{"id":100,"date":"2009-04-18T19:20:11","date_gmt":"2009-04-18T21:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=100"},"modified":"2026-11-03T09:44:02","modified_gmt":"2026-11-03T12:44:02","slug":"no-que-a-ciencia-se-preocupa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/2009\/04\/18\/no-que-a-ciencia-se-preocupa\/","title":{"rendered":"Do que a ci\u00eancia se preocupa?"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O: Esse artigo foi publicado em 2009 e pode conter informa\u00e7\u00f5es desatualizadas)<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>Ano passado, em setembro, aproximadamente, entrou em funcionamento o LHC, um gigantesco acelerador de part\u00edculas criado para colidir part\u00edculas elementares e estudar a possibilidade da exist\u00eancia de uma part\u00edcula chamada de <em>B\u00f3son de Higgs<\/em>. O B\u00f3son de Higgs \u00e9, atualmente, uma part\u00edcula prevista pelo nosso atual modelo de f\u00edsica de part\u00edculas.<\/p>\n<p>Se esta teoria estiver afinadamente correta, ser\u00e1, assim, encontrada a exist\u00eancia do famoso <em>B\u00f3son<\/em>.<\/p>\n<p>Mas e se n\u00e3o existir o B\u00f3son? Bem, neste caso a teoria deve ser revista e modificada.<\/p>\n<p>Percebem o que isto tudo implica? Uma teoria foi formulada. Trechos desta teoria s\u00e3o afinadas com o tempo: ora se confirma, ora se t\u00eam de adaptar a teoria. Este processo \u00e9 feito pelas pesquisas cient\u00edficas durante muito tempo.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n    <div style=\"text-align: center; margin: 15px 0;\">\n        <script type=\"text\/javascript\"><!--\n        google_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\n        \/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\n        google_ad_slot = \"5836344936\";\n        google_ad_width = 250;\n        google_ad_height = 250;\n        \/\/-->\n        <\/script>\n        <script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/googlesyndication.com\"><\/script>\n    <\/div><\/p>\n<p>Quando uma teoria parece n\u00e3o concordar com algum par\u00e2metro (e \u00e9 esse par\u00e2metro que esse artigo tentar\u00e1 especular) a mesma pode ser modificada, at\u00e9 encaixar no par\u00e2metro, ou \u00e9 descartada. Isto aconteceu com a teoria do <em>Flogisto<\/em>.<\/p>\n<p>Em 1703, aproximadamente, a teoria do Flogisto foi proposta pelo <a title=\"Georg Ernst Stahl\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Georg_Ernst_Stahl\">Georg Ernst Stahl<\/a> (ver Wikip\u00e9dia) e consistia na ideia que subst\u00e2ncias inflam\u00e1veis possu\u00eda um elemento, chamado Flogisto, na qual a combust\u00e3o era a libera\u00e7\u00e3o do mesmo que o ar absorvia a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mais tarde, Lavoisier rejeitou a teoria com base na sua descoberta do <em>oxig\u00eanio<\/em>. O processo de combust\u00e3o era agora considerado uma rea\u00e7\u00e3o entre o oxig\u00eanio e outra subst\u00e2ncia inflam\u00e1vel.<\/p>\n<p>Existem teorias adaptadas conforme o processo de verifica\u00e7\u00e3o e outras s\u00e3o completamente refutadas, como o caso do Flogisto (ou ainda o caso do <em>\u00c9ter<\/em>).<\/p>\n<p>Sabemos que a din\u00e2mica da ci\u00eancia envolve tanto o levantamento de teorias, verifica\u00e7\u00e3o, ajuste, e ainda, refuta\u00e7\u00e3o. Esses processos s\u00e3o dados com base em alguns par\u00e2metros e provavelmente tais par\u00e2metros s\u00e3o pontos onde a ci\u00eancia se preocupa em esclarecer.<\/p>\n<p>Que par\u00e2metros s\u00e3o esses? Afinal, no que a ci\u00eancia se preocupa?<\/p>\n<p>A resposta a esta pergunta n\u00e3o \u00e9 un\u00e2nime. Alguns respondem que tais par\u00e2metros podem ser epistemol\u00f3gicos, ou seja, a descoberta da verdade: as teorias descreveriam ent\u00e3o, com verdade, objetos no mundo &#8211; portanto uma posi\u00e7\u00e3o no qual as teorias responderiam (ou tendem a responder) objetos e como os mesmos se relacionam no mundo. Essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o que assume o car\u00e1ter epistemol\u00f3gico na ci\u00eancia &#8211; seria descobrir o que s\u00e3o as coisas, e como s\u00e3o. Essa mesma posi\u00e7\u00e3o assume um ponto ontol\u00f3gico: a teoria corresponde a um objeto (ou rela\u00e7\u00e3o) realmente existente.<\/p>\n<p>A essa concep\u00e7\u00e3o, damos o nome de <em>realismo cient\u00edfico<\/em>.<\/p>\n<p>Em geral, o realismo cient\u00edfico encontra alguns problemas, a explicitar: por exemplo, como explicar o fato de certos elementos cient\u00edficos nunca terem sido observados diretamente, como um \u00e1tomo? At\u00e9 mesmo uma c\u00e9lula necessita de um equipamento como interm\u00e9dio, e este \u00faltimo foi constru\u00eddo por base em uma teoria. Isso representa uma dificuldade em estabelecer uma realidade daquele objeto estudado.<\/p>\n<p>A outra posi\u00e7\u00e3o que gostaria de mencionar, seria o <em>n\u00e3o-realismo cient\u00edfico (antirrealismo)<\/em>, no qual o par\u00e2metro para o estudo cient\u00edfico n\u00e3o seria a verdade da teoria, mas sim diversos outros par\u00e2metros (que poderiam incluir, desde teorias coerentes com outras teorias anteriores, teorias coerentes com observa\u00e7\u00f5es, par\u00e2metros <em>pragm\u00e1ticos<\/em> e outros). Essa posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o enfatiza a <em>verdade<\/em> como um par\u00e2metro que delimitaria a atividade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>\u00c9 desconsertante pensar que a atividade cient\u00edfica poderia n\u00e3o se apoiar na busca pela verdade das coisas e suas rela\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 plaus\u00edvel. N\u00e3o sei qual a resposta. Creio que haja um misto na atividade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma discuss\u00e3o nada nova, e \u00e9 l\u00f3gico que eu n\u00e3o poderia resolv\u00ea-la aqui. Mas em todo caso, espero que trazer este texto possa esclarecer, ou iniciar uma discuss\u00e3o mais ampla e profunda no tema.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que muitos cientistas, como agentes praticantes desta atividade, nem se preocupariam com esta quest\u00e3o, visto que esta \u00e9 uma quest\u00e3o al\u00e9m-ci\u00eancia (da ci\u00eancia <em>objeto<\/em> que estamos conversando; n\u00e3o entro aqui na quest\u00e3o se a epistemologia \u00e9 ou n\u00e3o ci\u00eancia, ou um campo da filosofia).<\/p>\n<p>Que um cientista n\u00e3o se preocupe com a quest\u00e3o, \u00e9 toler\u00e1vel; mas se o mesmo para pensar, \u00e9 extremamente aceit\u00e1vel \u2014 refletir sobre sua atua\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p>Afinal, quando praticamos ci\u00eancia, estamos preocupados com um par\u00e2metro realista ou n\u00e3o realista?<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria da ci\u00eancia podemos encontrar exemplos para as duas posi\u00e7\u00f5es. Ser\u00e1 ent\u00e3o um misto? Julgo que sim. E tenho tendencia a acreditar que o m\u00e9todo est\u00e1 relacionado n\u00e3o somente com o escopo que a ci\u00eancia ter\u00e1, mas como ela o tratar\u00e1.<\/p>\n<p><em>Arnaldo Vasconcellos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O: Esse artigo foi publicado em 2009 e pode conter informa\u00e7\u00f5es desatualizadas) Ano passado, em setembro, aproximadamente, entrou em funcionamento o LHC, um gigantesco acelerador de part\u00edculas criado para colidir part\u00edculas elementares e estudar a possibilidade da exist\u00eancia de uma part\u00edcula chamada de B\u00f3son de Higgs. 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