causas puramente naturais, o criacionismo defende a ideia de propósito e planejamento, buscando explicar a vida como sendo resultante da ação criadora de um Deus que ainda hoje se relaciona com o ápice de sua criação: o ser humano. [Grifo meu].

Está claro, principalmente na segunda parte grifada, a inserção de fatores de paradigmas sobrenaturais por cima de uma ciência que não possui este tipo de escopo.

O que a mídia popular procura fazer é polarizar a discussão como se tudo se tratasse de ciência versus crendice e irracionalidade. (…)

Historicamente foi este o intuito dos primeiros criacionistas, um embate entre a ciência produzida na época e a fé por eles creditada (portanto não creio que a palavra “crendice” seja acertada em usar).

(…) Para Enézio Eugênio de Almeida Filho, mestre e doutorando em História da Ciência pela PUC-SP e coordenador do Núcleo Brasileiro de Design Inteligente, “essa controvérsia é resíduo do ranço materialista do século 19. A controvérsia no século 21 não é se as especulações transformistas de Darwin contrariam relatos de criação das concepções religiosas, mas se as evidências corroboram Darwin. Elas não corroboram, e aí está o ponto científico que deveria ser abordado ouvindo-se os dois lados publicamente. Elas apontam em outra direção: design inteligente”. [Grifos meus].

É muito bonito quando afirma que deve-se verificar (e que este seria o atual embate) no fato de evidências corroborarem ou não a teoria da evolução. Mas é importante questionar: qual a gravidade das evidências que, supostamente, não corroboram com a síntese evolutiva? Será que são relacionadas a conceitos centrais da teoria, ou será que são conceitos que são de hipóteses auxiliares, ou ainda de interpretação duvidosa a cerca da não corroboração? É importante saber disto porque também existem muitas evidências que corroboram com a mesma.

Não será tendencioso dizer que, toda e qualquer evidência que a priori enfraqueça uma parte da teoria da evolução tem que ser necessariamente uma evidência que aponte para o design inteligente? Isto pode ser uma afirmação baseada (norteada) na fé. As mesmas evidências poderiam ainda não representar elo lógico a esta teoria. Seria uma generalização.

Os pontos seguintes citados como “desvio” do embate, são todos pontos em que são estudados e possuem certas explicações a respeito.

Criacionistas querem introduzir religião nas aulas de ciências

Dentre algumas afirmações do autor a respeito do conhecimento da laicidade do Estado pelos criacionistas, além da falta de profissionais na área, podemos destacar que o mesmo afirma que não é necessariamente interesse dos criacionistas ensinar nas aulas de ciência, pelo menos no Brasil, o criacionismo. Isso, particularmente, acho bom. Ainda prossegue dizendo que é melhor ensinar criticamente o darwinismo expondo acertos (o que é bom, pois alguns criacionistas põem tendenciosamente a evolução como um emaranhados de erros) e seus erros. Isto seria melhor ainda, pois advogo inicialmente uma posição similar, não somente à teoria da evolução, mas a toda ciência, ensinando que ela não é uma mágica infalível, mas sim uma empreitada humana – e por este motivo acho que a palavra ‘erro‘ equivoca-se, pois teorias podem ter falhas periféricas em seu desenvolvimento.

Portanto acho que melhor, e mais amplo, ainda seria ensinar também o mecanismo metódico que se segue da ciência, para que não se tome falhas periféricas e passíveis de revisão como falhas estruturais (e esse equívoco é muito comum quando é atribuído cosmovisões determinadas para interpretar tais falhas). Assim, seria de muito mais valia ensinar que nem sempre quando apontam uma falha, ela deva ser estrutural. E este é um erro comum entre os interlocutores criacionistas (talvez por um desconhecimento da dinâmica científica, talvez por outros motivos).

Entretanto esta tarefa não seria puramente das aulas de ciências. As aulas de ciência adquirem um papel de propagadoras da ciência. Uma aula nos moldes defendidos por Michelson e, mais amplamente, nos meus moldes seria voltados à epistemologia. A aula de ciência seria aula do que é ciência e quais são as ciências desenvolvidas atualmente; além de suas nuances e curiosidades. Porém admito que é uma tarefa um pouco utópica, mas quem sabe um dia poderá ser realizável?

O autor afirma:

Não existe interesse algum (pelo menos no Brasil), ao contrário do que é divulgado pela mídia, de que as teses defendidas pelo modelo criacionista substituam a teoria da evolução ensinada nas escolas e universidades (tanto é que escolas criacionistas como a Adventista e a Mackenzie incluem os dois modelos em seu currículo). Obviamente, não há nenhuma oposição ao ensino do modelo criacionista em escolas confessionais, uma vez que há abertura constitucional para isso.

Mas ao analisarmos a história do pensamento criacionista nos EUA, damos conta que existem sim movimentos para o ensino criacionista. Não me admiraria se aparecessem adeptos do ensino criacionista, mesmo sem este ser tomado necessariamente como ciência (como demonstrado ao longo deste ensaio).

Criacionistas querem unir igreja e Estado

Se analisarmos segue a mesma linha do tópico anterior. Pode ser que nem todos criacionistas queiram este propósito, mas se pensarmos é plausível, pela multiplicidade de posição dos criacionistas que exista alguns que queiram tal propósito.

Ele diz:

Recentemente, foi divulgada a notícia da inauguração do cíclotron da empresa Sistemas Médicos Varian, tido como a melhor máquina destruidora de câncer do mundo. O que pouca gente sabe é que o cíclotron (acelerador de partículas utilizado no tratamento à base de prótons) foi inicialmente utilizado pelo Hospital Adventista de Loma Linda, na Califórnia – uma instituição criacionista.

Mas isto não é necessariamente fruto das elocubrações criacionistas. A posição religiosa não é implicação para o desenvolvimento de tecnologia. É independente.

Superficialidade e preconceito

São grandes os desafios do jornalismo científico numa sociedade cientificamente analfabeta. O problema é que, na busca por vender e alcançar o público, esse tipo de jornalismo acaba se tornando muito superficial (com raras exceções).

Concordo. O autor continua:

A superficialidade só perde para o preconceito. O povo que ainda lê alguma coisa está aos poucos sendo condicionado para repudiar os criacionistas como (as “qualidades” que seguem foram todas usadas em reportagens e artigos) fundamentalistas, antiintelectuais, esquizofrênicos, obscuros, e por aí vai (Marcelo Gleiser chama até de “criminoso” quem ensina o criacionismo).

Realmente não podemos generalizar. É ponto sábio, entretanto também devemos olhar criticamente quando são apontadas supostas falhas na teoria da evolução com estardalhaço, sem refletir o mecanismo do funcionamento da ciência, e o que é pior, podendo haver distorções em interpretações de resultados. Os criacionistas são humanos como evolucionistas e ambos podem padecer de problemas éticos. É necessário, portanto, saber o funcionamento da ciência para avaliar cada caso de maneira real.

Conclusão

Concordo de certa forma quando o autor diz que devemos fazer uma reflexão e debater o tema sem preconceitos, e espero que aqueles que tenham o cunho criacionistas ao lerem este artigo que vos faço, eu não seja mal interpretado; pois estou fazendo a minha melhor leitura ao artigo comentado e em minha epoché encontrei pontos falhos no artigo analisado.

Por estes motivos expostos ao longo do artigo, não creio que as alegações levantadas por Michelson possam enquandrar o criacionismo como algo científico. A ciência, como produto bem humano, procura explicar as coisas do mundo, no mundo e com dados que nos estão disponíveis a nível de justificação com bases a coisas no mundo (empiria, coerência entre teorias, falseamento) – norteadas por imagens de ciência e de natureza que muitos alegam ser baseada no naturalismo: pudera, esse corte é efetuado porque a explicação de cunho científica sempre procura ser testável/observável e por conseguinte poderá ser refutável.

Um criacionismo que se baseia em teologia (estudo filosófico de Deus) ou em teleologia (estudo das causas finais) não me parece uma boa alternativa para algo que será refutável por empiria: a teologia e a teleologia não são explicações acerca do que está necessariamente no mundo. Além do mais a teleologia usada no criacionismo é trivial e não é tão sofisticada como pode parecer a primeira vista: parece apontar lógica e necessariamente para um ser fora do mundo. Asserções de seres fora de nosso mundo não são testáveis/observável. O fato de não ser testável não exime a possibilidade de uma existência, mas exime o caráter que o argumento que o utiliza como algo científico. Poderia até afirmar que certos fatores apontam observacionalmente para uma inteligência, mas será que realmente apontam, ou não será apenas uma interpretação devida a uma imagem sobrenatural?

E se não pode ser científico, creio que deve ficar onde está: é religião.

Porque querer transformar uma explicação de cunho religioso em uma tipagem, talvez não verdadeira, de “científica”? Se eu refletir sobre o assunto parece que a questão envolve “garantia”, mas não uma garantia científica, e sim uma garantia social: onde parece ser necessário, para aquele que acredita no criacionismo como algo científico, colocá-lo obrigatoriamente como científico e por isso abusos acontecem.

Isto não significa que um cientista não deva ter fé, ou deva ser necessariamente ser ateu. Isto é de cunho pessoal e o uso que o mesmo atribuir à ciência pela sua fé não é sinônimo de ciência.

O criacionismo científico parece um produto de “marketing” da era em que uma confiança exacerbada na ciência está presente. Está tão presente que o criacionismo, que é uma explicação religiosa por excelência, teve de se curvar a entrar no status de científica. É problemático. As bases de um criacionismo como científico parecem não se sustentar como ciência (assim como entendemos modernamente a ciência), mas seus adeptos tentam de muitas formas colocar como algo necessariamente científico.

Não vejo porque uma pessoa que acredite em Deus não possa fazê-lo ainda que concorde com a teoria da evolução: doxas (opiniões) de cunho religioso podem ser criados e levantados normalmente por mesmos aqueles que trabalham com o que é ciência; pelo simples fato do que é religioso é de cunho pessoal (eu acredito em algo, você pode acreditar em outras crenças) e portanto não é uma explicação fadada a testabilidade empírica (explicações ad hoc são agregáveis à teorias religiosas).

Apesar disto a discussão entre criacionismo e evolução não é inútil. Serve para que possamos avaliar, meta-cientificamente, a respeito da evolução. Pode ser benéfica, desde que respeitada a natureza de fé do criacionismo (e sem usos retóricos que alguns outros criacionistas fazem da evolução dizendo que é uma [sic] “fé ateísta”). Entretanto o mesmo benefício que pode ocorrer contra uma confiança exagerada à ciência e, porventura, no provimento de revisões úteis em conceitos evolutivos (pelo debate entre as partes, que pode ser tomada por qualquer outro ramo; não sendo benefício exclusivo deste debate citado) pode acabar sendo desmantelado e retardado, se falácias forem empregadas e distorções apresentadas acerca do que é ou não produto científico.

Assim, assumir o criacionismo como uma “ciência” em detrimento da teoria da evolução como algo não-científico pode acarretar muito bem a perda deste benefício supracitado. A meu ver, se os debates forem dirigidos como Michelson pede, pode haver benefício, mas desde que, em minha opinião, se assegure o lugar do criacionismo (no seu magistério de fé) para que o mesmo não seja tomado como uma pseudociência.

Por estes todos motivos, ainda continuo me perguntando, mesmo depois de ler o artigo, o que é, de fato, o criacionismo dito “científico”? Uma teoria científica, ou uma teoria religiosa? Se é científica deverá ser testável/observável e refutável. Mas parece não ser refutável.

Então, com base nestes preceitos, o que é mesmo o criacionismo?

O conceito “criacionismo” deve ser tomado mais como algo para destacar – classificar – uma característica religiosa (religiões que professam o mundo como criado por um Criador específico), do que para ser empregada como uma explicação do que é o nosso mundo; pois visto que (desde o esquema apresentado anteriormente) o criacionismo não pretende explicar o nosso mundo físico e sim enquadrá-lo numa explicação que gira em torno de uma cosmovisão anexada a um magistério de fé, sabe lá por qual motivo: seja para tentar justificar a própria fé em prol de uma garantia, ou seja por outro motivo ainda não vislumbrado por este que aqui vos escreve.

Arnaldo Vasconcellos

____________________________

(1) – O artigo foi sugerido por Fabrício Lovato em conversas particulares sobre o criacionismo e evolucionismo.

P.S.: Existem hiperlinks para sites externos e para artigos meus neste blog durante este ensaio. Seria muito interessante a leitura dos mesmos, pois abordam temas que são citados neste ensaio.

Educação, Epistemologia, Evolucionismo, Filosofia, Gerais, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

  1. 5, Março, 2010 a 12:30 | #1

    Ahhhh vou ler com muito vagar esse artigo. Parece-me ser uma ótima abordagem, amigo. Abraços…

  2. 5, Março, 2010 a 21:52 | #3

    Por favor, amigo, enquanto bebo suas palavras nesse artigo, peço a gentileza de dar uma lida no artigo que acabei de publicar em meu blog sobre esse assunto. Abraços

    http://blog.gilbertomirandajr.com.br/2010/03/acaso-aleatoriedade-e-proposito-parte-2.html

  3. 6, Março, 2010 a 00:32 | #5

    Prezado Arnaldo

    O que o criacionismo não é…? Científico….

    E eu li o artigo do qual o seu artigo é resposta e gostaria de enfocar alguns pontos a mais. Infelizmente e me responsabilizo por isso, não consegui dar seu tom fleumático. Entendo seu posicionamento e concordo com sua análise, porém onde você não vê caráter enganatório, infelizmente vejo, inclusive de um recorrente auto-engano. Mas vamos em frente…

    1 – O Criacionismo é anticientífico

    O primeiro argumento Michelson é um argumento falho. Ele nivela os paradigmas a partir de um suposto aspecto metafísico, ao invés de nivelar por algum critério de cientificidade. Se, por um acaso, ele ou o geólogo Nahor conseguir demonstrar o aspecto metafísico da Teoria da Evolução, isso não nivela a sua cientificidade com outras abordagens. É um argumento falacioso que podemos chamar de falsa ênfase ou falso espantalho.

    Outro problema nesse argumento é confundir a Teoria da Evolução com o evolucionismo. Um erro comum entre os criacionistas, pois eles não conseguem desvincular suas supostas proposições científicas do campo religioso. A questão da abordagem científica está além da posição filosófica naturalista, e sim centra-se na recusa metodológica em aceitar proposições que não se submetem a falseamento.

    Terceiro ponto é ele citar cientistas criacionistas com publicações indexadas no meio científico. Isso é falacioso, pois não me consta que alguma publicação aceita traga uma demonstração da existência de um design inteligente. Essa é a prova, inclusive, que a ciência não discrimina ninguém com base em suas crenças pessoas, desde que faça ciência e não tente empurrar crendices como científica. Esses cientistas, mesmo criacionistas, fizeram ciência, ponto final, e não criacionismo, muito menos um suposto e inexistente, “criacionismo científico”.

    Logo, sob os critérios de cientificidade e não de “metafisicalidade” (neologismo necessário, embora esquisito), o criacionismo é anticientífico.

    2 – Criacionistas são fixistas

    Explicar a variação pela vontade de Deus ou por um dom que Deus tenha concedido aos seres vivos é uma explicação tautológica e anticientífica. O Michelson deveria saber. Um criacionista aceitando a variação a partir dessa explicação, não é um criacionista “bem informado” como ele diz. É apenas um crente que explica tudo a partir da vontade de Deus, sem sequer ter condições (aliás como todos nós) de determinar o que Deus quer ou não quer, quanto mais para afirmar isso.

    Outro problema na suposta explicação que ele tenta é a definição do termo “microevolução” e “macroevolução”. Houve, por conta dos criacionistas, uma deturpação desses termos técnicos. Microevolução ocorre a nível de organismo, ao passo que macroevolução ocorre em nível populacional.

    Para a Teoria da Evolução não existe diferença entre micro e macro nos termos que eles usam. Eles mudaram o conceito para atender a uma necessidade de refutação baseado em algo que não tem delimitação na teoria evolutiva.

    E onde estaria essa diferenciação que eles afirmam? Onde está o critério de falseabilidade para que a Macroevolução, na acepção deles, não deva ocorrer? O que precisaria ser corroborado empiricamente para ela não ser um postulado científico? Isso eles não definem. Eles apenas afirmam que ela não pode ocorrer porque partem do principio (uma mera petição de princípio baseada em seu cânone) de que Deus teria criado os filos definidos, completos e fixos, cabendo apenas variações circunstanciais dentro do filos.

    Nenhum criacionista consegue dar uma definição de “espécie”, sendo que Darwin já denunciava em seu livro que esse termo carrega uma arbitrariedade humana, a despeito dos mais profundos estudos taxonômicos. Cientificamente eles precisam oferecer um critério de falseabilidade que se submeta a testes refutativos para a afirmação de que não haja ou não seja possível mudanças de filos (por mais arbitrário que seja essa definição) e, por outro lado, conseguir explicar muito bem a existência de fósseis transicionais e genes inativos nos organismos que indicam claramente a evolução de um filo para outro. Mas como se eles negam essa evidência sem demonstrar sua invalidade?

    Ou seja, são fixistas sim… A questão não é de generalização, mas de uma petição clara de princípio que eles assumem abertamente.

    3 – Criacionistas odeiam Darwin e a evolução
    Particularmente eu concordo com o citado Tarcísio da Silva Vieira, embora não seja possível fazer esses questionamentos a partir de crendices e sim com ciência. Com ciência, até hoje, todo questionamento foi verificado e incorporado ao corpo teorético da teoria da evolução, como por exemplo a questão do equilíbrio pontuado de Gould.

    Querer questionar ideologicamente uma teoria com fundamentação científica gera sim ódios e ressentimentos, ainda mais quando ela é um prato cheio para outros radicais (agora ateus) afirmar a inexistência daquilo que, culturalmente, é caro para eles.

    No entanto, mesmo havendo desonestos de ambos os lados, muito dos argumentos criacionistas se baseiam na refutação da própria cientificidade da Teoria, o que, sem precisar de grandes hipérboles, provoca o argumento ad absurdum de que eles estariam sendo contra antibióticos e vacinas. E olha que certas denominações realmente são, inclusive contra transfusão de sangue e doação de órgãos.

    O pior é uma bióloga, a tal de Márcia Oliveira de Paula, que afirma: “a teoria da evolução não consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de matéria não viva” – ora, logo se vê que ela não leu a Teoria da Evolução e confunde (erro muito comum entre os criacionistas) a Teoria com a visão evolucionista. A Teoria da Evolução versa sobre o fenômeno observável chamado ESPECIAÇÃO, ou seja, a formação do que chamamos espécie e não da origem da vida.

    A questão aqui não é nem de ódio à Darwin ou à Teoria da Evolução, e sim uma clara intenção de deturpá-la e encaixá-la no que ela não é, para ser alvo de ataques obscurantistas a favor da ideologia religiosa criacionista. Ou seja, é o mesmo que ódio. Eles querem destruir o que não conseguem aceitar, pois irão sair de suas posições confortáveis do universo estático que precisam para saber para onde vão.

    Uma série de teorias se agregam por extrapolação teórica à proposição original da Teoria da Evolução para explicar o que ela não trata, mas não faz parte da Teoria. Transformar tudo isso em um balaio ideológico é criticar algo a partir daquilo que pretende se fazer. Ou seja, aquilo que eles acusam a Teoria da Evolução é simplesmente o que eles querem para si como legitimação do que precisam para agir. Mas para fazer isso eles precisam deturpá-la, pois ela não atende aos delírios que eles inventam.

    E a confusão é vasta… Eles não conseguem separar, epistemicamente, os aspectos da Teoria que foram corroboradas cientificamente e as especulações de um Spencer, Galton, Dawkins e outros que se apropriaram da teoria para fazer valer suas próprias crenças e desejos. Pífio…

    4 – Criacionistas creem no Deus das lacunas

    Esse nem precisa comentar, veja a explicação sobre o por que aquilo que eles chamam de macroevolução não deve ocorrer. “Porque Deus não quer ou não fez assim”… Como sabem? Ahhh sim, pela bíblia. Está provado então…

    No entanto, concordo com ele que criacionistas não sejam pesquisadores acomodados. Eles são abnegados, esforçados, comprometidos e profícuos. Pena que não fazem ciência. Quando fazem, ou seja, quando abrem mão de suas crenças para pesquisar cientificamente, são inclusive reconhecidos. Ao contrário deles, a ciência não discrimina ninguém por pensar diferente, mas possui um método que precisa ser respeitado e que a caracteriza como tal. Pesquisadores criacionistas assumem uma petição de princípio indemonstrável, tautológica e não-falseável, logo esse esforço todo serve apenas para suas crenças e não pra a ciência.

    Concordo que a honestidade científica deva prevalecer. Quisera que toda a honestidade se constituísse em um dever a ser preservado. Pena que não é.

    5 – Essa discussão toda é entre fé e ciência

    No primeiro parágrafo há uma contradição. O velho argumento de que o evolucionismo prega o acaso entra em conflito com a afirmação de que a evolução seja um resultado de causas naturais. Se existem causas naturais não existe acaso. Falta, portanto, conhecimento para não afirmar que a TE se baseia no acaso. Desfaço alguns mitos em meu artigo que linkei no comentário anterior.

    Outro equívoco conveniente que os criacionistas propagam é que o evolucionismo parte do pressuposto de causas naturais, como se abrir mão de partir de um pressuposto fosse uma pressuposição. Não se parte de uma causa, procura-se a causa. Se a causa for inteligente ela será encontrada. A busca da causa procura suspender juízos, porém todas as descobertas deram conta, ao menos até agora e no que foi possível corroborar, que uma causa inteligente é desnecessária, embora até fosse suficiente.

    Mais uma vez a argumentação criacionista parte da equiparação entre o que eles acusam a TE e o que eles fazem para que sejam legitimados como ciências. É um argumento pífio, pois a postura evolucionista não parte de um princípio incausado e nem afirma que não haja um Design. Ela procura causas e se e encontrar o Demiúrgo dos criacionistas irá elaborar formas de corroborá-lo; coisa que eles não foram e não são capazes de fazer.

    A questão, mais uma vez (e mencionada no meu referido artigo) é falsificacionista e não verificacionista. O verificacionismo não é mais científico desde que o positivismo caiu pelo racionalismo lógico de Popper.

    Quando a questão se centra entre qual petição de princípio assumir, então não estamos falando mais de ciência e sim de fé. Eles querem porque querem que o evolucionismo seja encarado como fé para que eles possam se imiscuir na ciência, mas não tem argumentos que demonstrem isso sem ter que deturpar a teoria a favor deles. Não há uma petição de princípio ideológica na ciência, e sim uma busca paradigmática. A ciência é laica e portanto deve, heuristicamente, suspender juízos. Conforme suas explicações vão sendo corroboradas sem a necessidade de assumir uma petição, o que foi corroborado tende a virar uma petição, mas com causa provável e não como pressuposição a-crítica baseada em crença.

    Como já afirmei, o ceticismo científico não é pirrônico e sim metodológico.

    O Enézio Eugênio, citado, afirma algo simplesmente mentiroso: “Elas [as evidências] não corroboram [Darwin], e aí está o ponto científico que deveria ser abordado ouvindo-se os dois lados publicamente.”

    Quais? Flagelo? Cílios? Coagulação? Datação de Carbono? Baseado em quê essas evidências não corroboram? Há explicações evolucionistas bem consistentes para tudo isso, embora não sejam estritas e reprodutíveis. Mas ciência é assim… A questão, mais uma vez, não é verificacionista, mas sim falsificacionista. Onde estão as evidências que falseiam a TE com base nelas? É preciso primeiro demonstrar que um flagelo não se forma evolutivamente e não dizer que a evolução não explica. Eles invertem o ônus da demonstração num claro desconhecimento do método. E ainda falam de “criacionismo científico”. Francamente….

    Os itens que ele menciona…

    1 – Ele esquece que o “mecanismo neodarwinista” (termo errôneo, pois não se trata de mecanismo e sim de campo teórico) não se restringe só a variações aleatórias e seleção natural. Entra em jogo complexidade e teleonomia (que também abordo em meu artigo). Portanto, explica sim…

    2 – Mais uma desinformação. As mutações contribuem muito pouco para evolução. A varialidade é muito mais dada pela recombinação gênica integrada ao ambiente do que por mutação. Levando em consideração as equações de Lorenz (Teoria do Caos), uma mutação mínima causa um efeito cascata de dimensões tais que só a teleonomia da relação organismo-ambiente pode controlar. Desinformado, portanto.

    3 – Ora ele fala do neodrawinismo (termo estranho que cientificamente ficaria melhor a Teoria Sintética), ora, quando lhe convém, se restringe apenas ao que Darwin falou. Darwin teorizou sobre um gradualismo que já se constitui em apenas um aspecto da evolução. Logo esse item está cheio de desinformação novamente.

    4 – O limite é teleonômico, o que faz total sentido com a TE e explica porque ao longo do tempo as mudanças só ocorreram dentro dos filos. Mas não desfaz de forma alguma a idéia de ancestralidade comum.

    5 – Mentira. A Teoria Sintética da Evolução incorpora a questão da complexidade que justamente concilia um visão reducionista com uma visão holista. Uma estrutura complexa possui partes heterogênias por definição, embora possa surgir gradativamente por transformação de partes afins e semelhantes. Mais uma vez desinformado.

    6 – A conservação ou auto-regulação só acontece na estabilização do ambiente na relação que possui com o nicho ou pool genético. Onde acontece complementação da Teoria eles enxergam, convenientemente, refutação. Balela…

    7 – “provado”… E onde ele tem sido refutado? Ele não diz…

    Por fim, vale reproduzir aqui um trecho de meu artigo, pois cai como uma luva:

    “Muito dos argumentos ancoram-se num claro desconhecimento (ou mesmo deturpação por má-intencionalidade) dos fundamentos da Teoria da Evolução de Darwin. Eles, dissimuladamente ou “inocentemente” ficam indignados com o desprezo que, em geral, a comunidade científica lhes confere. Pudera! Como discutir ou dar ouvidos a quem, claramente, desconhece ou deturpa aquilo do qual pretende criticar? Se não conhece ou deturpa o que critica, a probabilidade de estar propondo algo absurdo (deturpado ou sem conhecimento) aumenta substancialmente. Para quê ouvir?

    No entanto eles são alertados disso. Mas ao contrário do que se espera (que eles se atualizem e se aprofundem naquilo que pretendem criticar), eles partem para acusações inócuas de teorias de conspiração e complôs ateístas contra Deus e a religião. Pior, levam crédulos a desprezar a ciência e a se fanatizarem por conta desse expediente condenável de obscurantismo proposital.”

    Pois é…

    6 – Criacionistas querem introduzir religião nas aulas de ciências
    Nesse ponto ele toma como refutação dessa afirmação alguns poucos que reconhecem a laicidade do estado. Mas toma a minoria como “prova” da inexistência. Oras… Vale a pena ler meu artigo sobre isso:
    http://blog.gilbertomirandajr.com.br/2010/02/o-ensino-do-criacionismo-em-aulas-de_07.html

    7 – Criacionistas querem unir igreja e Estado
    Pelos projetos políticos baseados num moral mosaica anacrônica, como por exemplo a marcha contra a lei da homofobia (chamada pelos evangélicos de lei da mordaça gay) é possível inferir isso. Porém, não é analisado o que nos levaria a pensar essas coisas, só é pincelado os exemplos que não tem relevância, como uma suposta conspiração alardeada por Dawkins. Dawkins não fala pela ciência e nem pela Teoria da Evolução. Ela fala por suas concepções. Alguém já leu algum artigo indexado dele corroborando a inexistência de Deus? Assim como não vemos artigo indexado de cientistas criacionistas corroborando o DI. Ou seja, mais uma vez eles querem validar a suposta anticientificidade do outro lado para validar a deles. E se chamam de científicos fazendo isso.
    Com essa frase eu concordo: “Criacionistas e darwinistas podem fazer boa ciência e não precisam apelar à política para defender religião – ou ateísmo (sim, porque Estado laico não significa Estado ateu).” – e eles fazem quando não transforma suas crenças em plataformas. A ciência aceita ambos. Mas agora vem a pergunta: o que é reconhecido como ciência? Pois é, a Teoria da Evolução e não o criacionismo. Porque?

    8 – Superficialidade e preconceito
    A abordagem jornalística salutar é quando um jornalista falar de ciência, é falar de ciência e não apresentar como científico uma abordagem religiosa só porque tem um grupo que exige isso sem oferecer cientificidade às suas crenças. Simples assim…

    E é verdade, “O “ano de Darwin” ainda promete muita discussão mal focalizada. Os mal entendidos continuarão sendo impressos e veiculados por parte de pessoas que recusam se enfronhar no âmago da questão.” – A começar por blogs criacionistas perpetuando a desinformação…

    Desculpe-me, amigo Arnaldo, não queria dar esse tom ao meu comentário, te eximo de qualquer responsabilidade por ele. Respondo por tudo o que escrevi. Se quiser deletar eu entendo, mas essa desinformação, seja por desconhecimento ou má intencionalidade precisa ter uma resposta à altura, porém inversamente proporcional: enérgica sim, mas a favor da verdade.

    Abraços
    Gilberto

    • 7, Março, 2010 a 02:03 | #6

      Olá Gilberto,

      Gostei muito de seus comentários!

      Você disse

      “Desculpe-me, amigo Arnaldo, não queria dar esse tom ao meu comentário, te eximo de qualquer responsabilidade por ele. Respondo por tudo o que escrevi. Se quiser deletar eu entendo, mas essa desinformação, seja por desconhecimento ou má intencionalidade precisa ter uma resposta à altura, porém inversamente proporcional: enérgica sim, mas a favor da verdade.”

      – Quê isso? Deletar? Nunca! Este comentário é muitíssimo valioso, e mesmo que não o fosse, ficaria registrado.

      Concordo com você em muitos pontos e entendo sua resposta enérgica. Da mesma maneira espero que entenda a minha forma mais branda que abordei no artigo, mas deixei bem claro que também não considero o criacionismo algo científico. Estou com outro artigo em escrita sobre o tema e também espero sua leitura.

      Quanto ao ponto 1, gostaria de destacar, concordo plenamente. Excelente exposição.

      Quanto ao ponto 2, realmente, de uma forma ou de outra eles são fixistas.

      Ao ponto 3, entendo sua argumentação. É muito estranho que alguns criacionistas queiram apagar a própria história deste curioso movimento – pois temos sim casos de ódio.

      Quanto ao ponto 4 – ao ler seus comentários e pensar acerca dos mesmos confirmo que concordo com eles.

      Agora gostaria de destacar o ponto 5: você desenvolveu com maestria seu comentário e concordo com muito de seus pontos apresentados, apesar de meu artigo ser envolto num tom (como você mesmo afirma) mais fleumático. Apesar deste tom, tentei mostrar que cientifico o criacionismo não é (e por isso ainda me pergunto o que ele é realmente; a resposta minha darei em um novo artigo, que como eu já disse está prestes a ser publicado aqui no blog).
      Em especial gostaria de destacar um daqueles pontos que você comentou (do sr Enézio Eugênio). No ponto 2, em que o sr Enézio afirma:

      Muitos mecanismos de mudanças evolutivas significantes não dependem de mutações aleatórias como exige o mecanismo neodarwinista, mas parecem ser dirigidos por respostas pré-programadas aos estímulos ambientais.

      Você respondeu:

      Mais uma desinformação. As mutações contribuem muito pouco para evolução. A varialidade é muito mais dada pela recombinação gênica integrada ao ambiente do que por mutação. Levando em consideração as equações de Lorenz (Teoria do Caos), uma mutação mínima causa um efeito cascata de dimensões tais que só a teleonomia da relação organismo-ambiente pode controlar. Desinformado, portanto.

      – Concordo plenamente. Inclusive o parabenizo por uma explicação de forma simplificada. Eu mesmo já tentei explicar de forma sutil em comentários em alguns blogs criacionistas (quando conversando com alguns proponentes) a respeito do caráter da mutação. Uma pessoa afirmou e tentou justificar que mutações causam danos ao indivíduo (e por este motivo ele depreciaria a teoria da evolução); entretanto tentei explicar justamente que essa “recombinação” do gene ao ambiente é que contribuem mais para a evolução – e que inclusive pode-se ver vide Teoria do Caos. Entretanto, para a minha surpresa, parece que eu não havia sido compreendido; o que me leva a crer que quando eu tentei explicar isto, ou a pessoa continua presa num significado de mutação e de outros termos (o que configura um equívoco).
      De qualquer forma a sua explicação foi muito bem feita. É digno de citá-la.

      É isso. Obrigado por seus comentários. E não me venha com esta história de deletar comentário. Ele é muito valioso. Muitos pontos ditos por você tomo em concordância; embora eu tenha sido mais “flaumático” e você mais “enérgico”.

      Abraços,

      Arnaldo.

      P.S.: Por favor aguarde a minha leitura de seu artigo e minha respectiva resposta.

  4. Fabricio Lovato
    22, Março, 2010 a 16:59 | #7

    Olá Arnaldo!
    Obrigado por ter levado em consideração a dica de leitura e ter manifestado suas opiniões a respeito.
    Tenho estado muito ocupado ultimamente na faculdade, de modo que ainda não tive tempo de analisar seu artigo, mas fico te devendo essa.
    Com mais tempo, lerei com calma e poderei esboçar aqui meus comentários a respeito.
    Deus te abençõe.

    Fabricio Lovato.

  5. Gustavo Melo
    17, Abril, 2011 a 12:06 | #9

    simples, criacionismo = conto de fadas mal sucedido.

  1. 24, Outubro, 2010 a 14:23 | #1
  2. 26, Fevereiro, 2011 a 16:36 | #2