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Artigos relacionados com ‘Ética’
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Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 2)

30, Outubro, 2010

Atitude cética e a suspensão de juízos: a razoabilidade é o limite (?)

O que é a suspensão do juízo, além de uma heurística do conhecimento ou de uma metodologia? É uma atitude do cético, sobretudo.

Entretanto a tarefa do cético, ou do utilizador da heurística que proponho pode esbarrar em problemas muito comuns (e que já fui acusado nos comentários de outras postagens): a razoabilidade do questionamento cético, bem como sua equação entre a atitude cética e a questionabilidade de nossos juízos (leia-se a suspensão dos juízos).

Como já abordamos em comentários e contra-comentários em outros artigos, algumas pessoas pensam que esta atitude pode nos levar a uma espiral de questões que beira a irracionalidade.

Então, de certa forma o ponto norteador para a questão é a razoabilidade da questão. Entrementes, no papel de questionador, podemos ainda nos perguntar que critério é este de razoabilidade.

Assim, inspirado no tema, tanto por causa das discussões contidas nestes comentários, quanto em conversas com outras pessoas em lugares distintos, resolvi fazer algumas perguntas a mim mesmo. CONTINUAR A LER

Cognoscibilidade, Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , ,

Suspensão do Juízo: ética, lógica ou metodologia? (Parte 1)

23, Outubro, 2010

Em ensaios anteriores, eu publiquei minha posição sobre a suspensão dos juízos, uma atitude de cunho um tanto cética, mas de boa serventia para o conhecimento (ver este link e este outro).

Geralmente o ceticismo é adotado como uma possibilidade de destruição do conhecimento, pois algumas pessoas encaram que a questionabilidade do que tomamos como conhecimento é um afronta ao conhecimento (ver nos links acima).

Com base nesta representação (que o ceticismo é um afronta ao conhecimento estabelecido) é que existem diversas afirmações, muitas das quais eu acho um tanto despreparadas: como foi aquela que apontei nos links acima, no qual alguns interlocutores de cunho religioso consideravam a suspensão dos juízos como uma traição com as suas crenças.

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Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , ,

Opinião: As pataquadas de Weslian Roriz

29, Setembro, 2010

NOTA: Novamente saio dos tópicos de discussão sobre ciência, para ir à política; pela força dos acontecimentos políticos no qual estamos passando. Portanto, desculpem-me o artigo off topic que aqui desenvolvo (é um artigo de opinião). Assim, deixo devidamente avisado que o tema aqui desenvolvido foge ao tema do nosso blog, embora eu faça por causa de minha indignação com o rumo que estamos tomando em nossa política. CONTINUAR A LER

Ética, Off Topic, Política , , ,

O dia que o STF parou!

25, Setembro, 2010

Sei que não é objetivo deste site falar sobre política. Também sempre me policiei para que os artigos, sempre que possível, fossem orientados aos assuntos centrais do blog, evitando o grande tema da política.

Entretanto, com a força do acontecimento, não posso deixar de pronunciar-me a respeito das últimas revira-voltas da nossa política; e que gira em torno, também, de nossa querida Brasília.

Sede do STF

Sede do STF

A história parece até uma grande novela: por iniciativa popular a lei da ficha limpa foi proposta, encaminhada para nossos legisladores, votada por eles, alterada, votada novamente e sancionada.

Discussões acerca da aplicação (eficácia) da lei começaram a surgir. Alguns políticos foram barrados a disputar as eleições neste ano de 2010, e mais discussões acerca da inconstitucionalidade da lei foram firmadas.

Acompanhei até um debate no programa “Debate MTV” com Lobão, de 01/06/2010, com o título “A lei da Ficha Limpa vai acabar em pizza?” (assista aqui) que teria citado tais problemas já em destaque.

Seja como for, a lei começou a ser aplicada e alguns dos políticos foram barrados. Um deles teve pedido de impugnação de candidatura pelo Ministério Público. Eis o Joaquim Roriz. CONTINUAR A LER

Direito, Ética, Off Topic, STF , , , , , , ,

A necessidade da garantia pseudocientífica (Série pseudociências – Parte 8#)

31, Agosto, 2010

Ao longo da série de ensaios que fiz acerca das pseudociências, expus que as pseudociências passam-se como ciência, embora não utilizem o método científico. Este processo está embasado na garantia social que a pseudociência tenta possuir quando põe-se como ciência (visto que na ciência, como postulei, sua garantia social é em decorrência de sua garantia metodológica).

Este processo é extremamente vital para a manutenção da pseudociência: ela necessita usufruir de uma garantia social alheia, sem mesmo possuir uma garantia metodológica; o que acaba por se tornar possível instrumento de persuasão e com sua garantia social inócua (pois a garantia social deve ser apenas um reflexo perante a um grupo social de uma outra garantia, como a metodológica). Assim é compreensível o mecanismo da pseudociência quando esta tenta se passar por ciência, como uma mimese, para que seus adeptos possam estampar uma suposta garantia dita e passada como “científica”, quando na verdade apenas é uma garantia social.

Carta Natal Astrológica

Carta Natal Astrológica

Bem, o que estou dizendo acima não é tão chocante se você já tiver lido o meu ensaio “A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)“. É de certa forma, um resumo do que eu já disse anteriormente.

Mas por qual razão tocar neste assunto, novamente? CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , ,

Sobre a eticidade do transgênico

7, Junho, 2010

Com freqüência (a trema caiu), ao ir fazer compras no mensais no mercado, tenho notado que o oléo de soja vendido normalmente vem sido subnstituído por aqueles fabricados a partir de grãos de soja transgênica – que pode ser identificado pelo ícone de transgênico.

Ícone de alimento produzido com vegetal transgênico

Ícone de alimento produzido com vegetal transgênico

Sempre que for comprar um produto e quiser saber se ele é produzido com transgênicos, basta verificar se tem o ícone (mostrado ao lado). A empresa é obrigada a divulgar no rótulo caso no produto tenha mais de 1% de alimento transgênico em sua composição.

Mas o que é um transgênico? Na wikipédia encontramos a seguinte definição:

Transgênicos (português brasileiro) ou transgénicos (português europeu) são organismos que, mediante técnicas de engenharia genética, contêm materiais genéticos de outros organismos. A geração de transgênicos visa organismos com características novas ou melhoradas relativamente ao organismo original. Resultados na área de transgenia já são alcançados desde a década de 1970, na qual foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante.

A manipulação genética recombina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Por exemplo, podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais. (TRANSGÊNICOS. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2010. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Transg%C3%AAnicos&oldid=20480084>. Acesso em: 4 jun. 2010.)

Mas o que a técnica, aplicada pode proporcionar de perigo? Ora, a aplicação desta técnica dentro do setor alimentício é um dos pontos mais visados, que podem proporcionar perigo ambiental (mas não é o único).

Imaginem que uma empresa, a fim comercial de aumentar a produtividade, ou ainda com a intenção de manter safras mais resistentes a agrotóxicos (ou ainda mais resistentes a insetos) utilize da tecnologia de transgenia para produzir alimentos. No link que apontamos anteriormente explica as três principais polêmicas, no qual vou reproduzir sintéticamente a seguir.

Um dos problemas mais discutidos é a polinização cruzada, no qual a espécie transgênica pode reproduzir com espécies não-transgênicas. Assim é possível que o gene inserido artificialmente, via transgenia, possa prevalecer sobre o genoma não transgênico. Isto é problemático, pois uma espécie não transgênica poderia absorver o gene inserido, o que poderia levar a uma diminuição da espécie não-transgênica. Por este motivo, existem estudos que visam estabelecer valores mínimos de distância entre plantações transgênicas e as não-transgênicas.

Outra polêmica gira em torno da possibilidade de culturas transgênicas gerarem efeitos tóxicos na saúde humana.  E outra afirma sobre a possibilidade de alergias causadas por alimentos transgênicos.  Apesar das polêmicas, estudos ainda estão ocorrendo (e seus efeitos reais ainda não foram concluídos), entretanto a possibilidade de que estes alimentos sejam maléficos assusta, e deve ser encarada com muita seriedade.

Embora alguns defensores da aplicação desta técnica à alimentação, digam que ela pode ajudar a aumentar a produção de alimentos e diminuir a fome no mundo; outros rebatem a afirmação, dizendo que na verdade a má distribuição de alimentos é que gera o problema da fome e não necessariamente a sua produção – assim, para estes, não valeria correr o risco de usar tal técnica, visto o desconhecimento de seus efeitos em nossa saúde. CONTINUAR A LER

biologia, Ciência, Ética, Filosofia, Natureza , , , , , ,

Vida "artificial" e suas possibilidades éticas

22, Maio, 2010

Neste dia último dia 21, nos noticiários do mundo correu o anúncio do desenvolvimento de uma célula sintética. Logo um alvorosso sobre o impacto do desenvolvimento desta experiência surgiu: alguns noticiaram como o surgimento de vida artificial, outros já rebateram que não é necessariamente a criação de vida artificial e sim criação de uma molécula sintética (no caso o DNA) com efeitos fenotípicos na célula hospedeira (ver este link e este).

Tão logo a experiência foi divulgada as primeiras repercussões das possibilidades éticas começaram a surgir. O Vaticano se pronunciou e apresentou preocupação com estas mesmas possibilidades (ver link). Entretanto as possibilidades éticas vislumbradas pelo clero está mais relacionada com o impacto religioso que isso pode causar, e a interpretação logo perpassa o tom comum do “brincar de Deus”, pois além do viés ético há o viés teológico envolvido na interpretação do mesmo. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Ética, Filosofia, Gerais , , , , ,

Vida “artificial” e suas possibilidades éticas

22, Maio, 2010

Neste dia último dia 21, nos noticiários do mundo correu o anúncio do desenvolvimento de uma célula sintética. Logo um alvorosso sobre o impacto do desenvolvimento desta experiência surgiu: alguns noticiaram como o surgimento de vida artificial, outros já rebateram que não é necessariamente a criação de vida artificial e sim criação de uma molécula sintética (no caso o DNA) com efeitos fenotípicos na célula hospedeira (ver este link e este).

Tão logo a experiência foi divulgada as primeiras repercussões das possibilidades éticas começaram a surgir. O Vaticano se pronunciou e apresentou preocupação com estas mesmas possibilidades (ver link). Entretanto as possibilidades éticas vislumbradas pelo clero está mais relacionada com o impacto religioso que isso pode causar, e a interpretação logo perpassa o tom comum do “brincar de Deus”, pois além do viés ético há o viés teológico envolvido na interpretação do mesmo. CONTINUAR A LER

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Divulgação: Hora do Planeta

25, Março, 2010

A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#)

26, Janeiro, 2010

Olhando amplamente todo o leque de pseudociências, pergunto-me “o que fez com que um tipo de explicação não-científica tente se passar por ciência?”.

É claro, como muitos ja apontaram, como Carl Sagan, citado no início de nossa série de ensaios sobre pseudociências, existe uma séria deficiência na alfabetização científica.

Essa deficiência permite que explicações não-científicas passem como científicas; assim como também é possível encontrar pessoas com uma certa fobia ao que e científico. Por que?

Os fóbicos da ciência relacionam os maus usos dos produtos da ciência e tecnologia como se fosse a própria ciência.  Esquecem que ela é um instrumento, assim como outras áreas plenamente humanas. O uso dos produtos científicos e tecnológicos beiram a instrumentalidade: usar um martelo para lesar uma pessoa não significa dizer que o martelo é “mau”.

O valor maléfico ou benéfico é dado aos produtos dela e não a si mesma.  A confusão entre empregos lesatórios, dos produtos de uma ciência e a própria ciência, é uma das fontes de fobia científica. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Epistemologia, Gerais, Teoria da Ciência , , , , , , , ,

Paul Sereno e o "design"

18, Dezembro, 2009

O Paleontologista Paul Sereno

Lí alguns dias atrás uma notícia no Site da Terra, que o paleotologista Paul Sereno teria descoberto uma espécie de mini tiranossauros e teria efetuado afirmações criacionistas.

Pronto! Será um problema de semântica na tradução ou seria que realmente teríamos estes dados conforme o veículo editorial teria afirmado?

Esbarrei no “Observatório da Imprensa“, no qual, exatamente o que estava indagando, estava respondido. Seria um problema de tradução em certos trechos.

Verifiquei que também existia em outros Blogs na net falando a respeito.

A autora da tradução, como pude acompanhar neste link, não é criacionista, entretanto  a sua tradução poderia ser absorvida por um criacionista incauto, além da ambiguidade semântica.

Ao que parece o erro não é uma desonestidade religiosa, mas sim um deslize na tradução. E esse deslize pôde passar despercebido e ser veículado, como aconteceu no site do Terra.

Creio que este é um erro que não se pode deixar cometer em traduções, visto que pode levar uma interpretação errônea na divulgação científica. Talvez esteja superdimensionado, pois muitos nem ligariam para tal fato – mas é algo que pode ser evitado.

Ciência, Ética, Evolucionismo , , , , , , , , , ,

Paul Sereno e o “design”

18, Dezembro, 2009

O Paleontologista Paul Sereno

Lí alguns dias atrás uma notícia no Site da Terra, que o paleotologista Paul Sereno teria descoberto uma espécie de mini tiranossauros e teria efetuado afirmações criacionistas.

Pronto! Será um problema de semântica na tradução ou seria que realmente teríamos estes dados conforme o veículo editorial teria afirmado?

Esbarrei no “Observatório da Imprensa“, no qual, exatamente o que estava indagando, estava respondido. Seria um problema de tradução em certos trechos.

Verifiquei que também existia em outros Blogs na net falando a respeito.

A autora da tradução, como pude acompanhar neste link, não é criacionista, entretanto  a sua tradução poderia ser absorvida por um criacionista incauto, além da ambiguidade semântica.

Ao que parece o erro não é uma desonestidade religiosa, mas sim um deslize na tradução. E esse deslize pôde passar despercebido e ser veículado, como aconteceu no site do Terra.

Creio que este é um erro que não se pode deixar cometer em traduções, visto que pode levar uma interpretação errônea na divulgação científica. Talvez esteja superdimensionado, pois muitos nem ligariam para tal fato – mas é algo que pode ser evitado.

Ciência, Ética, Evolucionismo , , , , , , , , , ,

Leitura recomendada

28, Outubro, 2009
O mundo assombrado pelos demônios

O mundo assombrado pelos demônios

O mundo assombrado pelos demônios” é leitura recomendada para todos.

Neste livro, Carl Sagan mostra como a pseudociência e crenças não-científicas (com forte apelo populacional) difundem explicações mistificadas e fictícias a respeito de diversos temas, contribuindo para uma analfabetização científica.

Aqui Sagan mostra quão bonita a ciência pode ser, apesar do mal uso que pode existir em torno do que ela desenvolve. Mostra a beleza de se descobrir o universo e as razões que permeiam o mesmo (tarefa que a ciência estaria cumprindo muito bem, segundo o autor). O autor descreve que escolher a explicação científica, ao invés das místicas, não nos faz  perder a beleza em que há no conhecer.

É um ótimo livro, que mostra uma visão visceral por sobre os demônios que assombram o nosso mundo e que mancham a beleza do conhecimento. Vale a pena conferir.

UPDATE

(24.01.10)

Tempos depois de escrever sobre este livro (do qual fiz uma leitura imparcial) vi que existem algumas pessoas que o criticam dizendo que é uma “bíblia dos céticos”. Ora, acho essa acusação um tanto quanto exagerada (chamar de bíblia). O livro faz denúncia das pseudociências e das mistificações que surgem num contexto de ensino científico defasado. Se é muito utilizado por aqueles que se denominam “céticos, sabichões” (como um site teve a infelicidade de dizer) e de pseudo-céticos (como agora é uma expressão mainstream de alguns contra-opinião; infelizmente isto virou uma fórmula comum, nem sempre bem sucedida) não é por que o livro seja uma Bíblia. A estrutura é bem diferente. O livro é muito bom, analisando imparcialmente, e desempenha papel bom ao mostrar uma denúncia que o leitor, que despoje de preconceitos ao ler, notará com facilidade: existe um mecanismo social que está ocorrendo – as pseudociências (assim como outros vários pseudos, existentes em nosso mundo). Analisando, pontualmente, o livro cumpre com isso (a denúncia aos fantasmas da precária educação científica). Possui este mérito (de fato), e se parte comentários acerca do mesmo girarem em torno por causa desde mérito, a crítica falaciosa supracitada é infundada e inconsistente.

Arnaldo Vasconcellos

Astronomia, Ciência, Gerais , , , ,

Do que a ciência se preocupa (Parte #6)

24, Julho, 2009

Na série “Do que a ciência se preocupa?” estamos experienciando detalhes sobre a ciência, um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos.

Neste sexto artigo gostaria de iniciar o desenvolvimento do que é “teoria”.

Será o que define algo como uma teoria? O que diferencia uma teoria científica de uma metafísica (devemos ter muito cuidado com esta última palavra).

Copérnico, criador da teoria heliocêntrica (Foto: Wikipédia)

Peguemos um comparativo para melhor estudarmos: Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria do Heliocentrismo no qual o Sol é o centro do sistema solar.

A grosso modo, a teoria em questão, diz que o Sol seria o centro do sistema solar (entendido originalmente como centro do universo).

Ao analisarmos tal teoria temos pontos que são fundamentalmente falseadores – ou seja podem ser confrontado a observações e podem ser refutados ou corroborados. CONTINUAR A LER

Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Informática, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

Microsoft e suas alegações

5, Março, 2009

Estes dias, navegando por noticiários antigos, deparei-me com algumas afirmações do então presidente da Microsoft da América Latina…

O mesmo afirma que software livre pode ser mais caro que um software comercial, para implantação. Com este argumento tenta nos levar a crer que é melhor investir em Microsoft.

Sim, como ele afirma pode ser mais caro. MAS ISTO É ALGO RELATIVO. A implantação e manutenção de softwares são de valores voláteis (o mesmo afirma que o custo do software é uma pequena parte do custo total, sim é verdade). Implantar um Windows ou pacote Office pode ser tão oneroso quanto outros softwares. O custo total (que é volátil) vai depender de qual software estamos implantando, a ESTABILIDADE DO SOFTWARE, pessoas competentes para mantê-lo.

Se repararem um pouco nesta linha de raciocínio veremos que a implantação de um software livre não está restrita a uma única empresa. Várias empresas podem fazer o mesmo serviço. Lei da oferta e da procura. Agora o que a Microsoft quer é monopolizar mercados, de forma que afirme ter a melhor solução.

Vamos pensar três casos básicos. Os exemplos são fictícios, assim como os valores (que são arbitrários), mas explicarão AS POSSIBILIDADES QUE ESTOU PENSANDO, ao dizer que este mercado é volátil.

1) Uma empresa vende sua licença em 10.000 reais para uma empresa de pequeno porte. Estes 10.000 já pagam o suporte e implantação.

2) Uma empresa resolve implantar softwares livres e paga 15.000 de suporte para o mesmo porte tecnológico da primeira. Pagará ainda 5.000 para treinamento de pessoal.

3) Uma empresa vende sua licença em 10.000 reais para uma empresa de pequeno porte. Estes 10.000 já pagam o suporte e implantação. A empresa que comprou nota que produto é instável. Investe mais 3.000 de softwares preventivos e corretivos. Passado mais 1 ano a empresa contratante resolve mudar de softwares… tendo que investir mais uns 10.000 em software concorrente.

Sim, a grosso modo parece que os custos de SL (softwares livres) serão maiores. Mas isto dependerá da empresa que for prestar os serviços e de qual SL irá ser adotado, além da forma que a empresa contratante irá implantar este sistema (será que tomará os devidos cuidados para que seja um investimento duradouro?; além do serviço prestado). Da mesma forma dentro dos SP (softwares proprietários) existem empresas concorrentes, entre si, que podem fornecer serviços diferentes e com qualidades diferentes.

Lembrem que o Windows não é exemplo de estabilidade, e dependendo da aplicação não será muito vantajoso mantê-lo. Apesar de sua popularidade, existem softwares mais eficazes (sejam SL ou SPs!).

Por isso eu digo que a afirmação do então presidente da Microsoft America Latina foi enganadora. Por que simplesmente este mercado é volátil e custos devem ser acompanhados de perto (até com a variável qualidade do software). E existem softwares livres com ótimas qualidades e que poderiam suprir necessidades de empresas, pessoas e tudo mais. É só uma questão de mainstream, de fashion de falso brilho, que algumas pessoas insistem em manter nos softwares da Microsoft.

Prediletar softwares livres, por parte de pessoas, empresas ou governos, não é necessariamente optar por soluções inferiores como alguns satirizam, mas sim manter a liberdade de escolha. E se posso escolher, porque não escolher o que há de melhor? Escolho softwares livres.

Ética, Informática , , ,