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Artigos relacionados com ‘argumentação’
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Mas o que são falácias mesmo?

24, Agosto, 2010

É comum, para todos nós que utilizamos a internet, entrarmos em debates e discussões sobre os mais diversos assuntos. E é justamente quando entramos em algumas discussões é que podemos verificar o quão necessário é evitar as falácias. Sabemos que algumas discussões são sérias e outras descontraídas, com os mais diversos assuntos em voga (isso sem contar com as que são mal direcionadas); mas em todas elas faz-se necessário manter-nos atentos à coerência da argumentação (nossa e dos nossos interlocutores).

E é provável que, vez ou outra encontremos problemas durante algumas discussões, como argumentos falaciosos, desde os mais simples até aqueles que beiram o ataque explícito.

Em uma discussão, que pretende ser coerente, é necessário evitar o que chamamos de falácias; evitar que venhamos sofrer com seu uso por parte de outrem ou que, ingenuamente, possamos usar contra o nosso interlocutor.

Mas o que é realmente uma falácia?

Vamos começar com o conceito de falácia, mas já adianto que este conceito necessitará depois de uma abordagem do conceito do que é lógica. CONTINUAR A LER

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Teorias das conspirações e seus desserviços – (Série pseudociências parte 7#)

10, Abril, 2010

Tenho para mim, que quem muito navega na internet tem maior probabilidade de encontrar uma ou outra explicação alternativa, desde a fatos acontecidos até a possíveis fatos.

Olho que tudo vê

Olho que tudo vê no dolar - símbolo da observação divina, mas usado por teóricos da conspiração

Muitas explicações que encontramos, e que se não soubermos filtrar o que lemos e absorvemos na internet (ou outros meios, como a televisão) estaremos fadados a entrar em explicações cada vez mais absurdas.

Revisar alguma história, ou estudar detalhadamente uma determinada explicação não é necessariamente criar teorias de conspiração, entretanto é realmente incrível como qualquer fato acontecido existe uma teoria da conspiração envolvida.

Na Wikipédia encontramos:

Teoria da conspiração é um termo usado para referir qualquer teoria que explica um evento histórico ou actual como sendo resultado de um plano secreto levado a efeito geralmente por conspiradores maquiavélicos e poderosos,[1] tais como uma “sociedade secreta” ou “governo sombra“.[2].

(In: TEORIA DA CONSPIRAÇÃO[bb]. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o&oldid=19544127>. Acesso em: 10 abr. 2010.)

Isto mesmo. São explicações que envolvem sempre uma grande conspiração (do mal, do governo, de ETs, ou qualquer outra possibilidade existente). Extrapolam o conceito de “conspiração”. Um grande exemplo é o seguinte:

É patente que a corrupção de políticos, como sempre temos em noticiários, são espécie de conspirações. Ou seja, um complô com intuito de desvio de verbas etc. Entretanto o conceito de conspiração é colocado como a única variável em um evento histórico (ou o mais importante) numa teoria da conspiração.

Enquanto conspirações, corrupções e etc possam existir e serem descobertas, pois num fato histórico existem diversas variáveis, não sendo existente apenas o complô. Mas uma visão ingênua parece tormar de conta quanto analisamos teorias conspiratórias.

Algumas possuem explicações mirabolantes, outras são risíveis. CONTINUAR A LER

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O que é então o criacionismo?

5, Março, 2010

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

Este artigo é uma resposta ao: “o que o criacionismo não é?” (1).

Durante conversas com um colega, foi feita a sugestão que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de análise de artigos.

O artigo O que o criacionismo não é, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolução estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros não. Embora não exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas críticas bem fundamentadas ao evolucionismo  – o foco do artigo não é falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo não pode ser considerado. O autor diz o seguinte:

Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motivações ideológicas e fossem verificados – sob o melhor rigor científico – os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. In: o que o criacionismo não é?)

Concordando com suas palavras acerca da suspensão dos valores ideológicos, efetuando uma espécie de suspensão aos meus valores creditados tentarei ser o mais analítico possível quanto ao artigo e alguns comentários acerca do mesmo.

O autor do artigo, logo deixa claro qual será sua abordagem. Irá mostrar o que, supostamente, o criacionismo não é:

Por isso, é necessário desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa polêmica. Eis alguns deles: (idem)

O autor, portanto inicia suas explicações, clareando melhor acerca do que não é criacionismo, sob sua visão.

Coloco que é sob sua visão pois lendo com cuidado notei que certas explicações não são totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente científica. De um âmbito geral o artigo é bem escrito, tem um espírito que não me parece enganatório, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente está envolto numa visão de mundo determinado.

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Diagramas de Euler e Venn

23, Fevereiro, 2010

Posto aqui um vídeo que fiz em 2008 para explicar como aplicar diagramas de Venn e Euler em silogismos.

O vídeo está sob a licença GNU/FDL. CONTINUAR A LER

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A suspensão do juízo como heurística

29, Janeiro, 2010

Diversas vezes tenho esbarrado em alguns blogs (alguns de cunho religioso) [*]com pessoas usando de suas crenças para pensarem e analisarem acerca de diversos temas.

Muitas vezes pedi a suspensão dos juízos (religiosos incluídos) e nem sempre fui muito bem compreendido. Um dos argumentos apresentados, por algumas pessoas religiosas com quem conversei, é que se tal pessoa crê fielmente em algo ela deve inundar-se completamente a ponto de poder fazer-se um bom crente. Como expus em alguns blogs, vejo que existe um problema nesta conduta.

Argumento, assim que a suspensão dos juízos é uma boa heurística para se fazer pensar diversos temas que, dentro de cosmovisões determinadas, estaríamos limitados. Lógico que existe o limite do que é humanamente possível fazer de suspensão.

Há um argumento escondido, por parte dos que não aceitam uma suspensão, de como se ao suspender juízos fossemos nos tornar traídores em uma determinada classe de pensamentos (seja religiosa, científica ou filosófica).

Uma boa maneira que encontrei é tentar pensar em diversas hipóteses. O artigo que utilizei o exemplo de Sagan do “dragão em minha garagem” foi um exemplo. Mas houve quem leu de forma teológica, enquanto eu tratava apenas de uma situação hipotética, para depois poder analisar os resultados e trazê-los a tona.

Fazer isso não é deixar o pensamento em compartimentos estanques. Não é, pois o que deixa o pensamento estanque e engessado é justamente trancá-lo em cosmovisões, que cada vez mais pedem que apertemos nossas faculdades do entendimento, a fim de não representar uma suposta “traição”. CONTINUAR A LER

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Pseudociências – Série de Ensaios (Parte #2)

28, Dezembro, 2009

As Protociências
Neste ensaio veremos brevemente o que são protociências, suas distinções entre pseudociências e a possibilidade entre as dinâmicas protociência-ciência, protociência-pseudociência.

Vamos considerar, neste ensaio, que protociência é uma definição diferente de pseudociência.

Tomaremos como base que protociências são teorias, hipóteses ou argumentos aspirantes a ciência (e todo seu cabedal de método)  e  que estariam em fase de estruturação científica, tal como a mesma é concebida em relação aos métodos de falseacionismo e corroboração.

Assim a pseudociência, cuja definição pesquisamos em artigos passados, não é sinônimo de uma protociência.

Alguns leitores poderiam considerar a protociência como uma área atuação que teria dado origem histórica a alguma ciência – isto pode não ser falso, visto que historicamente alguns pensamentos deram origens a ciências, como é o caso da alquimia. Entretanto não é a própria alquimia que se tornou a química. Sua estrutura sofreu mudanças e hoje temos algo bem diferente, embora tenha-se uma ligação histórica. CONTINUAR A LER

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Equívocos na internet – alhos e bugalhos

6, Novembro, 2009

Estava eu navegando pela internet, vendo o que os outros também teríam escrito sobre “pseudociências”, visto que estou confrontando minhas idéias, encontrei esta pérola no Yahoo Respostas :

O autor pergunta o seguinte: “Pseudociência – Religião explica-se em Falácias?” e como complemento de sua indagação diz o seguinte:

Falácias são nada mais do que afirmações ignorantes.

Falácias mais famosas:

“Dizem que uma dentre cada cinco pessoas é chinesa. Como é possível? Conheço centenas de pessoas, e nenhuma delas é chinesa.”
(sem comentários)

“Antes das mulheres terem o direito de votar não havia armas nucleares. Logo esta foi a causa de inventar armas nucleares.”
(precisa explicar?)

“Não há evidência contra a existência de Deus, portanto ele existe.”
(o mais comum)

“Efeito placebo nada gente, o cara me cortou com o uma tesoura e estou curado, claro que acredito com todas as minhas forças.”
(se não acreditasse aí sim não seria efeito placebo, dããããã)

Se acharem que foram ofendidos, não posso fazer nada, isto é ciência.

Bem, olhando de perto as afirmações postadas tenho alguns pequenos comentários:

1) Quando o autor diz:

Falácias são nada mais do que afirmações ignorantes.

Eu não apontaria as falácias (um tema que acho muito interessante) como afirmações ignorantes. Sim elas podem ignorar uma relação lógica, entretanto a palavra ignorante pode ser usada de forma pejorativa, como sinônima de “tola”. Algumas falácias, apesar de cometerem um erro lógico, são bem enganadoras. Seria mais preciso dizer que uma falácia não tem apoio lógico suficiente e sim um apoio “psicológico”, pois apela para elementos psicológicos como argumento. CONTINUAR A LER

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A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Linguagem, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,