A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)

Ao longo da série de ensaios que fiz acerca das pseudociências, expus que as pseudociências passam-se como ciência, embora não utilizem o método científico. Este processo está embasado na garantia social que a pseudociência tenta possuir quando põe-se como ciência (visto que na ciência, como postulei, sua garantia social é em decorrência de sua garantia metodológica).

Este processo é extremamente vital para a manutenção da pseudociência: ela necessita usufruir de uma garantia social alheia, sem mesmo possuir uma garantia metodológica; o que acaba por se tornar possível instrumento de persuasão e com sua garantia social inócua (pois a garantia social deve ser apenas um reflexo perante a um grupo social de uma outra garantia, como a metodológica). Assim é compreensível o mecanismo da pseudociência quando esta tenta se passar por ciência, como uma mimese, para que seus adeptos possam estampar uma suposta garantia dita e passada como “científica”, quando na verdade apenas é uma garantia social.

Carta Natal Astrológica

Carta Natal Astrológica

Bem, o que estou dizendo acima não é tão chocante se você já tiver lido o meu ensaio “A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)“. É de certa forma, um resumo do que eu já disse anteriormente.

Mas por qual razão tocar neste assunto, novamente?

Bem, a razão por tocar neste assunto novamente é porque este assunto não é algo cujo contexto está além dos nossos dias, de nossos contatos imediatos.

A necessidade de garantia pela pseudociência é algo inerente ao seu funcionamento. Postulo isto pois, quando uma crença ou qualquer coisa humana que acabe por assumir a qualidade de “pseudociência”, atingindo seu foco – como já descrevi em outros ensaios, quando esta tenta se passar por ciência – ela acaba por requerer o status de científica utilizando-se de um valor social que a ciência adquiriu (benéfica ou maleficamente), sem mesmo possuir uma garantia metodológica que funcione realmente ao operar um método científico.

Um caso muito patente foi o que aconteceu recentemente em Brasília. Policiais civis seguiram a pista dada por uma vidente, que  afirmava ter detalhes sobre um crime ocorrido por volta de um ano atrás na cidade.

A vidente demonstrou saber onde estava uma chave da residência das vítimas, parecendo mostrar pistas verdadeiras sobre o caso.

Agora uma das coisas que chamou a atenção acerca dos supostos métodos apresentados por ela, seria justamente a apresentação de um certificado, expedido por um curso de extensão ligado ao Nefp (Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais) da Universidade de Brasília. A apresentação do certificado foi dada como forma de garantir sua paranormalidade.

O Nefp é um conturbado núcleo que alega estudar fenômenos paranormais em quatro áreas (conscienciologia, terapias integrativas, ufologia e astrologia). Segundo o organizador da Nefp a vidente está extrapolando o valor do certificado, entretanto esta extrapolação parece ser uma necessidade para a sustentação da garantia pseudocientífica – a pseudociência precisa que sejam apresentados meios (os mais diversos, e o certificado é um deles) para que pareça algo que siga um estudo científico.

Óbvio que, analisando friamente a situação, podemos reparar que em parte o fato ocorre também pelo excessivo crédito que a sociedade dá à academia, gerando níveis de academicismo; o que contribui, de certa forma, para que pseudociências busquem estabelecer-se como algo científico até na academia.

Entretanto, não podemos negar que a academia e toda estrutura envolvida no processo de educação e desenvolvimento científico funciona; apesar que o academicismo ser algo crescente e contribuínte no processo do crédito excessivo à títulos e certificados, que por vezes podem ser vazios de significado.

Notem que não estou dizendo que a ciência seja detentora da verdade, muito menos estou afirmando que não possam existir outros estudos. A ciência é uma das empreitadas humanas em busca do que é real, cujo foco é bem estabelecido. Existem avanços tecnológicos associados ao seu desenvolvimento, por isso o seu sucesso em nossa contemporaneidade é em parte decorrência destes avanços. Outra parte é pela própria identificação e explicação dos fenômenos existentes.

Entretanto é possível, analisando de uma forma epistemológica, que outras coisas falem do que é real (seja a filosofia, a própria ciência e a religião), sim é possível; mas a questão da problemática levantada gira em torno do seguinte aspecto: cada uma destas empreitadas possui um foco de atuação específico, cuja atuação pode por vezes entrarem em intersecção, mas possuem focos distintos de funcionamento.

Por isso a pseudociência parece ser perigosa: é um tipo de empreitada humana que não se enquadra no processo metodológico da ciência, e nem sempre possui o mesmo foco de estudo (a natureza, o fenômeno, aquilo que nos aparece; ver este artigo e este outro), mas que quer se passar por ciência devido a forma que encaramos e geramos a garantia social: a pseudociência parece ser um estado usurpador de qualquer empreitada humana que não tenha estabelecida em si uma metodologia de estudo científico (que não esteja comprometida com esta metodologia), mas queira ser encarada como uma ciência.

Entrementes, não só o exagero cientificista está relacionado com o processo da manutenção da pseudociência. Também há o problema mesmo sem a variável do cientificista:  ainda na mais modesta vitória e avanço científico (sem cientificismo) existe a satisfação que ela nos tenha gerado – satisfação tal que é natural. Notem, que agora estou a me referir ao processo normal, sem que o indivíduo suponha uma supremacia científica. Ainda assim, a pseudociência participa do processo usurpador do que pode ser científico, pois é vantajoso e atraente se passar por ciência, para poder dizer que participa de um procedimento que de certa forma funciona.

Resumindo a questão:

  1. A pseudociência se passa por ciência, sem admitir seus métodos, mas querendo “surfar” em seu sucesso.
  2. Este sucesso, pode ser consciente, sem o problema do cientificismo. Um sucesso saudável acerca do que foi descoberto e do que podemos descobrir através desta modalidade de falar sobre o mundo (ciência). Mesmo neste âmbito, a pseudociência quer se passar como ciência, pois quer participar deste processo de falar do mundo, mas não quer se adequar à forma da ciência falar sobre o mundo.
  3. A pseudociência pode, ainda, fazer uso para si daqueles que possuem grau de cientificismo: é muito atraente passar-se como ciência, sem utilizar seus métodos, por que no cientificismo haveria uma abertura para o que é passado como ciência como algo exclusivo de verdade.  Assim a pseudociência já conquistaria a idolatria de muitos.

No caso do crime acontecido em Brasília, fica patente como a apresentação de um certificado como uma forma de garantir a autenticidade de uma paranormalidade. Embora os organizadores do curso aleguem que o certificado não tenha este valor, é fato como o mesmo foi usado na desenfreada necessidade de garantia pseudocientífica.

Vamos refletir: mesmo não tendo este valor, como os organizadores do curso alegam, já é bastante alusivo uma pessoa apresentar um certificado para mostrar autoridade em um assunto a fim de usufruir de prestígio do mesmo.

Segundo o “Correio Braziliense“:

O escândalo envolvendo a paranormal Rosa Maria Jaques, acusada de fraudar as investigações do triplo assassinato da 113 Sul, pode trazer consequências para a Universidade de Brasília (UnB). Isso porque, uma das principais alegações de Rosa Maria para certificar a sua capacidade de clarividência é o fato de ela possuir um certificado de instrutora (1) em um curso de paranormalidade promovido na instituição, bem como de já ter sido tema de tese de doutorado na universidade. Diante da situação, o Instituto de Física (IF) da UnB pediu ao Conselho Universitário (Consuni) a extinção do Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais (Nefp), responsável pelos cursos.

(In: Correio Braziliense, Envolvimento de paramornal em crime da 113 Sul põe em xeque núcleo da UnB).

O que Nefp?

No início do artigo eu disse que a Nefp é um “conturbado” núcleo de extensão. Vamos entender melhor porque o “conturbado”.

No site da Nefp encontramos:

O NEFP conduz pesquisas com respaldo científico e sempre preocupado com o impacto dos resultados na sociedade. (…)

(In: http://www.nefp.unb.br/index.html; grifo meu).

Embora o núcleo afirme isto, o mesmo está enfrentando problemas junto ao Instituto de Física. Este último está pedindo a extinção do citado núcleo. Alegam que o que o Nefp está produzindo não é ciência e não se mantém de forma laica em seus estudos.

No site da Agência UnB temos a seguinte reportagem:

O Instituto de Física da Universidade de Brasília vai pedir ao Conselho Universitário a extinção do Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais (Nefp). A decisão do conselho do IF é do início de junho, mas ganhou reforço com a prisão da vidente Rosa Maria Jaques, há oito dias. Acusada de envolvimento no assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral José Guilherme Villela, da mulher dele e da empregada da família, a clarividente usa como prova de seus poderes um certificado de instrutora de um curso de paranormalidade promovido pelo Nefp na UnB.

(…)

Apesar de não estar vinculado diretamente ao Instituto de Física, a existência do Nefp incomoda muitos físicos, além de professores e pesquisadores de outras áreas, desde que foi criado, há mais de 20 anos. Tanto que a decisão de formalizar o pedido no Conselho Universitário, instância máxima da UnB, foi tomada muito antes da prisão, no último dia 6 de junho, em reunião extraordinária do Conselho do Instituto de Física. De acordo com a ata da reunião, os 16 conselheiros decidiram que vão encaminhar o documento também à Reitoria e ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe).

(…)

O principal argumento dos físicos é o de que o Nefp não produz conhecimento científico. “O que eles fazem não é pesquisa séria, é propagação do esoterismo. Os trabalhos não obedecem a métodos científicos nem são laicos, premissa fundamental da ciência. É só analisar a produção para comprovar”, afirma o diretor do Instituto de Física, Geraldo Magela e Silva.O professor Álvaro Luiz Tronconi rebate. “É ciência sim. Usamos a metodologia científica para testar aquilo que está além dos sentidos. Em alguns casos, comprovamos. Em outros, não, como em qualquer pesquisa”, justifica.

(In: Agência UnB, Físicos pedem extinção de núcleo de estudos sobre paranormalidade. http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3798)

Em síntese o mecanismo da pseudociência está envolvida na necessidade de garantia como algo científico para se manter como uma suposta ciência. Isto fica patente nos exemplos mencionados: seja na tentativa de mostrar autoridade em uma área, como ocorreu com a vidente que está a ser acusada pela justiça, quanto no núcleo de estudos, que está a ser acusado pelo Instituto de Física da UnB como um núcleo que não está desenvolvendo ciência, embora se nomeie como tal.

Acho que é bom refletirmos sobre estes assuntos todos, pois isto é algo que acontece e precisamos ficar atentos.

Mais notícias sobre o caso

Arnaldo Vasconcellos




Workshop: dinâmica de sistemas complexos

A UnB sedia entre os dias 29/08 a 03/09/2010 um workshop aberto ao público sobre o tema de “dinâmica de sistemas complexos”.

No site da UnB agência temos a seguinte descrição:

O clima é um sistema complexo. Uma avalanche também. Bem como o sobe e desce da Bolsa de Valores. O professor Fernando de Oliveira, do Instituto de Física (IF), explica que todo fenômeno afetado por elementos que não podem ser medidos com precisão é complexo. “O clima depende da incidência solar, da velocidade do vento, das nuvens, da vegetação local. Por isso não é possível fazer previsões exatas”, afirma. O mesmo ocorre com a avalanche. A neve vai caindo, caindo, até o deslize de uma grande massa. Mas o momento exato do fenômeno é impossível saber.

A professora Márcia Barbosa é especialista em Mecânica Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das convidadas para o evento. Ela explica que, apesar da complexidade, há uma lei que rege esses fenômenos. É a chamada Lei da Potência. “Eles ocorrem em todas as escalas. E quanto maior a intensidade, menor a probabilidade de acontecer”, conta. A todo o momento ocorrem tremores de terra imperceptíveis. Mas terremotos como o que devastou o Haiti, em janeiro, são raros. A pergunta entalada na garganta dos cientistas é: por que isso ocorre?

Para ler o resto da postagem e saber mais sobre o evento clique aqui (Unb Agência).

É aberto ao público.

http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3800



Efemérides Astronômicas – Setembro 2010

Olá a todos! Como de costume estou a compilar novamente as efemérides do mês. Como sempre relembro, abaixo são listadas as informações: gráfico da esfera celeste, horizonte artificial, fases da lua, nascer e ocaso do sol, previsão do tempo em sua cidade, efemérides de setembro/2010, estação do ano e chuvas de meteoros. Em setembro teremos um equinócio e a mudança de estação.

LEMBRETE: Os dados observacionais de gráficos estão configurados para 05/09/2010, Brasília, às 20:00 em horário local (23:00 UTC). Considerar diferenças entre os gráficos de “horizonte artificial” e “esfera celeste”, além dos dados de “hora do entardecer” devido aos locais reais de observação.

Os outros horários, como das fases lunares, estão em UTC (ver link sobre Tempo Universal Coordenado).

1) Gráfico da Esfera Celeste.

Clique na imagem para ampliar:

Esfera Celeste - Setembro 2010

Esfera Celeste - Setembro 2010

2) Horizonte Artificial.

Clique na imagem para ampliar:

Horizonte Artificial - Setembro 2010

Horizonte Artificial - Setembro 2010

3) Fases da Lua (retirado de software).

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  • Quarto-Minguante: 01/09 – 17:22 UTC.
  • Nova: 08/09 – 10:30 UTC.
  • Quarto-Crescente: 15/09 – 5:50 UTC.
  • Cheia: 26/09 – 9:18 UTC.

4) Previsão do Tempo, Nascer-do-Sol, Pôr-do-Sol

Coloque o nome da sua cidade no campo abaixo e clique em “resultado”. Será redirecionado para serviços do site da INPE.

Previsão para as Cidades
Basta digitar no mínimo as 3 primeiras letras da cidade.

FONTE: INPE

5) Efemérides (Setembro – 2010).

Data / Hora (UTC) Efemérides

08/09/2010 às 04h00 Perigeu da Lua: Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km).
11/09/2010 às 13h05 Conjunção Lua – Vênus: Alinhamento entre a Lua e o planeta Vênus.
14/09/2010 às 05h55 Conjunção Lua – Antares: Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares.
21/09/2010 às 08h03 Apogeu da Lua: Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km).
23/09/2010 às 03h09 Equinócio de Setembro. Início da Primavera (Hemisfério Sul; Outono no Norte).
28/09/2010 às 05h32 Conjunção Lua – Plêiades: Alinhamento entre a Lua e as Plêiades.

6) Chuvas de meteoros (fonte wikipédia).

Nome Datas Data do pico Ascensão recta Declinação Velocidade (km/s) THZ Intensidade e descrição
Pi Eridanídeas Ago 20-Set 5 Ago 25 03:28:00 -15 59 4 Fraca
Gamma Doradídeas Ago 19-Set 6 Ago 28 04:36:00 -50 41 5 Fraca
Alpha Aurigídeas Ago 25-Set 8 Set 1 05:36:00 42 66 7 Média com estrelas muito rápidas e persistentes
Perseidas de Setembro Set 5-Oct 10 Set 8 04:00:00 47 64 6 Média com estrelas rápidas e persistentes
Aries-triangulídeas Set 9-Set 16 Set 12 02:00:00 29 35 3 Fraca
Piscídeas Set 1-Set 30 Set 20 00:32:00 0 26 3 Média
Kappa Aquarídeas Set 8-Set 30 Set 20 22:36:00 -2 16 3 Fraca
Delta Aurigídeas Set 22-Out 23 Out 10 05:40:00 52 64 6 Média

7) Estação do ano

No hemisfério sul teremos no dia 23/09 às 23hs38min UTC o início oficial da estação do ano denominada “primavera”. Seu início é marcado pelo equinócio de setembro, já apontado no ponto sobre “efemérides”.

Equinócio

Equinócio - FONTE: Wikipédia

O equinócio acontece quando o dia e a noite tem sua duração igual (por isso o termo “equinócio”, noites iguais) e tem como causa a posição aparente da órbita terrestre, quando o plano do equador celeste (que nada mais é do que a linha do equador projetado na esfera celeste aparente) está em cruzamento com a eclíptica (que é o plano da orbita terrestre ao redor do sol). Lembrando que estamos tratando de planos retratados na esfera celeste (que é uma representação da abóbada celeste, como podemos acompanhar aqui na Terra).

Com o passar dos dias, os dias serão mais longos que as noites (hemisfério sul). Isto favorecerá o aquecimento maior da atmosfera. No verão, os dias são maiores, tendo maior incidência dos raios solares na atmosfera, o fazendo mais quente.

Lembrem-se: isto está relacionado com a inclinação que a Terra possui em relação ao seu plano de órbita; assim em determinadas épocas do ano há uma maior incidência de raios solares no hemisfério sul, enquanto no norte diminui e em outras épocas do ano é o inverso. Por este motivo as estações do ano são invertidas entre os hemisférios sul e norte.

Equador Celeste - Wikipédia

Equador Celeste - Wikipédia

O trecho abaixo é da Wikipédia e explica melhor os conceitos:

Na área da astronomia, equinócio é definido como um dos dois momentos em que o Sol, em sua órbita aparente, (como vista da Terra), cruza o plano do equador celeste (a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste). Mais precisamente é o ponto onde a eclíptica cruza o equador celeste.

A palavra equinócio vem do Latim, aequus (igual) e nox (noite), e significa “noites iguais”, ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo. Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do Sol (alvorada ou dilúculo) é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte e o pôr do Sol (crepúsculo ou ocaso) o instante em que o círculo solar encontra-se metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração.

Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro e definem as mudanças de estação. No hemisfério norte a primavera inicia em março e o outono em setembro. No hemisfério sul é o contrário, a primavera inicia em setembro e o outono em março.

FONTE: EQUINÓCIO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Equin%C3%B3cio&oldid=21449358>. Acesso em: 15 ago. 2010.

Também temos:

Em astronomia e navegação, a esfera celeste incluindo a meia esfera do dia e da noite é a propria aboboda celeste que vemos o céu. Visto de qualquer posição forma uma esfera de raio indefinido e concêntrico com as coordenadas da Terra. Todos os objectos visíveis no céu podem ser então representados como projeções na aboboda celeste. Do mesmo modo, são projectados na esfera celeste o Pólo Norte, o Pólo Sul e o Equador terrestres, formando respectivamente os pólos celestiais e o equador celeste .

Em astronomia temos a “esfera celeste” que pode ser considerada como um globo fictício de raio indefinido, cujo centro radial é o olho do observador. Na esfera celeste os pontos das posições aparentes dos astros, independente de suas distâncias marcam esta superfície hipotética. Esta superfície onde aparentemente estão as estrelas fixadas, gira em torno de uma linha chamada de PP’, denominada de linha do eixo do mundo, ou linha dos pólos. Perpendicular a este eixo existe uma superfície circular plana denominada EE’, que é definida como o “Equador Celeste“. Observando-se a superfície circular do ponto de vista do hemisfério norte do plano equatorial e imprimindo-se um movimento no sentido horário no círculo equatorial temos um eixo ZZ’, que é vertical ao lugar onde se encontra o observador, esta é chamada de Zênite (Z, ao norte) e Nadir (Z’, ao sul). Esta linha vertical tem atravessando-a um plano perpendicular que é chamado de horizonte celeste. As retas PP’ e ZZ’ formam um plano chamado de “plano meridiano do lugar”. A direção OS é o sul, e a direção ON é o norte. Perpendicularmente, ou na horizontal temos uma linha chamada de “linha leste-oeste”. Portanto, quando o observador olha para o norte tem o Leste à sua direita e o oeste à esquerda.

FONTE: ESFERA CELESTE. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Esfera_celeste&oldid=21006337>. Acesso em: 15 ago. 2010.

Ainda deve-se levar em conta que o aumento de temperatura é gradativo e não acontece de uma hora para outra, entre uma estação e outra. Deve-se, também, considerar os climas de cada local. As diferenças térmicas e meteorológicas estão relacionadas aos climas locais – fazendo com que a primavera num clima tropical tenha características peculiares (e vice-versa) em relação aos climas temperados.

Entretanto, é fato o aumento da incidência dos raios solares devido ao posicionamento do plano do equador celeste entre o plano aparente da órbita da Terra (a inclinação de 23,45°, chamada de inclinação axial); aumentando assim as temperaturas para o verão, daqui a quase três meses. Mas lembre: esse efeito de aumento da duração dos dias a partir do equinócio de setembro é para o hemisfério sul. Isso culminará no nosso Solstício de verão (quando os dias ficarão maiores que as noites). No hemisfério norte após os dias e noites iguais deste equinócio as noites serão gradativamente maiores, diminuindo a incidência solar e por sua vez reduzindo a temperatura. Isto fará que daqui a três meses o referido hemisfério chegue ao inverno no mesmo solstício que marcará início de nosso verão.

Situação comum passaremos em março, quando haverá outro equinócio, mas marcando o início do outono no hemisfério sul e a primavera no norte (pelos mesmos princípios que apresentei acima).

8 ) Fontes.

Arnaldo Vasconcellos




Mas o que são falácias mesmo?

É comum, para todos nós que utilizamos a internet, entrarmos em debates e discussões sobre os mais diversos assuntos. E é justamente quando entramos em algumas discussões é que podemos verificar o quão necessário é evitar as falácias. Sabemos que algumas discussões são sérias e outras descontraídas, com os mais diversos assuntos em voga (isso sem contar com as que são mal direcionadas); mas em todas elas faz-se necessário manter-nos atentos à coerência da argumentação (nossa e dos nossos interlocutores).

E é provável que, vez ou outra encontremos problemas durante algumas discussões, como argumentos falaciosos, desde os mais simples até aqueles que beiram o ataque explícito.

Em uma discussão, que pretende ser coerente, é necessário evitar o que chamamos de falácias; evitar que venhamos sofrer com seu uso por parte de outrem ou que, ingenuamente, possamos usar contra o nosso interlocutor.

Mas o que é realmente uma falácia?

Vamos começar com o conceito de falácia, mas já adianto que este conceito necessitará depois de uma abordagem do conceito do que é lógica.

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A palavra falácia vem do latim fallace que quer dizer “enganoso”. Em termos claros e estritos, falácia é um argumento que não se sustenta logicamente, o que se distingue da mentira propriamente dita, como o trecho abaixo retirado do site (http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/f_litto/index.htm):

Enquanto a mentira é uma informação falsa, uma falácia é um argumento falso, ou uma falha num argumento, ou ainda, um argumento mal direcionado ou conduzido. A origem da palavra “falaz” remete à idéia do deceptivo, do fraudulento, do ardiloso, do enganador, do quimérico. Para entender bem isso, é preciso lembrar que quando pessoas esclarecidas tentam convencer outras também esclarecidas a acreditar em suas afirmações, precisam usar argumentos, isto é, exemplos, evidências ou casos ilustrativos que confirmem a veracidade do enunciado. Como se vê, estamos falando de discursos, de enunciados, de declarações feitas com o fim de persuadir, levando alguém ou um grupo a acreditar numa coisa ou outra.

(FONTE: LITTO, Fridric. In: http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/f_litto/index.htm.)

Ou ainda mais resumidamente:

falácia é uma falha técnica que torna o argumento inconsistente ou inválido.

(FONTE: Matthew, In: http://ateus.net/artigos/ceticismo/logica-e-falacias/.)

Apesar da falácia ser um tipo de argumento que não se baseia logicamente ela pode haver outra sustentação, como psicológica ou a emotiva.

E o que vem a ser um argumento inválido ou inconsistente logicamente? Ora, um argumento é composto, na lógica, por premissas e conclusões (relacionadas às premissas). E quando estão estruturados no formato:

Todo A é B

Todo B é C

__________

Logo,  todo A é C

… a isso damos o nome de silogismo. Entretanto quase nunca conversamos assim (de sorte que seria um pouco monótono se conversássemos desta forma). Mas, quando escrevemos cotidianamente, podemos “traduzir” ou transformar o que foi dito em uma forma lógica aproximada (mesmo que não seja um silogismo propriamente dito). Como poderia ser o seguinte exemplo:

Ora Tobias, presumo que A é B. E sendo B igual a C, digo que é análogo assumir que A é C.

Tudo bem, o exemplo ainda não é tão cotidiano, mas eu poderia ainda dizer:

Fulano o teclado é uma unidade de entrada e, até onde eu sei, unidades de entrada são partes de um computador. Portanto sei que, se for desta forma, o teclado é uma parte de computador!

Ora, deste argumento podemos extraír justamente o silogismo supracitado. A lógica que estamos a verificar trabalha com a “FORMA” e não com o conteúdo do argumento, de tal feito que quando um argumento é estruturando podemos dizer se ele é válido ou inválido.

Ser válido é dizer que SE as premissas forem verdadeiras, elas SUSTENTAM a conclusão pela LÓGICA. Se digo que é inválido, significa que no argumento as premissas não dão sustentabilidade à conclusão. Vamos por partes:

Se “o teclado é uma unidade de entrada” for VERDADEIRO, “unidades de entrada serem partes de computador” também for VERDADEIRO, então a forma do argumento apresentado nos irá dar VALIDADE LÓGICA para que eu afirme “teclados são partes de computador”.

Isso significa que sendo as premissas verdadeiras, a conclusão será verdadeira. É a validade lógica do argumento que garante isto.

Assim, uma falácia é um argumento que não sustenta sua conclusão logicamente.

Entrementes, sabemos que nem todas as nossas conversas se baseiam na lógica e que se formos estudar estritamente sobre a lógica, saberemos que existem diversos tipos. Portanto o uso da lógica para evitar falácia não é um instrumento cabal da verdade, mas é MUITO IMPORTANTE. Sim, é possível estruturar um argumento lógico, válido, mas que sua conclusão não seja verdadeira. Acompanhe o exemplo abaixo, que é válido, mas sua conclusão não é verdadeira:

A lua é um satélite com cerca de 1/4 do tamanho da Terra.  Io deve possuir 1/4 do tamanho de Júpiter.

Deste argumento podemos extraír a forma:

O satélite da Terra (Lua) possui 1/4 de tamanho do planeta em que orbita. E satélites devem possuir 1/4 do tamanho do planeta em que orbitam.

Io é um satélite que orbita Júpiter

__________

Logo, Io possui 1/4 de tamanho de Júpiter

Entretanto, opa! Este argumento apesar de válido não está correto. Pois a premissa que determina o tamanho dos satélites é FALSA.

Veja bem, e este é o ponto cerne, um argumento estruturado logicamente, válido, pode ser uma ferramenta para podermos descobrir coisas. Porque? Simples, voltando ao exemplo do computador: se sei que as premissas (a respeito do exemplo das partes dos computadores) estão corretas, a conclusão será verdadeira. No exemplo do satélite, vemos que nem todo argumento válido é verdadeiro, mas se eu conheço a veracidade das premissas, isso permite saber sobre a veracidade da conclusão.

Apesar de não existir uma única lógica, e nem ela ser sinônimo de verdade, podemos usar como instrumental da descoberta, justamente pela coerência que damos entre a conclusão e as premissas. E é isto que tentei mostrar nos exemplos acima. Ela pode nos permitir um arcabouço de descoberta científica (e talvez, julgo eu, de justificação) mais coerente.

No site já mencionado  encontramos, explicado magistralmente a respeito da lógica, no seguinte trecho (com adaptações):

Há muitos tipos de lógica, como a difusa e a construtiva; elas possuem diferentes regras, vantagens e desvantagens.(…).

A seguir, no mesmo artigo o autor diz:

Vale fazer alguns comentários sobre o que a lógica não é.

Primeiro: a lógica não é uma lei absoluta que governa o universo. Muitas pessoas, no passado, concluíram que se algo era logicamente impossível (dada a ciência da época), então seria literalmente impossível. Acreditava-se também que a geometria euclidiana era uma lei universal; afinal, era logicamente consistente. Mas sabemos que tais regras geométricas não são universais.

Segundo: a lógica não é um conjunto de regras que governa o comportamento humano. Pessoas podem possuir objetivos logicamente conflitantes. Por exemplo:

  • John quer falar com quem está no encargo.
  • A pessoa no encargo é Steve.
  • Logo, John quer falar com Steve.

Infelizmente, pode ser que John também deseje, por outros motivos, evitar contato com Steve, tornando seu objetivo conflitante. Isso significa que a resposta lógica nem sempre é viável.

Este documento apenas explica como utilizar a lógica; decidir se ela é a ferramenta correta para a situação fica por conta de cada um. Há outros métodos para comunicação, discussão e debate.

(FONTE: Matthew, In: http://ateus.net/artigos/ceticismo/logica-e-falacias/. Com adaptações.)

E as falácias são justamente argumentos, tipificados, em que não possuem validade lógica. Elas não se sustentam logicamente e possuem outros meios não lógicos para se sustentarem (muitas vezes psicológica). Sendo assim, falácias são modelos de argumentos que não se sustentam logicamente, mas que procuram algum tipo de persuasão retórica.

Mas por qual motivo devo evitar falácias em meu argumento e identificá-las no argumento contrário? Pois bem, vejamos que você está conversando com fulano sobre  a existência de extra-terrestres. Você é a favor e fulano não. A conversa pode ser bastante informal, mas talvez vocês tenham o desejo mútuo que esta conversa seja racional e que possam chegar a pontos sobre a verdade a respeito da existência, ou não, de seres extra-terrenos. Talvez vocês não queiram esgotar o assunto, mas queiram, ser racionalmente coerentes e explicitar o porque defendem tais posições.

Por se tratar de uma discussão que não quer levar a emoção ou o psicológico do seu interlocutor, pois você não quer persuadi-lo, apenas para convencê-lo, e sim mostrar o porque está defendendo esta posição, racionalmente, é bem provável que vocês dois vão evitar o uso de falácias.

As falácias não se sustentam logicamente (como já dito), e uma discussão que visa justamente não ser apelativa à emoção ou ao psicológico deve estar estruturada a ponto de ser coerente e não utilizar falácias, visto que estas são mais instrumentos persuasivos e retóricos do que da busca pelo que realmente é verdade. Entendam que estou a referir-me ao fato da tentativa de convencer, pelo simples fato de convencer.

Claro, uma possoa mal intencionada também pode tentar convencer por meio da lógica, mas se pudermos ser atentos às suas premissas, podemos evitar enganos.

Mas o que é persuasão?

A persuasão retórica é justamente a arte, técnica ou efeito de convencer alguém a um discurso, mesmo que este não corresponda ao que é real. Em ano de eleição, devemos ter muitos cuidados, pois sabemos que existem muitos políticos que nos querem convencer, mesmo naquilo que não é verdade; pois isso é muito conveniente para estes.

Voltemos ao exemplo de você e fulano. Vamos supor que você não tem mais base para explicar o porque é que devem existir seres extra-terrenos (resultando em sua opinião), daí você diz:

a) “como ainda não provaram que eles não existem, então eles devem existir”; ou

b) “eu sou mais forte, se você disser que eles não existem, eu te mato”; ou, ainda, vamos supor que fulano responda:

c) “como ainda não provaram que eles existem, então eles não devem existir”; ou

d’) “sabemos que Cicrano de Magalhães é um grande perito em aviação e o mesmo diz que não existem ETs, então não deve existir ET!”.

Repare que tanto os exemplos ‘a’ e ‘b’ que você teria falado, ou os ‘c’ e ‘d’ que fulano afirmou, não se baseiam coerentemente numa lógica. No caso de ‘a’, quanto no ‘c’, são apelos para a ignorância do interlocutor. Eles “apelam” para persuadir. São falácias.

Notem que muitas falácias possuem nome com “apelo à x” ou no latim “ad x”, pois realmente é um apelo para outras formas de se fazer acreditar, que não sejam o discurso lógico.

Então, se tem a pretenção ser coerentemente lógico é necessário evitar falácias. É neste ponto que reside a necessidade de se saber evitar as falácias, tanto suas, quanto de outras pessoas.

No exemplo ‘b’ há um apelo à força. Você quer convencer alguém, senão irá bater ou fazer coisa pior. Isto nunca será um instrumento da verdade, apenas da persuasão opressiva.

No caso de ‘d’ dito pelo fulano, temos um apelo à autoridade. Também não é garantia que fulano esteja certo, só porque alguma autoridade  em algum campo disse algo, este último também poderia se enganar.

Podemos, então, nos perguntar se: a falácia é cometida apenas ingenuamente? não, ela pode ser tanto acidental, quanto proposital. Quando elas são usadas sistematicamente de forma proposital chamamos um argumento de sofismático, ou seja com sofismas – remetendo a tradição dos sofistas, que segundo a visão de Platão, eram pessoas que pregavam a relativização dos conceitos e que não estavam interessados na verdade subsistente (revisando a história, vemos que Platão teria exagerado em sua condenação aos sofistas, mas de certa forma eles pregavam a relativização e isso era contrária ao que o platonismo busca, a grosso modo, uma verdade única que seja estudável. Podemos discutir em outro artigo a contribuição dos sofistas, que, fora do crivo platônico, podemos verificar).

Em suma, devido aos ensinamentos de “como argumentar” dados pelos sofistas, o termo sofismático ganhou esta conotação que apresentei acima.

Veremos a seguir, portanto, os tipos de falácias mais comuns (vale lembrar que um argumento falacioso por vezes pode parecer participar de mais de uma falácia descrita; vale lembrar também que não é consenso a quantidade de tipos de falácias. Além disso o nome pode variar entre autores da área):

(Alguns dos nomes usados estão em latim, com a tradução ao lado.)

Afirmar que algo é verdadeiro ou bom porque é antigo ou “sempre foi assim”.

Ex: “Se o meu avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, deve ser verdade.”

Em vez de o argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o enunciado.[1] [2]

Ex: “Se foi um burguês quem disse isso, certamente é engodo”.

Ocorre quando algo é considerado verdadeiro simplesmente porque não foi provado que é falso (ou provar que algo é falso por não haver provas de que seja verdade). Note que é diferente do princípio científico de se considerar falso até que seja provado que é verdadeiro.

Ex: “Existe vida em outro planeta, pois nunca provaram o contrário”

Tipo de falácia na qual a conclusão não se sustenta nas premissas. Há uma violação da coerência textual.

Ex: “Que nome complicado tem este futebolista. Deve jogar muita bola!”

  • Argumentum ad Baculum (Apelo à Força):

Utilização de algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.

Ex: “Acredite no que eu digo; não se esqueça de quem é que paga o seu salário”

É a tentativa de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.

Ex: “A maioria das pessoas acredita em alienígenas, portanto eles existem.”

“Inúmeras pessoas usam essa marca de roupa; portanto, ela possui um tecido de melhor qualidade.”

Argumentação baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.

Ex: “Se Aristóteles disse isto, então é verdade.”

Ocorre quando uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser aplicada.

Ex: “Se você matou alguém, deve ir para a cadeia.” (não se aplica a certos casos de profissionais de segurança)

  • Generalização Apressada (Falsa indução):

É o oposto do Dicto Simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso genérico.

Ex: “Minha namorada me traiu. Logo, as mulheres tendem à traição.”

  • Falácia de Composição (Tomar o todo pela parte):

É o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo.

Ex: “Todas as peças deste caminhão são leves; logo, o caminhão é leve.”

  • Falácia da Divisão (Tomar a parte pelo todo):

Oposto da falácia de composição. Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada parte.

Ex: 1) “Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.”

2) “A ONU afirmou que o Brasil é um país com muita violência e injustiça; logo, a ONU chamou-nos a todos nós brasileiros de violentos e injustos”.

Consiste em criar idéias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição oposta.

Ex: “Deveríamos abolir todas as armas do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.” Ou ainda, “Meu adversário, por ser de um partido de esquerda, é a favor do comunismo radical, e quer retirar todas as suas posses, além de ocupar as suas casas com pessoas que você não conhece.”

  • Cum hoc ergo propter hoc (Falsa causa):

Afirma que apenas porque dois eventos ocorreram juntos eles estão relacionados.

Ex: “O Guarani vai ganhar o jogo de hoje porque hoje é quinta-feira e até agora ele ganhou em todas as quintas-feiras em que jogou.”

Consiste em dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles têm uma relação de causa e efeito. Também conhecida como “Correlação não implica causa”. (Correlation does not imply causation).

Ex: “O Japão rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos EUA. Portanto, a paz foi alcançada devido à utilização das armas nucleares.”

  • Petitio Principii (Petição de Princípio):

Ocorre quando as premissas são tão questionáveis quanto a conclusão alcançada.

Ex: “Sócrates tentou corromper a juventude da Grécia, logo foi justo condená-lo à morte.”

  • Circulus in Demonstrando :

Ocorre quando alguém assume como premissa a conclusão a que se quer chegar.

Ex: “Sabemos que Joãozinho diz a verdade pois muitas pessoas dizem isso. E sabemos que Joãozinho diz a verdade pois nós o conhecemos.”

  • Falácia da Pressuposição :

Consiste na inclusão de uma pressuposição que não foi previamente esclarecida como verdadeira, ou seja, na falta de uma premissa.

Ex: “Você já parou de bater na sua esposa?”

  • Ignoratio Elenchi (Conclusão sofismática):

Ou “Falácia da Conclusão Irrelevante”. Consiste em utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não tem relação alguma com os argumentos utilizados.

Ex: “Os astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentar boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os EUA ganharem a corrida espacial contra a União Soviética pois o povo americano é superior ao povo russo.”

Ocorre quando as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.

Ex: “Venceu o Brasil a Argentina.”

“Ele levou o pai ao médico em seu carro.”

  • Acentuação :

É uma forma de falácia devido à mudança de significado pela entonação. O significado é mudado dependendo da ênfase das palavras.

Ex: compare: “Não devemos falar MAL dos nossos amigos.” com: “Não devemos falar mal dos nossos AMIGOS“.

Quando considera-se essencial o que é apenas acidental.

Ex: “A maior parte dos políticos são corruptos. Então a política é corrupta.”

  • Falácias tipo “A” baseado em “B” (Outro tipo de Conclusão Sofismática) :

Ocorrem dois fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um terceiro fato.

Ex:

  1. “O Islamismo é baseado na fé.”
  2. “O Cristianismo é baseado na fé.”
  3. “Logo o islamismo é similar ao cristianismo.”
  • Falácia da afirmação do consequente :

Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do conseqüente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
B              
Então A.

Ex: “Se há carros então há poluição. Há poluição. Logo, há carros.”

  • Falácia da negação do antecedente :

Esta falácia ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do Modus ponens (afirmação do antecedente) nem no Modus Tollens (negação do consequente). A sua forma categórica é:

Se A então B.
Não A          
Então não B.

Ex: “Se há carros então há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.”

Também conhecida como “falácia do branco e preto”. Ocorre quando alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato outras alternativas existem ou podem existir.

Ex: “Se você não está a favor de mim então está contra mim.”

  • Argumentum ad Crumenam :

Esta falácia é a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os que provavelmente estão certos.

Ex: “O Barão é um homem vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser.”

  • Argumentum ad Lazarum :

Oposto ao “ad Crumenam”. Esta é a falácia de assumir que apenas porque alguém é mais pobre, então é mais virtuoso e verdadeiro.

Ex: “Joãozinho é pobre e deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma cilada, eu acredito.”

É a aplicação da repetição constante e a crença incorreta de que quanto mais se diz algo, mais correto está.

Ex: “Se Joãozinho diz tanto que sua ex-namorada é uma mentirosa, então ela é.”

  • Plurium Interrogationum :

Ocorre quando se exige uma resposta simples a uma questão complexa.

Ex: “O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?”

  • Red Herring :

Falácia cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente.

Ex: “Será que o palhaço é o assassino? No ano passado um palhaço matou uma criança.”

  • Retificação :

Ocorre quando um conceito abstrato é tratado como coisa concreta.

Ex: “A tristeza de Joãozinho é a culpada por tudo.”

Falácia do “mas você também”. Ocorre quando uma ação se torna aceitável pois outra pessoa também a cometeu.[3]

Ex:

  1. “Você está sendo abusivo.”
  2. “E daí? Você também está.”

Quando o argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento.

Ex: “A Fada-do-Dente existe, pois ninguém nunca conseguiu provar que ela não existe.”

(FONTE: FALÁCIA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Fal%C3%A1cia&oldid=21382642>. Acesso em: 20 ago. 2010. Com adaptações.)

Também temos os seguinte sites com exemplo de falácias:

E, onde posso encontrar falácias?

Falácias podem ser encontradas em discussões, em conversas no dia-a-dia, nos discursos políticos e em comerciais de TV.

Como não se sustentam pela via lógica e apelam desde para o emotivo ao psicológico, são usados comumentes como instrumentos persuasivos. É comum encontrarmos na TV.

Algumas propagandas usam abertamente falácias, para que o consumidor sinta-se garantido em adquirir e usar algum produto. Podemos encontrar como “x entre y profissionais apontam kzy como o melhor, use você também”. Mas na publicidade este não é o único tipo que podemos encontrar. Existem em diversos tipos de anúncios, das mais variadas formas.

E, sinceramente, é bom sabermos identificar isto em vários âmbitos. Lógico que se um marketeiro usar uma falácia em determinado produto e você identificar, não podemos julgar o produto pela infeliz escolha do publicitário. Mas podemos ser críticos e saber quando há jogo de persuasão envolvido no assunto.

Platão

Platão

Para ler mais sobre os assuntos, visite os links abaixo:

  1. Argumentos falaciosos: um pequeno compêndio para evitar a compra de gatos por lebres
  2. Wikipedia – Falácias
  3. Lógica & Falácias
  4. O que distingue uma falácia de um paradoxo?
  5. Guia de falácias lógicas de Stephen Downes:

Também mantenho um curso à distância sobre lógica aristotélica – o tema sobre falácias é abordado no curso. Para matricular-se no curso acesse http://cursos.networkcore.eti.br/.

Espero ter ajudado a entender melhor o que são as falácias.

Arnaldo Vasconcellos




O pavor de acordar e não se mover – paralisia do sono

O que me motiva a escrever esta postagem é um fenômeno plenamente natural, que acontece com muito mais gente do que pensamos, mas que pode influenciar profundamente no que algumas pessoas acreditam.

O sonho - Pierre-Cécile Puvis de Chavannes

O sonho - Pierre-Cécile Puvis de Chavannes

Vez ou outra, existem ocasiões no qual após acordar tento me mexer, e opa, não consigo mover quase nenhum músculo.

A situação já me ocorreu tanto que tento não me apavorar, mas nas vezes que por ventura tentei mover-me impulsivamente, fracassei em quase todas tentativas (poucas vezes consegui, ou imagino ter conseguido mover um único músculo).

E para piorar mais e mais, todas as vezes foram permeadas acontecimentos estranhos. Como ver alguém no meu quarto. Ouvir alguém arrastando uma cadeira de lá pra cá e não conseguir ver a pessoa etc.

Esta condição, normal, que acontece com cerca de 50% das pessoas, chama-se “paralisia do sono”. Algumas ocorrências podem ser bem leves, mas outras podem causar pânico na pessoa que a viveu até bem como influenciar sua conduta religiosa.

O Pesadelo - Heinrich Füssli

O Pesadelo - Heinrich Füssli

Estes efeitos acontecem porque a paralisia do sono não é meramente uma paralisia temporária dos seus músculos, ela vem acompanhada de alucinações hipnagógicas, como se os seus sonhos pudessem se fundir na realidade enquanto você não consegue se mexer.

A primeira vez que ví uma explicação séria a respeito foi, tanto num documentário que assisti, a muito tempo atrás (creio que na Discovery Channel, não lembro-me bem), quanto com as explicações também dadas por Carl Sagan (em seu “O mundo assombrado pelos demônios“, já comentado neste blog). Por este motivo não me assusto com tais fenômenos, como se fossem algo místico.

[.meuadsense] Entretanto algumas pessoas têm experiências bem fortes, a ponto de terem suas vidas mudadas. Existem relatos de pessoas que dizem terem sido abduzidas por alieníginas ou ainda outras que vivenciaram projeção para fora do corpo: muitos relatos estão associados ao fenômeno, plenamente natural, da paralisia do sono.

Inclusive passei por uma situação dessas a pouco tempo e fui reler a respeito (embora a ocorrência mais incrível que passei já data quase dez anos). Esbarrei no artigo “Assombração, demônio ou ciência?” de Gabriel Cunha e conferi como realmente é algo comum, visto a quantidade de pessoas que comentaram seu artigo. Sim, muita gente passou por este fenômeno, e embora possa assustar é algo plenamente comum. Vale a pena vocês visitarem o artigo mencionado e conferirem mais a respeito.

O fenômeno é causado, entre outras coisas, pela privação de sono e sono irregular (como foi meu último caso).

E a vivência das alucinações hipnagógicas são tão fortes que muitas vezes pode nos deixar atônitos ou influenciar a visão de mundo de algumas pessoas.

Portanto, por mais assustadora que seja o sonho, as alucinações, ou ainda o fato de estar paralisado, é bom saber que não se passa de uma condição normal, temporária e que muitas das vezes, para a maiorira das pessoas, é causada por hábitos de sono irregular.

Não que eu queira menosprezar as experiências que ganham conotação mística/religiosa para algumas pessoas; mas é, realmente bom saber, que o nosso cérebro pode nos pregar algumas peças. E por isso antes de darmos significados, que por vezes são estratosféricos, é bom ter em mente que existe um fenômeno biológico que explica muito bem tal condição(1).

Arnaldo Vasconcellos

UPDATE: A paralisia do sono é uma condição temporária, geralmente causada por sono de baixa qualidade ou irregular. O fato de ser uma condição temporária não a torna algo anormal. Estima-se que 50% da populaçao tem, teve ou terá episódios com a paralisia do sono. Ela não é uma doença, no sentido estrito do termo. Portanto caso você tenha paralisia do sono, tente verificar se seu sono está sendo de baixa qualidade, ou se alguma outra coisa está interferindo. No momento em que tiver paralisia do sono, não se deixe assustar pelas experiências incríveis, veja que é um estado de sono e tente relaxar e dormir.

Agora, caso você tenha com frequência e as alucinações estão dificultando sua vivência e causando algum tipo de incômodo; o melhor a fazer é procurar um médico para verificar a sua qualidade de sono e verificar se o seu caso foge ou não da grande maioria dos casos que são considerados normais. Procure um especialista de sono e tenha noites mais felizes.

NOTA:

(1) – O filósofo Rene Descartes trabalhou em seu “Discurso do Método” momentos em que não podemos dicernir o sonho do real. Descartes não estava a falar da paralisia do sono, tema deste artigo, mas abordou algo muito interessante: o quanto nossos sentidos podem nos enganar. Por este motivo, apesar dele estar a falar do sono comum a nos confundir com o real, impedindo uma garantia entre o que é real e o que é sonho, (quando possui impressões muito reais, comparável com  o estado de vigília) eu o cito nesta nota. Cito-o, pois da mesma forma que sonhos comuns podem nos enganar quanto ao que tomamos como realidade, julgo que a pesadelos e sonhos durante uma paralisia do sono podem provocar enganos acerca de várias coisas, talvez com intensidade maior. Entretanto o tema correlato “do que pode ser considerado real?” eu não abordo neste artigo, podendo ser margem para um assunto futuro. Em suma, se um sonho comum pode nos perturbar e influenciar, imagine um sonho durante uma paralisia do sono? Por este motivo, acho que é realmente muito bom sabermos que isto é um fenômeno natural e normal, antes que apliquemos significados, que fora do nosso contexto individual/pessoal o fenômeno não teria.




Efemérides Astronômicas – Agosto 2010

Pessoal, de volta ao blog trago novamente as efemérides do mês. Abaixo temos as efemérides astronômicas de Agosto de 2010.

Como sempre relembro, são listadas as informações seguintes: gráfico da esfera celeste, horizonte artificial, fases da lua, efemérides de agosto de 2010 e chuvas de meteoros. Os dados observacionais de gráficos estão configurados para 05/08/2010, Brasília, às 20:00 hs em horário local. Considerar diferenças entre os gráficos de “horizonte artificial” e “esfera celeste”, devido aos locais reais de observação.

1) Gráfico da Esfera Celeste.

Clique na imagem para ampliar:

Esfera Celeste - Agosto 2010

Esfera Celeste - Agosto 2010

2) Horizonte Artificial.

Clique na imagem para ampliar:

Horizonte Artificial - Agosto 2010

Horizonte Artificial - Agosto 2010

3) Fases da Lua (retirado de Astronomia.org).

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  • Minguante: 03/08
  • Nova: 10/08
  • Crescente: 16/08
  • Cheia: 24/08

4) Efemérides (Agosto – 2010; fonte: Boletim Super Novas).

04/08/2010 às 16:27:00 Alinhamento entre a Lua e as Plêiades.
10/08/2010 às 17:56:00 Mínima distância entre a Terra e a Lua (360 mil km).
12/08/2010 às 01:34:00 Alinhamento entre a Lua e o planeta Mercúrio.
12/08/2010 às 23:32:00 Chuva de meteoros na constelação Perseus.
13/08/2010 às 12:07:00 Alinhamento entre a Lua e o planeta Vênus.
17/08/2010 às 23:07:00 Alinhamento entre a Lua e a estrela Antares.
25/08/2010 às 05:51:00 Máxima distância entre a Terra e a Lua (400 mil km).
31/08/2010 às 23:46:00 Alinhamento entre a Lua e as Plêiades.

5) Chuvas de meteoros (fonte wikipédia, links para seus verbetes mantidos).

Nome Datas Data do pico Ascensão recta Declinação Velocidade (km/s) THZ Intensidade e descrição
Sigma Capricornídeas Jul 15-Ago 11 Jul 20 20:28 -15 30 5 Fraca com estrelas muito lentas e brilhantes
Piscis Austrinídeas Jul 15-Ago 10 Jul 28 22:44 -30 35 5 Médias
Delta Aquarídeas do Sul Jul 12-Ago 19 Jul 28 22:36 -16 41 20 Forte com estrelas lentas e rasto comprido
Alpha Capricornídeas Jul 3-Ago 15 Jul 30 20:28 -10 23 4 Média
Iota Aquarídeas do Sul Jul 25-Ago 15 Ago 4 22:16 -15 34 2 Média
Delta Aquarídeas do Norte Jul 15-Ago 25 Ago 8 22:20 -05 42 4 Média
Perseidas Jul 17-Ago 24 Ago 12 03:04 +58 59 90 Forte e muito rápidas
Kappa Cygnídeas Ago 3-Ago 25 Ago 17 19:04 +59 25 3 Média com velocidades médias e brilhantes
Iota Aquarídeas do Norte Ago 11-Ago 31 Ago 20 21:48 -06 31 3 Média
Pi Eridanídeas Ago 20-Set 5 Ago 25 03:28 -15 59 4 Fraca
Gamma Doradídeas Ago 19-Set 6 Ago 28 04:36 -50 41 5 Fraca
Alpha Aurigídeas Ago 25-Set 8 Set 1 05:36 +42 66 7 Média com estrelas muito rápidas e persistentes

6 ) Fontes.