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Artigos relacionados com ‘Epistemologia’
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Retorno do blog

28, Novembro, 2016

O Blog “Análise da Ciência” está no ar desde 2007 e de lá pra cá, falamos de um punhado de coisas, nos quais sempre relacionamos filosofia e ciência (e a problematização desta última).

Retornamos a edição do mesmo com algumas notícias interessantes:

  1. Revista Epistemologia – Estamos iniciando uma revista de filosofia, voltada para epistemologia e suas interfaces. Com viés acadêmico, preza pela pesquisa e gratuidade dos artigos, publicando sua biblioteca de artigos sob a licença Creative Commons.
  2. Canal Meta Philo – O canal é antigo, mas não tinha exatamente este nome e agora iniciamos sua reformulação, com viés para o estudo da filosofia (beirando a meta filosofia).

Filosofia, Revista , , , ,

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte II)

7, Novembro, 2011

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte II) (*)

Este artigo é a continuação deste aqui

Lakatos

Lakatos

Para Lakatos a história da ciência não se dá por teorias isoladas que se sucedem em algum tipo de concorrência, ou de superação. Para este, as teorias estão estabelecidas em séries, do qual podemos chamar de séries teóricas.

Estas séries teóricas participam de programas de pesquisa científicas (PPC). Os programas de pesquisa concorrem entre si e não são teorias isoladas. São séries teóricas, de teorias que se sucedem em torno de um funcionamento comum (o PPC). Desta forma um programa é que é demarcado como científico ou não.

Um programa de pesquisa científica (PPC) portanto tem em si uma orientação de como o cientista deverá trabalhar, uma série de teorias e hipóteses que são propostas e são substituídas conforme há o trabalho científico nos moldes propostos naquele programa.

Um PPC portanto, tem um caráter amplo e contém teorias dispostas em série temporal. Deste modo, uma teoria pode não ser falseada imediatamente ao ser posta numa prova. É possível também que, ao encontrar uma anomalia, existam casos que vão desde a reformulação de uma hipótese auxiliar, até mesmo ao fato de ignorar completamente a anomalia.

Apesar disto, na visão de Lakatos, os PPCs concorrem entre si. Deste modo é possível haver dois programas que estão competindo na explicação de uma mesma coisa. As teorias são, portanto, produtos de PPCs em atividade. Claramente a noção de um PPC lembra a visão paradigmática de Kuhn, além de termos as noções de falseacionismo inseridas neste sistema. Entretanto a forma metodológica como é posta, vislumbra uma complexidade maior de como se dá a visão de entes norteadores e como podem existir normas metodológicas que se façam operar tais entes norteadores.

Torna-se necessário distinguir as partes de um PPC. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , ,

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte I)

4, Novembro, 2011

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (*)

 

Talvez uma das “coisas” mais absurdas e impactantes que podemos ouvir, ou ler, durante um curso científico, é saber que a ciência é composta, ou deva ser, de formas metafísicas que “balizam”, orientam, nossas pesquisas e a nossa forma de pesquisar.

Quando dizemos que há algo de metafísico, ou ontológico, imaginamos que este tipo de explicação está longe da ciência, ou que não precisamos mais deste tipo de pensar.

Imagino que todos nós já tenhamos uma base do que possa ser a metafísica ou a ontologia (quando vista como parte da metafísica). Suponho que já sabemos da origem da palavra metafísica e do seu atual contexto, bem como sua crítica levada a cabo pelo famoso Círculo de Viena.

Digo que tal tipo de afirmação é impactante, pois imaginamos que a ciência possui um trabalho baseado exclusivamente na observação, que por seu turno orienta todo o tipo de teorização a fim de explicar o mundo e as coisas que aqui temos. Nesta mesma visão, é bem possível partilhar da concepção pejorativa da metafísica como algo que está fora da realidade, que não se preocupa com a mesma e que jamais se utiliza de qualquer tipo de observação, mesmo que não criteriosa. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , ,

Metrô do conhecimento

22, Agosto, 2011

A figura abaixo não é de minha autoria. Foi publicada na Superinteressante, acho que em 2008. Foi publicada tanto na versão lusófona quanto na hispânica (só não sei as datas por agora). O nome original é algo como metrô da ciência, mas prefiro renomeá-lo. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação , , , ,

Simpósio de Filosofia da Religião, Ontologia e Epistemologia (com transmissão via web)

20, Agosto, 2011

Simpósio Internacional da Filosofia da Biologia – UnB

7, Junho, 2011

Filosofia da Biologia – Leitura

16, Abril, 2011

Filosofia da Biologia?

Sim, isto mesmo! Existe uma Filosofia da Biologia. É uma Filosofia especial da Filosofia da Ciência, que trata das supostas especificidades da biologia e suas questões.

Como a Filosofia da Ciência pode ser considerada um ramo da epistemologia a Filosofia da Biologia é, portanto, uma área da epistemologia. Entretanto tem em seu escopo as questões suscitadas no ramo da biologia. CONTINUAR A LER

biologia, Ciência, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, Universidade , , , , , , ,

A invenção da verdade e do conhecimento: a importante crítica de Nietzsche em “A verdade e mentira no sentido extramoral”

9, Fevereiro, 2011

A invenção da verdade e do conhecimento: a importante crítica de Nietzsche em “A verdade e mentira no sentido extramoral” (1) (2)

O texto de Nietzsche intitulado “Sobre a verdade e mentira no sentido extramoral” inicialmente guarda em si uma crítica contundente à verdade e ao conhecimento, que vale ser salientado em nossas perspectivas epistemológicas; e que é interessante ter contato em qualquer altura de nossos estudos para refletirmos um pouco a respeito do que é o conhecimento.

Nietzsche

Nietzsche

A crítica que o texto supracitado guarda é de suma importância e é um tanto desconsertante, quando mergulhados estamos, pois, na rotineira tentativa de estabelecer a verdade, e não tão rotineira, porém já comum pergunta em saber o que é de fato a verdade.

Os termos “verdade” e “conhecimento” são usados numa consonância semântica tênue (não há uma divisão clara a respeito) e o leitor precisa estar um pouco dissolvido da obsessão de tentar separá-las definitivamente. Isso pode soar um pouco esquisito a um analítico; mas se fizermos de tal forma poderemos notar o tom da crítica ácida e da revelação extraordinária que Nietzsche nos dá em seu texto: uma revelação acerca do engano que o conhecimento encerra sobre si.

Uma pequena anedota é contada no início, para que o leitor se mantenha alinhado à visão de que o conhecimento perante a história universal poderá ser pequena e uma invenção, acima de tudo. CONTINUAR A LER

Educação, Epistemologia, Filosofia, teoria do conhecimento, Universidade , , ,

A pseudociência e seu interesse na mídia – ET Bilu (Série pseudociências – Parte 9#)

13, Novembro, 2010

A pseudociência e seu interesse na mídia

Recentemente o trecho de uma reportagem feita pelo “Domingo Espetacular” da Record, foi colocada no “Top5” do programa humorístoco “CQC”. O motivo? Bem a reportagem, segundo a gozação do CQC, mostrava “em primeira mão” a suposta aparição de um extra-terrestre que só aparece na cidade de Corguinhos – MS, apenas a noite e que fala com uma voz fanha (que remete a um misto de voz do nhonho gripado). A aparição é extremamente cômica e possivelmente justifica a aparição no Top5 do CQC (embora eu não tenha visto a reportagem original da Record).

E o que este “ET” pede? Pede conhecimento de nós, humanos. É evidente que o que esta farsa pede como conhecimento não é o conhecimento mesmo: ele quer um suposto conhecimento ufológico. Quer quer acreditemos em sua aparição tosca e hilária.

É claro que a aparição é uma farsa, muita gente viu isso e se divertiu com o quanto a televisão brasileira faz até chegar a este ponto. Mas essa é uma piada perigosa – lida com a ânsia da pseudociência querer aparecer de qualquer forma na mídia.

Quando o riso passa e pesquisamos um pouco sobre estas supostas séries de “aparições” do ET bilu (nome de cachorro para um ET que aparece apenas de noite, atrás da moita, com voz fanha e que fala um português como se fosse a língua mais falada no universo) vemos que existe um projeto por trás das aparições do suposto ET. É o projeto Portal, situado em Corguinho no Mato Grosso do Sul.

O projeto Portal prega as seguintes coisas, como foi retirado do site http://www.projetoportal.org.br:

PROJETO PORTAL –  Somos um grupo de pesquisadores e cientistas que formou uma associação desenhada para atuar na pesquisa de diversas áreas do conhecimento, principalmente em ciências paralelas nos campos das ciências exatas e naturais, como Astronomia, Matemática, Física Quântica, Química, Geografia, Biologia e também no que se refere ás ciências sociais como Psicologia, Antropologia, Arqueologia, História e Sociologia. Baseamos nossas pesquisas em uma nova metodologia de análise e estudo criada pela nossa equipe de cientistas, que busca catalogar e levantar informações ainda inexistentes na imensa bibliografia através do estudo de civilizações antigas, arqueologia, astronomia, ufologia, astrofísica, física quântica, entre outras ciências ainda não catalogadas.

(FONTE: Site supracitado. Grifos meus)

Reparem que o projeto deixa claro que trabalham com “ciências paralelas”. Será que posso entender isso como, “aquelas que não seguem o método científico”? Suponho que sim. Serão ciência apenas para aqueles que a nomeiam como ciência. Em seguida o site afirma que criaram uma “nova metodologia de análise”: novamente, não é o método científico, provavelmente um método pseudocientifico.

Vejamos mais descrições no site do projeto portal:

Com os  nossos métodos  próprios de pesquisa, andamos em paralelo com todas os outros ramos do conhecimento humano. Estudamos tudo sob uma nova visão da realidade,  buscando preencher as lacunas existentes  até agora não respondidas pela ciência. As pesquisas envolvem o estudo científico dos fatos, suas evidências, com as provas concretas dos mesmos. A autenticidade e credibilidade deste trabalho repercutem em todo o Brasil e em vários países do exterior.

(Grifos meus)

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Ciência, Educação, Epistemologia, Gerais, Teoria da Ciência , , , ,

Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 2)

30, Outubro, 2010

Atitude cética e a suspensão de juízos: a razoabilidade é o limite (?)

O que é a suspensão do juízo, além de uma heurística do conhecimento ou de uma metodologia? É uma atitude do cético, sobretudo.

Entretanto a tarefa do cético, ou do utilizador da heurística que proponho pode esbarrar em problemas muito comuns (e que já fui acusado nos comentários de outras postagens): a razoabilidade do questionamento cético, bem como sua equação entre a atitude cética e a questionabilidade de nossos juízos (leia-se a suspensão dos juízos).

Como já abordamos em comentários e contra-comentários em outros artigos, algumas pessoas pensam que esta atitude pode nos levar a uma espiral de questões que beira a irracionalidade.

Então, de certa forma o ponto norteador para a questão é a razoabilidade da questão. Entrementes, no papel de questionador, podemos ainda nos perguntar que critério é este de razoabilidade.

Assim, inspirado no tema, tanto por causa das discussões contidas nestes comentários, quanto em conversas com outras pessoas em lugares distintos, resolvi fazer algumas perguntas a mim mesmo. CONTINUAR A LER

Cognoscibilidade, Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 1)

23, Outubro, 2010

Em ensaios anteriores, eu publiquei minha posição sobre a suspensão dos juízos, uma atitude de cunho um tanto cética, mas de boa serventia para o conhecimento (ver este link e este outro).

Geralmente o ceticismo é adotado como uma possibilidade de destruição do conhecimento, pois algumas pessoas encaram que a questionabilidade do que tomamos como conhecimento é um afronta ao conhecimento (ver nos links acima).

Com base nesta representação (que o ceticismo é um afronta ao conhecimento estabelecido) é que existem diversas afirmações, muitas das quais eu acho um tanto despreparadas: como foi aquela que apontei nos links acima, no qual alguns interlocutores de cunho religioso consideravam a suspensão dos juízos como uma traição com as suas crenças.

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Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , ,

A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)

31, Agosto, 2010

Ao longo da série de ensaios que fiz acerca das pseudociências, expus que as pseudociências passam-se como ciência, embora não utilizem o método científico. Este processo está embasado na garantia social que a pseudociência tenta possuir quando põe-se como ciência (visto que na ciência, como postulei, sua garantia social é em decorrência de sua garantia metodológica).

Este processo é extremamente vital para a manutenção da pseudociência: ela necessita usufruir de uma garantia social alheia, sem mesmo possuir uma garantia metodológica; o que acaba por se tornar possível instrumento de persuasão e com sua garantia social inócua (pois a garantia social deve ser apenas um reflexo perante a um grupo social de uma outra garantia, como a metodológica). Assim é compreensível o mecanismo da pseudociência quando esta tenta se passar por ciência, como uma mimese, para que seus adeptos possam estampar uma suposta garantia dita e passada como “científica”, quando na verdade apenas é uma garantia social.

Carta Natal Astrológica

Carta Natal Astrológica

Bem, o que estou dizendo acima não é tão chocante se você já tiver lido o meu ensaio “A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)“. É de certa forma, um resumo do que eu já disse anteriormente.

Mas por qual razão tocar neste assunto, novamente? CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , ,

O que é então o criacionismo?

5, Março, 2010

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

A Criação de Adão - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina

Este artigo é uma resposta ao: “o que o criacionismo não é?” (1).

Durante conversas com um colega, foi feita a sugestão que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de análise de artigos.

O artigo O que o criacionismo não é, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolução estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros não. Embora não exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas críticas bem fundamentadas ao evolucionismo  – o foco do artigo não é falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo não pode ser considerado. O autor diz o seguinte:

Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motivações ideológicas e fossem verificados – sob o melhor rigor científico – os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. In: o que o criacionismo não é?)

Concordando com suas palavras acerca da suspensão dos valores ideológicos, efetuando uma espécie de suspensão aos meus valores creditados tentarei ser o mais analítico possível quanto ao artigo e alguns comentários acerca do mesmo.

O autor do artigo, logo deixa claro qual será sua abordagem. Irá mostrar o que, supostamente, o criacionismo não é:

Por isso, é necessário desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa polêmica. Eis alguns deles: (idem)

O autor, portanto inicia suas explicações, clareando melhor acerca do que não é criacionismo, sob sua visão.

Coloco que é sob sua visão pois lendo com cuidado notei que certas explicações não são totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente científica. De um âmbito geral o artigo é bem escrito, tem um espírito que não me parece enganatório, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente está envolto numa visão de mundo determinado.

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Educação, Epistemologia, Evolucionismo, Filosofia, Gerais, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série “Do que a ciência se preocupa” Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

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Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série "Do que a ciência se preocupa" Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

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