Matrizes Matemáticas – Parte 2

Uma matriz quadrada

Uma matriz quadrada

Vimos no artigo anterior sobre “Matrizes Matemáticas” o conceito geral sobre matriz, o que é uma matriz matemática, algumas de suas características e alguns de seus tipos.

Agora continuaremos  a apresentação das matrizes matemáticas, algumas das operações que podemos fazer com as mesmas.

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Soma entre matrizes

Podemos efetuar a soma de matrizes de mesma ordem m x n, apenas somando-se os elementos de mesma ordem.

Exemplo:

Soma de matrizes

Soma de matrizes

Subtração entre matrizes

A subtração de matrizes é efetuada de forma semelhante à soma. Deve-se subtrair um elemento aij de uma matriz pelo elemento aij correspondente de outra matriz. Exemplo abaixo:

Subtração de Matrizes

Multiplicação entre matrizes

Vamos supor que você tenha duas matrizes. Uma matriz de ordem m x n e outra z x p.  E precise multiplicar  uma matriz pela outra.

Para proceder com esta operação, as matrizes a serem multiplicadas devem ser compatíveis. Lembro que no caso de matrizes, não existe o fenômeno da “comutação”. Comutação em matemática é o seguinte: se um número c = a x b, então b x a continua sendo c (por exemplo 6 = 3 x 2 ou 2 x 3). Assim uma matriz C = A x B não é a mesma matriz de B x A.

Para determinarmos se as matrizes possuem compatibilidades para multiplicação, procedemos da seguinte forma. Sabendo que a matriz A é uma matriz 3 x 2 e a matriz B é 2 x 4, devemos olhar se a quantidade de COLUNAS da PRIMEIRA matriz é idêntica a quantidade de LINHAS da SEGUNDA matriz.

Assim:

Uma matriz 3×2 X 2×4; devo verificar se 3x(2) e (2)x4. Assim elas são compatíveis.

Agora a matriz final (que resultará da multiplicação de AxB) será uma matriz de ordem 3×4. Como sei disso? Devo prestar atenção em quantas LINHAS possui a matriz A e quantas COLUNAS possui a matriz B. Assim: (3)x2 X 2x(4). Portanto já sei, de antemão, que a matriz resultante desta multiplicação será de ordem 3×4.

Então, sabendo a ordem da matriz final, posso montar a minha matriz final desta forma:

Matriz resultado do produto da matriz AxB

Matriz resultado do produto da matriz AxB

Sabendo como será sua aparência final, agora posso traçar um esquema para efetuar uma multiplicação.

Na multiplicação destas matrizes, tenho que multiplicar a 1ª linha pela 1ª coluna da outra matriz, isto para o primeiro elemento da matriz resultante. E assim por diante. Abaixo um esquema simplificado da sequência a seguir:

Sequência da multiplicação de matrizes. FONTE: www.alunosonline.com.br

Sequência da multiplicação de matrizes. FONTE: www.alunosonline.com.br

Voltando para nosso exemplo de matriz resultante 3×4, podemos, então, fazer um esquema mais complicado, porém esclarecedor dos passos a seguir (sendo ‘l’ de linha e ‘c’ de coluna):

Esquema de multiplicação, elemento por elemento

Esquema de multiplicação, elemento por elemento

Apesar do esquema acima estar de acordo com os procedimentos, existe um detalhe maior ao fazer a multiplicação de uma linha por uma coluna na matriz: este detalhe reside na questão “como poderei multiplicar uma linha por uma coluna?”.

Da seguinte maneira:

Se uma vou proceder com uma linha vezes uma coluna, devo somar as multiplicações de cada elemento das linhas e colunas em questão. Por exemplo (em esquema completo de aplicação das multiplicações de linhas por colunas, resultante das somas de multiplicações de cada elemento):

Esquema completo para multiplicação de matrizes

Esquema completo para multiplicação de matrizes

Estes são, enfim, os procedimentos para se multiplicar matrizes. Espero ter contribuído para o seu aprendizado sobre matrizes.

Em breve, trarei mais artigos sobre matrizes matemáticas.

Arnaldo Vasconellos

(*) – Todas as imagens, exceto a que está com fonte identificada, pertencem a este blog e estão disponibilizadas na licença Creative Commons que rege este site.

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Seu celular, seu pequeno “computador”

Nunca fui muito aficcionado com celulares, mas tenho algum interesse na área. Dentro da normalidade.

Desde o meu Nokia 2280 com java, em meados de 2004, ansiava em poder ter no celular um aplicativo que fosse um planetário. No estilo starcalc, ou alphacentaure (softwares planetários).

Na época tinha montado recentemente um telescópio refrator, e pensei que poderia fazer do meu celular, que pouco usava como telefone, como um computador de mão, mesmo que super simplérrimo, para verificar a posição dos astros na esfera celeste.

Até então desconhecia qualquer software para celular, em Java, que pudesse fazer este serviço. Cogitei em escrever um, mas não tinha conhecimento em java e não tinha tempo: tinha outros projetos em mente e em execução.

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Com o passar do tempo, esqueci este sonho. Com o mesmo passar do tempo, tive outros celulares e não dei muita bola para a existência de possuírem j2me ou não.

W380i

Celular W380i

Neste semana fui presenteado com um Sony Ericson W380i. Comecei fuçar todas as funções. E mesmo não sendo um smartfone, o fiz ser um learnerfone! Sim, se não é smart, o fiz ficar um pouco melhor.

Visto que o mesmo possui suporte a Java (j2me) e cartão de memória, comecei a instalar aplicativos midlet (java) e arrumá-lo para meu uso na astronomia e em outros campos de ação.

Instalei os seguintes programas (contém links, para download):

  1. AllFormat Writer – Editor de texto para ODF, DOCX e PDF. Um pouco fraco, mas tá lá.
  2. MicroSky – Programa planetário, embora não usado, pois precisa de cadastrar um login via web no celular, coisa que ainda não fiz.
  3. MobilePDF – Leitor PDF. Está me quebrando um galho enorme em ler PDF sem ter um laptop, ou smartfone, por perto.
  4. MobilestarChart – Este software é o que me inspirou tudo. Simplesmente este software casa com meu sonho descrito no início desta postagem. Simplesmente meu celular virou uma ferramenta na minha paixão por astronomia.

    MobileStarChart

    MobileStarChart em funcionamento

  5. Nimbuzz – Ainda não usei, mas serve para skype e msn no celular. Atualização: Usei e gostei. Consegui usar diversos comunicadores (MSN, chat do Facebook, Gtalk) com um único programa. Apenas deu problema no primeiro dia de uso, mas agora está funcionado perfeitamente (apenas uma pequena lentidão em relação aos comunicadores originais; mas nada que atrapalhe).
  6. Opera Mini – Um navegador muito bom, uma outra opção além do navegador padrão que vem no celular.

Com base nisso, consigo agora explorá-lo não somente como telefone celular, mas usar em auxílio nas minhas observações astronômicas, ler textos em html tanto na internet, quanto os salvos off-line, e estudar alguns PDFs.

Arnaldo Vasconcellos

UPDATE (07.12.10)

Há quase duas semanas resolvi testar os serviços de internet da TIM (que está cobrando R$ 0,50 por dia de uso da internet). Simplesmente o que tenho a dizer é que estou gostando muito da experiência. A conexão não é a mais veloz que já usei, mas é suficiente para um pequeno celular, cerca de 300 kbps, e para melhorar a exibição da web[bb] e até mesmo ajudar na velocidade instalei o Opera Mini. Simplesmente ficou uma boa combinação (o opera mini utiliza um proxy próprio que reduz o tamanho da página, e das imagens, e modela para caber na tela de seu celular).

Portanto recomendo o uso do Opera Mini 5.0 (que é j2me[bb]) e da internet da TIM, desde que seu objetivo seja aproveitar a mobilidade. Por exemplo uso meu e-mail, acesso notícias em vários sites noticiosos, acesso redes sociais (como o twitter) e diversos outros sites. Tem sido bem útil a mim.

UPDATE 19.01.11

Também utilizei o Nimbuzz. Achei excelente poder me comunicar tanto no Gtalk, Facebook quanto no MSN, com apenas um software aberto.

UPDATE 21.04.11

Apesar do celular descrito nesta postagem já ser considerado obsoleto, ele ainda cumpre muito bem suas funções dos aplicativos que instalei. A presente postagem deixa claro que algumas vezes podemos adicionar funcionalidades (não funções nativas, mas sim funcionalidades baseadas em softwares) para nosso uso no dia-a-dia, mesmo sendo um celular que já esteja fora de linha. O presente post, portanto visa demonstrar o uso de alguns ótimos aplicativos que temos na web.




Seu celular, seu pequeno "computador"

Nunca fui muito aficcionado com celulares, mas tenho algum interesse na área. Dentro da normalidade.

Desde o meu Nokia 2280 com java, em meados de 2004, ansiava em poder ter no celular um aplicativo que fosse um planetário. No estilo starcalc, ou alphacentaure (softwares planetários).

Na época tinha montado recentemente um telescópio refrator, e pensei que poderia fazer do meu celular, que pouco usava como telefone, como um computador de mão, mesmo que super simplérrimo, para verificar a posição dos astros na esfera celeste.

Até então desconhecia qualquer software para celular, em Java, que pudesse fazer este serviço. Cogitei em escrever um, mas não tinha conhecimento em java e não tinha tempo: tinha outros projetos em mente e em execução.

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Com o passar do tempo, esqueci este sonho. Com o mesmo passar do tempo, tive outros celulares e não dei muita bola para a existência de possuírem j2me ou não.

W380i

Celular W380i

Neste semana fui presenteado com um Sony Ericson W380i. Comecei fuçar todas as funções. E mesmo não sendo um smartfone, o fiz ser um learnerfone! Sim, se não é smart, o fiz ficar um pouco melhor.

Visto que o mesmo possui suporte a Java (j2me) e cartão de memória, comecei a instalar aplicativos midlet (java) e arrumá-lo para meu uso na astronomia e em outros campos de ação.

Instalei os seguintes programas (contém links, para download):

  1. AllFormat Writer – Editor de texto para ODF, DOCX e PDF. Um pouco fraco, mas tá lá.
  2. MicroSky – Programa planetário, embora não usado, pois precisa de cadastrar um login via web no celular, coisa que ainda não fiz.
  3. MobilePDF – Leitor PDF. Está me quebrando um galho enorme em ler PDF sem ter um laptop, ou smartfone, por perto.
  4. MobilestarChart – Este software é o que me inspirou tudo. Simplesmente este software casa com meu sonho descrito no início desta postagem. Simplesmente meu celular virou uma ferramenta na minha paixão por astronomia.

    MobileStarChart

    MobileStarChart em funcionamento

  5. Nimbuzz – Ainda não usei, mas serve para skype e msn no celular. Atualização: Usei e gostei. Consegui usar diversos comunicadores (MSN, chat do Facebook, Gtalk) com um único programa. Apenas deu problema no primeiro dia de uso, mas agora está funcionado perfeitamente (apenas uma pequena lentidão em relação aos comunicadores originais; mas nada que atrapalhe).
  6. Opera Mini – Um navegador muito bom, uma outra opção além do navegador padrão que vem no celular.

Com base nisso, consigo agora explorá-lo não somente como telefone celular, mas usar em auxílio nas minhas observações astronômicas, ler textos em html tanto na internet, quanto os salvos off-line, e estudar alguns PDFs.

Arnaldo Vasconcellos

UPDATE (07.12.10)

Há quase duas semanas resolvi testar os serviços de internet da TIM (que está cobrando R$ 0,50 por dia de uso da internet). Simplesmente o que tenho a dizer é que estou gostando muito da experiência. A conexão não é a mais veloz que já usei, mas é suficiente para um pequeno celular, cerca de 300 kbps, e para melhorar a exibição da web[bb] e até mesmo ajudar na velocidade instalei o Opera Mini. Simplesmente ficou uma boa combinação (o opera mini utiliza um proxy próprio que reduz o tamanho da página, e das imagens, e modela para caber na tela de seu celular).

Portanto recomendo o uso do Opera Mini 5.0 (que é j2me[bb]) e da internet da TIM, desde que seu objetivo seja aproveitar a mobilidade. Por exemplo uso meu e-mail, acesso notícias em vários sites noticiosos, acesso redes sociais (como o twitter) e diversos outros sites. Tem sido bem útil a mim.

UPDATE 19.01.11

Também utilizei o Nimbuzz. Achei excelente poder me comunicar tanto no Gtalk, Facebook quanto no MSN, com apenas um software aberto.

UPDATE 21.04.11

Apesar do celular descrito nesta postagem já ser considerado obsoleto, ele ainda cumpre muito bem suas funções dos aplicativos que instalei. A presente postagem deixa claro que algumas vezes podemos adicionar funcionalidades (não funções nativas, mas sim funcionalidades baseadas em softwares) para nosso uso no dia-a-dia, mesmo sendo um celular que já esteja fora de linha. O presente post, portanto visa demonstrar o uso de alguns ótimos aplicativos que temos na web.




Pseudociências – Série de Ensaios (Parte #1)

Nesta semana iniciarei uma série de ensaios a respeito das pseudociências. O que são exatamente as pseudociências? Suas relações com as protociências e o que podemos levantar a respeito das ativas de nosso tempo.

Bem, começamos a respeito delinear o que são exatamente pseudociências.

Em veículos populares, como a Wikipédia, encontramos a seguinte definição de pseudociência:

Uma pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos.

Em sentido mais lato a pseudociência, diria eu, pode não ser apenas um tipo de informação, mas um conjunto deles (realizando uma doutrina, seja religiosa, cultural, sociológica ou filosófica) que queira se passar por um status de científica, sem adotar o método científico.

Carl Sagan, afirma que as pseudociências, por exemplo, muitas vezes tomam o lugar da ciência, o lugar da sublimidade e da admiração pelo conhecer o que desconhecemos (p. 20, O Mundo Assombrado pelos demônios).

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Ainda neste livro, Sagan afirma que “Eles [as pseudociências] parecem usar os métodos e as descobertas da ciência, embora na realidade sejam infiéis em sua natureza“(*1) [Grifo meu] (p.30, Idem).

Já, nestes supracitados parágrafos, esclareci o que seria uma outra pergunta: Qual a razão para que crenças, doutrinas e informações independentes sejam colocadas como científicas? Ora, apesar de epistemológicamente podermos tratar a ciência como, em última instância, como um grau de falibilidade ou de probalidade de falibilidade, ela logrou êxito, devido (logicamente) ao seu método que é de constante “conserto” do que é afirmado e adaptabilidade do que está no mundo (ver outros ensaios neste site), e é este êxito que abre portas para uma aceitabilidade, apesar dos contra-ciências existente atualmente, todos nós aceitamos em algum grau o desenvolvimento da ciência. Tentando justamente utilizar este êxito científico como crédito para se sobressair, as pseudociências utilizam (consciente ou inconsciente) afirmações de que seriam ciências. No final das contas essa tentativa de se sair como ciência, por sobre uma existência de “crédito” é uma artimanha retórica.

Talvez por ser este um dos mecanismos das pseudociências encontramos em publicações pseudocientíficas falácias de autoridade como “fulano de tal Ph.D em astrofísica, autoridade no assunto, diz o planeta ‘X’ está chegando!”.

Não é um argumento lógico, mas sim psicológico, apela para a autoridade para se passar como verdadeiro.

Estes tipos de argumentos são encontrados em obras como “O Segredo”, de Rhonda Byrne e no “Quem somos nós?”.

Da mesma forma existe, atualmente, uma caça às pseudociências, como uma caça às bruxas, e uma pergunta surge: toda pseudociência é prejudicial? E uma outra pergunta ainda salta: Toda doutrina ou informação de crença é pseudociência?

Tenho um palpite de que TODA pseudociência, diagnosticada como tal é prejudicial pois estão se passando por algo que não são. São credulidades que podem nos tornar acríticos a diversos tipos de argumentos. Podemos comprar um peixe que não nos fará bem, um peixe apodrecido em forma de uma afirmação enganatória.

E sim há uma busca incessante por parte de muitos em buscar e tipar as pseudociências (apesar do problema da demarcação, que abordaremos em outro ensaio), para que este perigo seja evitado. Entretanto alerto de que esta busca seja efetuada de forma consciente, conhecendo o sucesso científico, bem como suas temporais limitações. Os argumentos contra as pseudociências não podem seguir o mesmo caminho das mesmas: e existem muitos livros vendidos atualmente, de alguns anti-religiosos que pecam em algumas de suas argumentativas.

Devemos conhecer o límite das coisas, partilho este pensar, e desta forma acho importante sabermos o que são as pseudociências, o que é ciência (e outros) para não nos enganarmos e cometermos erros entre o que as diferem. Devemos perceber o perigo da cientificização extrema (devemos saber o limite de nossas atuais afirmações científicas, mas entender o maravilhoso processo do método científico em aperfeiçoar seus estudos); devemos notar quanto é perigoso adotar pseudociências, como um subproduto da cientificização (sim, suspeito que a tecnologização e cientificidade geram males como as pseudociências, estas que abrem portas a muitas afirmações dúbias, preconceitos e manipulações de opiniões).

Mas será que toda doutrina religiosa, filosófica ou informação congênere é uma pseudociência? A resposta é não! Pois analisemos o grupo lógico:

Toda pseudociência é uma informação (ou conjunto de informações, doutrina).

Afirmar isto não abre margem para que eu inverta a afirmação dizendo que todo grupo de doutrinas são pseudociências. O grupo de pseudociência pertence ao de doutrina, mas o inverso não é afirmável.

Portanto, voltemos pensar: se uma doutrina religiosa, teoria filosófica ou outro tipo de informação não é repassado como uma pseudociência, ela não é pseudociência. Isso implica que os riscos oferecidos pelo rótulo “pseudociência” não são cabíveis. Pode ser que em cada particular, exemplar de doutrina e teoria, ofereça riscos (se oferecerem) diferentes em determinados viéses de atitudes (suponho que o perigo está na atitude e no uso das teorias, assim uma teoria pseudocientífica é por natureza uma atitude enganatória, consciente ou não, decorrente de um ato cientificista de acreditar como algo cabal e portanto o valor da pseudociência é um valor prático de “crédito” e por si já perigoso).

Nos próximos ensaios, buscarei analisar as protociências e as dinâmicas envolvidas entre pseudociências e protociências. Pretendo também fazer uma análise a algumas áreas: são ou não são pseudociências?

_________________

(*1) – Estou adotando estes comentários por serem relevantes, e não por que foram falados por quem os falou.

Arnaldo Vasconcellos.




Do que a ciência se preocupa (Parte #6)

Na série “Do que a ciência se preocupa?” estamos experienciando detalhes sobre a ciência, um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos.

Neste sexto artigo gostaria de iniciar o desenvolvimento do que é “teoria”.

Será o que define algo como uma teoria? O que diferencia uma teoria científica de uma metafísica (devemos ter muito cuidado com esta última palavra).

Copérnico, criador da teoria heliocêntrica (Foto: Wikipédia)

Peguemos um comparativo para melhor estudarmos: Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria do Heliocentrismo no qual o Sol é o centro do sistema solar.

A grosso modo, a teoria em questão, diz que o Sol seria o centro do sistema solar (entendido originalmente como centro do universo).

Ao analisarmos tal teoria temos pontos que são fundamentalmente falseadores – ou seja podem ser confrontado a observações e podem ser refutados ou corroborados.

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Segundo o falseacionismo os pontos falseadores, são pontos em que a teoria pode ser confrontada e falseada de acordo com observações. Para Popper, teorias científicas são passíveis de falseamento.

Uma teoria metafísica supostamente não tem pontos falseadores.

Este ponto de vista tem sido muito mal explorada, como pude verificar na internet algumas pessoas a deturparem esta visão: apesar de uma teoria científica possuir pontos falseadores, que devem estar ligados a possibilidades observacionais, na maioria das teorias em que podemos estudar encontramos tanto pontos falseadores, como termos teóricos, nos quais podem se relacionar com outras teorias.

Usando a metáfora de Hempel, uma teoria científica poderia ser considerada como uma nuvem: esta nuvem possui termos que estão relacionadas a possibilidades observacionais e outras que estão relacionadas a outros termos teóricos (e possivelmente de outras teorias). Isto não torna uma teoria menos científica.

Apesar disto uma teoria metafísica, a grosso modo, parece não apresentar ligações com possíveis falseadores observacionais.

Deve-se levar em conta, também, que um termo teórico ligado a outras teorias dentro de uma teoria “x” pode também ser apresentado como um falseador.

Acontece que o falseacionismo ingênuo (ou falseacionismo dogmático) pensa que todo termo deve estar ligado a uma observação que pode ser falseadora. É ingenuidade leiga achar que toda a teoria está ligada apenas a fatos observacionais falseadores. Uma teoria deve ter ligação com fatos observáveis, mas também pode possuir correlações entre outros termos teóricos (que podem ser pontos falseadores).

Aliás, uma teoria é caracterizada por sua ampliação de conhecimento de cunho de previsão: relacionar fator em si não é uma teoria, pois a teoria possui caráter de prever um fato ainda não relacionado. Este tipo de característica está ligada, também, ao fato de que termos teóricos estejam correlacionados a outras teorias.

Por isso, caros leitores, antes de acreditar em blogs (como criacionista que já citei em outro artigo) que julgam que o evolucionismo não é uma teoria científica, duvidem: no mínimo esta pessoa pode estar participando de uma visão ingênua do que é uma teoria científica.

Arnaldo Vasconcellos




Vírus no Linux?

Este artigo abaixo foi produzido originalmente para a Network Core Wiki. Reproduzo-a aqui na íntegra. Publicado originalmente em 07/12/2007.

Interface de uma distribuição Linux

Interface de uma distribuição Linux

Uma das grandes perguntas dos iniciantes, no uso de sistemas operacionais Linux, é se estes sofrem a ação dos vírus de computador.

Para responder essa questão devemos analisar alguns pontos importantes.

Vírus de Computador

O que seria bem um vírus de computador?
Numa consideração ”lato sensu”, ou seja, ampla, qualquer programa com função maliciosa é um vírus. Entretanto, numa visão mais técnica e ”strictu sensu”, os vírus são programas maliciosos que têm técnicas de reprodução, explorando falhas nos sistemas, de forma que possam se replicar para outros computadores.

Assim, um vírus que se envia por e-mail para toda a sua lista de endereços, ou aquele que se replica no pen-drive etc, são programas que exploram falhas no sistema e procuram se replicar de um computador para o outro, além de efetuarem os estragos a que estão programados.

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Um cavalo de Tróia, no modo estrito de responder o que é um vírus, pode não ser considerado, em última instância, como um vírus que se auto-replica (pois estes nem sempre têm mecanismo de reprodução, por vezes são apenas iscas para garantir invasões de intrusos em sua máquina): há aqui o efeito psicológico envolvido – o usuário, que é humano, pode ser ludibriado psicologicamente a executar tais códigos de forma que estes possam permitir danos por crackers invasores.

Entretanto, se pensarmos da forma ”lato sensu”, podemos considerar vários tipos de códigos maliciosos como vírus; mas para este intento deveríamos ter um leque enorme de tipos de vírus de computador.

O funcionamento do Windows

Em geral no Microsoft Windows (principalmente 3.x e 9.x) não há uma estrutura de permissões bem construída a respeito de cada arquivo, do sistema ou não.
Isso significa que no Windows 98 se, por exemplo (e ainda, infelizmente, nos mais atuais também) eu executar um arquivo com código malicioso este, por sua vez, pode alterar arquivos do sistema, pois eu tenho, a possibilidade de alterar diversos arquivos do sistema.
Apesar das versões mais recentes do Windows tentarem bloquear certos arquivos, esta política não é tão bem estruturada (na verdade não é um trabalho de escalonar permissões legítimas).
A forma do funcionamento do Linux é toda voltada para usuários. Cada usuário pode ter diversas permissões para se trabalhar com os arquivos do sistema (em geral apenas o Super Usuário, ou administrador, tem a possibilidade de apagar certos arquivos do sistema). Assim para executar um vírus “letal” no Linux, eu o teria de executar como super usuário.

Outra coisa importante é a diferença entre EXECUTAR e ABRIR algum arquivo. No Windows essas nomenclaturas se confundem. No Linux isso é bem definido: executar é diferente de abrir um arquivo, e para executá-lo devemos atribuir permissão de execução.

Um código malicioso sem a permissão de apagar arquivos do sistema só poderia apagar arquivos do usuário (o que de uma certa forma reduz o poder de destruição). Para evitar essa destruição, basta saber o que se está executando.

O Sudo

Mas no linux existe um software chamado ”sudo”, que permite com que eu executa um comando de super usuário com a senha do usuário comum. Aqui, alguns dizem, pode residir a possibilidade de se executar um código malicioso (ou, se formos a modo ”lato sensu”, vírus).
Entretanto, mesmo assim um suposto vírus deveria estar com permissão de execução, e o usuário, na maioria das vezes, deveria que inserir sua senha para que este código efetuasse seu estrago.

Fator externo

Para um código de cunho malicioso efetuar algum estrago relevante no linux então ele deve explorar falhar muito sérias no sistema (que por ser código aberto poderiam ser corrigidos) e algumas artimanhas que poderiam beirar a manobras psicológicas (como oferecer algo em troca se for executado um script, etc). Apesar disto as alternativas de um vírus estão reduzidas, devido a estrutura do software, mas não impossível de que se crie um código malicioso.

É possível?

Sim, é possível que exista códigos maliciosos, mas estes tem o escopo de ação reduzido e não tão grande como os que encontramos nos milhares e milhares existentes para o Windows.
Apesar de tecnicamente ser possível, não há registro de vírus “potentes” que tenham efetuado estragos enormes em sistemas linux.

Com toda essa estrutura do sistema linux, basta se ter cuidado para não executar códigos maliciosos que porventura venham a existir.

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Antivírus no Linux

Existem sim antivírus para Linux, mas a principal função destes é na aplicação de servidores (como servidores de e-mail etc) que se comunicam com máquinas Windows.
Levando em consideração que um vírus projetado para Windows não atacaria necessariamente o Linux (a exceção ocorreria, em possibilidade, com o módulo Wine, mas se isto acontecesse tecnicamente apenas uma pasta seria destruída).
Pois bem, como os vírus ”for Windows” não atacam necessariamente um linux, um servidor Linux poderia nada sofrer apesar de poder se tornar um meio de propagação indireta do vírus numa rede. Assim os antivírus no linux servem, em última instância para procurar vírus de Windows e apagá-los (e não propagarem indiretamente estes códigos).

A questão usuários x arquitetura do software

Levando em consideração a arquitetura do software sistema operacional (como foi exposto a respeito das permissões de arquivos) podemos levar em consideração que este é um dos fatores a respeito da proliferação de vírus em um dado sistema operacional.

Outro fator na grande quantidade de vírus para Windows (além das falhas que estes exploram) é a sua popularidade (mas vale lembrar que a ”’questão da popularidade não responde todas as perguntas”’).
Existem mais códigos maliciosos no Windows porque este é mais popular. E eles ainda fazem muito estrago, pois a produção do Windows é centralizada; ou seja a correção em falhas no sistema depende de uma única empresa: E estas falhas ainda existem.

A quantidade de usuários de um sistema é um fator na quantidade de vírus produzidos para aquele, ou outro sistema, mas esta é somente a ponta do iceberg. ”’O principal fator está ligado às falhas no software”’, ou seja ”’o fato de existir mais usuários Windows não é o fator preponderante na existências de vírus para este sistema, mas sim suas falhas consideráveis”’.

Vírus ”for Windows’

De uma certa forma, tais vírus criados para Windows são praticamente ineficazes no linux. Por isso a enorme gama de vírus para Windows não teriam eficácia alguma no Linux.
Apesar disto deve-se ter alguns cuidados básicos, como não executar scripts desconhecidos como super usuário. ”’Deve-se evitar de usar o super usuário como um usuário padrão”’.

[meuuol]

Apesar de praticamente improvável de acontecer certos estragos como se conhece no sistema Windows, deve-se obedecer certos cuidados para evitar até mesmo os pequenos males. Pois se os grandes já são evitáveis, é interessante ter consciência para se não executar aqueles cuja dor de cabeça é menor – mas por que si já seriam dor.

Arnaldo Vasconcellos




Dinossauro com características de papagaio

Rapidinha:

Psittacosaurus gobiensis

Psittacosaurus gobiensis

Análises mostraram que Psitacossauros possuem características alimentícias parecidas com a de papagaios e outras aves, além de sua característica morfológica mais óbvia: sua ossatura craniana que possue bico e indica um sistema muscular parecido com o das supracitadas aves.

Imagem demonstrativa entre um Dinossauro Psittacosaurus gobiensis e uma arara

Imagem demonstrativa entre um Dinossauro Psittacosaurus gobiensis e uma arara

O referido dinossauro foi estudado por Paul Sereno, Universidade de Chicago e descoberto em 2001 na Mongólia.
IN OFF: Irei pesquisar mais a respeito para escrever um artigo mais detalhado sobre o fato.

Arnaldo Vasconcellos




Microsoft e suas alegações

Estes dias, navegando por noticiários antigos, deparei-me com algumas afirmações do então presidente da Microsoft da América Latina…

O mesmo afirma que software livre pode ser mais caro que um software comercial, para implantação. Com este argumento tenta nos levar a crer que é melhor investir em Microsoft.

Sim, como ele afirma pode ser mais caro. MAS ISTO É ALGO RELATIVO. A implantação e manutenção de softwares são de valores voláteis (o mesmo afirma que o custo do software é uma pequena parte do custo total, sim é verdade). Implantar um Windows ou pacote Office pode ser tão oneroso quanto outros softwares. O custo total (que é volátil) vai depender de qual software estamos implantando, a ESTABILIDADE DO SOFTWARE, pessoas competentes para mantê-lo.

Se repararem um pouco nesta linha de raciocínio veremos que a implantação de um software livre não está restrita a uma única empresa. Várias empresas podem fazer o mesmo serviço. Lei da oferta e da procura. Agora o que a Microsoft quer é monopolizar mercados, de forma que afirme ter a melhor solução.

Vamos pensar três casos básicos. Os exemplos são fictícios, assim como os valores (que são arbitrários), mas explicarão AS POSSIBILIDADES QUE ESTOU PENSANDO, ao dizer que este mercado é volátil.

1) Uma empresa vende sua licença em 10.000 reais para uma empresa de pequeno porte. Estes 10.000 já pagam o suporte e implantação.

2) Uma empresa resolve implantar softwares livres e paga 15.000 de suporte para o mesmo porte tecnológico da primeira. Pagará ainda 5.000 para treinamento de pessoal.

3) Uma empresa vende sua licença em 10.000 reais para uma empresa de pequeno porte. Estes 10.000 já pagam o suporte e implantação. A empresa que comprou nota que produto é instável. Investe mais 3.000 de softwares preventivos e corretivos. Passado mais 1 ano a empresa contratante resolve mudar de softwares… tendo que investir mais uns 10.000 em software concorrente.

Sim, a grosso modo parece que os custos de SL (softwares livres) serão maiores. Mas isto dependerá da empresa que for prestar os serviços e de qual SL irá ser adotado, além da forma que a empresa contratante irá implantar este sistema (será que tomará os devidos cuidados para que seja um investimento duradouro?; além do serviço prestado). Da mesma forma dentro dos SP (softwares proprietários) existem empresas concorrentes, entre si, que podem fornecer serviços diferentes e com qualidades diferentes.

Lembrem que o Windows não é exemplo de estabilidade, e dependendo da aplicação não será muito vantajoso mantê-lo. Apesar de sua popularidade, existem softwares mais eficazes (sejam SL ou SPs!).

Por isso eu digo que a afirmação do então presidente da Microsoft America Latina foi enganadora. Por que simplesmente este mercado é volátil e custos devem ser acompanhados de perto (até com a variável qualidade do software). E existem softwares livres com ótimas qualidades e que poderiam suprir necessidades de empresas, pessoas e tudo mais. É só uma questão de mainstream, de fashion de falso brilho, que algumas pessoas insistem em manter nos softwares da Microsoft.

Prediletar softwares livres, por parte de pessoas, empresas ou governos, não é necessariamente optar por soluções inferiores como alguns satirizam, mas sim manter a liberdade de escolha. E se posso escolher, porque não escolher o que há de melhor? Escolho softwares livres.




Antigos sites

Para começo de conversa, para que ninguem mantenha-se perdido, comecei em meados de 2000 a editar algumas coisas em sites gratuitos. Mantinha um site pessoal. Passados oito anos, mudei de endereço na web umas duas vezes. Resultado: mantenho um site pessoal fora deste domínio, com conteúdos pre-históricos. Um blog no blogspot, além do site networkcore.eti.br (e seus respectivos subdomínios, como este aqui).

Para tanto comecei um projeto de transferência dos antigos sites. Os mesmos ainda continuarão existindo, mas este conterá o que os anteriores já possuem.