Linguagem cifrada

Se eu falo, o que não
digo,
Na incerceza de passar que não,
sinto,
– Ou na tentativa de transpor o que penso, vejo –
Em consonância com o que quero,
e reflito,
Subo o tom, bem feliz, quando,
abatido,
Ou suavizo, se em jogo,
almejo.

Quando escravo da dor, do desejo e, quem diria, do bocejo,
em cilada;
Será feito o uso,
de nossa importante,
linguagem cifrada.

 

Arnaldo Vasconcellos




Do alimento nosso de cada dia

Na salada, veneno.
Na carne, papelão.
Orgânicos, não podemos comprar.
Transgênicos, aos milhares e aos milharais.
Empresas de processados abrem empresas de ultra-processados mais baratos.
Fazendo as comidas serem, do perecer comensais.
 
A gente é o que a gente come, diz o provérbio popular de fácil expressão.
E outro, que devemos comer para viver e não viver para comer;
embora comer e viver poderá ser uma difícil solução em tempos que virão.
 
Mas o mais certo até então para um futuro que se desenha no momento,
parece-me ser que “morre-se mais por comer e beber, do que fome e sede”.
Porque “comida” não será a mesma coisa que antes, com tanto prazer chamaríamos, posta sobre a mesa, de alimento.