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Aos amigos

26, Outubro, 2018

Aos meus amigos indecisos ou que ainda pensam poder mudar o voto, ou ainda que há um lampejo de pensar a respeito sobre sua decisão.
Lembrem-se que ante a decisão de apoiar, em voto, um candidato que prega, pensa coisas terríveis – cujas propostas são vagas em relação ao meio ambiente, cujas propostas econômicas nem sequer são explicadas adequadamente por ele em público, cujas falas são autoritárias ao ponto de sempre negar ser contrariado e não entender que existe o bom diálogo (vocês, que ao longo desse pleito conversaram comigo, sabe que acredito no diálogo; mesmo as vezes tendo percebido como isso foi fragilizado).
Vocês que sabem que Bolsonaro de verdade não representa o valor cristão que acreditam, mas que diante do medo de um governo do PT, sentem-se incomodados.
A vocês, mais uma vez, dialogo – e peço que reflitam mais uma vez.
Bolsonaro representa, muitas vezes a falta do diálogo, o autoritarismo (e lembrando que ser contra o autoritarismo não é necessariamente ser contra o respeito ao próximo). Ele representa o ódio a quem pensa e é diferente. Inúmeras vezes ele e pessoas próximas de sua equipe já demonstraram isso. Isso me parece muito mais óbvio e pesado que alegar que com pt podemos virar Venezuela (sendo que o governo Venezuelano é militar e se aproxima mais do autoritarismo que aos poucos muitos estão referendando).
Parece ser mais grave ver o quanto ele disseminou ódio e o quanto ainda dissemina.
Parece ser bem grave a conduta que as propostas dele e equipe têm em relação ao meio ambiente; são graves os seus descasos.
É bem grave o seu tratamento às minorias e grave demais como ele trata aqueles que pensam contrário a ele.
Por isso, se você tiver dúvidas, ou se certo de sua decisão, ainda puder comigo refletir estas questões; veja se há possibilidade de pensar em seu posicionamento.
Porque se você decidir ir contra Bolsonaro e votar, como milhares de outras pessoas, em Haddad, você se juntará a mim, e outras milhares de pessoas, em questionar cada passo dado pelo novo governo do Haddad.
Eu serei, assim como você, oposição, independente do governo que vier (porque sempre somos mais que qualquer sigla, ou governo). Mas você terá, assim como eu, a tranquilidade de não ter escolhido o que tem se mostrado como pior na conduta política.
Um forte abraço em você, independente de quem escolheu, por ser meu amigo ou amiga – e que ao final de tudo, independente de minha escolha, soube a fina e boa tarefa que todo mundo tem de exercitar todos os dias (e que é difícil manter, para todos nós) – dialogar para melhor viver em grupo.
Abraços.

Arnaldo;

Filosofia

Sobre critérios de verdade

18, Outubro, 2018
De repente, de manhã, na casa de uma pessoa qualquer, um vento bateu na janela. Uma pessoa, que não vamos identificar, porque até então não existe como pessoa de fato, mas apenas como pessoa de escrita. Tal pessoa, que não é pessoa, mas pode representar pessoas que agem como ela, levantou em sua linda manhã e resolveu ler algumas mensagens no seu Whatsapp e compartilhar em suas redes sociais favoritas.
Achou uma mensagem revoltante, de um candidato que era a favor de sexualizar crianças, de distribuir kits que incentivavam as crianças a se tornarem gays e, o pior, que tal kit estava em distribuição.
Não pensou duas vezes. Compartilhou. Compartilhou como se não houvesse amanhã. Sua fúria era tanta que sabia que aquilo era verdade.
Não adiantava que lhe falassem que aquilo era falso. Que era, no jargão do momento, uma fake news.
 
– Isso é história para impedir que venhamos compartilhar.
 
Dias passados, surgiram denúncias de caixa 2 para uso de seu aplicativo favorito; contra seu candidato santificado em sua fé eleitoral. O que nosso personagem pensou?
 
– Isso é falso, lógico!
 
Então, vamos nos perguntar, qual o critério que transforma a decisão entre real e falso na ideia de nosso personagem, a ponto de num momento aceitar sem checar nenhuma informação e no seguindo de questionar a denúncia efetuada?
 
O exemplo deve servir para todos, independente do espectro político; mas está bem claro o quanto algumas pessoas estão sujeitas a sofrer com ações como do nosso personagem.
Lembre-se que nosso personagem é fictício, é fake, só representa certas atitudes, que infelizmente, essas – as atitudes – foram bem reais nestas eleições.

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Hoje não

9, Outubro, 2018

Hoje não deixarei a tristeza me abater,
Mas não posso deixar de perceber,
num breve suspiro da loucura dos dias,
perante toda essa nossa cotidiana agonia.

Pois daqueles sombrios momentos,
eu ainda vou me esquecer.

Não deixo de ver, no entanto, quanto ao amor,
do amor daqueles que se dizem portar,
Se matam pouco-a-pouco, por pouco argumentar.

Se numa era de luz imaginamos um dia entrar,
não sabíamos quantas trevas teríamos que enfrentar.

A razão esquecida, o diálogo empobrecido,
por falência destas mesmas, que ora virtudes eram,
Agora, detalhes estranhos, de nossa animalidade são;
quando se encontram vitoriosos os que logo berram.

Revelam em pequenas partes,
que o diálogo, ato já vencido,
é passado: passado de nossa real natureza;
que é, ao outro, o desencanto de nossos atos,
o mostrar, dia-a-dia, toda a nossa dureza.

A.

Filosofia

Reza

9, Outubro, 2018

Reza,
Reza para que tua alma não me impeça.

Reza,
Reza para que tua virtude não desapareça,
e tua boca não torne o que temias tornar.

Reza,
para Deus, ou para tua razão,
que não destrua no outro,
aquela sublime emoção.

Reza, porque quando tua boca,
em verdade pede e agradece,
não tem em si a vontade de maltratar.

Porque enquanto em transe está,
ou em transa ficar,
esquece de odiar.

Reza,
porque quando seu coração se aquieta do ódio,
Há espaço pro amor que esquece sempre.

Reza,
Mas não me obrigue a ser a imagem que me pinta ser,
porque não saberá a dificuldade que está em viver.

Reza,
Todos os dias. Pela humanidade que te resta,
e pelo resto de humanidade que há no que pensa.
Reza e não me faça ofensa,
Porque não sou como querias que eu fosse,
e porque não concordo com aquilo que berra.

Reza,
E durante tua reza, me erra a acusação,
me acerta teu amor,
me deixar de ser alvo de dor,
e faça, mais uma vez, da tua vida,
um clamor, que toda boa reza tem:

Entenda para além de si,
e com isso saberei que venci.

A.

Filosofia