Opinião: Brasília e seus 50 anos

Brasília fez neste último dia 21 seus 50 anos. São cinquenta anos de uma cidade que ainda cresce, mesmo sem espaço aparente.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

É uma cidade linda, fascinante. Uma cidade como qualquer outra, mas também uma cidade única, devido aos seus monumentos arquitetônicos, sua história interessante, o povo que aqui mora e os frequentadores de cada quatro anos (que muito aparecem em noticiários, quando envergonham a todos nós).

E como qualquer outra cidade está sujeita a lendas urbanas.

Uma das lendas mais proeminentes, e com ar de pseudociência, é a de Brasília descrita como uma cópia de cidades egípcias e seu fundador como uma cópia faraónica.

Se a lenda for encarada apenas como lenda (e como sátira), é uma ótima pilhéria. Mas a partir do momento que a lenda é utilizada (como pude acompanhar diversas pessoas fazendo isso na internet e em impressos – que irei comentar num futuro ainda não determinado) como uma certeza histórica, portanto com o crivo de científico carimbado surge os ares de pseudociência.

Adeptos da lenda tentam associar a imagem de Juscelino com a de Akhenaton, faraó egípcio e Brasília com a cidade por este último construída, lá no Egito. Seus adeptos usam argumentos mistificados sobre os monumentos de Brasília, como associados às construções egípcias e as histórias de vida de Juscelino com as de Akhenaton. São explicações não muito racionais, mas que fascinam os mais dados ao misticismo, pois nada mais encantador é fingir-se estar num novo Egito (cuja imagem que temos é distorcida por nossas imaginações); imaginar-se lendário, como a lendária imagem que fazemos do incrível Egito. Entretanto não verdadeiro. Não é real a associação, embora tenhamos uma história de construção da nova capital muito mais interessante que a lenda propõe (com detalhes muito mais reais e fascinantes que uma associação lendária).

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E logo ganha-se o crivo; “mas existem correlatos históricos”. E esta é uma frase enganadora. Esconde-se aí uma possibilidade pseudocientífica de enquadrar sob o aspecto de “pesquisa histórica” algo que é uma lenda notável.

Entretanto, em minha opinião, existe algo muito mais interessante e verdadeiro que uma lenda embrenhada de misticismo dada a possibilidades de teorias conspiratórias: é o que acontece no dia-a-dia de Brasília; e isto sim é algo real e verdadeiro – e também perigoso:  o que acontece de verdade, as decisões de nosso país e a nossa reação diante do que se passa.

Desejo assim, ao admitir minha afeição a esta cidade, parabéns. E ficam assim os meus votos de novos e vindouros anos, com consciencia real do que existe, do que foi, sem os laços obscuros de lendas reluzentes (porém falsas) para que possamos mantermos sóbrios sobre o que acontece e o que é decidido.

Catedral Metropolitana

Catedral Metropolitana

Arnaldo Vasconcellos




Teorias das conspirações e seus desserviços – (Série pseudociências parte 7#)

Tenho para mim, que quem muito navega na internet tem maior probabilidade de encontrar uma ou outra explicação alternativa, desde a fatos acontecidos até a possíveis fatos.

Olho que tudo vê

Olho que tudo vê no dolar - símbolo da observação divina, mas usado por teóricos da conspiração

Muitas explicações que encontramos, e que se não soubermos filtrar o que lemos e absorvemos na internet (ou outros meios, como a televisão) estaremos fadados a entrar em explicações cada vez mais absurdas.

Revisar alguma história, ou estudar detalhadamente uma determinada explicação não é necessariamente criar teorias de conspiração, entretanto é realmente incrível como qualquer fato acontecido existe uma teoria da conspiração envolvida.

Na Wikipédia encontramos:

Teoria da conspiração é um termo usado para referir qualquer teoria que explica um evento histórico ou actual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos,[1] tais como uma “sociedade secreta” ou “governo sombra“.[2].

(In: TEORIA DA CONSPIRAÇÃO[bb]. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o&oldid=19544127>. Acesso em: 10 abr. 2010.)

Isto mesmo. São explicações que envolvem sempre uma grande conspiração (do mal, do governo, de ETs, ou qualquer outra possibilidade existente). Extrapolam o conceito de “conspiração”. Um grande exemplo é o seguinte:

É patente que a corrupção de políticos, como sempre temos em noticiários, são espécie de conspirações. Ou seja, um complô com intuito de desvio de verbas etc. Entretanto o conceito de conspiração é colocado como a única variável em um evento histórico (ou o mais importante) numa teoria da conspiração.

Enquanto conspirações, corrupções e etc possam existir e serem descobertas, pois num fato histórico existem diversas variáveis, não sendo existente apenas o complô. Mas uma visão ingênua parece tormar de conta quanto analisamos teorias conspiratórias.

Algumas possuem explicações mirabolantes, outras são risíveis.

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Algumas não fazem a menção de serem científicas. Outras aceitam-se como únicas portadoras da verdade; beirando (se já não estiverem mergulhadas) a pseudocientificidade.

Na seguinte URL (http://forum.jogos.uol.com.br/Vacina-contra-o-virus-H1N1-pode-conter-nanorrobos_t_714477) encontramos:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1439821-6091,00-VACINA+CONTRA+O+VIRUS+H1N1+PODE+CONTER+NANORROBOS.htmlDe acordo com o senador norte-americano Jeremih McRussel, foram testadas versões com nanotecnologia, capaz de controlar o sistema nervoso e digestivo do corpo humano.?

Ora, é um extremo desserviço o que podemos notar. A primeira vista temos um link que não existe (que para o teórico da conspiração talvez tenha sido apagada 🙂 ). Uma teoria de que a vacina anti-h1n1 seria composta de nanorrobôs para controlar nossas emoções é uma teoria mirabolante, lançada na internet e que muitos lhe dão valor de verdade.
A priori a nanorrobótica[bb] ainda está em amplo desenvolvimento, até onde tenho notícia, e ainda não é capaz de produzir tais robozinhos malévolos. Mas para o teórico da conspiração já podemos sim produzir, mas a conspiração não dissemina esta informação.
Como podemos perceber, para cada indagação, existe uma explicação ad hoc para tal. O que deixa com um ar muito aproximado de pseudociência.
Na internet inventar uma informação e divulgá-la e de uma facilidade incrível. Se eu disser algo como (que acabei de inventar, por base na teoria conspiratória da anti-h1n1 supracitada) que a vacina h1n1 é uma forma de um governo nazista paralelo tentar dominar o mundo é capaz de ter pessoas que acreditem nisto! E mais ainda se eu disser, sem nenhuma prova, que h1n1[bb] significa ‘h’ di ‘h1tler’ e ‘n’ de ‘naz1’! Pronto é um meme criado que pode circular a internet e ganhar adeptos, perigosamente.
Pensem no desserviço que isto significa: uma ideia desta poderia persuadir milhares de jovens a não tomar a vacina anti-h1n1 com base em invencionices sem provas (sem contar com os atuais boatos que existem sobre a vacina), tornando-os mais vulneráveis à infecção, esta real, do vírus da influenza A/h1n1.
As teorias conspiratórias são como poderosas idéias que circulam e vislumbram; e que para aceitá-las não necessita de muito crivo crítico.
Existem, logicamente, algumas mais elaboradas e outras mais simplistas. De fato, parece que é moda nos últimos tempos as teorias conspiratórias.
E muito mais mainstream são as teorias conspiratórias que correlacionam cidades no mundo com histórias de organizações secretas que conspiram para o futuro do mundo.
Funcionam como grandes lendas urbanas com inúmeras conexões, nem sempre muito críticas, à ideiais da existência de seitas secretas[bb] que supostamente querem dominar o mundo (e estas variáveis são tomadas como únicas nas teorias conspiratórias). De certa forma esta forma de lenda urbana se tornou mais comum e popular com a publicação e sucesso de “código da vinci[bb]“.
Existem milhares de sites, lançando, aumentando, inventando, copiando etc sobre diversas teorias conspiratórias, sobre diversas seitas secretas, sobre diversos políticos secretos, sobre inúmeras organizações comerciais gigantescas a fim de dominar o mundo e influenciar o nosso futuro. Muitas delas entram em contradição uma com as outras.
Uma das primeiras vezes que senti-me tocado a falar sobre o assunto foi em 2004 e resultou em um livro, romance, não publicado, sobre a relação de fatos históricos e o surgimento de lendas urbanas, perante as riquezas histórica (reais) dos fatos (inspirado inicialmente nas críticas que mantive aos teóricos das conspirações que falam de golpes de estado e de revisionismos conspiratórios da segunda-guerra mundial). Ou seja, para mim, a história está bem mais repleta de variáveis, conflitos individuais e de grupos, tendências e outras sutilezas que as teorias das conspirações frequentemente ignoram, ou distorcem.
Um site que encontrei, inclusive, é o http://mapeamentoespiritual.blogspot.com/ que é um exemplo do que estou falando de nossas lendas mais mainstream. Uma série de riscos em mapas de cidades são usadas para “revelar” supostas verdades sobre estas cidades.
Como sou de Brasília conheço diversos boatos, diversas histórias sobre a construção de nossa capital; e na internet encontramos inúmeras afirmações sobre a mesma.
Senti-me atualmente tocado a este assunto, pois além de esbarrar na internet com diversas teorias conspiratórias, um amigo procurou me para ajuda em um livro que ele estaria compondo. Coisa que estou decidido a declinar, tanto por não concordar, quanto por ter outros projetos literários, quanto ainda por ter outra linha de pensamento ao escrever algo (além da costumeira falta de tempo relacionada a outros assuntos).
Entretanto, teorias conspiratórias não me agradam por suas simplórias conexões à realidade (mesmo que suas histórias sejam repletas de detalhes, beirando a complexidade de detalhes barroco; mas pobres em conexões racionais ou reais) e há muito venho refletindo sobre elas e suas facilidades em vislumbrar pessoas. Esta é uma das razões de meus primeiros escritos em 2004 e ainda estou envolvido nas análises críticas a tais.
Por este motivo recomendo a todos, que quando lerem na internet, verem televisão e/ou absorverem outra mídia, que tenham espírito crítico para verificar uma informação que pode ser atraente, mas é extremamente irreal[bb] e beirando o doentio.
É interessante ter o crivo crítico, um filtro, ainda mais já que estamos numa época de excesso de informações. Informações estas que nem sempre são verdadeiras.
Arnaldo Vasconcellos