{"id":111,"date":"2009-04-19T18:01:14","date_gmt":"2009-04-19T20:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=111"},"modified":"2026-11-03T09:49:52","modified_gmt":"2026-11-03T12:49:52","slug":"do-que-a-ciencia-se-preocupa-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/2009\/04\/19\/do-que-a-ciencia-se-preocupa-parte-2\/","title":{"rendered":"Do que a ci\u00eancia se preocupa? (Parte #2)"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O: Este artigo foi publicado originalmente em 2009 e pode conter informa\u00e7\u00f5es desatualizadas)<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>Para iniciar este artigo, come\u00e7arei perguntando: &#8220;o que seria um fen\u00f4meno?&#8221;. Voc\u00ea enquadraria o qu\u00ea como fen\u00f4meno? A maioria de n\u00f3s responde esta pergunta de uma maneira r\u00e1pida, imaginando <em>os fen\u00f4menos da natureza<\/em>.<\/p>\n<p>Pois bem, o que s\u00e3o fen\u00f4menos da natureza? Alguns dariam exemplos, como o furac\u00e3o, o vento, a chuva etc. Estes exemplos meteorol\u00f3gicos s\u00e3o muito bons (gosto muito de meteorologia, e pretendo escrever aqui sobre esta ci\u00eancia, algum dia); mas de certa forma, eu n\u00e3o perguntei por exemplos e sim pela defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar disso, os exemplos s\u00e3o bons para tirarmos a defini\u00e7\u00e3o que buscamos. O que h\u00e1 de comum com a chuva, o furac\u00e3o e o vento? Eles acontecem.<\/p>\n<blockquote><p>Segundo Niels Bohr &#8220;Nenhum fen\u00f4meno \u00e9 fen\u00f4meno at\u00e9 ser observado&#8221; (esta cita\u00e7\u00e3o pode ser encontrada na Wikip\u00e9dia <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fen%C3%B3meno\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neste link<\/a>).<\/p><\/blockquote>\n<p>De certa forma, os fen\u00f4menos s\u00e3o esp\u00e9cies de fatos, s\u00e3o coisas que acontecem e que podemos observar. Na verdade a palavra fen\u00f4meno vem do grego <em>Phainomenon<\/em> que significa, literalmente, &#8220;aquilo que aparece&#8221;. Aparecer, portanto, \u00e9 um pressuposto de um fen\u00f4meno.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n    <div style=\"text-align: center; margin: 15px 0;\">\n        <script type=\"text\/javascript\"><!--\n        google_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\n        \/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\n        google_ad_slot = \"5836344936\";\n        google_ad_width = 250;\n        google_ad_height = 250;\n        \/\/-->\n        <\/script>\n        <script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/googlesyndication.com\"><\/script>\n    <\/div><\/p>\n<p>Imagine o que vemos como um copo. Sua imagem nos aparece. Vemos tal copo, digamos assim, por causa da luz que ele nos reflete. Poder\u00edamos ter contato com o copo, visualmente falando, sem nenhuma luz ou outra energia que ele reflita? Esta imagem \u00e9 a forma com que ele aparece. O copo \u00e9 o objeto-em-si.<\/p>\n<p>Com esta defini\u00e7\u00e3o dada acima, que \u00e9 um tanto grosseira, podemos inserir a ideia de fen\u00f4meno e <em>noumenon<\/em>. Esse \u00faltimo foi trazido por Kant, um importante fil\u00f3sofo iluminista que escreveu o livro &#8220;Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura&#8221;, no qual ele estabelece &#8220;como podemos conhecer as coisas&#8221; e &#8220;como nos \u00e9 dado conhecer &#8220;.<\/p>\n<figure style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/43\/Immanuel_Kant_(painted_portrait).jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Immanuel Kant - Fil\u00f3sofo Alem\u00e3o.\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/43\/Immanuel_Kant_(painted_portrait).jpg\" alt=\"\" width=\"235\" height=\"297\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Immanuel Kant &#8211; Fil\u00f3sofo Alem\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>N\u00e3o irei me alongar muito nisso, mas basicamente o fen\u00f4meno \u00e9 a apari\u00e7\u00e3o de algo, da coisa. O <em>noumenon<\/em> \u00e9 a coisa-em-si, ou seja aquilo que gerou o fen\u00f4meno da qual observamos. Temos contato com o fen\u00f4meno, que \u00e9 aquilo que est\u00e1 em nosso trato comum. Afinal temos contato com o <em>noumenon<\/em>? Esta \u00e9 uma pergunta sem resposta definitiva dentro da filosofia.<\/p>\n<p>Agora, trazendo a discuss\u00e3o a n\u00edvel da ci\u00eancia, quando formulamos uma teoria cient\u00edfica ela pode descrever fen\u00f4menos. Ser\u00e1 que ela descreve algo presente no mundo? Ela estabelece uma conex\u00e3o entre o que \u00e9 descrito e um objeto com &#8220;exist\u00eancia&#8221; no mundo (coloco esta palavra entre aspas, pois ela \u00e9 muito escorregadia e pode ter defini\u00e7\u00f5es amplas e outras mais precisas, dependendo do ramo da filosofia que tratamos)?<\/p>\n<p>O <em>realismo cient\u00edfico<\/em> considera que sim. Ao propormos teorias, dentro do realismo, estamos falando de coisas que est\u00e3o no mundo, al\u00e9m dos fen\u00f4menos que nos s\u00e3o dados. Assim quando falamos em uma c\u00e9lula, em um bacilo estamos falando n\u00e3o somente de algo que nos apareceu, mas algo que possui sua exist\u00eancia fundamentada (fundamentada, ou seja, considerada).<\/p>\n<p>O <em>n\u00e3o-realismo<\/em> coloca que tais jarg\u00f5es cient\u00edficos s\u00e3o <em>modelos<\/em>. Em outras palavras, s\u00e3o abstra\u00e7\u00f5es que, de alguma forma, t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com a observa\u00e7\u00e3o. A observa\u00e7\u00e3o seria aquilo que temos contato, e os modelos desenvolvidos para explicar seriam criados para descri\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 mesmo, previs\u00e3o de fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>Ainda assim podemos citar uma atitude <em>antirrealista<\/em> que colocaria tais teorias e modelos como apenas sistemas coerentes com as observa\u00e7\u00f5es e a tentativa de descobrir &#8220;a coisa-em-si&#8221;, n\u00e3o seria tarefa da ci\u00eancia, pois, nesta abordagem, ela apenas se interessa nos fen\u00f4menos e n\u00e3o garante exist\u00eancia definitiva dos jarg\u00f5es que s\u00e3o propostos num modelo. Ent\u00e3o, a teoria deveria estar coerente com a observa\u00e7\u00e3o e descobrir se h\u00e1 algo por tr\u00e1s deste fen\u00f4meno (como um <em>noumenon<\/em>) estaria fora do escopo da mesma. O cientista antirrealista n\u00e3o julga se h\u00e1 a exist\u00eancia efetiva de um jarg\u00e3o proposto em sua teoria, mas julga se esta est\u00e1 de acordo com a observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Notem a sutileza do que \u00e9 dito: isso \u00e9 muito interessante para a atividade cient\u00edfica. Tais posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o efetivas para se criar um m\u00e9todo de ci\u00eancia e, portanto, s\u00e3o preponderantes para parametrizar <em>aquilo do que a ci\u00eancia se preocupa<\/em>.<\/p>\n<p>Como defendi no artigo anterior, julgo que estas vis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o un\u00e2nimes, ou homog\u00eaneas: creio que existem posi\u00e7\u00f5es de todo o tipo dentro daqueles que praticam a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Isso acaba por me levar a uma outra reflex\u00e3o: existe unidade na ci\u00eancia? Se n\u00e3o houver unidade na mesma, podemos considerar que ela se preocupa com pontos m\u00faltiplos? (Notem que me refiro ao escopo final da ci\u00eancia; como obter a verdade ou a predi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o escopos pontuais: como obter resultado de mapeamento gen\u00e9tico &#8211; embora refletir exemplos nos ajude a lan\u00e7ar luz).<\/p>\n<p>Esse assunto merece dedica\u00e7\u00e3o em diversos outros artigos e os postarei aqui conforme for organizando as minhas ideias. A <em>priori<\/em> creio que possam sim existir pontos m\u00faltiplos de parametriza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas quero descobrir se h\u00e1 algum ponto em comum.<\/p>\n<p><em>Arnaldo Vasconcellos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O: Este artigo foi publicado originalmente em 2009 e pode conter informa\u00e7\u00f5es desatualizadas) Para iniciar este artigo, come\u00e7arei perguntando: &#8220;o que seria um fen\u00f4meno?&#8221;. Voc\u00ea enquadraria o qu\u00ea como fen\u00f4meno? 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