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Artigos relacionados com ‘Filosofia da Linguagem’
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A importância de Wittgenstein na filosofia contemporânea

23, Janeiro, 2011

Inicialmente (1) o assunto deste artigo parece um pouco corriqueiro, mas creio ter seu valor: será uma análise simples sobre a importância que este filósofo exerceu (e excerce) em nossa filosofia contemporânea. Essa, que é uma relação que no fim, podemos dizer um tanto dialética – pois verificar a extensibilidade da importância de um filósofo é no fim último verificar o processo dialético cujos pensamentos deste filósofo pôde provocar. Este artigo é, de certa forma, uma pequena forma de expressar a minha admiração por este filósofo.

Wittgenstein

Wittgenstein

Posso, então, começar dizendo que Wittgenstein foi um filósofo atípico (isso se pudermos criar um tipo de filósofo padrão, o que creio ser difícil). Tanto no desenvolver de sua filosofia, quanto no seu histórico de heterodoxia escolar. Ainda, tanto atípica foi a influência que este filósofo causou à filosofia contemporânea – como veremos neste pequeno trabalho, que algumas vezes baseadas nas mais diversas interpretações do mesmo (algumas inclusive não o agradando muito). CONTINUAR A LER

Educação, Filosofia, Filosofia da Linguagem, Universidade , , , ,

A suspensão do juízo como heurística

29, Janeiro, 2010

Diversas vezes tenho esbarrado em alguns blogs (alguns de cunho religioso) [*]com pessoas usando de suas crenças para pensarem e analisarem acerca de diversos temas.

Muitas vezes pedi a suspensão dos juízos (religiosos incluídos) e nem sempre fui muito bem compreendido. Um dos argumentos apresentados, por algumas pessoas religiosas com quem conversei, é que se tal pessoa crê fielmente em algo ela deve inundar-se completamente a ponto de poder fazer-se um bom crente. Como expus em alguns blogs, vejo que existe um problema nesta conduta.

Argumento, assim que a suspensão dos juízos é uma boa heurística para se fazer pensar diversos temas que, dentro de cosmovisões determinadas, estaríamos limitados. Lógico que existe o limite do que é humanamente possível fazer de suspensão.

Há um argumento escondido, por parte dos que não aceitam uma suspensão, de como se ao suspender juízos fossemos nos tornar traídores em uma determinada classe de pensamentos (seja religiosa, científica ou filosófica).

Uma boa maneira que encontrei é tentar pensar em diversas hipóteses. O artigo que utilizei o exemplo de Sagan do “dragão em minha garagem” foi um exemplo. Mas houve quem leu de forma teológica, enquanto eu tratava apenas de uma situação hipotética, para depois poder analisar os resultados e trazê-los a tona.

Fazer isso não é deixar o pensamento em compartimentos estanques. Não é, pois o que deixa o pensamento estanque e engessado é justamente trancá-lo em cosmovisões, que cada vez mais pedem que apertemos nossas faculdades do entendimento, a fim de não representar uma suposta “traição”. CONTINUAR A LER

Cognoscibilidade, Educação, Epistemologia, Gerais, teoria do conhecimento , , , , , , , , , , , , , ,

A incomunicabilidade do dragão da minha garagem – (Série pseudociências – Parte 5#)

19, Janeiro, 2010
Dragão chinês

Dragão chinês

Em nosso blog, em outro ensaio já falamos do livro de Carl Sagan “O mundo assombrado pelos demônios”. Neste livro, Sagan tem um capítulo denominado “o dragão da minha garagem” onde explica o caráter ad hoc de teorias não científicas face ao método científico para verificá-las e falseá-las.

Neste ensaio procuro refletir sobre a existência de um dragão que não possa ser analisado sob a luz de nosso método científico.

Uma primeira visita ao exemplo, notamos que estabelecer a existência de um dragão que não pode ser analisado é de difícil instância, pois parece não ser apresentável em nenhuma forma de fenômeno. Também não parece estar relacionado com nenhuma forma fenomênica.

Fenômeno vem do grego “phainomenon” que é basicamente aquilo que é observável, que tem uma aparição. CONTINUAR A LER

Ciência, Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Gerais, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , , ,

Mutação e evolução

30, Junho, 2009

Porque tanta confusão em torno da palavra “evolução”?

Na teoria da evolução, a palavra “evolução” não está ligada a uma noção teleológica.

Aristóteles - Filósofo grego

Aristóteles, filósofo grego, teria afirmado, que metafísicamente, existem quatro categorias de causas. Elas seriam: causa material, causa formal, causa eficiente e causa final.

Imaginem um escultor criando uma estátua. Com este exemplo poderemos enquadrar as categorias dadas por Aristóteles. A causa material da estátua é a matéria que ela é formada; neste caso poderia ser o mármore. A causa formal é a forma de estátua imaginada pelo escultor. A causa eficiente e aquela que gera a estátua, neste caso o escultor. A causa final, ou telos, é a finalidade desta estátua.

Pois bem, analisando de forma um pouco mais linguística estas causas metafísicas, veremos que elas possuem conotações semânticas diferentes, por isso podem ser enquadradas em diferentes categorias.

Nos últimos tempos tenho encontrado, seja por parte de criacionistas ou não, confusões semânticas dentro das palavras evolução, mutação etc. Algumas destas confusões podem ser esclarecidas, elucidando nuances semânticas relacionadas a diferentes concepções de causas, a meu ver.

Em debate com alguns criacionistas, consegui detectar certas sutilezas semânticas, que por sua vez alguns daqueles com quem conversei não se deram conta da diferença empregada, transformando alhos em bugalhos.

A língua transmite a respeito de coisas e fatos no mundo e as línguas naturais possuem, naturalmente, ambiguidades.

Este é, inclusive, um dos motivos para que emprego o princípio da caridade.  (Tenho um artigo sobre o assunto). CONTINUAR A LER

Evolucionismo, Filosofia, Filosofia da Linguagem, Teoria da Ciência , , , , , , , ,

A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Linguagem, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,