{"id":345,"date":"2009-12-06T01:20:03","date_gmt":"2009-12-06T04:20:03","guid":{"rendered":"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=345"},"modified":"2026-11-04T15:06:13","modified_gmt":"2026-11-04T18:06:13","slug":"do-que-podemos-conhecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/2009\/12\/06\/do-que-podemos-conhecer\/","title":{"rendered":"O que podemos conhecer?"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O 2026: Este artigo foi um ensaio introdut\u00f3rio, publicado originalmente em 2009 e pode n\u00e3o corresponder em sua totalidade na posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do autor na atualidade)<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>Outro dia estava eu conversando com um amigo meu. Nessa conversa abordei o trabalho do cientista apoiado num m\u00e9todo, (que n\u00e3o significa necessariamente restringir o conte\u00fado criativo do mesmo).<\/p>\n<p>Pude notar, de certa forma que a palavra &#8220;m\u00e9todo&#8221; desperta em algumas pessoas uma posi\u00e7\u00e3o um tanto desconfort\u00e1vel, pois parece que a ci\u00eancia possui uma rigidez que n\u00e3o flexibiliza a cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que este meu amigo tenha apontado isso conscientemente, mas passou em minha cabe\u00e7a, pela forma com que ele falava.<\/p>\n<p>A atividade de um cientista \u00e9 envolta em investiga\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 de sua exclusividade, portanto existem outras \u00e1reas que s\u00e3o investigativas mas n\u00e3o s\u00e3o exatamente como a atual ci\u00eancia se estrutura. A filosofia \u00e9 um exemplo de investiga\u00e7\u00e3o, mas podemos notar que cada \u00e1rea da filosofia, e at\u00e9 mesmo cada fil\u00f3sofo, pode divergir de forma a investigar (embora exista a investiga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>O que ent\u00e3o distingue o trabalho do cientista? O m\u00e9todo empregado na ci\u00eancia. Embora esse m\u00e9todo possa ser multifacetado, variando conforme cada ci\u00eancia, ele possui pontos tang\u00edveis que se relacionam com as imagens de natureza e de ci\u00eancias estabelecidas (como j\u00e1 afirmei em outros artigos).<\/p>\n<p>O m\u00e9todo ent\u00e3o permite um foco de pesquisa. Esse foco impede que a pr\u00e1tica destoe. Isso permite uma pesquisa em um ponto espec\u00edfico, mas n\u00e3o impede a criatividade. Se enxergarmos as teorias como cria\u00e7\u00f5es (existem vis\u00f5es diferentes do que s\u00e3o teorias, mas podemos adotar este ponto de vista) \u00e9 perfeitamente plaus\u00edvel notarmos, mesmo com um m\u00e9todo seguido na ci\u00eancia, uma infinidade de possibilidades de teorias sobre um mesmo ponto ou aspecto.<\/p>\n<p>Assim, se formos falseacionistas, talvez somos levados a pensar que essas teorias ser\u00e3o testadas por observa\u00e7\u00f5es diretas ou indiretas em outras teorias. Uma teoria que passa em tais testes \u00e9 CORROBORADA e, por isso, n\u00e3o \u00e9 tomada como VERDADE. Assim assume-se que sua verossimilhan\u00e7a com o que pode ser real \u00e9 muito pr\u00f3ximo, mas n\u00e3o garante que seja verdade absoluta, pois pode ser falseada a qualquer momento. A garantia l\u00f3gica de uma corrobora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa de dizer que ela, a teoria, \u00e9 assim na realidade (sempre poder\u00e1 ser falseada ou ter hip\u00f3teses auxiliares falseadas, modificando a teoria).<\/p>\n<p>Parece que dessa forma, portanto, \u00e9 dif\u00edcil sabermos como \u00e9 realmente e fielmente a realidade, mas parece que a cada momento de m\u00e9todo aplicado nos aproximamos, mesmo que em algum grau de erro, dela. Mas sem toc\u00e1-la com toda sua extens\u00e3o.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o de uma teoria, seu falseamento, tamb\u00e9m nos fala de como a realidade \u00e9 &#8211; na verdade de como n\u00e3o o \u00e9 &#8211; e isso \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Sabermos como as coisas s\u00e3o, com escalas de erro e aproxima\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma tarefa muito dif\u00edcil e herc\u00falea, do qual a ci\u00eancia se aplica. E o m\u00e9todo \u00e9 unicamente um instrumento para esse fim.<\/p>\n<p>Olhando por este ponto de vista, o m\u00e9todo n\u00e3o \u00e9 um restritor de criatividade, mas sim um prumo para que nossa criatividade seja em pensar em conson\u00e2ncia do que as coisas s\u00e3o e n\u00e3o divagar apenas.<\/p>\n<p>Alguns leitores me perguntar\u00e3o: e por que o t\u00edtulo do artigo? Ora, creio que aquilo do qual podemos conhecer \u00e9 muito ligado em como podemos conhecer: e nesse ponto, o m\u00e9todo \u00e9 figura essencial, mesmo que seja para conhecermos a passos do que s\u00e3o as coisas em graus de acerto e erro.<\/p>\n<p>M\u00e9todo tem sua origem no idioma grego e seu significado est\u00e1 estritamente ligado com o verbete &#8220;caminho&#8221;. Portanto, assumo que usar um m\u00e9todo, no caso da ci\u00eancia, (o m\u00e9todo cient\u00edfico) \u00e9 ter um instrumental investigativo para aquilo que estiver na possibilidade de conhecermos &#8211; daquilo do que podemos conhecer.<\/p>\n<p><em>Arnaldo Vasconcellos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O 2026: Este artigo foi um ensaio introdut\u00f3rio, publicado originalmente em 2009 e pode n\u00e3o corresponder em sua totalidade na posi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do autor na atualidade) Outro dia estava eu conversando com um amigo meu. Nessa conversa abordei o trabalho do cientista apoiado num m\u00e9todo, (que n\u00e3o significa necessariamente restringir o conte\u00fado criativo do mesmo)&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[30,33,9,13,25],"tags":[72,74,126,149,152,176,323],"class_list":["post-345","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cognoscibilidade","category-epistemologia","category-filosofia","category-gerais","category-teoria-do-conhecimento","tag-ciencia","tag-cognoscibilidade","tag-epistemologia","tag-filosofia","tag-filosofia-da-ciencia","tag-hipoteses-auxiliares","tag-teoria-do-conhecimento"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=345"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2943,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/345\/revisions\/2943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}