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A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Linguagem, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa? (Parte #4)

24, Abril, 2009

A ciência se preocupa com a sua multiplicidade?

É bastante comum, e não é nada nova, a diversidade de piadas de “troque a lâmpada” com cientístas e outras profissões. Irei começar o artigo de agora com algumas piadas encontradas no site Humor na Ciência, que por sua vez retirou do site Observatório Nacional:

Quantos físicos são necessários para trocar uma lâmpada?

Quantos astrônomos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum. Astrônomos se recusam a trocar lâmpadas. Os astrônomos preferem lugares escuros.

Quantos radio-astrônomos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum. Eles não tem qualquer interesse nestas coisas que emitem energia com pequeno comprimento de onda.

Quantos físicos especialistas na teoria da relatividade geral são necessários para trocar uma lâmpada?
Dois. Um segura a lâmpada enquanto o outro gira o Universo.

Quantos físicos especialistas em mecânica quântica são necessários para trocar uma lâmpada?
Eles não conseguem fazer isto. Se eles sabem onde está a base da lâmpada eles não podem localizar a lâmpada nova.

Quantos físicos quânticos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum, logo que eles observam que ela está apagada ela muda de estado..

Quantos físicos quânticos são necessários para trocar uma lâmpada?
Se voce sabe o número você não sabe onde a lâmpada está.

Quantos físicos de partículas são necessários para trocar uma lâmpada?
Duzentos: 136 deles para esmagar a lâmpada e 64 para analisar os pequeníssimos pedaços e chegar a alguma conclusão.

Quantos físicos teoricos são necessários pra se trocar uma lâmpada?
Não importa quantos, eles vão ficar horas tentando provar matematicamente que o seu jeito de trocar a lâmpada é melhor que o do outro, e enquanto isso, um experimental trocou a lâmpada e eles nem perceberam.

Fonte: http://www.on.br/site_brincando/piadas/piadas_8.html

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Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, Universidade , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa? (PARTE #3)

21, Abril, 2009

Ao longo das séries de artigos postados aqui, tenho desenvolvido a descrição da posição científica, tanto realista, quanto a não-realista e ainda a anti-realista.

Expomos a relação do método como uma forma de parametrizar o escopo geral da ciência (ou das ciênicias, a multiplicidade das ciências será motivo de outro artigo).

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Então, nos pergutamos, o que é o método? E como pode ele estabelecer o escopo do que, digamos, a ciência (ou ciências) se preocupa?

Vamos, novamente, verificar a etimologia para enfim prosseguirmos em nosso artigo. Lógico que várias palavras podem mudar de significado, em relação com o significado original (e está é uma mudança que parece ocorrer com frequência), mas veremos que a etimologia da palavra método pode nos lançar luz nesta empreitada.

No Wikicionário, encontramos as seguintes definições:

mé.to.do masculino

  1. modo ordenado de fazer as coisas, ordem:
    Organizou com método o ficheiro da empresa.
  2. conjunto de procedimentos técnicos e científicos:
    Escreveu um relatório sobre o método de organizar ficheiros.
  3. obra que regista os princípios de uma técnica, ciência ou arte;
  4. sistema educativo:
    João de Deus instituiu um novo método com o lançamento da “Cartilha Maternal.
  5. ponderação, prudência:
A polícia analisou as provas com método.

A definição atual número 1, nos aponta que método é uma forma de fazer algo. É justamente isto que etimologia da palavra nos aponta: método é do grego methodos, que significa “caminho a seguir”.

Um método científico é, portanto, um conjunto de regras, de modos ordenados, que nos permitem a praticar uma pesquisa, parametrizada, na qual o resultado deverá estar dentro do escopo destes tais modos ordenados.

Entretanto, sabemos que a forma que um método se organiza deve ter baseada em si uma forma de ciência a seguir. Assim o objetivo de ciência é parametrizada por uma imagem de ciência (conceito retirado do professor Paulo Abrantes) que está contida no método.

Um método está portanto organizado para uma imagem de ciência. E este método parametriza o caminho e fim da pesquisa científica.

Uma imagem “I” de ciência portanto pressupõe um determinado método. Uma pesquisa “P” irá ser implantada e desenvolvida de acordo de um método que possa conduzir a um objetivo final e determinado da ciência; que no fim é um representante legítimo de uma imagem de ciência.

Podemos nos perguntar como surgiriam os métodos e qual seria a multiplicidade dos mesmos, entretanto esta pergunta talvez demandaria uma exaustiva dissecação da história da ciência, o que não desenvolverei neste artigo.

Durante a disciplina do Professor Paulo Abrantes, na Universidade de Brasília, acompanhamos diversos métodos que estão relacionados com essa posição que chamamos de imagem de ciência. São muito. Pretendo não listar neste artigo, mas talvez abrirei oportunidades para próximos.

Nota-se que esta imagem de ciência, que fundamenta um método, que por sua vez parametriza a atividade científica em questão, está também atrelada a imagens de natureza que se possuem.

Uma ciência e suas pesquisas são produzidas de acordo com um método que parametriza a pesquisa e que está fundada numa imagem de ciência que se deve seguir. E esta imagem está baseada numa imagem de natureza existente.

Vale lembrar que estes conceitos (imagem de natureza, imagem de ciência etc) não são meus; tive contato com o referido professor. Para ver mais acesse: http://www.unb.br/ih/fil/pcabrantes/artigos/Sofia4.PDF (As citações abaixo compreendem este texto).

As imagens de natureza são formas de “ver” o mundo. São nas palavras do professor Abrantes:

“São ontologias assistemáticas e tácitas que condicionam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educacional. (…) Exemplos de pares de imagens de natureza, que se opõem em grande medida, incluem:

i) mecanicismo / materialismo;
ii) deísmo / teísmo;
iii) naturalismo / sobrenaturalismo;
iv) ação à distância / ação contígua;
v) atomismo / plenismo (natureza como continuum).” (pp. 1-2).

Vejam que uma imagem de natureza compreende a forma com que vemos o mundo. É a forma com que nos comprometemos a relacionar o mundo e suas coisas. Uma imagem de ciência depende muito desta primeira.

Nas palavras de nosso professor, encontramos:

“Imagens de ciência são, de modo análogo, epistemologias assistemáticas e tácitas que orientam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educação científica. Imagens de ciência podem incluir concepções a respeito dos métodos adequados para a construção do conhecimento científico e/ou para a validação dos produtos da atividade científica (e.g. teorias). Tais métodos estão, usualmente, comprometidos com certos valores cognitivos e não-cognitivos, que também compõem tais imagens.” (p. 2).

Uma imagem de ciência compromete-se, digo portanto, com uma forma de encararmos, epistemológica e ontologicamente o mundo. A imagem de ciência abarca métodos que sejam-lhe filiais.

Do que (ou no que) a ciência se preocupa? Ela se preocupa com aquilo que está exposto no escopo de sua imagem de ciência, cuja atividade para atingí-la está parametrizada em seu método.

E isto é uma coisa ruim? Não necessariamente (pretendo criar artigos para desenvolvermos as implicações éticas nesta possibilidade de ciências).

Outra coisa que podemos refletir com base nisto é a multiplicidade de ciências: há uma ciência coesa ou várias interrelacionadas, ou ainda inúmeras separadas? (Pretendo, também, desenvolver esta questão em outros artigos).

Uma teoria como resultado de uma determinada ciência, como pode-se manter? E como se procede? – Também é tema de outro artigo que postarei aqui. E ainda: uma teoria de uma determinada imagem de ciência pode-se manter em outra imagem de ciência diferente? (poderá ela ser desalinhada do que é considerada como “ciência”? – este é outro tema que abordarei neste meio).

Refletiremos, portanto, sobre mais aspectos que a ciência possui e que estão relacionados com tais questões ontico-espistemológicas, além de suas implicações éticas.

Arnaldo Vasconcellos

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Do que a ciência se preocupa? (Parte #2)

19, Abril, 2009

Para iniciar este artigo, começarei perguntando: “o que seria um fenômeno?”. Você enquadraria o quê como fenômeno? A maioria de nós respode esta pergunta de uma maneira rápida, imaginando os fenômenos da natureza.

Quasar, um fenômeno astronômico

Quasar, um fenômeno astronômico

Pois bem, o que são fenômenos da natureza? Alguns dariam exemplos, como o furacão, o vento, a chuva etc. Estes exemplos meteorológicos são muito bons (gosto muito de meteorologia, e pretendo escrever aqui sobre esta ciência, algum dia); mas de certa forma, eu não perguntei por exemplos e sim pela definição.

Apesar disto, os exemplos são bons para tirarmos a definição que buscamos. O que há de comum com a chuva, o furacão e o vento? Eles acontecem.

Segundo Niels Bohr “Nenhum fenômeno é fenômeno até ser observado” (esta citação pode ser encontrada na Wikipédia neste link).

De certa forma, os fenômenos são espécies de fatos, são coisas que acontecem e que podemos observar. Na verdade a palavra fenômeno vem do grego Phainomenon que significa, literalmente, “aquilo que aparece”. Aparecer, portanto, é um pressuposto de um fenômeno. CONTINUAR A LER

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Do que a ciência se preocupa?

18, Abril, 2009
Acelerador LCH

Acelerador LHC

Ano passado, em setembro, aproximadamente, entrou em funcionamento o LHC, um gigantesco acelerador de partículas criado para colidir partículas elementares e estudar a possibilidade da existência de uma partícula chamada de Bóson de Higgs. O Bóson de Higgs é, atualmente, uma partícula prevista pelo nosso atual modelo de física de partículas.

Se esta teoria estiver afinadamente correta, será, assim, encontrada a existência do famoso Bóson.

Mas e se não existir o Bóson? Bem, neste caso a teoria deve ser revista e modificada.

Percebem o que isto tudo implica? Uma teoria foi formulada. Trechos desta teoria são afinadas com o tempo: ora se confirma, ora têm-se de adaptar a teoria. Este processo é feito pelas pesquisas científicas durante muito tempo. CONTINUAR A LER

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