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O Falseacionismo Ingênuo e a solução fantástica (Série pseudociências – Parte 3#)

31, Dezembro, 2009

Para começar esta postagem, vou fazer uma analogia, que já usei em conversas em outros blogs. Lógico que este exemplo encerra apenas parte do que quero dizer e não é completo, mas tento elucidar um pouco sobre a complexidade das teorias no processo científico.

Imagine que você está num quarto escuro. Em pleno escuro. Sabe que apenas existe um interruptor para acender uma luz. Você inicia uma série de hipóteses:

1) Deve existir ao menos uma lâmpada neste quarto.

2) Se existir ao menos uma lâmpada, ela deve ser acionada por um interruptor.

3) O interruptor deve ficar numa das paredes do quarto.

Você então começa a tatear o quarto. Aparentemente está longe das paredes. Então começa a tatear objetos em busca de uma parede. Encontra um sofá e portanto deduz que atrás deste sofá deve existir uma parede. Chega a parede (confirmando sua hipótese). Tateando a parede descobre na parede subsequente uma cortina. CONTINUAR A LER

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Do que podemos conhecer?

6, Dezembro, 2009

Outro dia estava eu conversando com um amigo meu. Nesta conversa abordei o trabalho do cientista apoiado num método, (que não significa necessariamente restringir o conteúdo criativo do mesmo).

Pude notar, de certa forma que a palavra “método” desperta em algumas pessoas uma posição um tanto desconfortável, pois parece que a ciência possui uma rigidez que inflexibiliza a criação. Não que este meu amigo tenha apontado isto, mas passou em minha cabeça, pela forma com que ele falava.

A atividade de um cientista é envolta em investigação, mas não é de sua exclusividade, por tanto existem outras áreas que são investigativas mas não são como a atual ciência se estrutura. A filosofia é um exemplo de investigação, mas podemos notar que cada área da filosofia, e até mesmo cada filósofo pode divergir de forma a investigar (embora haja a investigação).

O que então distingue o trabalho do cientista? O método empregado na ciência. Embora este método possa ser multifacetado, variando conforme cada ciência, ele possui pontos tangíveis que se relacionam com as imagens de natureza e de ciências estabelecidas (como já afirmei em outros artigos).

O método então permite um foco de pesquisa que impede de sair deste último. Isto permite uma pesquisa a um ponto específico, mas não impede a criatividade. Se enxergarmos as teorias como criações (existem visões diferentes do que são teorias, mas podemos adotar este ponto de vista) é perfeitamente plausível notarmos, mesmo com um método, uma infinidade de possibilidades de teorias sobre um mesmo ponto ou aspecto.

Assim, se formos falseacionistas, talvez somos levados a pensar que estas teorias serão testadas por observações diretas ou indiretas em outras teorias. Uma teoria que passa em tais testes é CORROBORADA e não tomada como VERDADE (assim assume-se que sua verossemelhança com o que pode ser real é muito próximo, mas não garante que seja verdade absoluta, pois pode ser falseada a qualquer momento). A garantia lógica de uma corroboração não é a mesma coisa de dizer que ela, a teoria, é cabalmente assim na realidade (sempre poderá ser falseada ou ter hipóteses auxiliares falseadas, modificando a teoria).

Parece que assim, portanto, é difícil sabermos como é realmente e fielmente a realidade, mas parece que a cada momento de método aplicado nos aproximamos, mesmo que em algum grau de erro, dela. Mas sem tocá-la com toda sua extensão.

A negação de uma teoria, seu falseamento, também nos fala de como a realidade é – na verdade de como não o é – e isso é importante.

Sabermos como as coisas são, com escalas de erro e aproximações, é uma tarefa muito difícil e hérculea, do qual a ciência é usada para tal. E o método é unicamente um instrumento para este fim.

Olhando por este ponto de vista, o método não é um restritor de criatividade, mas sim um prumo para que nossa criatividade seja em pensar em consonância do que as coisas são e não divagar apenas.

Alguns leitores me perguntarão: e por que o título do artigo? Ora, creio que  aquilo do que podemos conhecer é muito ligado em como podemos conhecer: e neste ponto o método é figura essencial, mesmo que seja para conhecermos a passos do que são as coisas em graus de acerto e erro.

Método tem sua origem no idioma grego e seu significado está estritamente ligado com o verbete “caminho”. Portanto, assumo que usar um método, no caso da ciência, (o método científico) é ter um instrumental investigativo para aquilo que estiver na possibilidade de conhecermos – daquilo do que podemos conhecer.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa (Parte #6)

24, Julho, 2009

Na série “Do que a ciência se preocupa?” estamos experienciando detalhes sobre a ciência, um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos.

Neste sexto artigo gostaria de iniciar o desenvolvimento do que é “teoria”.

Será o que define algo como uma teoria? O que diferencia uma teoria científica de uma metafísica (devemos ter muito cuidado com esta última palavra).

Copérnico, criador da teoria heliocêntrica (Foto: Wikipédia)

Peguemos um comparativo para melhor estudarmos: Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria do Heliocentrismo no qual o Sol é o centro do sistema solar.

A grosso modo, a teoria em questão, diz que o Sol seria o centro do sistema solar (entendido originalmente como centro do universo).

Ao analisarmos tal teoria temos pontos que são fundamentalmente falseadores – ou seja podem ser confrontado a observações e podem ser refutados ou corroborados. CONTINUAR A LER

Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Informática, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Linguagem, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa? (PARTE #3)

21, Abril, 2009

Ao longo das séries de artigos postados aqui, tenho desenvolvido a descrição da posição científica, tanto realista, quanto a não-realista e ainda a anti-realista.

Expomos a relação do método como uma forma de parametrizar o escopo geral da ciência (ou das ciênicias, a multiplicidade das ciências será motivo de outro artigo).

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Então, nos pergutamos, o que é o método? E como pode ele estabelecer o escopo do que, digamos, a ciência (ou ciências) se preocupa?

Vamos, novamente, verificar a etimologia para enfim prosseguirmos em nosso artigo. Lógico que várias palavras podem mudar de significado, em relação com o significado original (e está é uma mudança que parece ocorrer com frequência), mas veremos que a etimologia da palavra método pode nos lançar luz nesta empreitada.

No Wikicionário, encontramos as seguintes definições:

mé.to.do masculino

  1. modo ordenado de fazer as coisas, ordem:
    Organizou com método o ficheiro da empresa.
  2. conjunto de procedimentos técnicos e científicos:
    Escreveu um relatório sobre o método de organizar ficheiros.
  3. obra que regista os princípios de uma técnica, ciência ou arte;
  4. sistema educativo:
    João de Deus instituiu um novo método com o lançamento da “Cartilha Maternal.
  5. ponderação, prudência:
A polícia analisou as provas com método.

A definição atual número 1, nos aponta que método é uma forma de fazer algo. É justamente isto que etimologia da palavra nos aponta: método é do grego methodos, que significa “caminho a seguir”.

Um método científico é, portanto, um conjunto de regras, de modos ordenados, que nos permitem a praticar uma pesquisa, parametrizada, na qual o resultado deverá estar dentro do escopo destes tais modos ordenados.

Entretanto, sabemos que a forma que um método se organiza deve ter baseada em si uma forma de ciência a seguir. Assim o objetivo de ciência é parametrizada por uma imagem de ciência (conceito retirado do professor Paulo Abrantes) que está contida no método.

Um método está portanto organizado para uma imagem de ciência. E este método parametriza o caminho e fim da pesquisa científica.

Uma imagem “I” de ciência portanto pressupõe um determinado método. Uma pesquisa “P” irá ser implantada e desenvolvida de acordo de um método que possa conduzir a um objetivo final e determinado da ciência; que no fim é um representante legítimo de uma imagem de ciência.

Podemos nos perguntar como surgiriam os métodos e qual seria a multiplicidade dos mesmos, entretanto esta pergunta talvez demandaria uma exaustiva dissecação da história da ciência, o que não desenvolverei neste artigo.

Durante a disciplina do Professor Paulo Abrantes, na Universidade de Brasília, acompanhamos diversos métodos que estão relacionados com essa posição que chamamos de imagem de ciência. São muito. Pretendo não listar neste artigo, mas talvez abrirei oportunidades para próximos.

Nota-se que esta imagem de ciência, que fundamenta um método, que por sua vez parametriza a atividade científica em questão, está também atrelada a imagens de natureza que se possuem.

Uma ciência e suas pesquisas são produzidas de acordo com um método que parametriza a pesquisa e que está fundada numa imagem de ciência que se deve seguir. E esta imagem está baseada numa imagem de natureza existente.

Vale lembrar que estes conceitos (imagem de natureza, imagem de ciência etc) não são meus; tive contato com o referido professor. Para ver mais acesse: http://www.unb.br/ih/fil/pcabrantes/artigos/Sofia4.PDF (As citações abaixo compreendem este texto).

As imagens de natureza são formas de “ver” o mundo. São nas palavras do professor Abrantes:

“São ontologias assistemáticas e tácitas que condicionam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educacional. (…) Exemplos de pares de imagens de natureza, que se opõem em grande medida, incluem:

i) mecanicismo / materialismo;
ii) deísmo / teísmo;
iii) naturalismo / sobrenaturalismo;
iv) ação à distância / ação contígua;
v) atomismo / plenismo (natureza como continuum).” (pp. 1-2).

Vejam que uma imagem de natureza compreende a forma com que vemos o mundo. É a forma com que nos comprometemos a relacionar o mundo e suas coisas. Uma imagem de ciência depende muito desta primeira.

Nas palavras de nosso professor, encontramos:

“Imagens de ciência são, de modo análogo, epistemologias assistemáticas e tácitas que orientam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educação científica. Imagens de ciência podem incluir concepções a respeito dos métodos adequados para a construção do conhecimento científico e/ou para a validação dos produtos da atividade científica (e.g. teorias). Tais métodos estão, usualmente, comprometidos com certos valores cognitivos e não-cognitivos, que também compõem tais imagens.” (p. 2).

Uma imagem de ciência compromete-se, digo portanto, com uma forma de encararmos, epistemológica e ontologicamente o mundo. A imagem de ciência abarca métodos que sejam-lhe filiais.

Do que (ou no que) a ciência se preocupa? Ela se preocupa com aquilo que está exposto no escopo de sua imagem de ciência, cuja atividade para atingí-la está parametrizada em seu método.

E isto é uma coisa ruim? Não necessariamente (pretendo criar artigos para desenvolvermos as implicações éticas nesta possibilidade de ciências).

Outra coisa que podemos refletir com base nisto é a multiplicidade de ciências: há uma ciência coesa ou várias interrelacionadas, ou ainda inúmeras separadas? (Pretendo, também, desenvolver esta questão em outros artigos).

Uma teoria como resultado de uma determinada ciência, como pode-se manter? E como se procede? – Também é tema de outro artigo que postarei aqui. E ainda: uma teoria de uma determinada imagem de ciência pode-se manter em outra imagem de ciência diferente? (poderá ela ser desalinhada do que é considerada como “ciência”? – este é outro tema que abordarei neste meio).

Refletiremos, portanto, sobre mais aspectos que a ciência possui e que estão relacionados com tais questões ontico-espistemológicas, além de suas implicações éticas.

Arnaldo Vasconcellos

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Do que a ciência se preocupa?

18, Abril, 2009
Acelerador LCH

Acelerador LHC

Ano passado, em setembro, aproximadamente, entrou em funcionamento o LHC, um gigantesco acelerador de partículas criado para colidir partículas elementares e estudar a possibilidade da existência de uma partícula chamada de Bóson de Higgs. O Bóson de Higgs é, atualmente, uma partícula prevista pelo nosso atual modelo de física de partículas.

Se esta teoria estiver afinadamente correta, será, assim, encontrada a existência do famoso Bóson.

Mas e se não existir o Bóson? Bem, neste caso a teoria deve ser revista e modificada.

Percebem o que isto tudo implica? Uma teoria foi formulada. Trechos desta teoria são afinadas com o tempo: ora se confirma, ora têm-se de adaptar a teoria. Este processo é feito pelas pesquisas científicas durante muito tempo. CONTINUAR A LER

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Eqüidistante

31, Agosto, 2007

Sinto, que na pura e funda realidade
– se é que ela pode não ser pura –
há algo de relevante:
um resígnio entre o que penso e o que há
um fascínio entre o que quero saber e o que é
uma obsessão entre o limite e o ilimitado…
há algo de relevante,
há algo subsistente;

há uma busca incessante,

no compreender, por vezes do que é como é,
mesmo que seja algo, de mim, eqüidistante.

Arnaldo Vasconcellos

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