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Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série “Do que a ciência se preocupa” Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Filosofia, Gerais , , , , , , , , ,

Pode uma teoria científica representar posicionamento religioso? (Série "Do que a ciência se preocupa" Parte 7#)

13, Fevereiro, 2010

Ultimamente tenho lido diversos outros blogs. Pude constatar que existe, de uma certa maneira, a idéia que aceitar um determinado ramo da ciência, ou ainda uma determinada teoria, seria coadunar com certos preceitos religiosos (ou não-religioso),  valores (costumes) estabelecidos. É como se uma moral baseada num posicionamento religioso estivesse envolvido ao adotar uma teoria científica. Refleti por um tempo sobre o assunto e encontrei que, possívelmente, se trata de um grande equívoco.

Tomemos como exemplos duas teorias. A teoria do Big Bang e a teoria moderna da evolução. Para algumas pessoas, aceitar a teoria da evolução (ou do Big Bang), ou ainda trabalhar com ela é aceitar uma espécie de ateísmo.

Começo a pergunter-me o porquê destas afirmações. Aparentemente a resposta parece estar envolvida com o fato de que as teorias científicas em questão não estão associadas a preceitos religiosos determinados, ideiais de uma cosmovisão baseada em crenças determinadas. Desta feita para alguns adeptos religiosos aceitá-la é trair seu ideário religioso. E isso não convém para os mesmos que usam o argumento apresentado.

Levando em consideração as reflexões do artigo A garantia social da ciência (Série pseudociências – Parte 6#) parece que é atribuído, por parte dos que utilizam estes argumentos uma moralidade na teoria, como se a teoria carregasse consigo ideais puramente morais. Talvez este fato curioso tenha um mecanismo parecido com o da pseudociência, só de caráter contrário (visa a denegrir o funcionamento de uma determinada teoria, por não ser conveniente com alguma crença específica).

Vejam bem, não estou dizendo, ao longo do blog, que durante o desenvolvimento de uma teoria, que um indivíduo não deixe rastros de suas cosmovisões para desenvolvê-la. Isto pode ocorrer. Entretanto, refleti que isto é preferível não acontecer (ver os artigos “A suspensão do juízo como heurística” e “A heurística da suspensão é mais uma cosmovisão?“).  Tecnicamente o método científico deve ser usado para evitar tais processos de parcialidade (embora sempre possam ocorrer, os processos de parcialidade tendem a diminuir com um método rigoroso que funcione não somente com um ou outro indivíduo, mas com toda uma comunidade envolvida no processo científico).

Claro que a idéia de ciência tem consigo imagens tácitas do que é o mundo, e que elas possam ordenar a imagem de uma ciência específica. E uma questão que pode ocorrer disto é: se é imagem por imagem, porque não aceitar uma imagem tácita que aceite valores morais determinados? Esta questão já foi abordada num dos artigos supracitados, mas voltamos a falar dela pois é preciso explicitar que a questão é estruturalmente diferente (suspender juízos religiosos, morais, filosóficos e até mesmo científicos, dentro da possibilidade que o psicológico permitir; isso será uma possibilidade de criação de novas funções teóricas sem amarras do preconceito). Entretanto na estruturação de uma ciência existe uma imagem de ciência embasada numa imagem de natureza – funcionando num mecanismo girado pelo método. CONTINUAR A LER

Ciência, Epistemologia, Filosofia, Gerais , , , , , , , , ,