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Artigos relacionados com ‘Universidade’
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Cogumelos e orelhas de pau na Unb

22, Dezembro, 2011

Só pra registrar…

Cogumelos encontrados na UnB, nesta última quarta-feira (21-12-11). CONTINUAR A LER

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Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte II)

7, Novembro, 2011

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte II) (*)

Este artigo é a continuação deste aqui

Lakatos

Lakatos

Para Lakatos a história da ciência não se dá por teorias isoladas que se sucedem em algum tipo de concorrência, ou de superação. Para este, as teorias estão estabelecidas em séries, do qual podemos chamar de séries teóricas.

Estas séries teóricas participam de programas de pesquisa científicas (PPC). Os programas de pesquisa concorrem entre si e não são teorias isoladas. São séries teóricas, de teorias que se sucedem em torno de um funcionamento comum (o PPC). Desta forma um programa é que é demarcado como científico ou não.

Um programa de pesquisa científica (PPC) portanto tem em si uma orientação de como o cientista deverá trabalhar, uma série de teorias e hipóteses que são propostas e são substituídas conforme há o trabalho científico nos moldes propostos naquele programa.

Um PPC portanto, tem um caráter amplo e contém teorias dispostas em série temporal. Deste modo, uma teoria pode não ser falseada imediatamente ao ser posta numa prova. É possível também que, ao encontrar uma anomalia, existam casos que vão desde a reformulação de uma hipótese auxiliar, até mesmo ao fato de ignorar completamente a anomalia.

Apesar disto, na visão de Lakatos, os PPCs concorrem entre si. Deste modo é possível haver dois programas que estão competindo na explicação de uma mesma coisa. As teorias são, portanto, produtos de PPCs em atividade. Claramente a noção de um PPC lembra a visão paradigmática de Kuhn, além de termos as noções de falseacionismo inseridas neste sistema. Entretanto a forma metodológica como é posta, vislumbra uma complexidade maior de como se dá a visão de entes norteadores e como podem existir normas metodológicas que se façam operar tais entes norteadores.

Torna-se necessário distinguir as partes de um PPC. CONTINUAR A LER

Ciência, Educação, Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento , , , , , , , , ,

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (Parte I)

4, Novembro, 2011

Popper, Kuhn e Lakatos – Breve percurso (*)

 

Talvez uma das “coisas” mais absurdas e impactantes que podemos ouvir, ou ler, durante um curso científico, é saber que a ciência é composta, ou deva ser, de formas metafísicas que “balizam”, orientam, nossas pesquisas e a nossa forma de pesquisar.

Quando dizemos que há algo de metafísico, ou ontológico, imaginamos que este tipo de explicação está longe da ciência, ou que não precisamos mais deste tipo de pensar.

Imagino que todos nós já tenhamos uma base do que possa ser a metafísica ou a ontologia (quando vista como parte da metafísica). Suponho que já sabemos da origem da palavra metafísica e do seu atual contexto, bem como sua crítica levada a cabo pelo famoso Círculo de Viena.

Digo que tal tipo de afirmação é impactante, pois imaginamos que a ciência possui um trabalho baseado exclusivamente na observação, que por seu turno orienta todo o tipo de teorização a fim de explicar o mundo e as coisas que aqui temos. Nesta mesma visão, é bem possível partilhar da concepção pejorativa da metafísica como algo que está fora da realidade, que não se preocupa com a mesma e que jamais se utiliza de qualquer tipo de observação, mesmo que não criteriosa. CONTINUAR A LER

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39º Semana de Filosofia no Brasil – UnB

5, Junho, 2011

Abaixo a divulgação do evento. Ocorrerá na UnB (Universidade de Brasília) de 06 a 10 de junho. Memorial Darcy Ribeiro, Campus Universitário.

Apresentação

Qual é a situação atual dos estudos filosóficos no Brasil e na América Latina? Por que nos departamentos de filosofia não são ensinados os filósofos brasileiros e latino-americanos? Não sendo eles considerados genuinos filósofos, qual é a noção de filosofia que se utiliza para operar tal exclusão? Quais são os pensadores que Brasil já teve? Fomentam os departamentos de filosofia o desenvolvimento de filósofos? A 39a Semana de Filosofia da UnB se propõe refletir sobre estas questões, convidando 6 estudiosos do pensamento nacional e latino-americano, 3 deles coordenadores dos mais importantes grupos de estudo de Filosofia no Brasil.

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OFF Topic: UnB alagada, culpa de quem?

11, Abril, 2011

Com o episódio de ontem (10/04) muitas coisas se perderam: mobiliário, arquivos, computadores, equipamentos de rádio e TV (UnBTV e RádioUnb sofreram muitas perdas), até materiais de pesquisas[bb].

Hoje pela manhã, fui ao Campus, encontrei o ICC interditado, poucas pessoas entravam. De fora, alguns estudantes ainda perplexos, lá dentro gente trabalhando para retirar a sujeira que se instaurou, trazendo consigo o caos. CONTINUAR A LER

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OFF Topic: Chuva forte em Brasília inunda UnB

10, Abril, 2011

A chuva forte que acabou de cair aqui em Brasília (nesta tarde de 10/04/2011) inundou o ICC (prédio da UnB conhecido também como “minhocão”), derrubou paredes da Ala Norte e destruiu móveis.

Há possibilidade de choques elétricos e o ICC deverá ser interditado nesta segunda-feira, de acordo com a Reitoria e prefeitura[bb]da UnB. CONTINUAR A LER

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O dragão de minha garagem e o conhecimento de contato

2, Janeiro, 2011

No livro “Os problemas da Filosofia” Bertrand Russell, examina de uma forma muito sóbria sobre vários aspectos da pesquisa filosófica. Entretanto, como o próprio autor afirma em seu prefácio, o livro tem muitas questões que deságua na teoria do conhecimento. Também, pode-se notar não somente uma apresentação dos problemas da filosofia, mas sim dos problemas da filosofia sob a ótica russelliana, que trará conexões com suas ideias até então defendidas naquele momento. É o que vemos, entre vários itens, o caso da teoria correspondencialista da verdade, visível em vários capítulos, mas também, como posso citar, no capítulo “A natureza da matéria”, “O idealismo” e “conhecimento por contacto”, dentre outros.

Seria também muito bom citar que há de certa forma uma ligação entre sua teoria de correspondência da verdade, e com sua concepção de conhecimentos – estabelecidos formas de adquirir conhecimento: de verdade e de coisas, de trato e por descrição. CONTINUAR A LER

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Do que a ciência se preocupa (Parte #6)

24, Julho, 2009

Na série “Do que a ciência se preocupa?” estamos experienciando detalhes sobre a ciência, um dos empreendimentos humanos mais bem sucedidos.

Neste sexto artigo gostaria de iniciar o desenvolvimento do que é “teoria”.

Será o que define algo como uma teoria? O que diferencia uma teoria científica de uma metafísica (devemos ter muito cuidado com esta última palavra).

Copérnico, criador da teoria heliocêntrica (Foto: Wikipédia)

Peguemos um comparativo para melhor estudarmos: Nicolau Copérnico desenvolveu a teoria do Heliocentrismo no qual o Sol é o centro do sistema solar.

A grosso modo, a teoria em questão, diz que o Sol seria o centro do sistema solar (entendido originalmente como centro do universo).

Ao analisarmos tal teoria temos pontos que são fundamentalmente falseadores – ou seja podem ser confrontado a observações e podem ser refutados ou corroborados. CONTINUAR A LER

Epistemologia, Ética, Filosofia, Gerais, Informática, Natureza, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

Vírus no Linux?

1, Julho, 2009

Este artigo abaixo foi produzido originalmente para a Network Core Wiki. Reproduzo-a aqui na íntegra. Publicado originalmente em 07/12/2007.

Interface de uma distribuição Linux

Interface de uma distribuição Linux

Uma das grandes perguntas dos iniciantes, no uso de sistemas operacionais Linux, é se estes sofrem a ação dos vírus de computador.

Para responder essa questão devemos analisar alguns pontos importantes.

Vírus de Computador

O que seria bem um vírus de computador?
Numa consideração ”lato sensu”, ou seja, ampla, qualquer programa com função maliciosa é um vírus. Entretanto, numa visão mais técnica e ”strictu sensu”, os vírus são programas maliciosos que têm técnicas de reprodução, explorando falhas nos sistemas, de forma que possam se replicar para outros computadores.

Assim, um vírus que se envia por e-mail para toda a sua lista de endereços, ou aquele que se replica no pen-drive etc, são programas que exploram falhas no sistema e procuram se replicar de um computador para o outro, além de efetuarem os estragos a que estão programados. CONTINUAR A LER

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Dinossauro com características de papagaio

24, Junho, 2009

Rapidinha:

Psittacosaurus gobiensis

Psittacosaurus gobiensis

Análises mostraram que Psitacossauros possuem características alimentícias parecidas com a de papagaios e outras aves, além de sua característica morfológica mais óbvia: sua ossatura craniana que possue bico e indica um sistema muscular parecido com o das supracitadas aves.

Imagem demonstrativa entre um Dinossauro Psittacosaurus gobiensis e uma arara

Imagem demonstrativa entre um Dinossauro Psittacosaurus gobiensis e uma arara

O referido dinossauro foi estudado por Paul Sereno, Universidade de Chicago e descoberto em 2001 na Mongólia.
IN OFF: CONTINUAR A LER

Evolucionismo, Gerais, Informática, Natureza, Teoria da Ciência, Universidade , , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa? (Parte #5)

6, Maio, 2009

Pode o produto da ciência – uma teoria científica – deixar de ser científica e de ser “interessante” à ciência?

Primeiramente vamos estabelecer alguns pontos fundamentais. Convenhamos que a Ciência (ou as ciências) é (são) um campo do conhecimento humano com dadas características e métodos. Este ramo do conhecimento tem como um de seus principais produtos a teoria científica. Ora, a teoria científica deve estar, desta feita, de acordo com uma ciência – com escopo de pesquisa definida (que é uma das preocupações pontuais da ciência), parametrizada (e produzida) dentro de uma série de métodos referentes à imagem de ciência e natureza da ciência em questão (verificamos que ela deve estar de acordo com todos estes pontos que parecem se relacionar e seu pivô é o escopo da ciência, de acordo com a imagem da mesma).

Veremos em próximos artigos, que não estaríamos errados em assumir dois tipos de escopo científico – um global e outro restrito. Neste artigo irei me deter no escopo restrito.

Aceitando o supracitado, podemos imaginar agora se uma teoria científica pode deixar de ser científica? Esta é uma primeira pergunta. CONTINUAR A LER

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A Dificuldade do Entendimento

30, Abril, 2009

Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isto que eu quero dizer nesta postagem.

Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.

Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.

Estive a visitar alguns blogs nos ultimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.

Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos-base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.

Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procudo alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a extendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.

Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Este é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.

Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de idéias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas idéias a serem estudadas/interpretadas no autor original.

Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.

Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo este artigo.

Arnaldo Vasconcellos

Cognoscibilidade, Epistemologia, Filosofia, Filosofia da Linguagem, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , , , , ,

Do que a ciência se preocupa? (Parte #4)

24, Abril, 2009

A ciência se preocupa com a sua multiplicidade?

É bastante comum, e não é nada nova, a diversidade de piadas de “troque a lâmpada” com cientístas e outras profissões. Irei começar o artigo de agora com algumas piadas encontradas no site Humor na Ciência, que por sua vez retirou do site Observatório Nacional:

Quantos físicos são necessários para trocar uma lâmpada?

Quantos astrônomos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum. Astrônomos se recusam a trocar lâmpadas. Os astrônomos preferem lugares escuros.

Quantos radio-astrônomos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum. Eles não tem qualquer interesse nestas coisas que emitem energia com pequeno comprimento de onda.

Quantos físicos especialistas na teoria da relatividade geral são necessários para trocar uma lâmpada?
Dois. Um segura a lâmpada enquanto o outro gira o Universo.

Quantos físicos especialistas em mecânica quântica são necessários para trocar uma lâmpada?
Eles não conseguem fazer isto. Se eles sabem onde está a base da lâmpada eles não podem localizar a lâmpada nova.

Quantos físicos quânticos são necessários para trocar uma lâmpada?
Nenhum, logo que eles observam que ela está apagada ela muda de estado..

Quantos físicos quânticos são necessários para trocar uma lâmpada?
Se voce sabe o número você não sabe onde a lâmpada está.

Quantos físicos de partículas são necessários para trocar uma lâmpada?
Duzentos: 136 deles para esmagar a lâmpada e 64 para analisar os pequeníssimos pedaços e chegar a alguma conclusão.

Quantos físicos teoricos são necessários pra se trocar uma lâmpada?
Não importa quantos, eles vão ficar horas tentando provar matematicamente que o seu jeito de trocar a lâmpada é melhor que o do outro, e enquanto isso, um experimental trocou a lâmpada e eles nem perceberam.

Fonte: http://www.on.br/site_brincando/piadas/piadas_8.html

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Do que a ciência se preocupa? (PARTE #3)

21, Abril, 2009

Ao longo das séries de artigos postados aqui, tenho desenvolvido a descrição da posição científica, tanto realista, quanto a não-realista e ainda a anti-realista.

Expomos a relação do método como uma forma de parametrizar o escopo geral da ciência (ou das ciênicias, a multiplicidade das ciências será motivo de outro artigo).

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Um método parametriza uma pesquisa. Assim como uma régua.

Então, nos pergutamos, o que é o método? E como pode ele estabelecer o escopo do que, digamos, a ciência (ou ciências) se preocupa?

Vamos, novamente, verificar a etimologia para enfim prosseguirmos em nosso artigo. Lógico que várias palavras podem mudar de significado, em relação com o significado original (e está é uma mudança que parece ocorrer com frequência), mas veremos que a etimologia da palavra método pode nos lançar luz nesta empreitada.

No Wikicionário, encontramos as seguintes definições:

mé.to.do masculino

  1. modo ordenado de fazer as coisas, ordem:
    Organizou com método o ficheiro da empresa.
  2. conjunto de procedimentos técnicos e científicos:
    Escreveu um relatório sobre o método de organizar ficheiros.
  3. obra que regista os princípios de uma técnica, ciência ou arte;
  4. sistema educativo:
    João de Deus instituiu um novo método com o lançamento da “Cartilha Maternal.
  5. ponderação, prudência:
A polícia analisou as provas com método.

A definição atual número 1, nos aponta que método é uma forma de fazer algo. É justamente isto que etimologia da palavra nos aponta: método é do grego methodos, que significa “caminho a seguir”.

Um método científico é, portanto, um conjunto de regras, de modos ordenados, que nos permitem a praticar uma pesquisa, parametrizada, na qual o resultado deverá estar dentro do escopo destes tais modos ordenados.

Entretanto, sabemos que a forma que um método se organiza deve ter baseada em si uma forma de ciência a seguir. Assim o objetivo de ciência é parametrizada por uma imagem de ciência (conceito retirado do professor Paulo Abrantes) que está contida no método.

Um método está portanto organizado para uma imagem de ciência. E este método parametriza o caminho e fim da pesquisa científica.

Uma imagem “I” de ciência portanto pressupõe um determinado método. Uma pesquisa “P” irá ser implantada e desenvolvida de acordo de um método que possa conduzir a um objetivo final e determinado da ciência; que no fim é um representante legítimo de uma imagem de ciência.

Podemos nos perguntar como surgiriam os métodos e qual seria a multiplicidade dos mesmos, entretanto esta pergunta talvez demandaria uma exaustiva dissecação da história da ciência, o que não desenvolverei neste artigo.

Durante a disciplina do Professor Paulo Abrantes, na Universidade de Brasília, acompanhamos diversos métodos que estão relacionados com essa posição que chamamos de imagem de ciência. São muito. Pretendo não listar neste artigo, mas talvez abrirei oportunidades para próximos.

Nota-se que esta imagem de ciência, que fundamenta um método, que por sua vez parametriza a atividade científica em questão, está também atrelada a imagens de natureza que se possuem.

Uma ciência e suas pesquisas são produzidas de acordo com um método que parametriza a pesquisa e que está fundada numa imagem de ciência que se deve seguir. E esta imagem está baseada numa imagem de natureza existente.

Vale lembrar que estes conceitos (imagem de natureza, imagem de ciência etc) não são meus; tive contato com o referido professor. Para ver mais acesse: http://www.unb.br/ih/fil/pcabrantes/artigos/Sofia4.PDF (As citações abaixo compreendem este texto).

As imagens de natureza são formas de “ver” o mundo. São nas palavras do professor Abrantes:

“São ontologias assistemáticas e tácitas que condicionam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educacional. (…) Exemplos de pares de imagens de natureza, que se opõem em grande medida, incluem:

i) mecanicismo / materialismo;
ii) deísmo / teísmo;
iii) naturalismo / sobrenaturalismo;
iv) ação à distância / ação contígua;
v) atomismo / plenismo (natureza como continuum).” (pp. 1-2).

Vejam que uma imagem de natureza compreende a forma com que vemos o mundo. É a forma com que nos comprometemos a relacionar o mundo e suas coisas. Uma imagem de ciência depende muito desta primeira.

Nas palavras de nosso professor, encontramos:

“Imagens de ciência são, de modo análogo, epistemologias assistemáticas e tácitas que orientam a atividade científica e outras práticas sociais, incluindo a educação científica. Imagens de ciência podem incluir concepções a respeito dos métodos adequados para a construção do conhecimento científico e/ou para a validação dos produtos da atividade científica (e.g. teorias). Tais métodos estão, usualmente, comprometidos com certos valores cognitivos e não-cognitivos, que também compõem tais imagens.” (p. 2).

Uma imagem de ciência compromete-se, digo portanto, com uma forma de encararmos, epistemológica e ontologicamente o mundo. A imagem de ciência abarca métodos que sejam-lhe filiais.

Do que (ou no que) a ciência se preocupa? Ela se preocupa com aquilo que está exposto no escopo de sua imagem de ciência, cuja atividade para atingí-la está parametrizada em seu método.

E isto é uma coisa ruim? Não necessariamente (pretendo criar artigos para desenvolvermos as implicações éticas nesta possibilidade de ciências).

Outra coisa que podemos refletir com base nisto é a multiplicidade de ciências: há uma ciência coesa ou várias interrelacionadas, ou ainda inúmeras separadas? (Pretendo, também, desenvolver esta questão em outros artigos).

Uma teoria como resultado de uma determinada ciência, como pode-se manter? E como se procede? – Também é tema de outro artigo que postarei aqui. E ainda: uma teoria de uma determinada imagem de ciência pode-se manter em outra imagem de ciência diferente? (poderá ela ser desalinhada do que é considerada como “ciência”? – este é outro tema que abordarei neste meio).

Refletiremos, portanto, sobre mais aspectos que a ciência possui e que estão relacionados com tais questões ontico-espistemológicas, além de suas implicações éticas.

Arnaldo Vasconcellos

Epistemologia, Filosofia, Teoria da Ciência, teoria do conhecimento, Universidade , , , , , ,