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O dragão de minha garagem e o conhecimento de contato

2, Janeiro, 2011

No livro “Os problemas da Filosofia” Bertrand Russell, examina de uma forma muito sóbria sobre vários aspectos da pesquisa filosófica. Entretanto, como o próprio autor afirma em seu prefácio, o livro tem muitas questões que deságua na teoria do conhecimento. Também, pode-se notar não somente uma apresentação dos problemas da filosofia, mas sim dos problemas da filosofia sob a ótica russelliana, que trará conexões com suas ideias até então defendidas naquele momento. É o que vemos, entre vários itens, o caso da teoria correspondencialista da verdade, visível em vários capítulos, mas também, como posso citar, no capítulo “A natureza da matéria”, “O idealismo” e “conhecimento por contacto”, dentre outros.

Seria também muito bom citar que há de certa forma uma ligação entre sua teoria de correspondência da verdade, e com sua concepção de conhecimentos – estabelecidos formas de adquirir conhecimento: de verdade e de coisas, de trato e por descrição. CONTINUAR A LER

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Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 2)

30, Outubro, 2010

Atitude cética e a suspensão de juízos: a razoabilidade é o limite (?)

O que é a suspensão do juízo, além de uma heurística do conhecimento ou de uma metodologia? É uma atitude do cético, sobretudo.

Entretanto a tarefa do cético, ou do utilizador da heurística que proponho pode esbarrar em problemas muito comuns (e que já fui acusado nos comentários de outras postagens): a razoabilidade do questionamento cético, bem como sua equação entre a atitude cética e a questionabilidade de nossos juízos (leia-se a suspensão dos juízos).

Como já abordamos em comentários e contra-comentários em outros artigos, algumas pessoas pensam que esta atitude pode nos levar a uma espiral de questões que beira a irracionalidade.

Então, de certa forma o ponto norteador para a questão é a razoabilidade da questão. Entrementes, no papel de questionador, podemos ainda nos perguntar que critério é este de razoabilidade.

Assim, inspirado no tema, tanto por causa das discussões contidas nestes comentários, quanto em conversas com outras pessoas em lugares distintos, resolvi fazer algumas perguntas a mim mesmo. CONTINUAR A LER

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A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?

30, Janeiro, 2010

Ao escrever o ensaio “A suspensão do juízo como heurística” havia me perguntado sobre a possibilidade desta suspensão (inclusive a religiosa) ser possível e se ela poderia ser elencada como uma outra cosmovisão. Por este motivo, afirmei que deveria ser feito dentro da possibilidade do que for humanamente possível. E esse é o ponto. Mesmo assim ainda com certas dúvidas e precisando dialogar, cheguei como quem nada queria e comecei expor minhas dúvidas à minha esposa a fim de perceber seu viés acerca do assunto; uma visão diferente da minha. De certa forma, ela chegou justamente no ponto de minha dúvida e conversamos o possível no prelúdio de minha ida ao trabalho.

Também mantive conversa com Vanessa Meira, uma blogueira que estou tratando o assunto. E com base nas seguintes conversas, notei certas objeções ao método heurístico que comentei na postagem supracitada:

1) Suspender juízos de forma completa é impossível. Somos humanos e sempre estamos sujeitos a cosmovisões.

2) O ato de suspender juízos para investigar o mundo é uma cosmovisão. Portanto seria uma cosmovisão que tentaria sobressair-se as demais.

Pois bem, ao escrever originalmente o ensaio supracitado, deixei bem claro que a suspensão deve ser feita, se for feita, “dentro dos limites humanos”. E que esta suspensão não tem em si a consequência de uma “traição” à sua cosmovisão.

Existe uma diferença muito grande em supor uma suspensão de seus valores religiosos (e outros se necessário, para uma investigação) dentro do limite em que você puder e pedir uma suspensão total. Sim, total é impossível, por isto mesmo já estava implicito no meu artigo citado quando dito “humanamente possível”.

Quanto ao ato da suspensão ser uma cosmovisão não se tem muito para fugir, pois toda empreitada humana é tomada por imagens tácitas assumidas. A ciência, como já abordamos em outros ensaios é tomada por imagens de natureza.

Entretanto é difícil determinar se a “suspensão dos juízos” é de fato uma cosmovisão ou se ela precisamente apenas participa de uma. Há diferenças neste quesito. CONTINUAR A LER

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A suspensão do juízo como heurística

29, Janeiro, 2010

Diversas vezes tenho esbarrado em alguns blogs (alguns de cunho religioso) [*]com pessoas usando de suas crenças para pensarem e analisarem acerca de diversos temas.

Muitas vezes pedi a suspensão dos juízos (religiosos incluídos) e nem sempre fui muito bem compreendido. Um dos argumentos apresentados, por algumas pessoas religiosas com quem conversei, é que se tal pessoa crê fielmente em algo ela deve inundar-se completamente a ponto de poder fazer-se um bom crente. Como expus em alguns blogs, vejo que existe um problema nesta conduta.

Argumento, assim que a suspensão dos juízos é uma boa heurística para se fazer pensar diversos temas que, dentro de cosmovisões determinadas, estaríamos limitados. Lógico que existe o limite do que é humanamente possível fazer de suspensão.

Há um argumento escondido, por parte dos que não aceitam uma suspensão, de como se ao suspender juízos fossemos nos tornar traídores em uma determinada classe de pensamentos (seja religiosa, científica ou filosófica).

Uma boa maneira que encontrei é tentar pensar em diversas hipóteses. O artigo que utilizei o exemplo de Sagan do “dragão em minha garagem” foi um exemplo. Mas houve quem leu de forma teológica, enquanto eu tratava apenas de uma situação hipotética, para depois poder analisar os resultados e trazê-los a tona.

Fazer isso não é deixar o pensamento em compartimentos estanques. Não é, pois o que deixa o pensamento estanque e engessado é justamente trancá-lo em cosmovisões, que cada vez mais pedem que apertemos nossas faculdades do entendimento, a fim de não representar uma suposta “traição”. CONTINUAR A LER

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A incomunicabilidade do dragão da minha garagem – (Série pseudociências – Parte 5#)

19, Janeiro, 2010
Dragão chinês

Dragão chinês

Em nosso blog, em outro ensaio já falamos do livro de Carl Sagan “O mundo assombrado pelos demônios”. Neste livro, Sagan tem um capítulo denominado “o dragão da minha garagem” onde explica o caráter ad hoc de teorias não científicas face ao método científico para verificá-las e falseá-las.

Neste ensaio procuro refletir sobre a existência de um dragão que não possa ser analisado sob a luz de nosso método científico.

Uma primeira visita ao exemplo, notamos que estabelecer a existência de um dragão que não pode ser analisado é de difícil instância, pois parece não ser apresentável em nenhuma forma de fenômeno. Também não parece estar relacionado com nenhuma forma fenomênica.

Fenômeno vem do grego “phainomenon” que é basicamente aquilo que é observável, que tem uma aparição. CONTINUAR A LER

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Do que podemos conhecer?

6, Dezembro, 2009

Outro dia estava eu conversando com um amigo meu. Nesta conversa abordei o trabalho do cientista apoiado num método, (que não significa necessariamente restringir o conteúdo criativo do mesmo).

Pude notar, de certa forma que a palavra “método” desperta em algumas pessoas uma posição um tanto desconfortável, pois parece que a ciência possui uma rigidez que inflexibiliza a criação. Não que este meu amigo tenha apontado isto, mas passou em minha cabeça, pela forma com que ele falava.

A atividade de um cientista é envolta em investigação, mas não é de sua exclusividade, por tanto existem outras áreas que são investigativas mas não são como a atual ciência se estrutura. A filosofia é um exemplo de investigação, mas podemos notar que cada área da filosofia, e até mesmo cada filósofo pode divergir de forma a investigar (embora haja a investigação).

O que então distingue o trabalho do cientista? O método empregado na ciência. Embora este método possa ser multifacetado, variando conforme cada ciência, ele possui pontos tangíveis que se relacionam com as imagens de natureza e de ciências estabelecidas (como já afirmei em outros artigos).

O método então permite um foco de pesquisa que impede de sair deste último. Isto permite uma pesquisa a um ponto específico, mas não impede a criatividade. Se enxergarmos as teorias como criações (existem visões diferentes do que são teorias, mas podemos adotar este ponto de vista) é perfeitamente plausível notarmos, mesmo com um método, uma infinidade de possibilidades de teorias sobre um mesmo ponto ou aspecto.

Assim, se formos falseacionistas, talvez somos levados a pensar que estas teorias serão testadas por observações diretas ou indiretas em outras teorias. Uma teoria que passa em tais testes é CORROBORADA e não tomada como VERDADE (assim assume-se que sua verossemelhança com o que pode ser real é muito próximo, mas não garante que seja verdade absoluta, pois pode ser falseada a qualquer momento). A garantia lógica de uma corroboração não é a mesma coisa de dizer que ela, a teoria, é cabalmente assim na realidade (sempre poderá ser falseada ou ter hipóteses auxiliares falseadas, modificando a teoria).

Parece que assim, portanto, é difícil sabermos como é realmente e fielmente a realidade, mas parece que a cada momento de método aplicado nos aproximamos, mesmo que em algum grau de erro, dela. Mas sem tocá-la com toda sua extensão.

A negação de uma teoria, seu falseamento, também nos fala de como a realidade é – na verdade de como não o é – e isso é importante.

Sabermos como as coisas são, com escalas de erro e aproximações, é uma tarefa muito difícil e hérculea, do qual a ciência é usada para tal. E o método é unicamente um instrumento para este fim.

Olhando por este ponto de vista, o método não é um restritor de criatividade, mas sim um prumo para que nossa criatividade seja em pensar em consonância do que as coisas são e não divagar apenas.

Alguns leitores me perguntarão: e por que o título do artigo? Ora, creio que  aquilo do que podemos conhecer é muito ligado em como podemos conhecer: e neste ponto o método é figura essencial, mesmo que seja para conhecermos a passos do que são as coisas em graus de acerto e erro.

Método tem sua origem no idioma grego e seu significado está estritamente ligado com o verbete “caminho”. Portanto, assumo que usar um método, no caso da ciência, (o método científico) é ter um instrumental investigativo para aquilo que estiver na possibilidade de conhecermos – daquilo do que podemos conhecer.

Arnaldo Vasconcellos

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A Fragilidade da Causalidade

29, Julho, 2009

Sem causalidade, sem garantia

David Hume - Filósofo Escocês

David Hume - Filósofo Escocês

Imagine você, numa sinuca, está prestes a bater com o taco de madeira na bola branca a fim de encaçapar uma das outras bolas restantes no jogo para pontuar.

O ato de transferir força mecânica do taco para a bola branca (que por sua vez irá transferir para a outra bola de pontuação) já é vista como algo, um fenômeno, trivial da mecânica.

De certa forma estamos acostumados com isso, pois sempre experenciamos este resultado.

Quando largamos um objeto em alguma altura, observamos que sempre responde com uma queda, que pôde ser estudada desde a época de Galileu e Newton.

Em todos estes exemplos está por trás a idéia da causalidade. Uma causa precede um efeito. O fato de existir uma causalidade credencia uma garantia a pesquisas científicas e diversas outras atividades de pensamento investigativo que possuímos. Mas o que aconteceria se questionássemos a causalidade? CONTINUAR A LER

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A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

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