{"id":276,"date":"2009-07-29T15:41:43","date_gmt":"2009-07-29T17:41:43","guid":{"rendered":"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=276"},"modified":"2026-11-04T14:31:14","modified_gmt":"2026-11-04T17:31:14","slug":"a-fragilidade-da-causalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/2009\/07\/29\/a-fragilidade-da-causalidade\/","title":{"rendered":"A Fragilidade da Causalidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ATEN\u00c7\u00c3O: Este artigo foi publicado em 2009 e pode n\u00e3o representar a totalidade do pensamento do autor atualmente).<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Sem causalidade, sem garantia<\/strong><\/p>\n<figure style=\"width: 297px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"David Hume - Fil\u00f3sofo Escoc\u00eas\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/2\/21\/David_Hume.jpg\" alt=\"David Hume - Fil\u00f3sofo Escoc\u00eas\" width=\"297\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">David Hume &#8211; Fil\u00f3sofo Escoc\u00eas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Imagine voc\u00ea, numa sinuca, est\u00e1 prestes a bater com o taco de madeira na bola branca a fim de <em>enca\u00e7apar<\/em> uma das outras bolas restantes no jogo para pontuar.<\/p>\n<p>O ato de transferir for\u00e7a mec\u00e2nica do taco para a bola branca (que por sua vez ir\u00e1 transferir para a outra bola de pontua\u00e7\u00e3o) j\u00e1 \u00e9 vista como algo, um fen\u00f4meno, trivial da mec\u00e2nica.<\/p>\n<p>De certa forma estamos acostumados com isso, pois sempre experienciamos esse resultado.<\/p>\n<p>Quando largamos um objeto em alguma altura, observamos que sempre responde com uma queda, que p\u00f4de ser estudada desde a \u00e9poca de Galileu e Newton.<\/p>\n<p>Em todos esses exemplos est\u00e1 por tr\u00e1s a ideia da causalidade. Uma causa precede um efeito. O fato de existir uma causalidade credencia uma garantia \u00e0s pesquisas cient\u00edficas e diversas outras atividades de pensamento investigativo que possu\u00edmos. Mas o que aconteceria se question\u00e1ssemos a causalidade?<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n    <div style=\"text-align: center; margin: 15px 0;\">\n        <script type=\"text\/javascript\"><!--\n        google_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\n        \/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\n        google_ad_slot = \"5836344936\";\n        google_ad_width = 250;\n        google_ad_height = 250;\n        \/\/-->\n        <\/script>\n        <script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/googlesyndication.com\"><\/script>\n    <\/div><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de nossas percep\u00e7\u00f5es conseguimos apreender o que chamamos de causa e efeito, como eventos, mas a conex\u00e3o entre eles n\u00e3o o fazemos (n\u00f3s supomos essa conex\u00e3o). Ent\u00e3o, pode ser que a causalidade n\u00e3o exista e seja apenas de \u00e2mbito psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Para David Hume, fil\u00f3sofo escoc\u00eas, empirista, a causalidade seria quest\u00e3o de h\u00e1bito: por sempre vermos supostas causas e efeitos, sugerimos e acreditamos que exista um elo que denominamos <em>causalidade<\/em>.<\/p>\n<p>Se a causalidade n\u00e3o \u00e9 algo intr\u00ednseco \u00e0 natureza dos eventos, ent\u00e3o toda a sorte de argumenta\u00e7\u00f5es investigativas, como a ci\u00eancia, baseada em observa\u00e7\u00f5es que se fundam em ideais de causalidade, seriam, desta feita, argumenta\u00e7\u00f5es sem a garantia de previsibilidade.<\/p>\n<p>Teorias cient\u00edficas, como j\u00e1 vimos, trabalham com a previsibilidade,\u00a0 al\u00e9m da descri\u00e7\u00e3o de eventos e coisas. \u00c9 a previsibilidade que estrutura e fundamenta a diferen\u00e7a entre uma teoria cient\u00edfica e uma teoria filos\u00f3fica, como pode apontar alguns autores. Pois \u00e9 a previsibilidade que pode estar ligada a argumentos falseadores (isto numa perspectiva <em>popperiana<\/em>).<\/p>\n<p>A ideia de Hume j\u00e1 foi muito debatida e existem diversas solu\u00e7\u00f5es (que n\u00e3o vou abordar aqui), mas \u00e9 de uma beleza sem tamanho, visto que ressoaram (e ainda ressoam na epistemologia) solu\u00e7\u00f5es e problemas correlacionados.<\/p>\n<p>\u00c9 importante pensarmos, &#8220;E se realmente n\u00e3o houver causalidade? Se ela for apenas uma quest\u00e3o de h\u00e1bito? Teremos garantia em nossos empreendimentos cient\u00edficos?&#8221;. \u00c9 importante pensarmos em nossas barreiras do entendimento e o quanto nossas aspira\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, apesar de bastante promissoras, podem estar apoiadas em pontos fr\u00e1geis, dentro do \u00e2mbito estritamente l\u00f3gico.<\/p>\n<p>Enfim, apesar dos \u00eaxitos logrados pela ci\u00eancia, \u00e9 bom refletirmos sobre aquilo que a fundamenta.<\/p>\n<p>Tenho alguns palpites acerca destes problemas, mas eles s\u00e3o apenas palpites e ainda estou os desenvolvendo sobre esta suposta fragilidade e a garantia de nosso conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p><em>Arnaldo Vasconcellos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ATEN\u00c7\u00c3O: Este artigo foi publicado em 2009 e pode n\u00e3o representar a totalidade do pensamento do autor atualmente). &nbsp; Sem causalidade, sem garantia Imagine voc\u00ea, numa sinuca, est\u00e1 prestes a bater com o taco de madeira na bola branca a fim de enca\u00e7apar uma das outras bolas restantes no jogo para pontuar. O ato de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30,33,9,24],"tags":[72,74,122,126,149,152,321,323],"class_list":["post-276","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cognoscibilidade","category-epistemologia","category-filosofia","category-teoria-da-ciencia","tag-ciencia","tag-cognoscibilidade","tag-empirismo","tag-epistemologia","tag-filosofia","tag-filosofia-da-ciencia","tag-teoria-da-ciencia","tag-teoria-do-conhecimento"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=276"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2936,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/276\/revisions\/2936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}