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Teorias das conspirações e seus desserviços – (Série pseudociências parte 7#)

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Tenho para mim, que quem muito navega na internet tem maior probabilidade de encontrar uma ou outra explicação alternativa, desde a fatos acontecidos até a possíveis fatos.

Olho que tudo vê

Olho que tudo vê no dolar - símbolo da observação divina, mas usado por teóricos da conspiração

Muitas explicações que encontramos, e que se não soubermos filtrar o que lemos e absorvemos na internet (ou outros meios, como a televisão) estaremos fadados a entrar em explicações cada vez mais absurdas.

Revisar alguma história, ou estudar detalhadamente uma determinada explicação não é necessariamente criar teorias de conspiração, entretanto é realmente incrível como qualquer fato acontecido existe uma teoria da conspiração envolvida.

Na Wikipédia encontramos:

Teoria da conspiração é um termo usado para referir qualquer teoria que explica um evento histórico ou actual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos,[1] tais como uma “sociedade secreta” ou “governo sombra“.[2].

(In: TEORIA DA CONSPIRAÇÃO[bb]. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o&oldid=19544127>. Acesso em: 10 abr. 2010.)

Isto mesmo. São explicações que envolvem sempre uma grande conspiração (do mal, do governo, de ETs, ou qualquer outra possibilidade existente). Extrapolam o conceito de “conspiração”. Um grande exemplo é o seguinte:

É patente que a corrupção de políticos, como sempre temos em noticiários, são espécie de conspirações. Ou seja, um complô com intuito de desvio de verbas etc. Entretanto o conceito de conspiração é colocado como a única variável em um evento histórico (ou o mais importante) numa teoria da conspiração.

Enquanto conspirações, corrupções e etc possam existir e serem descobertas, pois num fato histórico existem diversas variáveis, não sendo existente apenas o complô. Mas uma visão ingênua parece tormar de conta quanto analisamos teorias conspiratórias.

Algumas possuem explicações mirabolantes, outras são risíveis.

Algumas não fazem a menção de serem científicas. Outras aceitam-se como únicas portadoras da verdade; beirando (se já não estiverem mergulhadas) a pseudocientificidade.

Na seguinte URL (http://forum.jogos.uol.com.br/Vacina-contra-o-virus-H1N1-pode-conter-nanorrobos_t_714477) encontramos:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1439821-6091,00-VACINA+CONTRA+O+VIRUS+H1N1+PODE+CONTER+NANORROBOS.htmlDe acordo com o senador norte-americano Jeremih McRussel, foram testadas versões com nanotecnologia, capaz de controlar o sistema nervoso e digestivo do corpo humano.?

Ora, é um extremo desserviço o que podemos notar. A primeira vista temos um link que não existe (que para o teórico da conspiração talvez tenha sido apagada 🙂 ). Uma teoria de que a vacina anti-h1n1 seria composta de nanorrobôs para controlar nossas emoções é uma teoria mirabolante, lançada na internet e que muitos lhe dão valor de verdade.
A priori a nanorrobótica[bb] ainda está em amplo desenvolvimento, até onde tenho notícia, e ainda não é capaz de produzir tais robozinhos malévolos. Mas para o teórico da conspiração já podemos sim produzir, mas a conspiração não dissemina esta informação.
Como podemos perceber, para cada indagação, existe uma explicação ad hoc para tal. O que deixa com um ar muito aproximado de pseudociência.
Na internet inventar uma informação e divulgá-la e de uma facilidade incrível. Se eu disser algo como (que acabei de inventar, por base na teoria conspiratória da anti-h1n1 supracitada) que a vacina h1n1 é uma forma de um governo nazista paralelo tentar dominar o mundo é capaz de ter pessoas que acreditem nisto! E mais ainda se eu disser, sem nenhuma prova, que h1n1[bb] significa ‘h’ di ‘h1tler’ e ‘n’ de ‘naz1’! Pronto é um meme criado que pode circular a internet e ganhar adeptos, perigosamente.
Pensem no desserviço que isto significa: uma ideia desta poderia persuadir milhares de jovens a não tomar a vacina anti-h1n1 com base em invencionices sem provas (sem contar com os atuais boatos que existem sobre a vacina), tornando-os mais vulneráveis à infecção, esta real, do vírus da influenza A/h1n1.
As teorias conspiratórias são como poderosas idéias que circulam e vislumbram; e que para aceitá-las não necessita de muito crivo crítico.
Existem, logicamente, algumas mais elaboradas e outras mais simplistas. De fato, parece que é moda nos últimos tempos as teorias conspiratórias.
E muito mais mainstream são as teorias conspiratórias que correlacionam cidades no mundo com histórias de organizações secretas que conspiram para o futuro do mundo.
Funcionam como grandes lendas urbanas com inúmeras conexões, nem sempre muito críticas, à ideiais da existência de seitas secretas[bb] que supostamente querem dominar o mundo (e estas variáveis são tomadas como únicas nas teorias conspiratórias). De certa forma esta forma de lenda urbana se tornou mais comum e popular com a publicação e sucesso de “código da vinci[bb]“.
Existem milhares de sites, lançando, aumentando, inventando, copiando etc sobre diversas teorias conspiratórias, sobre diversas seitas secretas, sobre diversos políticos secretos, sobre inúmeras organizações comerciais gigantescas a fim de dominar o mundo e influenciar o nosso futuro. Muitas delas entram em contradição uma com as outras.
Uma das primeiras vezes que senti-me tocado a falar sobre o assunto foi em 2004 e resultou em um livro, romance, não publicado, sobre a relação de fatos históricos e o surgimento de lendas urbanas, perante as riquezas histórica (reais) dos fatos (inspirado inicialmente nas críticas que mantive aos teóricos das conspirações que falam de golpes de estado e de revisionismos conspiratórios da segunda-guerra mundial). Ou seja, para mim, a história está bem mais repleta de variáveis, conflitos individuais e de grupos, tendências e outras sutilezas que as teorias das conspirações frequentemente ignoram, ou distorcem.
Um site que encontrei, inclusive, é o http://mapeamentoespiritual.blogspot.com/ que é um exemplo do que estou falando de nossas lendas mais mainstream. Uma série de riscos em mapas de cidades são usadas para “revelar” supostas verdades sobre estas cidades.
Como sou de Brasília conheço diversos boatos, diversas histórias sobre a construção de nossa capital; e na internet encontramos inúmeras afirmações sobre a mesma.
Senti-me atualmente tocado a este assunto, pois além de esbarrar na internet com diversas teorias conspiratórias, um amigo procurou me para ajuda em um livro que ele estaria compondo. Coisa que estou decidido a declinar, tanto por não concordar, quanto por ter outros projetos literários, quanto ainda por ter outra linha de pensamento ao escrever algo (além da costumeira falta de tempo relacionada a outros assuntos).
Entretanto, teorias conspiratórias não me agradam por suas simplórias conexões à realidade (mesmo que suas histórias sejam repletas de detalhes, beirando a complexidade de detalhes barroco; mas pobres em conexões racionais ou reais) e há muito venho refletindo sobre elas e suas facilidades em vislumbrar pessoas. Esta é uma das razões de meus primeiros escritos em 2004 e ainda estou envolvido nas análises críticas a tais.
Por este motivo recomendo a todos, que quando lerem na internet, verem televisão e/ou absorverem outra mídia, que tenham espírito crítico para verificar uma informação que pode ser atraente, mas é extremamente irreal[bb] e beirando o doentio.
É interessante ter o crivo crítico, um filtro, ainda mais já que estamos numa época de excesso de informações. Informações estas que nem sempre são verdadeiras.
Arnaldo Vasconcellos

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  1. saglik
    7, Junho, 2010 a 11:47 | #1

    Muito bom site. Graças aos esforços do passado.

  2. 10, Agosto, 2010 a 09:43 | #2

    Olá! Bom dia!
    Sou o autor do blog citado em seu artigo!
    http://www.mapeamentoespiritual.blogspot.com
    Apesar de ser um sergipano morando a 12 anos na capital brasileira do meio do mundo Macapá-Amapá. Tive oportunidade de pessoalmente vefificar as semelhanças entre Brasília e o Egito destacadas pela egiptóloga Yara.
    Contra fatos não existem argumentos! Todos os sinais estão aí a olhos vistos como diz o ditado popular!
    Agora quanto ao propósito daqueles que assim fizeram a capital do nosso país é algo que deixa espaço para muita especulação!
    Mas você sabe ou pelo menos deveria saber que a Maçonaria está por trás destas peculiaridades que com certeza não foram obra do acaso como chegam afirmar alguns diante de fatos incontestáveis como é o caso das Lojas Maçônicas em Cuiabá (MT).
    Pode conferir no blog!
    Muito obrigado por sua atenção!
    Até breve!
    Adson Lins Santos

    • 11, Agosto, 2010 a 02:01 | #3

      Olá!

      Apesar de ser um sergipano morando a 12 anos na capital brasileira do meio do mundo Macapá-Amapá. Tive oportunidade de pessoalmente vefificar as semelhanças entre Brasília e o Egito destacadas pela egiptóloga Yara.

      Adson, devemos analisar mais criticamente estas supostas semelhanças. Será que elas realmente são análogas a algo, ou será que não é uma tendência pelo modismo pelo egito? Tudo que apela para o egito, o místico faz um sucesso enorme. Devemos ver se são realmente semelhanças, ou se estamos a ver pêlo em ovo. Ainda assim devemos ver se estas semelhanças são realmente provas para o que se aponta por aí como “verdadeiro”.
      Entenda que o que critico é este pulo que muitos andam a praticar por aí: a) existem semelhanças b) existe um controle conspiratório e c) há um plano mundial que controla toda e qualquer coisa, e isto evoca uma batalha divina.
      Ora, a história do mundo é um conglomerado de variáveis e é uma coisa um tanto simplista colocar teorias conspiratórias como uma explicação cabal para o que tudo que acontece no mundo.
      Voltando ao assunto, será que são semelhanças mesmo, ou será que estamos a enxergar algo por estarmos permeados numa parcialidade de visão?
      Não é o fato de existir piso xadrez em determinados lugares do mundo, ou obeliscos, ou ainda certas formas que isto seja necessariamente condição para que estejam interligadas desta forma como uma grande conspiração (como mostrado em seu blog).

      Mas você sabe ou pelo menos deveria saber que a Maçonaria está por trás destas peculiaridades que com certeza não foram obra do acaso como chegam afirmar alguns diante de fatos incontestáveis como é o caso das Lojas Maçônicas em Cuiabá (MT).

      – Ora, vamos supor todas as seguintes hipóteses:
      1) três pontos no espaço sempre formam triângulos se rabiscarmos linhas entre eles, exceto quando estão na mesma linha. Justamente porque fazemos deles suas vértices! É então provável que a maioria do que os teóricos das conspirações apontam como algo extraordinário seja apenas a sua imaginação, ou visão parcial de mundo. Para temas conexos a isto (sobre como nossa visão de mundo afeta nossa suposição de verdade) leia os meus artigos http://arnaldo.networkcore.eti.br/589-a-suspensao-do-juizo-como-heuristica.html e http://arnaldo.networkcore.eti.br/600-a-heuristica-da-suspensao-e-mais-uma-cosmovisao.html. Estes mesmos rabiscos que podem não representar nada são expostos na internet como “coincidências à marcas de empresas”…
      2) tá, então vamos supor que em alguns casos os caras lá da maçonaria chegaram e fizeram de propósito, em relação ao que você está falando no site, dos três templos maçônicos em um triangulo que parece isosceles (parece, pois na correria de querer achar um padrão podemos julgar que é um isosceles, mas na verdade se trata de um escaleno por medida).
      Vamos supor que de 100 casos de supostas coincidências 1 seja realmente algo planejado: sim e daí? Isso não implica que estejam conspirando ou fazendo algo que interfira nas relações do mundo… Pode ser uma simples expressão de uma outra forma de enxergar o mundo que você pode estar interpretando de forma equivocada.

      Contra fatos não existem argumentos! Todos os sinais estão aí a olhos vistos como diz o ditado popular!

      – Será mesmo que são fatos? Será mesmo que só porque você enxerga o mundo assim é necessariamente um fato? Será que você não está sendo tendencioso? Pense nisso. Leia os artigos que te recomendei e entenderá a minha posição quando ao analisar tais pontos levantados.
      Dizer que não há como argumentar quanto a estes “supostos” fatos é dizer que devemos engolir de forma acrítica algo que nos é passado como uma verdade conspiratória de forma como líquida e certa. Este é um dos pontos que assumi como sendo um grande desserviço que este tipo de argumento possui ao se passar como fato ou ainda como científico. É este o tom da crítica que levantei em minha postagem.

      Até mais, abraços.

      Arnaldo.

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