Arquivo

Arquivado como the ‘Filosofia’ Category
image_pdfimage_print

Evento – Ciclo de Conferências sobre Fenomenologia

18, Novembro, 2010

Pessoal, abaixo um evento sobre fenomenologia[bb], conforme e-mail que recebi (texto abaixo do e-mail recebido). O evento é em Portugal, Porto (FLUP):

Ciclo de Conferências sobre Fenomenologia

26 e 29 de Novembro, 6 de Dezembro 2010 (datas confirmadas)

14h30 | Sala do Departamento de Filosofia (Torre B – Piso 1) | FLUP CONTINUAR A LER

Filosofia, Universidade , , ,

A pseudociência e seu interesse na mídia – ET Bilu (Série pseudociências – Parte 9#)

13, Novembro, 2010

A pseudociência e seu interesse na mídia

Recentemente o trecho de uma reportagem feita pelo “Domingo Espetacular” da Record, foi colocada no “Top5” do programa humorístoco “CQC”. O motivo? Bem a reportagem, segundo a gozação do CQC, mostrava “em primeira mão” a suposta aparição de um extra-terrestre que só aparece na cidade de Corguinhos – MS, apenas a noite e que fala com uma voz fanha (que remete a um misto de voz do nhonho gripado). A aparição é extremamente cômica e possivelmente justifica a aparição no Top5 do CQC (embora eu não tenha visto a reportagem original da Record).

E o que este “ET” pede? Pede conhecimento de nós, humanos. É evidente que o que esta farsa pede como conhecimento não é o conhecimento mesmo: ele quer um suposto conhecimento ufológico. Quer quer acreditemos em sua aparição tosca e hilária.

É claro que a aparição é uma farsa, muita gente viu isso e se divertiu com o quanto a televisão brasileira faz até chegar a este ponto. Mas essa é uma piada perigosa – lida com a ânsia da pseudociência querer aparecer de qualquer forma na mídia.

Quando o riso passa e pesquisamos um pouco sobre estas supostas séries de “aparições” do ET bilu (nome de cachorro para um ET que aparece apenas de noite, atrás da moita, com voz fanha e que fala um português como se fosse a língua mais falada no universo) vemos que existe um projeto por trás das aparições do suposto ET. É o projeto Portal, situado em Corguinho no Mato Grosso do Sul.

O projeto Portal prega as seguintes coisas, como foi retirado do site http://www.projetoportal.org.br:

PROJETO PORTAL –  Somos um grupo de pesquisadores e cientistas que formou uma associação desenhada para atuar na pesquisa de diversas áreas do conhecimento, principalmente em ciências paralelas nos campos das ciências exatas e naturais, como Astronomia, Matemática, Física Quântica, Química, Geografia, Biologia e também no que se refere ás ciências sociais como Psicologia, Antropologia, Arqueologia, História e Sociologia. Baseamos nossas pesquisas em uma nova metodologia de análise e estudo criada pela nossa equipe de cientistas, que busca catalogar e levantar informações ainda inexistentes na imensa bibliografia através do estudo de civilizações antigas, arqueologia, astronomia, ufologia, astrofísica, física quântica, entre outras ciências ainda não catalogadas.

(FONTE: Site supracitado. Grifos meus)

Reparem que o projeto deixa claro que trabalham com “ciências paralelas”. Será que posso entender isso como, “aquelas que não seguem o método científico”? Suponho que sim. Serão ciência apenas para aqueles que a nomeiam como ciência. Em seguida o site afirma que criaram uma “nova metodologia de análise”: novamente, não é o método científico, provavelmente um método pseudocientifico.

Vejamos mais descrições no site do projeto portal:

Com os  nossos métodos  próprios de pesquisa, andamos em paralelo com todas os outros ramos do conhecimento humano. Estudamos tudo sob uma nova visão da realidade,  buscando preencher as lacunas existentes  até agora não respondidas pela ciência. As pesquisas envolvem o estudo científico dos fatos, suas evidências, com as provas concretas dos mesmos. A autenticidade e credibilidade deste trabalho repercutem em todo o Brasil e em vários países do exterior.

(Grifos meus)

CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Epistemologia, Gerais, Teoria da Ciência , , , ,

Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 2)

30, Outubro, 2010

Atitude cética e a suspensão de juízos: a razoabilidade é o limite (?)

O que é a suspensão do juízo, além de uma heurística do conhecimento ou de uma metodologia? É uma atitude do cético, sobretudo.

Entretanto a tarefa do cético, ou do utilizador da heurística que proponho pode esbarrar em problemas muito comuns (e que já fui acusado nos comentários de outras postagens): a razoabilidade do questionamento cético, bem como sua equação entre a atitude cética e a questionabilidade de nossos juízos (leia-se a suspensão dos juízos).

Como já abordamos em comentários e contra-comentários em outros artigos, algumas pessoas pensam que esta atitude pode nos levar a uma espiral de questões que beira a irracionalidade.

Então, de certa forma o ponto norteador para a questão é a razoabilidade da questão. Entrementes, no papel de questionador, podemos ainda nos perguntar que critério é este de razoabilidade.

Assim, inspirado no tema, tanto por causa das discussões contidas nestes comentários, quanto em conversas com outras pessoas em lugares distintos, resolvi fazer algumas perguntas a mim mesmo. CONTINUAR A LER

Cognoscibilidade, Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 1)

23, Outubro, 2010

Em ensaios anteriores, eu publiquei minha posição sobre a suspensão dos juízos, uma atitude de cunho um tanto cética, mas de boa serventia para o conhecimento (ver este link e este outro).

Geralmente o ceticismo é adotado como uma possibilidade de destruição do conhecimento, pois algumas pessoas encaram que a questionabilidade do que tomamos como conhecimento é um afronta ao conhecimento (ver nos links acima).

Com base nesta representação (que o ceticismo é um afronta ao conhecimento estabelecido) é que existem diversas afirmações, muitas das quais eu acho um tanto despreparadas: como foi aquela que apontei nos links acima, no qual alguns interlocutores de cunho religioso consideravam a suspensão dos juízos como uma traição com as suas crenças.

CONTINUAR A LER

Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , ,

Opinião: As pataquadas de Weslian Roriz

29, Setembro, 2010

NOTA: Novamente saio dos tópicos de discussão sobre ciência, para ir à política; pela força dos acontecimentos políticos no qual estamos passando. Portanto, desculpem-me o artigo off topic que aqui desenvolvo (é um artigo de opinião). Assim, deixo devidamente avisado que o tema aqui desenvolvido foge ao tema do nosso blog, embora eu faça por causa de minha indignação com o rumo que estamos tomando em nossa política. CONTINUAR A LER

Ética, Off Topic, Política , , ,

O dia que o STF parou!

25, Setembro, 2010

Sei que não é objetivo deste site falar sobre política. Também sempre me policiei para que os artigos, sempre que possível, fossem orientados aos assuntos centrais do blog, evitando o grande tema da política.

Entretanto, com a força do acontecimento, não posso deixar de pronunciar-me a respeito das últimas revira-voltas da nossa política; e que gira em torno, também, de nossa querida Brasília.

Sede do STF

Sede do STF

A história parece até uma grande novela: por iniciativa popular a lei da ficha limpa foi proposta, encaminhada para nossos legisladores, votada por eles, alterada, votada novamente e sancionada.

Discussões acerca da aplicação (eficácia) da lei começaram a surgir. Alguns políticos foram barrados a disputar as eleições neste ano de 2010, e mais discussões acerca da inconstitucionalidade da lei foram firmadas.

Acompanhei até um debate no programa “Debate MTV” com Lobão, de 01/06/2010, com o título “A lei da Ficha Limpa vai acabar em pizza?” (assista aqui) que teria citado tais problemas já em destaque.

Seja como for, a lei começou a ser aplicada e alguns dos políticos foram barrados. Um deles teve pedido de impugnação de candidatura pelo Ministério Público. Eis o Joaquim Roriz. CONTINUAR A LER

Direito, Ética, Off Topic, STF , , , , , , ,

Mas o que são falácias mesmo?

24, Agosto, 2010

É comum, para todos nós que utilizamos a internet, entrarmos em debates e discussões sobre os mais diversos assuntos. E é justamente quando entramos em algumas discussões é que podemos verificar o quão necessário é evitar as falácias. Sabemos que algumas discussões são sérias e outras descontraídas, com os mais diversos assuntos em voga (isso sem contar com as que são mal direcionadas); mas em todas elas faz-se necessário manter-nos atentos à coerência da argumentação (nossa e dos nossos interlocutores).

E é provável que, vez ou outra encontremos problemas durante algumas discussões, como argumentos falaciosos, desde os mais simples até aqueles que beiram o ataque explícito.

Em uma discussão, que pretende ser coerente, é necessário evitar o que chamamos de falácias; evitar que venhamos sofrer com seu uso por parte de outrem ou que, ingenuamente, possamos usar contra o nosso interlocutor.

Mas o que é realmente uma falácia?

Vamos começar com o conceito de falácia, mas já adianto que este conceito necessitará depois de uma abordagem do conceito do que é lógica. CONTINUAR A LER

Educação, Filosofia, Gerais , , , ,

Sobre a eticidade do transgênico

7, Junho, 2010

Com freqüência (a trema caiu), ao ir fazer compras no mensais no mercado, tenho notado que o oléo de soja vendido normalmente vem sido subnstituído por aqueles fabricados a partir de grãos de soja transgênica – que pode ser identificado pelo ícone de transgênico.

Ícone de alimento produzido com vegetal transgênico

Ícone de alimento produzido com vegetal transgênico

Sempre que for comprar um produto e quiser saber se ele é produzido com transgênicos, basta verificar se tem o ícone (mostrado ao lado). A empresa é obrigada a divulgar no rótulo caso no produto tenha mais de 1% de alimento transgênico em sua composição.

Mas o que é um transgênico? Na wikipédia encontramos a seguinte definição:

Transgênicos (português brasileiro) ou transgénicos (português europeu) são organismos que, mediante técnicas de engenharia genética, contêm materiais genéticos de outros organismos. A geração de transgênicos visa organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, na qual foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante.

A manipulação genética recombina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Por exemplo, podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais. (TRANSGÊNICOS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Transg%C3%AAnicos&oldid=20480084>. Acesso em: 4 jun. 2010.)

Mas o que a técnica, aplicada pode proporcionar de perigo? Ora, a aplicação desta técnica dentro do setor alimentício é um dos pontos mais visados, que podem proporcionar perigo ambiental (mas não é o único).

Imaginem que uma empresa, a fim comercial de aumentar a produtividade, ou ainda com a intenção de manter safras mais resistentes a agrotóxicos (ou ainda mais resistentes a insetos) utilize da tecnologia de transgenia para produzir alimentos. No link que apontamos anteriormente explica as três principais polêmicas, no qual vou reproduzir sintéticamente a seguir.

Um dos problemas mais discutidos é a polinização cruzada, no qual a espécie transgênica pode reproduzir com espécies não-transgênicas. Assim é possível que o gene inserido artificialmente, via transgenia, possa prevalecer sobre o genoma não transgênico. Isto é problemático, pois uma espécie não transgênica poderia absorver o gene inserido, o que poderia levar a uma diminuição da espécie não-transgênica. Por este motivo, existem estudos que visam estabelecer valores mínimos de distância entre plantações transgênicas e as não-transgênicas.

Outra polêmica gira em torno da possibilidade de culturas transgênicas gerarem efeitos tóxicos na saúde humana.  E outra afirma sobre a possibilidade de alergias causadas por alimentos transgênicos.  Apesar das polêmicas, estudos ainda estão ocorrendo (e seus efeitos reais ainda não foram concluídos), entretanto a possibilidade de que estes alimentos sejam maléficos assusta, e deve ser encarada com muita seriedade.

Embora alguns defensores da aplicação desta técnica à alimentação, digam que ela pode ajudar a aumentar a produção de alimentos e diminuir a fome no mundo; outros rebatem a afirmação, dizendo que na verdade a má distribuição de alimentos é que gera o problema da fome e não necessariamente a sua produção – assim, para estes, não valeria correr o risco de usar tal técnica, visto o desconhecimento de seus efeitos em nossa saúde. CONTINUAR A LER

biologia, Ciência, Ética, Filosofia, Natureza , , , , , ,

Vida “artificial” e suas possibilidades éticas

22, Maio, 2010

Neste dia último dia 21, nos noticiários do mundo correu o anúncio do desenvolvimento de uma célula sintética. Logo um alvorosso sobre o impacto do desenvolvimento desta experiência surgiu: alguns noticiaram como o surgimento de vida artificial, outros já rebateram que não é necessariamente a criação de vida artificial e sim criação de uma molécula sintética (no caso o DNA) com efeitos fenotípicos na célula hospedeira (ver este link e este).

Tão logo a experiência foi divulgada as primeiras repercussões das possibilidades éticas começaram a surgir. O Vaticano se pronunciou e apresentou preocupação com estas mesmas possibilidades (ver link). Entretanto as possibilidades éticas vislumbradas pelo clero está mais relacionada com o impacto religioso que isso pode causar, e a interpretação logo perpassa o tom comum do “brincar de Deus”, pois além do viés ético há o viés teológico envolvido na interpretação do mesmo. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Ética, Filosofia, Gerais , , , , ,

Vida "artificial" e suas possibilidades éticas

22, Maio, 2010

Neste dia último dia 21, nos noticiários do mundo correu o anúncio do desenvolvimento de uma célula sintética. Logo um alvorosso sobre o impacto do desenvolvimento desta experiência surgiu: alguns noticiaram como o surgimento de vida artificial, outros já rebateram que não é necessariamente a criação de vida artificial e sim criação de uma molécula sintética (no caso o DNA) com efeitos fenotípicos na célula hospedeira (ver este link e este).

Tão logo a experiência foi divulgada as primeiras repercussões das possibilidades éticas começaram a surgir. O Vaticano se pronunciou e apresentou preocupação com estas mesmas possibilidades (ver link). Entretanto as possibilidades éticas vislumbradas pelo clero está mais relacionada com o impacto religioso que isso pode causar, e a interpretação logo perpassa o tom comum do “brincar de Deus”, pois além do viés ético há o viés teológico envolvido na interpretação do mesmo. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Ética, Filosofia, Gerais , , , , ,

Divulgação: Hora do Planeta

25, Março, 2010

O que é então o criacionismo?

5, Março, 2010

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

Este artigo é uma resposta ao: “o que o criacionismo não é?” (1).

Durante conversas com um colega, foi feita a sugestão que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de análise de artigos.

O artigo O que o criacionismo não é, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolução estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros não. Embora não exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas críticas bem fundamentadas ao evolucionismo  – o foco do artigo não é falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo não pode ser considerado. O autor diz o seguinte:

Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motivações ideológicas e fossem verificados – sob o melhor rigor científico – os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. In: o que o criacionismo não é?)

Concordando com suas palavras acerca da suspensão dos valores ideológicos, efetuando uma espécie de suspensão aos meus valores creditados tentarei ser o mais analítico possível quanto ao artigo e alguns comentários acerca do mesmo.

O autor do artigo, logo deixa claro qual será sua abordagem. Irá mostrar o que, supostamente, o criacionismo não é:

Por isso, é necessário desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa polêmica. Eis alguns deles: (idem)

O autor, portanto inicia suas explicações, clareando melhor acerca do que não é criacionismo, sob sua visão.

Coloco que é sob sua visão pois lendo com cuidado notei que certas explicações não são totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente científica. De um âmbito geral o artigo é bem escrito, tem um espírito que não me parece enganatório, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente está envolto numa visão de mundo determinado.

CONTINUAR A LER

Educação, Epistemologia, Evolucionismo, Filosofia, Gerais, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série “Do que a ciência se preocupa” Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Filosofia, Gerais , , , , , , , , ,

Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série "Do que a ciência se preocupa" Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Filosofia, Gerais , , , , , , , , ,

A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?

30, Janeiro, 2010

Ao escrever o ensaio “A suspensão do juízo como heurística” havia me perguntado sobre a possibilidade desta suspensão (inclusive a religiosa) ser possível e se ela poderia ser elencada como uma outra cosmovisão. Por este motivo, afirmei que deveria ser feito dentro da possibilidade do que for humanamente possível. E esse é o ponto. Mesmo assim ainda com certas dúvidas e precisando dialogar, cheguei como quem nada queria e comecei expor minhas dúvidas à minha esposa a fim de perceber seu viés acerca do assunto; uma visão diferente da minha. De certa forma, ela chegou justamente no ponto de minha dúvida e conversamos o possível no prelúdio de minha ida ao trabalho.

Também mantive conversa com Vanessa Meira, uma blogueira que estou tratando o assunto. E com base nas seguintes conversas, notei certas objeções ao método heurístico que comentei na postagem supracitada:

1) Suspender juízos de forma completa é impossível. Somos humanos e sempre estamos sujeitos a cosmovisões.

2) O ato de suspender juízos para investigar o mundo é uma cosmovisão. Portanto seria uma cosmovisão que tentaria sobressair-se as demais.

Pois bem, ao escrever originalmente o ensaio supracitado, deixei bem claro que a suspensão deve ser feita, se for feita, “dentro dos limites humanos”. E que esta suspensão não tem em si a consequência de uma “traição” à sua cosmovisão.

Existe uma diferença muito grande em supor uma suspensão de seus valores religiosos (e outros se necessário, para uma investigação) dentro do limite em que você puder e pedir uma suspensão total. Sim, total é impossível, por isto mesmo já estava implicito no meu artigo citado quando dito “humanamente possível”.

Quanto ao ato da suspensão ser uma cosmovisão não se tem muito para fugir, pois toda empreitada humana é tomada por imagens tácitas assumidas. A ciência, como já abordamos em outros ensaios é tomada por imagens de natureza.

Entretanto é difícil determinar se a “suspensão dos juízos” é de fato uma cosmovisão ou se ela precisamente apenas participa de uma. Há diferenças neste quesito. CONTINUAR A LER

Ciência, Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , ,