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O Falseacionismo Ingênuo e a solução fantástica (Série pseudociências – Parte 3#)

31, Dezembro, 2009
Karl Popper

Karl Popper

Para começar esta postagem, vou fazer uma analogia, que já usei em conversas em outros blogs. Lógico que este exemplo encerra apenas parte do que quero dizer e não é completo, mas tento elucidar um pouco sobre a complexidade das teorias no processo científico.

Imagine que você está num quarto escuro. Em pleno escuro. Sabe que apenas existe um interruptor para acender uma luz. Você inicia uma série de hipóteses:

1) Deve existir ao menos uma lâmpada neste quarto.

2) Se existir ao menos uma lâmpada, ela deve ser acionada por um interruptor.

3) O interruptor deve ficar numa das paredes do quarto.

Você então começa a tatear o quarto. Aparentemente está longe das paredes. Então começa a tatear objetos em busca de uma parede. Encontra um sofá e portanto deduz que atrás deste sofá deve existir uma parede. Chega a parede (confirmando sua hipótese). Tateando a parede descobre na parede subsequente uma cortina. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Evolucionismo, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , , , ,

Pseudociências – Série de Ensaios (Parte #2)

28, Dezembro, 2009

As Protociências
Neste ensaio veremos brevemente o que são protociências, suas distinções entre pseudociências e a possibilidade entre as dinâmicas protociência-ciência, protociência-pseudociência.

Vamos considerar, neste ensaio, que protociência é uma definição diferente de pseudociência.

Tomaremos como base que protociências são teorias, hipóteses ou argumentos aspirantes a ciência (e todo seu cabedal de método)  e  que estariam em fase de estruturação científica, tal como a mesma é concebida em relação aos métodos de falseacionismo e corroboração.

Assim a pseudociência, cuja definição pesquisamos em artigos passados, não é sinônimo de uma protociência.

Alguns leitores poderiam considerar a protociência como uma área atuação que teria dado origem histórica a alguma ciência – isto pode não ser falso, visto que historicamente alguns pensamentos deram origens a ciências, como é o caso da alquimia. Entretanto não é a própria alquimia que se tornou a química. Sua estrutura sofreu mudanças e hoje temos algo bem diferente, embora tenha-se uma ligação histórica. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência , , , , , , , , ,

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18, Dezembro, 2009

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Gerais

Paul Sereno e o "design"

18, Dezembro, 2009

O Paleontologista Paul Sereno

Lí alguns dias atrás uma notícia no Site da Terra, que o paleotologista Paul Sereno teria descoberto uma espécie de mini tiranossauros e teria efetuado afirmações criacionistas.

Pronto! Será um problema de semântica na tradução ou seria que realmente teríamos estes dados conforme o veículo editorial teria afirmado?

Esbarrei no “Observatório da Imprensa“, no qual, exatamente o que estava indagando, estava respondido. Seria um problema de tradução em certos trechos.

Verifiquei que também existia em outros Blogs na net falando a respeito.

A autora da tradução, como pude acompanhar neste link, não é criacionista, entretanto  a sua tradução poderia ser absorvida por um criacionista incauto, além da ambiguidade semântica.

Ao que parece o erro não é uma desonestidade religiosa, mas sim um deslize na tradução. E esse deslize pôde passar despercebido e ser veículado, como aconteceu no site do Terra.

Creio que este é um erro que não se pode deixar cometer em traduções, visto que pode levar uma interpretação errônea na divulgação científica. Talvez esteja superdimensionado, pois muitos nem ligariam para tal fato – mas é algo que pode ser evitado.

Ciência, Ética, Evolucionismo , , , , , , , , , ,

Paul Sereno e o “design”

18, Dezembro, 2009

O Paleontologista Paul Sereno

Lí alguns dias atrás uma notícia no Site da Terra, que o paleotologista Paul Sereno teria descoberto uma espécie de mini tiranossauros e teria efetuado afirmações criacionistas.

Pronto! Será um problema de semântica na tradução ou seria que realmente teríamos estes dados conforme o veículo editorial teria afirmado?

Esbarrei no “Observatório da Imprensa“, no qual, exatamente o que estava indagando, estava respondido. Seria um problema de tradução em certos trechos.

Verifiquei que também existia em outros Blogs na net falando a respeito.

A autora da tradução, como pude acompanhar neste link, não é criacionista, entretanto  a sua tradução poderia ser absorvida por um criacionista incauto, além da ambiguidade semântica.

Ao que parece o erro não é uma desonestidade religiosa, mas sim um deslize na tradução. E esse deslize pôde passar despercebido e ser veículado, como aconteceu no site do Terra.

Creio que este é um erro que não se pode deixar cometer em traduções, visto que pode levar uma interpretação errônea na divulgação científica. Talvez esteja superdimensionado, pois muitos nem ligariam para tal fato – mas é algo que pode ser evitado.

Ciência, Ética, Evolucionismo , , , , , , , , , ,

Do que podemos conhecer?

6, Dezembro, 2009

Outro dia estava eu conversando com um amigo meu. Nesta conversa abordei o trabalho do cientista apoiado num método, (que não significa necessariamente restringir o conteúdo criativo do mesmo).

Pude notar, de certa forma que a palavra “método” desperta em algumas pessoas uma posição um tanto desconfortável, pois parece que a ciência possui uma rigidez que inflexibiliza a criação. Não que este meu amigo tenha apontado isto, mas passou em minha cabeça, pela forma com que ele falava.

A atividade de um cientista é envolta em investigação, mas não é de sua exclusividade, por tanto existem outras áreas que são investigativas mas não são como a atual ciência se estrutura. A filosofia é um exemplo de investigação, mas podemos notar que cada área da filosofia, e até mesmo cada filósofo pode divergir de forma a investigar (embora haja a investigação).

O que então distingue o trabalho do cientista? O método empregado na ciência. Embora este método possa ser multifacetado, variando conforme cada ciência, ele possui pontos tangíveis que se relacionam com as imagens de natureza e de ciências estabelecidas (como já afirmei em outros artigos).

O método então permite um foco de pesquisa que impede de sair deste último. Isto permite uma pesquisa a um ponto específico, mas não impede a criatividade. Se enxergarmos as teorias como criações (existem visões diferentes do que são teorias, mas podemos adotar este ponto de vista) é perfeitamente plausível notarmos, mesmo com um método, uma infinidade de possibilidades de teorias sobre um mesmo ponto ou aspecto.

Assim, se formos falseacionistas, talvez somos levados a pensar que estas teorias serão testadas por observações diretas ou indiretas em outras teorias. Uma teoria que passa em tais testes é CORROBORADA e não tomada como VERDADE (assim assume-se que sua verossemelhança com o que pode ser real é muito próximo, mas não garante que seja verdade absoluta, pois pode ser falseada a qualquer momento). A garantia lógica de uma corroboração não é a mesma coisa de dizer que ela, a teoria, é cabalmente assim na realidade (sempre poderá ser falseada ou ter hipóteses auxiliares falseadas, modificando a teoria).

Parece que assim, portanto, é difícil sabermos como é realmente e fielmente a realidade, mas parece que a cada momento de método aplicado nos aproximamos, mesmo que em algum grau de erro, dela. Mas sem tocá-la com toda sua extensão.

A negação de uma teoria, seu falseamento, também nos fala de como a realidade é – na verdade de como não o é – e isso é importante.

Sabermos como as coisas são, com escalas de erro e aproximações, é uma tarefa muito difícil e hérculea, do qual a ciência é usada para tal. E o método é unicamente um instrumento para este fim.

Olhando por este ponto de vista, o método não é um restritor de criatividade, mas sim um prumo para que nossa criatividade seja em pensar em consonância do que as coisas são e não divagar apenas.

Alguns leitores me perguntarão: e por que o título do artigo? Ora, creio que  aquilo do que podemos conhecer é muito ligado em como podemos conhecer: e neste ponto o método é figura essencial, mesmo que seja para conhecermos a passos do que são as coisas em graus de acerto e erro.

Método tem sua origem no idioma grego e seu significado está estritamente ligado com o verbete “caminho”. Portanto, assumo que usar um método, no caso da ciência, (o método científico) é ter um instrumental investigativo para aquilo que estiver na possibilidade de conhecermos – daquilo do que podemos conhecer.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , ,