{"id":500,"date":"2010-03-05T04:00:43","date_gmt":"2010-03-05T07:00:43","guid":{"rendered":"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=500"},"modified":"2026-11-05T01:46:09","modified_gmt":"2026-11-05T04:46:09","slug":"o-que-e-entao-o-criacionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/2010\/03\/05\/o-que-e-entao-o-criacionismo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 ent\u00e3o o criacionismo?"},"content":{"rendered":"<p><strong>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O 2026: Esse artigo foi publicado em 2010 e pode n\u00e3o corresponder em sua totalidade a posi\u00e7\u00e3o atual do autor, bem como ter links e dados desatualizados. H\u00e1 tamb\u00e9m passagens na conclus\u00e3o que precisaram de notas para manter a ideia b\u00e1sica do artigo, assim como para tamb\u00e9m apontar minhas novas posi\u00e7\u00f5es sobre o assunto).<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" title=\"A Cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/7\/73\/God2-Sistine_Chapel.png\" alt=\"A Cria\u00e7\u00e3o de Ad\u00e3o - Afresco de Michelangelo Buonarroti - Capela Sistina\" width=\"315\" height=\"162\" \/><\/p>\n<p><strong>E<\/strong>ste artigo \u00e9 uma resposta ao artigo: &#8220;<a href=\"http:\/\/www.outraleitura.com.br\/web\/artigo.php?artigo=44:O_que_o_criacionismo_nao_e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o que o criacionismo n\u00e3o \u00e9?<\/a>&#8221; (1).<\/p>\n<p>Durante conversas com um colega, foi feita a sugest\u00e3o que eu fizesse uma leitura do referido artigo de Michelson. A leitura serviria como uma permuta de an\u00e1lise de artigos.<\/p>\n<p>O artigo <strong>O que o criacionismo n\u00e3o \u00e9<\/strong>, escrito por Michelson Borges, estabelece que no ano de Darwin (2009) a teoria da evolu\u00e7\u00e3o estaria sofrendo ataques, alguns bem fundamentados e outros n\u00e3o. Embora n\u00e3o exponha largamente no artigo quais seriam todas as supostas cr\u00edticas bem fundamentadas ao evolucionismo\u00a0 &#8211; o foco do artigo n\u00e3o \u00e9 falar sobre evolucionismo, mas sobre o que o criacionismo n\u00e3o pode ser considerado. O autor diz o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p>Todos sairiam ganhando se se deixassem de lado motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas e fossem verificados &#8211; sob o melhor rigor cient\u00edfico &#8211; os fatos e em que aspectos eles favorecem esse ou aquele modelo. (Borges, M. <em>In: <\/em><a href=\"http:\/\/www.outraleitura.com.br\/web\/artigo.php?artigo=44:O_que_o_criacionismo_nao_e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o que o criacionismo n\u00e3o \u00e9?<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n<p>Concordando com suas palavras acerca da suspens\u00e3o dos valores ideol\u00f3gicos, efetuando uma esp\u00e9cie de suspens\u00e3o aos meus valores creditados tentarei ser o mais anal\u00edtico poss\u00edvel quanto ao artigo e alguns coment\u00e1rios acerca do mesmo.<\/p>\n<p>O autor do artigo, logo deixa claro qual ser\u00e1 sua abordagem. Ir\u00e1 mostrar o que, supostamente, o criacionismo n\u00e3o \u00e9:<\/p>\n<blockquote><p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio desfazer alguns mal entendidos repetidos por gente que adora uma boa pol\u00eamica. Eis alguns deles: (idem)<\/p><\/blockquote>\n<p>O autor, portanto inicia suas explica\u00e7\u00f5es, clareando melhor acerca do que <em>n\u00e3o \u00e9 criacionismo<\/em>, sob sua vis\u00e3o.<\/p>\n<p>Coloco que \u00e9 <em>sob sua vis\u00e3o<\/em> pois lendo com cuidado notei que certas explica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o totalmente eficazes para salvar o criacionismo como teoria plenamente cient\u00edfica. De um \u00e2mbito geral o artigo \u00e9 bem escrito, tem um esp\u00edrito que n\u00e3o me parece enganoso, pois parece esclarecer sobre o criacionismo, mas efetivamente est\u00e1 envolto numa vis\u00e3o de mundo determinado.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n    <div style=\"text-align: center; margin: 15px 0;\">\n        <script type=\"text\/javascript\"><!--\n        google_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\n        \/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\n        google_ad_slot = \"5836344936\";\n        google_ad_width = 250;\n        google_ad_height = 250;\n        \/\/-->\n        <\/script>\n        <script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/googlesyndication.com\"><\/script>\n    <\/div><\/p>\n<p>O autor lista alguns mal entendidos sobre o criacionismo (segundo o mesmo) e esclarece sobre cada um. O primeiro deles \u00e9 o que diz que o &#8220;criacionismo \u00e9 anticient\u00edfico&#8221;. Acompanhe as palavras de Michelson:<\/p>\n<blockquote><p>Para Earl Aagaard, professor de Biologia da Universidade Adventista do Sul, em Collegedale, Tennessee, EUA, a fonte de disc\u00f3rdia reside em especula\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. &#8220;Os crist\u00e3os em geral, e os adventistas em particular, t\u00eam muito pouca dificuldade com os resultados emp\u00edricos da ci\u00eancia&#8221;, diz Aagaard. &#8220;As disputas (&#8230;) se manifestam no lado hist\u00f3rico das coisas &#8211; em Arqueologia, Paleontologia, Geologia, etc., onde o procedimento consiste em coligir dados e ent\u00e3o narrar uma hist\u00f3ria para explic\u00e1-los.&#8221; (Idem)<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse trecho o autor cita Earl Aagaard e existe uma clara inten\u00e7\u00e3o em deixar a discuss\u00e3o como apenas possibilidades interpretativas do problema, pois nesta cita\u00e7\u00e3o fica clara que a quest\u00e3o \u00e9 como coligir os dados e trat\u00e1-los historicamente.<\/p>\n<p>Em seguida, o autor cita outro senhor, Nahor Neves que teria criado um resumo esquem\u00e1tico das seguintes \u00e1reas: evolucionismo, criacionismo e <em>design inteligente<\/em> (mais a frente questiono a proposta &#8220;extratora&#8221; de tentar considerar o <em>design inteligente <\/em>como algo n\u00e3o criacionista).<\/p>\n<p>O trecho \u00e9 este:<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"http:\/\/michelsonentrevistas.blogspot.com\/2008\/10\/novo-flego-criacionista.html\">Nahor Neves de Souza Jr.<\/a> \u00e9 ge\u00f3logo e doutor em engenharia pela USP. Como professor e pesquisador universit\u00e1rio, nos \u00faltimos 26 anos (metade deles dedicados ao ensino e \u00e0 pesquisa em duas conceituadas universidades, USP e Unesp), ele tem procurado conhecer em profundidade os tr\u00eas modelos principais: evolucionismo, criacionismo e a teoria do design inteligente. Esse estudo espec\u00edfico e comparativo o induziu a buscar defini\u00e7\u00f5es mais precisas e epistemologicamente mais corretas para os modelos em quest\u00e3o. Ele elaborou um esquema bastante sint\u00e9tico, mas esclarecedor, a respeito dos tr\u00eas paradigmas:<\/p>\n<p>Evolucionismo = conhecimento cient\u00edfico + naturalismo filos\u00f3fico<br \/>\nCriacionismo = conhecimento cient\u00edfico + teologia b\u00edblica<br \/>\nDesign inteligente = conhecimento cient\u00edfico + argumento teleol\u00f3gico (idem)<\/p><\/blockquote>\n<p>Ora, a primeira coisa que saltou-me \u00e0s vistas neste esquema \u00e9 a sua simplifica\u00e7\u00e3o.\u00a0 Outro fato patente \u00e9 de utilizar para os tr\u00eas a seguinte f\u00f3rmula: &#8220;conhecimento cient\u00edfico + x&#8221;. Conhecimento cient\u00edfico \u00e9 tratado nesse esquema como uma constante.<\/p>\n<p>Estranho em seguida o autor trata que cada tema (evolucionismo, criacionismo) como paradigmas, mas parece esquecer que &#8220;paradigma&#8221; orienta tamb\u00e9m, na vis\u00e3o do fil\u00f3sofo Thomas Kuhn (um dos respons\u00e1veis pela inser\u00e7\u00e3o do verbete paradigma em teoria da ci\u00eancia) o que neste esquema \u00e9 tratado como &#8220;conhecimento cient\u00edfico&#8221;.<\/p>\n<p>O que seria ent\u00e3o este conhecimento cient\u00edfico que o sr. Nahor Neves diz e Michelson endossa? O que ent\u00e3o orientaria algo a ser &#8220;cient\u00edfico&#8221;?<\/p>\n<p>Portanto, para o autor parece ficar claro que o evolucionismo, criacionismo etc n\u00e3o s\u00e3o teorias cient\u00edficas, pois seriam teorias com um suposto cunho metaf\u00edsico somado a conte\u00fados cient\u00edficos.<\/p>\n<blockquote><p>NOTA MINHA: Embora o conte\u00fado cient\u00edfico seja baseado em paradigmas, <a href=\"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=194\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segundo Kuhn<\/a>, e portanto tenha imagens t\u00e1citas de natureza e ci\u00eancia, <a href=\"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=143\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como abordamos em outros artigos<\/a>, essas imagens orientam o m\u00e9todo seja em ontologias ou epistemologias t\u00e1citas. J\u00e1 no esquema apresentado parece existir uma constante &#8216;conhecimento cient\u00edfico&#8217; somado a uma metaf\u00edsica, o que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo das imagens t\u00e1citas por um simples motivo: as imagens de natureza\/ci\u00eancia, embora de cunho &#8220;metaf\u00edsico&#8221;, orientam j\u00e1 o que \u00e9 <strong>conhecimento cient\u00edfico<\/strong> e determinam o seu m\u00e9todo. Assim a f\u00f3rmula n\u00e3o seria uma soma de constante &#8220;conhecimento cient\u00edfico&#8221; + concep\u00e7\u00e3o &#8216;metaf\u00edsica&#8217;. Esse seria um erro estrutural da formula\u00e7\u00e3o apresentada. [FIM DA NOTA]<\/p><\/blockquote>\n<p>Podemos notar mais claramente esta posi\u00e7\u00e3o do autor, de que n\u00e3o s\u00e3o teorias cient\u00edficas, no seguinte par\u00e1grafo:<\/p>\n<blockquote><p>Esse esquema ajuda a compreender que os tr\u00eas modelos t\u00eam um componente cient\u00edfico e outro metaf\u00edsico. Segundo Nahor, &#8220;qualquer paradigma que busca compreender eventos pret\u00e9ritos \u00fanicos e irreproduz\u00edveis (cientificamente n\u00e3o test\u00e1veis ou n\u00e3o false\u00e1veis), utilizar\u00e1, necessariamente, argumentos cient\u00edficos e metaf\u00edsicos na constru\u00e7\u00e3o de modelos. Ou seja, os tr\u00eas paradigmas considerados [existem outros, como o criacionismo isl\u00e2mico, o criacionismo progressivo, o evolucionismo pante\u00edsta, o evolucionismo te\u00edsta, etc.] podem, genericamente, ser assim definidos: uma associa\u00e7\u00e3o entre conhecimentos cient\u00edficos e conhecimentos metaf\u00edsicos. <strong>Portanto, nenhum desses paradigmas (ou estruturas conceituais) deveria ser traduzido como uma teoria cient\u00edfica (ou seja, um conjunto conciso de afirma\u00e7\u00f5es que explicam um conjunto abrangente de fen\u00f4menos, na defini\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Urias Takatohi).<\/strong> Da mesma forma, o evolucionismo n\u00e3o deveria ser confundido com filosofia (ou naturalismo filos\u00f3fico), bem como o criacionismo n\u00e3o seria sin\u00f4nimo de religi\u00e3o (ou conhecimento b\u00edblico)&#8221;.(Borges, M. <em>In: <\/em><a href=\"http:\/\/www.outraleitura.com.br\/web\/artigo.php?artigo=44:O_que_o_criacionismo_nao_e\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o que o criacionismo n\u00e3o \u00e9?<\/a>). [Grifo meu].<\/p><\/blockquote>\n<p>Entretanto, nesse mesmo par\u00e1grafo o argumento que retira o car\u00e1ter de teoria cient\u00edfica aos tr\u00eas elementos apresentados, \u00e9 utilizado para, sutilmente, tentar retirar o criacionismo do sin\u00f4nimo de religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica \u00e9 interessante, mas \u00e9 preciso deixar mais claro: afinal o evolucionismo \u00e9 cient\u00edfico ou n\u00e3o para o autor? E os outros temas como o <em>design inteligente <\/em>e o criacionismo, s\u00e3o cient\u00edficos ou participam do mesmo crit\u00e9rio do autor?<\/p>\n<p>Algo interessante para se salientar \u00e9 que a cita\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Urias Takatohi que teoria cient\u00edfica seria &#8220;um conjunto conciso de afirma\u00e7\u00f5es que explicam um conjunto abrangente de fen\u00f4menos&#8221; poderia ser classificada, sob a mesma \u00f3tica do esquema, como algo &#8220;naturalista&#8221;. Pelo menos no contexto empregado \u00e9 apenas isso que podemos extrair desta frase.<\/p>\n<p>Outro ponto relevante \u00e9 o que se extrai das palavras de Nahor: para ele, ao analisar eventos pret\u00e9ritos, deduz<strong> que s\u00e3o imposs\u00edveis (para ele) de serem testados. <\/strong>Nahor argumenta que h\u00e1 na descri\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica uma impossibilidade de <em>teste<\/em> e, por isso, n\u00e3o se pode atribuir um elemento de falseabilidade. E nesse ponto pode-se entrar um outro problema relacionado ao bin\u00f4mio testabilidade\/observa\u00e7\u00e3o: essa \u00e9, na melhor das hip\u00f3teses, uma postura com uma imagem de natureza t\u00e1cita naturalista, pois a testabilidade e a observa\u00e7\u00e3o compreendem testes\/observa\u00e7\u00f5es de elementos presentes e\/ou explic\u00e1veis numa dada natureza. Mas neste ponto \u00e9 que mora o cerne da quest\u00e3o: Michelson disse que nenhum dos &#8220;paradigmas&#8221; apresentados podem ser concebidos como uma teoria cient\u00edfica dentro dessa defini\u00e7\u00e3o de teoria cient\u00edfica. Ora se a defini\u00e7\u00e3o apresentada de teoria cient\u00edfica \u00e9 empregada de uma forma naturalista (no sentido que a natureza ser\u00e1 explicada por base em processos naturais ) como que uma f\u00f3rmula do tipo &#8220;conhecimento cient\u00edfico + naturalismo filos\u00f3fico&#8221; n\u00e3o pode ser empregado como ci\u00eancia? O evolucionismo n\u00e3o se prop\u00f5e a explicar um fen\u00f4meno (origem das esp\u00e9cies) ou um conjunto deles? Sim, o evolucionismo explica com bases naturais o surgimento das esp\u00e9cies. Entendam que estou enfatizando que se formos utilizar o esquema apresentado e o crivo do que \u00e9 &#8220;teoria cient\u00edfica&#8221; apresentada no artigo de Michelson podemos sim considerar o evolucionismo uma teoria cient\u00edfica. <strong>Se certa ou errada \u00e9 outra an\u00e1lise<\/strong>.<\/p>\n<p>Para deixar ainda um pouco melhor a discuss\u00e3o, sugiro a leitura do verbete &#8220;<a href=\"http:\/\/books.google.com.br\/books?id=aOsOq8UfSwIC&amp;lpg=PA1613&amp;dq=ferrater%20mora&amp;client=firefox-a&amp;pg=PA2045#v=onepage&amp;q=naturalismo&amp;f=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Naturalismo<\/a>&#8221; no <em>Dicion\u00e1rio de Filosofia<\/em>, de Ferr\u00e1ter Mora. L\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel encontrar a defini\u00e7\u00e3o <em>lato sensu <\/em>(palavra, inclusive, de m\u00faltiplas sutilezas de defini\u00e7\u00f5es)<em>:<\/em><\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) atitude filos\u00f3fica, ou a doutrina filos\u00f3fica, (&#8230;), que avaliam ser a Natureza e as coisas que nela h\u00e1 as \u00fanicas realidades existentes. (&#8230;) [NOTA: o <em>link<\/em> n\u00e3o possui o livro completo. Favor ver livro f\u00edsico].<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar explica\u00e7\u00f5es sobre pseudonaturalismo etc. No entanto, para fins de estudo nos deteremos na defini\u00e7\u00e3o <em>lato sensu <\/em>e suas varia\u00e7\u00f5es (mas confesso que a discuss\u00e3o do tema \u00e9 interessant\u00edssima, o suficiente para desmascarar a igualdade que alguns criacionistas p\u00f5em entre naturalismo, materialismo e ate\u00edsmo, dentre outras coisas &#8211; mas isto \u00e9 campo para outro poss\u00edvel artigo).<\/p>\n<p>Voltando aos outros &#8220;paradigmas&#8221; que Michelson cita <em>en passant<\/em>, como o evolucionismo te\u00edsta ou o pante\u00edsta, percebemos que n\u00e3o s\u00e3o abordados no esquema. Mas imagino que o evolucionismo pante\u00edsta seria na dada form\u00fala &#8220;conhecimento cient\u00edfico + naturalismo filos\u00f3fico + pante\u00edsmo&#8221;. Ou ainda o te\u00edsta &#8220;conhecimento cient\u00edfico + naturalismo filos\u00f3fico + te\u00edsmo&#8221;. Nesses esquemas n\u00e3o fica claro que existem pontos que se anulam ao unirmos mais de um desses elementos (at\u00e9 porque um evolucionista te\u00edsta deveria excluir alguns preceitos do suposto naturalismo; se formos seguir a l\u00f3gica de que esses paradigmas s\u00e3o todos enquadrados numa mesma categoria).<\/p>\n<p>Aparentemente a classifica\u00e7\u00e3o do esquema \u00e9 muito simplista e como abordado no par\u00e1grafo anterior n\u00e3o deixam claro se com a soma de &#8220;paradigmas&#8221; podem haver perdas de caracter\u00edsticas entre si ou se todas s\u00e3o somas que apenas acrescentam caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>A simplicidade do esquema a meu ver esconde uma riqueza muito maior. Fa\u00e7o a seguinte divis\u00e3o que \u00e9 um tanto instrumentalista, mas creio funcionar bem: teorias cient\u00edficas s\u00e3o instrumentos. Se eu sou um cientista que utiliza o evolucionismo e contribuo descrevendo compara\u00e7\u00f5es entre prote\u00ednas de diversas esp\u00e9cies estou publicando e trabalhando sobre a teoria cient\u00edfica, que \u00e9 o evolucionismo moderno, estou aperfei\u00e7oando o cabedal instrumental que a teoria representa para entendermos a natureza. Entretanto, se debru\u00e7o sobre essa teoria e analiso filosoficamente sobre a possibilidade de que uma cren\u00e7a espec\u00edfica (no caso poderia estar a me referir na cren\u00e7a em Deus) estar relacionada com a teoria n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma teoria cient\u00edfica &#8211; isso significa que seu eu sou um evolucionista e decido tomar uma posi\u00e7\u00e3o chamada de &#8220;evolucionismo te\u00edsta&#8221;, aceitando que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o exclui a minha cren\u00e7a em Deus, eu n\u00e3o estou praticando ci\u00eancia (e nem aperfei\u00e7oando a teoria da evolu\u00e7\u00e3o), mas sim estarei aceitando e praticando uma posi\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica, de como encaro os magist\u00e9rios da ci\u00eancia que pratico para com os da religi\u00e3o que posso vir a acreditar. Deixe explicar melhor: se um dado cientista que publica de forma s\u00e9ria e regular artigos evolucionistas tratando do ponto em que a aleatoriedade \u00e9 ponto poss\u00edvel para engendrar multiplicidade em esp\u00e9cies, ele est\u00e1 trabalhando com uma teoria cient\u00edfica. Agora se o mesmo cientista acredita em Deus e acredita que a aleatoriedade pode ser &#8220;instrumento&#8221; de Deus executar tal feito est\u00e1 fazendo um uso instrumental da teoria cient\u00edfica com base em sua cren\u00e7a. Esse \u00faltimo seria considerado um pensamento evolucionista te\u00edsta, mas nem por isso seria ci\u00eancia &#8211; o escopo destas duas s\u00e3o diferentes. E tal cientista hipot\u00e9tico poderia, inclusive, saber separar uma proposta da outra, mesmo que em sua cren\u00e7a pessoal mantenha uma suposta unidade.<\/p>\n<p>Imaginemos outro caso. Estev\u00e3o \u00e9 um cientista. \u00c9 f\u00edsico. Trabalha com a teoria de m\u00faltiplas dimens\u00f5es. Se em seu \u00edntimo acredita que outras dimens\u00f5es podem ser habitadas por anjos, n\u00e3o \u00e9 essa \u00faltima cren\u00e7a uma teoria cient\u00edfica &#8211; n\u00e3o \u00e9 false\u00e1vel e n\u00e3o \u00e9 coerente com outras inst\u00e2ncias false\u00e1veis. Humanos podem fazer ci\u00eancia e podem facilmente pensar sobre ci\u00eancia utilizando seus produtos com suas cren\u00e7as. Isso porque n\u00f3s humanos possu\u00edmos uma capacidade concatenadora de ideias muito grande (que nem sempre corresponder\u00e3o necessariamente \u00e0 realidade, entretanto \u00e9 uma caracter\u00edstica muito peculiar). Se Estev\u00e3o publica sua teoria de m\u00faltiplas dimens\u00f5es e coloca seus ideais de anjos no meio, n\u00e3o poder\u00e1 provar essa \u00faltima inst\u00e2ncia. Ele n\u00e3o ter\u00e1 compreendido as dimens\u00f5es distintas do seu trabalho e de sua f\u00e9 \u00edntima.<\/p>\n<p>A teoria \u00e9 mais um produto cient\u00edfico e portanto analiso que os supostos &#8220;paradigmas&#8221; citados por Michelson n\u00e3o s\u00e3o realmente teorias cient\u00edficas, pois n\u00e3o s\u00e3o false\u00e1veis. Embora o crivo usado por Michelson (do que \u00e9 teoria cient\u00edfica) parece n\u00e3o se aplicar devidamente ao evolucionismo. Se tentar aplicar mesmo assim o esquema falha brutalmente. O evolucionismo \u00e9 teoria, mas tamb\u00e9m pode ser usado como um &#8220;paradigma&#8221; que orienta pensamentos e conclus\u00f5es filos\u00f3ficas (em <em>lato sensu<\/em>, conforme a capacidade concatenadora que afirmei acima, e isso pode acontecer em qualquer teoria). Entendam, <em>pode<\/em> ser usado. Toda teoria cient\u00edfica <em>pode<\/em> ser usada; em \u00faltima inst\u00e2ncia quero afirmar que s\u00e3o us\u00e1veis. O fato de que podemos usar como paradigma de nossas conclus\u00f5es n\u00e3o demonstra que seja a melhor forma de fazer uso. N\u00e3o \u00e9 incomum muitas deturpa\u00e7\u00f5es aos usos deste tipo (inclusive o surgimento de pseudoci\u00eancias com este tipo de uso), mas tamb\u00e9m \u00e9 interessante a multiplicidade de ideias que se podem surgir com tal ato. Entretanto, n\u00e3o podemos confundir uma coisa com outra. <strong>\u00c9 necess\u00e1rio deixar as coisas claras neste \u00e2mbito.<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma forma uma cr\u00edtica endere\u00e7ada a um paradigma desses n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica direta a uma teoria cient\u00edfica. \u00c9 no m\u00e1ximo uma cr\u00edtica externa \u00e0 teoria. Criticar um ideal evolucionista pante\u00edsta \u00e9 em \u00faltima an\u00e1lise criticar a pr\u00f3pria ideia de pante\u00edsmo orientada por uma vis\u00e3o evolucionista. N\u00e3o \u00e9 aplic\u00e1vel \u00e0 teoria da evolu\u00e7\u00e3o em si. Teorias cient\u00edficas devem ser criticadas a n\u00edvel de teoria (e esse \u00e9 um ponto que repito muito em minhas conversas).<\/p>\n<p>Inclusive ideais que usam teorias cient\u00edficas s\u00e3o\u00a0 numerosos: um ideal de evolucionismo te\u00edsta poderia incorporar facilmente ideais de <em>design inteligente<\/em> e criacionistas (se considerar que a aleatoriedade pode ser um instrumental de uma intelig\u00eancia seja exterior ou interior &#8211; no caso do pante\u00edsmo), e esse fato n\u00e3o faz com que o evolucionismo te\u00edsta (ou o pante\u00edsta) seja mais teoria cient\u00edfica do que o criacionismo: ambos s\u00e3o interpreta\u00e7\u00f5es de f\u00e9.<\/p>\n<p>Entretanto Michelson parece saber disso, (<em>que teorias devem ser criticadas a n\u00edvel de teoria<\/em>); coisa que pode ser esclarecida na seguinte passagem:<\/p>\n<blockquote><p>O &#8220;ano de Darwin&#8221; ainda promete muita discuss\u00e3o mal focalizada. Os mal entendidos continuar\u00e3o sendo impressos e veiculados por parte de pessoas que recusam se enfronhar no \u00e2mago da quest\u00e3o. Que os criacionistas n\u00e3o repitam esse erro. <strong>Grande parte deles n\u00e3o conhece muita coisa sobre as teorias evolucionistas e tenta combat\u00ea-las, o que torna normalmente seus argumentos frouxos e falaciosos. <\/strong>[Grifo meu].<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa passagem \u00e9 digna de ser pin\u00e7ada, porque \u00e9 de fato concili\u00e1vel com a vis\u00e3o que \u00e9 necess\u00e1rio conhecer aquilo que se direcionar\u00e1 a cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Mas, voltando \u00e0s classes de paradigmas, at\u00e9 ent\u00e3o Michelson n\u00e3o deixa claro se aplica \u00e0 todas as classes, como paradigmas de ideias ou se s\u00e3o realmente ci\u00eancia. Ou seja, n\u00e3o deixa claro se entende como estruturas cient\u00edficas ou se apenas como ideias mais amplas de ci\u00eancia. Apesar de sabiamente indicar que uma cr\u00edtica deva ser a n\u00edvel de teoria (como eu muito falo nos <em>blogs <\/em>que visito) o autor n\u00e3o deixa claro sua posi\u00e7\u00e3o aos supostos paradigmas apresentados (se todos n\u00e3o podem ser teoria cient\u00edfica, ou se uma ou outra o \u00e9).<\/p>\n<p><strong>O fixismo<\/strong><\/p>\n<p>Em seguida no artigo, o autor ir\u00e1 trabalhar com a afirma\u00e7\u00e3o de que os criacionistas s\u00e3o fixistas. No texto diz o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p>Essa \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o t\u00e3o incorreta quanto aquela que diz ser o homem descendente do macaco (os darwinistas geralmente n\u00e3o afirmam isso). Os criacionistas bem informados entendem que Deus dotou os seres vivos da capacidade de varia\u00e7\u00e3o, o que lhes permite sobreviver em ambientes diferenciados. A isso chamam de &#8220;microevolu\u00e7\u00e3o&#8221;, ou &#8220;diversifica\u00e7\u00e3o de baixo n\u00edvel&#8221;, nas palavras do bi\u00f3logo e diretor do Geoscience Research Institute, <a href=\"http:\/\/michelsonentrevistas.blogspot.com\/2009\/03\/o-criacionismo-no-ano-de-darwin.html\">Dr. James Gibson<\/a>.<\/p>\n<p>Para o Dr. Aagaard, &#8220;se as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o fossem capazes de \u2018evoluir&#8217; em resposta ao fato de o clima tornar-se mais seco, ou mais frio, ou quaisquer outras mudan\u00e7as que t\u00eam ocorrido, ent\u00e3o a extin\u00e7\u00e3o total seria o prov\u00e1vel resultado&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, segundo a vis\u00e3o criacionista, Deus criou os tipos b\u00e1sicos (&#8220;esp\u00e9cies&#8221;) de seres vivos e eles &#8220;evolu\u00edram&#8221; de forma mais ou menos limitada (a tal &#8220;\u00e1rvore da vida&#8221; proposta por Darwin estaria para os criacionistas mais para um &#8220;gramado&#8221;). Extrapolar e dizer que todos os seres vivos descendem de um mesmo ancestral unicelular comum (&#8220;macroevolu\u00e7\u00e3o&#8221;), isso, sim, embora teoricamente plaus\u00edvel, n\u00e3o tem sido empiricamente demonstr\u00e1vel.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar do exposto pelo autor, na hist\u00f3ria dos movimentos criacionistas existiram sim pessoas com pensamento fixista (seja por interpreta\u00e7\u00e3o literal da b\u00edblia, ou por desconhecimento da teoria que querem previamente atacar). \u00c9 um fato que um levantamento hist\u00f3rico sobre o pensamento criacionista pode demonstrar.<\/p>\n<p>Mesmo assim a afirma\u00e7\u00e3o do autor \u00e9 relevante. N\u00e3o podemos generalizar e colocar todos criacionistas no mesmo saco e falar que &#8220;s\u00e3o fixistas&#8221;. Existe uma multiplicidade enorme nos movimentos criacionistas e alguns deles realmente aceitam preceitos de microevolu\u00e7\u00e3o. Mas ser\u00e1 que aceitar a microevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente deixar de ser totalmente fixista? Ser\u00e1 que a ideia do fixismo \u00e9 totalmente abandonada? Pois bem, se por outro lado interpretarmos o fixismo de um modo mais <em>stricto sensu,<\/em> veremos que ser fixista pode ser algu\u00e9m que n\u00e3o aceita mudan\u00e7a <strong><em>de<\/em><\/strong> esp\u00e9cie (e n\u00e3o apenas mudan\u00e7a <strong><em>na <\/em><\/strong>esp\u00e9cie). Dessa feita, aceitar microevolu\u00e7\u00e3o em detrimento da macroevolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um tipo, mesmo que gradual, de fixismo. \u00c9 um fixismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 uma evolu\u00e7\u00e3o macro, embora se aceite uma &#8220;micro&#8221;.<\/p>\n<p>Mas se interpretarmos fixismo como aus\u00eancia de mudan\u00e7a, de forma completa, podemos concluir que realmente existem criacionistas que n\u00e3o se encaixam no termo. De qualquer forma, parece haver uma grada\u00e7\u00e3o da doutrina fixista. E dentro desta grada\u00e7\u00e3o \u00e9 importante lembrar que j\u00e1 existiram e podem ainda existir alguns criacionistas participantes do fixismo <em>stricto sensu<\/em> e j\u00e1 existiram e podem ainda existir participantes do fixismo <em>lato sensu,<\/em> visto que o movimento criacionista \u00e9 diversificado.<\/p>\n<blockquote><p>(<strong>NOTA DE ATUALIZA\u00c7\u00c3O EM 2026:\u00a0<\/strong>Outro ponto, no m\u00ednimo curioso, \u00e9 que o texto de Michelson endossa a cren\u00e7a que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia que organismos s\u00e3o descendentes de um \u00fanico indiv\u00edduo. Nesse aspecto seria interessante que ele definisse o que \u00e9 evid\u00eancia e como ele classifica as estruturas que os cientistas classificam como evid\u00eancia que compartilhamos um ancestral em comum: h\u00e1 dados relevantes que s\u00e3o compartilhados com seres bem diferentes na \u00e1rvore da vida, mas que na argumenta\u00e7\u00e3o de Michelson s\u00e3o desconsideradas em prol de uma met\u00e1fora ineficas [FIM DA NOTA]).<\/p><\/blockquote>\n<p>O que parece ser mais acertado em sua an\u00e1lise \u00e9 a tratativa de n\u00e3o generalizar. No entanto, querer extirpar o fato que alguns criacionistas participaram (ou ainda participam) do fixismo \u00e9 um pouco de exagero.<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o da <em>Wikip\u00e9dia<\/em> fixismo \u00e9:<\/p>\n<blockquote><p><strong>Fixismo<\/strong> era uma doutrina ou teoria filos\u00f3fica bem aceita no s\u00e9culo XVIII. O fixismo propunha na <a title=\"Biologia\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Biologia\">biologia<\/a> que todas as <a title=\"Esp\u00e9cie\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Esp%C3%A9cie\">esp\u00e9cies<\/a> foram criadas tal como s\u00e3o por poder <a title=\"Divindade\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Divindade\">divino<\/a>, e permaneceriam assim, imut\u00e1veis, por toda sua exist\u00eancia, sem que jamais <a title=\"Evolu\u00e7\u00e3o\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Evolu%C3%A7%C3%A3o\">ocorressem mudan\u00e7as significativas na sua descend\u00eancia<\/a>. Um dos maiores defensores do fixismo foi o naturalista franc\u00eas <a title=\"Georges Cuvier\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Georges_Cuvier\">Georges Cuvier<\/a>.<\/p>\n<p>O fixismo na <a title=\"Geologia\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Geologia\">geologia<\/a>, sustenta que os continentes teriam se mantido est\u00e1veis e fixos em seus lugares atuais atrav\u00e9s de toda hist\u00f3ria geol\u00f3gica. Essa corrente de pensamento antecede historicamente a teoria proposta por <a title=\"Alfred Wegener\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alfred_Wegener\">Alfred Wegener<\/a> em 1912, da <a title=\"Deriva continental\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Deriva_continental\">deriva contiental<\/a>, que prop\u00f5e que os continentes tenham se movido ao longo das eras. Atualmente a deriva contiental \u00e9 aceita na forma da teoria das <a title=\"Tect\u00f4nica de placas\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tect%C3%B4nica_de_placas\">tect\u00f4nica de placas<\/a>, mas o fixismo geol\u00f3gico persistiu sendo defendido por um consider\u00e1vel tempo at\u00e9 que o ac\u00famulo de evid\u00eancias eventualmente favoreceu a aceita\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da deriva continental. (FIXISMO. In: WIKIP\u00c9DIA, a enciclop\u00e9dia livre. Fl\u00f3rida: Wikimedia Foundation, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Fixismo&amp;oldid=16300360\" rel=\"nofollow\">http:\/\/pt.wikipedia.org\/w\/index.php?title=Fixismo&amp;oldid=16300360<\/a>&gt;. Acesso em: 3 mar. 2010).<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Criacionistas odeiam Darwin e a evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Seguindo a mesma linha da se\u00e7\u00e3o anterior, tamb\u00e9m parece ser for\u00e7oso extirpar todos os criacionistas de terem praticado um &#8220;\u00f3dio&#8221; ao criacionismo. \u00c9 sim poss\u00edvel que alguns fa\u00e7am debates motivados por um \u00f3dio. Ainda mais quando no desconhecimento da teoria est\u00e3o apenas para sustentar suas cren\u00e7as. E como j\u00e1 citado, existe uma passagem no texto que o autor assume que existem debates fora de foco, e portanto baseados em desconhecimento. Para esses \u00e9 plaus\u00edvel que, em face no desconhecimento parcial ou total, fa\u00e7am suas cr\u00edticas com um \u00f3dio. (NOTA 2026: Na \u00e9poca em que escrevi esse ensaio, lembro de debater em f\u00f3runs e blogs em que os proponentes criacionistas demonstravam profundo \u00f3dio, seja por desconhecimento ou por pura oposi\u00e7\u00e3o, ao evolucionismo [fim da nota]).<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 <strong>mais for\u00e7oso ainda<\/strong> querer classificar que todos eles devam necessariamente odiar (\u00e9 for\u00e7oso coloc\u00e1-los todos na mesma classifica\u00e7\u00e3o), pois parece que estar\u00edamos imputando uma infantiliza\u00e7\u00e3o no comportamento deles; e essa generaliza\u00e7\u00e3o sabemos ser err\u00f4nea (e parece que \u00e9 esse \u00faltimo pensamento de generaliza\u00e7\u00e3o que o autor combate acertadamente).<\/p>\n<p>O mais certo \u00e9, julgo, considerar que n\u00e3o precisa ser um \u00f3dio a motivar todos os criacionistas, embora alguns possam padecer deste item. N\u00e3o podemos generalizar que o que motiva todo o grupo classific\u00e1vel sob esse r\u00f3tulo seja o \u00f3dio; isso parece acertado, porque se \u00e9 um grupo extenso e m\u00faltiplo, como eles mesmo afirmam, devem ter m\u00faltiplas motiva\u00e7\u00f5es. Embora exista essa defesa, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esconder que na hist\u00f3ria houve a pr\u00e1tica de alguns que demonstravam estar no m\u00ednimo furiosos com o evolucionismo. Seria necess\u00e1rio um estudo hist\u00f3rico para definir quais grupos e quais motiva\u00e7\u00f5es de fato e quais a\u00e7\u00f5es que se tornaram colaterais (a f\u00faria exibida por alguns era a motiva\u00e7\u00e3o ou efeito secund\u00e1rio? \u00c9 necess\u00e1rio analisar).<\/p>\n<p>Mas, mesmo assim, n\u00e3o podemos generalizar. Talvez, na melhor interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, os que podem efetuar debates por \u00f3dio, fazem isso por equ\u00edvoco ou desconhecimento da teoria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O autor diz o seguinte:<\/p>\n<blockquote><p>Segundo o bi\u00f3logo <a href=\"http:\/\/michelsonentrevistas.blogspot.com\/2009\/02\/gazeta-do-povo-da-espaco-biologo.html\">Tarc\u00edsio da Silva Vieira<\/a>, mestre em Qu\u00edmica pela Universidade de Bras\u00edlia, professor universit\u00e1rio de Qu\u00edmica Org\u00e2nica e membro colaborador da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), simpatizantes do modelo criacionista que tenham tido forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica entendem a import\u00e2ncia da teoria da evolu\u00e7\u00e3o e reconhecem a contribui\u00e7\u00e3o dada por Darwin \u00e0 comunidade cient\u00edfica. &#8220;Entendemos que h\u00e1 aspectos no evolucionismo fundamentados, os quais s\u00e3o \u00fateis para a compreens\u00e3o de muitos fen\u00f4menos naturais, assim como para a interpreta\u00e7\u00e3o de dados. A esses aspectos nenhum criacionista que tenha forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica se op\u00f5e. Por\u00e9m, como em toda teoria, h\u00e1 alguns pontos no evolucionismo que n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis e devem ser questionados, seja por um cientista ou por um estudante de ci\u00eancias&#8221;, pondera.<\/p>\n<p>Os palestrantes da SCB deixam isso evidente no trabalho que v\u00eam realizando no Pa\u00eds. &#8220;Por isso&#8221;, diz Tarc\u00edsio, &#8220;quando escritores desprovidos de conhecimento do que \u00e9 o modelo criacionista afirmam que as teses defendidas pelos simpatizantes do criacionismo v\u00e3o contra o desenvolvimento de vacinas e antibi\u00f3ticos, ou mesmo contra o desenvolvimento cient\u00edfico, est\u00e3o sendo desonestos.&#8221;<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga <a href=\"http:\/\/criacionista.blogspot.com\/2008\/05\/o-material-que-veja-no-publicou.html\">M\u00e1rcia Oliveira de Paula<\/a>, doutora em microbiologia e presidente do N\u00facleo de Estudos das Origens (NEO), do Centro Universit\u00e1rio Adventista (Unasp, campus S\u00e3o Paulo), arremata dizendo que &#8220;a teoria da evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue explicar a origem da vida por processos naturais, a partir de mat\u00e9ria n\u00e3o viva; tamb\u00e9m n\u00e3o consegue explicar a origem da informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de sistemas irredutivelmente complexos; n\u00e3o consegue explicar o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, n\u00e3o consegue explicar a origem de novos \u00f3rg\u00e3os, sistemas de \u00f3rg\u00e3os e novos planos corporais. Em rela\u00e7\u00e3o ao registro f\u00f3ssil, a teoria da evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o consegue explicar a Explos\u00e3o Cambriana [surgimento repentino de formas de vida complexas no registro f\u00f3ssil]; e tamb\u00e9m n\u00e3o consegue explicar a falta de formas de transi\u00e7\u00e3o entre os principais grupos de organismos&#8221;.<\/p>\n<p>O que ocorre, de fato, \u00e9 que, como j\u00e1 visto, criacionistas se op\u00f5em a aspectos do darwinismo e n\u00e3o t\u00eam motivos para &#8220;odiar&#8221; Darwin &#8211; ou qualquer outro ser humano. Al\u00e9m do mais, o que a maioria das pessoas diz que Darwin disse ou \u00e9 lenda urbana, ou \u00e9 derivado da teoria darwinista, e n\u00e3o do pr\u00f3prio punho dele.<\/p><\/blockquote>\n<p>De qualquer forma, fica registrado o intuito do autor a esclarecer a abertura de um debate epistemol\u00f3gico, que julgo ser importante e que tamb\u00e9m defendo, que \u00e9 assumir, em outras palavras as limita\u00e7\u00f5es cient\u00edfica (e ao meu ver tamb\u00e9m a falibilidade humana) e discutir os pontos em que a teoria evolucionista possui supostas lacunas. Essa seria uma forma leg\u00edtima. Por\u00e9m, n\u00e3o vejo que esta abertura meta-cient\u00edfica, epistemol\u00f3gica, possa representar uma leg\u00edtima substitui\u00e7\u00e3o do evolucionismo pelo criacionismo. At\u00e9 porque o debate das limita\u00e7\u00f5es n\u00e3o fica somente em uma teoria; qualquer possibilidade humana de teorizar possui lacunas devido ao seu escopo de estudo (e isso n\u00e3o constitui argumento para sua inferioriza\u00e7\u00e3o, visto que uma ci\u00eancia ou teoria ter limites n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo em falhar em seu escopo &#8211; esse \u00faltimo sim \u00e9 motivo para troca, ver por exemplo a hist\u00f3ria do \u00e9ter).<\/p>\n<blockquote><p>(<strong>NOTA DE ATUALIZA\u00c7\u00c3O EM 2026: O que assumi como um embate epistemol\u00f3gico poss\u00edvel n\u00e3o \u00e9 em nenhuma inst\u00e2ncia aceitar que h\u00e1 possibilidade de substitui\u00e7\u00e3o de uma teoria consolidada e que tem boas estruturas explicativas e preditivas por concep\u00e7\u00f5es que se pretendem cient\u00edficas. Nesse aspecto n\u00e3o estou falando apenas de criacionismo, mas sob toda a classe de argumentos que sob a pauta que a ci\u00eancia est\u00e1 sob constru\u00e7\u00e3o tentam empurrar a sua pr\u00f3pria vis\u00e3o do que seria uma &#8220;teoria aceit\u00e1vel&#8221;. Em outras palavras, h\u00e1 um perigo presente no argumento que usa do fato da ci\u00eancia se construir todos os dias como forma de mostrar que deve haver uma substitui\u00e7\u00e3o pelos seus valores de cren\u00e7as. O embate epistemol\u00f3gico \u00e9 a n\u00edvel filos\u00f3fico e n\u00e3o deve ser a n\u00edvel de normatizar a pr\u00e1tica cient\u00edfica, reduzindo-a. A sele\u00e7\u00e3o de supostas lacunas como forma de argumento para uma substitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de uma tentativa for\u00e7ada de desmoralizar justamente onde a discuss\u00e3o filos\u00f3fica deveria ajudar a compreender a pr\u00e1tica cient\u00edfica [e n\u00e3o destru\u00ed-la em fun\u00e7\u00e3o da aceita\u00e7\u00e3o de um modelo que n\u00e3o parece ser de fato cient\u00edfico]. Hoje eu n\u00e3o escreveria dessa forma, mas talvez explicaria de outra forma sobre a inefic\u00e1cia dessa proposta de substitui\u00e7\u00e3o que aparece velado em diversos artigos criacionistas. Ainda mais diante da recente hist\u00f3ria de negacionismo cient\u00edfico enfrentado em nosso pa\u00eds durante a pandemia de Covid-19, onde argumentos utilizando termos de &#8220;paradigmas&#8221; se tornaram pedra fundamental para embasar a tentativa de desmoralizar a pr\u00e1tica cient\u00edfica. N\u00e3o digo isso apenas pela an\u00e1lise do artigo sobre o criacionismo, mas a toda sorte de argumentos que s\u00e3o de fundo religioso e pretendem substituir teorias vigentes como \u00e9 o caso da evolu\u00e7\u00e3o.[fim da nota]).<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Particularmente acho importante a discuss\u00e3o dos limites e escopos das ci\u00eancias e suas teorias (e por isto escrevo neste <em>blog<\/em>), mas isso n\u00e3o \u00e9 argumento suficiente para uma necess\u00e1ria substitui\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 abordado, visto que a pr\u00f3pria ci\u00eancia trabalha em retrabalhar seus tecidos te\u00f3ricos, <a href=\"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=405\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">at\u00e9 certo grau<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Criacionistas creem no Deus das lacunas<\/strong><\/p>\n<p>O autor afirma:<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Essa acusa\u00e7\u00e3o faz parecer que os criacionistas colocam Deus como explica\u00e7\u00e3o para todas as quest\u00f5es n\u00e3o respondidas em ci\u00eancia, dando a impress\u00e3o de que s\u00e3o pesquisadores acomodados.<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o necessariamente. Significa que existem pontos que, dentro de uma metodologia com explica\u00e7\u00e3o do natural esses assumem explica\u00e7\u00f5es sobrenaturais. Usam afirma\u00e7\u00f5es que podem ser tomadas como incompat\u00edveis com o m\u00e9todo empregado na ci\u00eancia em que est\u00e1 se trabalhando.<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;)Ao contr\u00e1rio disso, segundo Tarc\u00edsio, &#8220;investigar a natureza e fazer ci\u00eancia \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o deixada pelo pr\u00f3prio Deus ao ser humano. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9. Um cientista pante\u00edsta poderia afirmar que \u00e9 uma tarefa dada pela natureza. Um cientista antropocentrista poderia afirmar que \u00e9 uma tarefa que naturalmente existe em fun\u00e7\u00e3o de n\u00f3s humanos. Um outro cientista ateu pode afirmar que \u00e9 simplesmente uma tarefa de sua profiss\u00e3o. Da mesma forma um cientista de\u00edsta pode afirmar tamb\u00e9m ser uma tarefa de sua profiss\u00e3o. Um cientista x pode afirmar ser sua compet\u00eancia \u00e9tica. A afirma\u00e7\u00e3o pin\u00e7ada do artigo de Michelson \u00e9 de cunho religioso e n\u00e3o procede para explicar o porque o criacionista n\u00e3o cr\u00ea em um Deus das lacunas.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o do criacionismo que n\u00e3o temos como reduzir a complexidade da informa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 interpretada por muitos justamente como uma lacuna explicativa. O uso da irredutibilidade da complexidade da informa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 justamente uma etapa que os criacionistas utilizam como conclus\u00e3o da exist\u00eancia de um Deus. A proposta de uma <em>prova da exist\u00eancia de Deus, nesse aspecto, <\/em>embasa-se justamente na suposta lacuna de uma explica\u00e7\u00e3o mais convincente a respeito da multiplicidade e irredutibilidade da informa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. (NOTA 2026: o argumento da irredutibilidade da complexidade biol\u00f3gica parece uma mistura de argumentos presentes na filosofia de Tom\u00e1s de Aquino, que s\u00e3o as suas 5 vias da prova da exist\u00eancia de Deus. Essas provas tem contestadores ao longo da hist\u00f3ria da filosofia e n\u00e3o s\u00e3o &#8220;provas&#8221; invenc\u00edveis como pensava o fil\u00f3sofo Tom\u00e1s de Aquino. De qualquer forma, a ideia da n\u00e3o redu\u00e7\u00e3o da complexidade biol\u00f3gica parece se apoiar nesses argumentos tomistas e, se assim for, os argumentos contr\u00e1rios \u00e0s provas tomistas tamb\u00e9m podem ser aplicadas na ideia base do criacionismo contempor\u00e2neo [fim da nota]).<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;)<strong>Ao observar um fato que aparentemente se oponha \u00e0s teses que se acredita estarem corretas, um pesquisador criacionista simplesmente n\u00e3o fecha os olhos ou procura distorcer os fatos para \u2018encaixar&#8217; a realidade em sua vis\u00e3o de mundo<\/strong>&#8220;.(&#8230;) [Grifos meus].<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 tendencioso afirmar que pesquisadores n\u00e3o-criacionistas fecham os olhos e distorcem fatos por n\u00e3o se encaixar na teoria. Deve ser de conhecimento geral como a ci\u00eancia funciona: seus trabalhos e retrabalhos te\u00f3ricos, envolvidos em aperfei\u00e7oar hip\u00f3teses auxiliares. E isso n\u00e3o constitui ilicitude no processo cient\u00edfico (que \u00e9 diferente de &#8220;distorcer&#8221; como comentado pelo autor criacionista).<\/p>\n<p>Entretanto, a quest\u00e3o de exist\u00eancia de fraude em ci\u00eancia \u00e9 um tema que est\u00e1 al\u00e9m deste funcionamento &#8211; a ci\u00eancia, como qualquer outra atividade humana est\u00e1 pass\u00edvel de possuir casos de fraudes, por causa de motiva\u00e7\u00f5es pessoais dos cientistas; mas isso \u00e9<strong> estruturalmente diferente<\/strong> de dizer que retrabalhar teorias (hip\u00f3teses auxiliares) sob a luz de novas evid\u00eancias \u00e9 <strong>necessariamente equivalente<\/strong> a fraudar.<\/p>\n<p>Fraudar um f\u00f3ssil \u00e9 uma coisa, discutir conceitos te\u00f3ricos e retrabalhar a teoria \u00e9 outra coisa.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Um exemplo disso foi a descoberta de pegadas humanas com pegadas de dinossauros no leito do rio Paluxy<\/strong>, no Texas, EUA. Depois de algum tempo, conforme explica o Dr. Roberto Biaggi, diretor do Geoscience Research Institute (filial argentina), foi descoberto que as pegadas de dinossauro eram genu\u00ednas, mas as humanas, n\u00e3o. <strong>Quem descobriu a fraude? Cientistas criacionistas do GRI, mantido pela Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia. Seria uma tremenda prova da coexist\u00eancia entre humanos e dinossauros, mas a honestidade cient\u00edfica sempre deve prevalecer<\/strong>. [Grifos meus].<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de um caso como esse \u00e9 \u00f3timo, mas n\u00e3o serve de exemplo que criacionistas devam ser mais \u00e9ticos que outros cientistas com posi\u00e7\u00f5es de f\u00e9 diferentes. Usar isso como exemplo \u00e9 generalizar. E n\u00e3o constitui explica\u00e7\u00e3o do porque o criacionismo n\u00e3o est\u00e1 relacionado com Deus das lacunas.<\/p>\n<p><strong>Essa discuss\u00e3o toda \u00e9 entre f\u00e9 e ci\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O autor diz<strong>:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Na verdade, conforme explica o bi\u00f3logo Tarc\u00edsio, o verdadeiro embate entre as argumenta\u00e7\u00f5es evolucionistas e criacionistas est\u00e1 centrado na exist\u00eancia ou n\u00e3o de planejamento e inten\u00e7\u00e3o nas coisas existentes. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>O Evolucionismo baseia-se em explicar a origem das esp\u00e9cies, sua multiplicidade por meio a bases naturais. L\u00f3gico que o criacionista v\u00ea nisso um problema, visto que para alguns isso representa um corte com sua cren\u00e7a em um Ser criador. Embora existam evolucionistas que possam acreditar em Deus, o criacionismo quer p\u00f4r isso em formato cient\u00edfico. Ent\u00e3o, o embate n\u00e3o \u00e9 somente no &#8220;planejamento e inten\u00e7\u00e3o de coisas existentes&#8221;. Em primeiro plano sim, porque \u00e9 disso que o criacionismo est\u00e1 falando, sobre haver um planejamento pr\u00e9vio que possa ser rastre\u00e1vel. O debate criacionista \u00e9 pautado na inser\u00e7\u00e3o de uma explica\u00e7\u00e3o al\u00e9m-ci\u00eancia no escopo cient\u00edfico. \u00c9 como se algu\u00e9m quisesse explicar a queda dos corpos com uma inten\u00e7\u00e3o de um algum tipo de ser (n\u00e3o precisa ser necessariamente Deus) ou algum outro tipo de intencionalidade do mundo em chamar uma pedra ao ch\u00e3o. Esse tipo de pensamento <em>teleol\u00f3gico<\/em> era de certa forma empregado na f\u00edsica aristot\u00e9lica. (NOTA 2026: E tamb\u00e9m na tomista, nas tentativas de Tom\u00e1s de Aquino em demonstrar a exist\u00eancia de Deus em bases aristot\u00e9licas).<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Dentro desses limites, a discuss\u00e3o poderia ser puramente cient\u00edfica. Enquanto o evolucionismo defende a ideia de acaso e aleatoriedade, buscando explicar a vida como o resultado de <strong>causas puramente naturais<\/strong>, o criacionismo defende a ideia de prop\u00f3sito e planejamento, buscando explicar a vida como <strong>sendo resultante da a\u00e7\u00e3o criadora de um Deus<\/strong> que ainda hoje se relaciona com o \u00e1pice de sua cria\u00e7\u00e3o: o ser humano. [Grifo meu].<\/p><\/blockquote>\n<p>Est\u00e1 claro, principalmente na segunda parte grifada, a inser\u00e7\u00e3o de fatores de paradigmas sobrenaturais por cima de uma ci\u00eancia que n\u00e3o possui este tipo de escopo.<\/p>\n<blockquote><p>O que a m\u00eddia popular procura fazer \u00e9 polarizar a discuss\u00e3o como se tudo se tratasse de ci\u00eancia <em>versus<\/em> crendice e irracionalidade. (&#8230;)<\/p><\/blockquote>\n<p>Historicamente foi esse o intuito dos primeiros criacionistas: um embate entre a ci\u00eancia produzida na \u00e9poca e a f\u00e9 por eles acreditada (por\u00e9m n\u00e3o creio que a palavra &#8220;crendice&#8221; seja acertada em usar ao explicar esse embate, porque realmente parece pejorativo).<\/p>\n<blockquote><p>(&#8230;) Para <a href=\"http:\/\/www.pos-darwinista.blogspot.com\/\">En\u00e9zio Eug\u00eanio de Almeida Filho<\/a>, mestre e doutorando em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia pela PUC-SP e coordenador do N\u00facleo Brasileiro de Design Inteligente, &#8220;essa controv\u00e9rsia \u00e9 res\u00edduo do ran\u00e7o materialista do s\u00e9culo 19. A controv\u00e9rsia no s\u00e9culo 21 n\u00e3o \u00e9 se as especula\u00e7\u00f5es transformistas de Darwin contrariam relatos de cria\u00e7\u00e3o das concep\u00e7\u00f5es religiosas, mas se as evid\u00eancias corroboram Darwin. <strong>Elas n\u00e3o corroboram<\/strong>, e a\u00ed est\u00e1 o ponto cient\u00edfico que deveria ser abordado ouvindo-se os dois lados publicamente.<strong> Elas apontam em outra dire\u00e7\u00e3o: <em>design<\/em><\/strong> inteligente&#8221;. [Grifos meus].<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">\n    <div style=\"text-align: center; margin: 15px 0;\">\n        <script type=\"text\/javascript\"><!--\n        google_ad_client = \"pub-3652987083456070\";\n        \/* 250x250, criado 30\/10\/09 *\/\n        google_ad_slot = \"5836344936\";\n        google_ad_width = 250;\n        google_ad_height = 250;\n        \/\/-->\n        <\/script>\n        <script type=\"text\/javascript\" src=\"https:\/\/googlesyndication.com\"><\/script>\n    <\/div><\/p>\n<p>\u00c9 muito bonito quando afirma que deve-se verificar (e que esse <em><strong>seria<\/strong><\/em> o atual embate) o fato de evid\u00eancias corroborarem ou n\u00e3o a teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o tenho certeza de que seja isso que ocorre de fato.<\/p>\n<p>\u00c9 importante questionar: qual a gravidade das evid\u00eancias que, supostamente, n\u00e3o corroboram com a s\u00edntese evolutiva? Ser\u00e1 que s\u00e3o relacionadas a conceitos centrais da teoria, ou ser\u00e1 que s\u00e3o conceitos que s\u00e3o de hip\u00f3teses auxiliares, ou ainda de interpreta\u00e7\u00e3o duvidosa a cerca da n\u00e3o corrobora\u00e7\u00e3o? \u00c9 importante saber disso porque tamb\u00e9m existem muitas evid\u00eancias que corroboram com teoria da evolu\u00e7\u00e3o. Separar uma parte que est\u00e1 se construindo na ci\u00eancia, como forma de apagar a outra (que corrobora) \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria para estabelecer a pr\u00f3pria conclus\u00e3o de um Desing Inteligente.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 tendencioso dizer que, toda e qualquer evid\u00eancia que <em>a priori<\/em> enfraque\u00e7a uma parte da teoria da evolu\u00e7\u00e3o <strong>tem que ser necessariamente uma evid\u00eancia que aponte<\/strong> para o <em>design inteligente?<\/em> Isso \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o baseada (norteada) na f\u00e9. As mesmas evid\u00eancias poderiam ainda n\u00e3o representar elo l\u00f3gico a essa teoria criacionista. Seria uma generaliza\u00e7\u00e3o tentar efetuar essa sele\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de forma arbitr\u00e1ria em prol do criacionismo.<\/p>\n<p>Os pontos seguintes citados como &#8220;desvio&#8221; do embate, s\u00e3o todos pontos em que s\u00e3o estudados e possuem certas explica\u00e7\u00f5es a respeito.<\/p>\n<p><strong>Criacionistas querem introduzir religi\u00e3o nas aulas de ci\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Dentre algumas afirma\u00e7\u00f5es do autor a respeito do conhecimento da laicidade do Estado pelos criacionistas, al\u00e9m da falta de profissionais na \u00e1rea, podemos destacar que o mesmo afirma que n\u00e3o \u00e9 necessariamente interesse dos criacionistas ensinar nas aulas de ci\u00eancia, pelo menos no Brasil, o criacionismo. Isso, particularmente, acho bom. Ainda prossegue dizendo que \u00e9 melhor ensinar criticamente o darwinismo expondo acertos (o que \u00e9 bom, pois alguns criacionistas p\u00f5em tendenciosamente a evolu\u00e7\u00e3o como um emaranhados de erros) e seus <em>erros<\/em>. Isso seria melhor ainda, pois advogo inicialmente uma posi\u00e7\u00e3o similar, n\u00e3o somente \u00e0 teoria da evolu\u00e7\u00e3o, mas a toda ci\u00eancia, ensinando que ela n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1gica infal\u00edvel, mas sim uma empreitada humana &#8211; e por esse motivo acho que a palavra &#8216;<em>erro<\/em>&#8216; equivoca-se, pois teorias podem ter falhas perif\u00e9ricas em seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>(NOTA DE 2026: Seria \u00f3timo mostrar a todos presentes na discuss\u00e3o de 2010 que sim, no Brasil, um dia essa proposta seria importada do exterior e v\u00e1rias vezes posta em discuss\u00e3o nos ambientes legislativos a fim de tentar impor uma ordem de ensino criacionista; como foi o caso da PL 8099\/2014. N\u00e3o se pode tamb\u00e9m se enganar que muitas vezes sob o argumento de &#8220;ensinar que a ci\u00eancia est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o&#8221; est\u00e1 oculto o objetivo de impor novo modelo (pretendido) de ci\u00eancia. Advogo a posi\u00e7\u00e3o que o ensino de ci\u00eancias deve mostrar n\u00e3o somente os acertos cient\u00edficos mas tamb\u00e9m o processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento, porque tamb\u00e9m evita a estrutura\u00e7\u00e3o de um cientificismo, mas isso n\u00e3o \u00e9 em nenhuma inst\u00e2ncia uma forma de atacar a constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e sim de mostrar como com base em falhas e revis\u00f5es se constroem o conhecimento cient\u00edfico. Essa posi\u00e7\u00e3o N\u00c3O pode ser COOPTADA como forma inferiorizar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e troc\u00e1-la como se estivesse em mesmo patamar preditivo de propostas n\u00e3o-cient\u00edficas. O debate como funciona e se estrutura a ci\u00eancia \u00e9 filos\u00f3fico e v\u00e1lido, o que n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido \u00e9 a tentativa de coopta\u00e7\u00e3o para substituir por propostas n\u00e3o-cient\u00edficas que tentam abordar uma universaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento [fim da nota]).<\/p>\n<p>Portanto acho que melhor, e mais amplo, ainda seria ensinar tamb\u00e9m o mecanismo met\u00f3dico que se segue da ci\u00eancia, para que n\u00e3o se tome falhas perif\u00e9ricas e pass\u00edveis de revis\u00e3o como falhas estruturais (e esse equ\u00edvoco \u00e9 muito comum quando \u00e9 atribu\u00eddo cosmovis\u00f5es determinadas para interpretar tais falhas). Assim, seria de muito mais valia ensinar que nem sempre quando apontam uma falha, ela deva ser estrutural. E esse \u00e9 um erro comum entre os interlocutores criacionistas (talvez por um desconhecimento da din\u00e2mica cient\u00edfica, talvez por outros motivos).<\/p>\n<p>Entretanto esta tarefa n\u00e3o seria puramente das aulas de ci\u00eancias. As aulas de ci\u00eancia adquirem um papel de propagadoras da ci\u00eancia. Uma aula nos moldes defendidos por Michelson e, mais amplamente, nos meus moldes seria voltados \u00e0 epistemologia. A aula de ci\u00eancia seria aula do que \u00e9 ci\u00eancia e quais s\u00e3o as ci\u00eancias desenvolvidas atualmente; al\u00e9m de suas nuances e curiosidades. Por\u00e9m admito que \u00e9 uma tarefa um pouco ut\u00f3pica, mas quem sabe um dia poder\u00e1 ser realiz\u00e1vel?<\/p>\n<p>(NOTA DE 2026: Hoje acho que a tarefa \u00e9, al\u00e9m das aulas de filosofia, tamb\u00e9m das aulas de ci\u00eancias. A forma como as aulas de ci\u00eancia se fundamenta deve ser tamb\u00e9m cr\u00edtica. Mas cr\u00edtica em como, filosoficamente, as ci\u00eancias surgiram e se fundamentam. E n\u00e3o devem ser cooptadas pelo argumento da substitui\u00e7\u00e3o. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o ensino de ci\u00eancias seja muito bem embasado epistemologicamente. [fim da nota]).<\/p>\n<p>O autor afirma:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o existe interesse algum (pelo menos no Brasil), ao contr\u00e1rio do que \u00e9 divulgado pela m\u00eddia, de que as teses defendidas pelo modelo criacionista substituam a teoria da evolu\u00e7\u00e3o ensinada nas escolas e universidades (tanto \u00e9 que escolas criacionistas como a Adventista e a Mackenzie incluem os dois modelos em seu curr\u00edculo). Obviamente, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma oposi\u00e7\u00e3o ao ensino do modelo criacionista em escolas confessionais, uma vez que h\u00e1 abertura constitucional para isso.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas ao analisarmos a hist\u00f3ria do pensamento criacionista nos EUA, damos conta que existem sim movimentos para o ensino criacionista. N\u00e3o me admiraria se aparecessem adeptos do ensino criacionista, mesmo sem esse ser tomado necessariamente como ci\u00eancia (como demonstrado ao longo deste ensaio).<\/p>\n<p>(NOTA DE 2026: Como eu queria mandar uma mensagem para o passado e falar: 2011, 2014 e outras vezes tantas sim, haveria a press\u00e3o legislativa para fazer essa substitui\u00e7\u00e3o. Sem contar que o fato de escolas criacionista ensinarem evolu\u00e7\u00e3o no curr\u00edculo n\u00e3o \u00e9 argumento que prova n\u00e3o haver movimento de implanta\u00e7\u00e3o do ensino criacionista; simplesmente explic\u00e1vel por ser parte de curr\u00edculos estaduais, ou mais recentemente, parte de uma base comum [fim da nota]).<\/p>\n<p><strong>Criacionistas querem unir igreja e Estado<\/strong><\/p>\n<p>Se analisarmos, segue a mesma linha do t\u00f3pico anterior. Pode ser que nem todos criacionistas queiram este prop\u00f3sito, mas se pensarmos vemos que \u00e9 plaus\u00edvel. Plaus\u00edvel principalmente pela multiplicidade de posi\u00e7\u00e3o dos criacionistas. \u00c9 poss\u00edvel que exista alguns que queiram tal prop\u00f3sito.<\/p>\n<p><strong>Ele diz:<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>Recentemente, foi divulgada a not\u00edcia da inaugura\u00e7\u00e3o do c\u00edclotron da empresa Sistemas M\u00e9dicos Varian, tido como a melhor m\u00e1quina destruidora de c\u00e2ncer do mundo. O que pouca gente sabe \u00e9 que o c\u00edclotron (acelerador de part\u00edculas utilizado no tratamento \u00e0 base de pr\u00f3tons) foi inicialmente utilizado pelo <a href=\"http:\/\/www.protons.com\/\">Hospital Adventista de Loma Linda<\/a>, na Calif\u00f3rnia &#8211; uma institui\u00e7\u00e3o criacionista.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente fruto das elucubra\u00e7\u00f5es criacionistas. A posi\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o \u00e9 implica\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento de tecnologia. \u00c9 independente.<\/p>\n<p><strong>Superficialidade e preconceito<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>S\u00e3o grandes os desafios do jornalismo cient\u00edfico numa sociedade cientificamente analfabeta. O problema \u00e9 que, na busca por vender e alcan\u00e7ar o p\u00fablico, esse tipo de jornalismo acaba se tornando muito superficial (com raras exce\u00e7\u00f5es).<\/p><\/blockquote>\n<p>Concordo. O autor continua:<\/p>\n<p><strong>(NOTA DE 2026: Preciso revisar essa posi\u00e7\u00e3o. Primeiro porque naquela \u00e9poca via muita falta de letramento cient\u00edfico e isso aparecia na imprensa, principalmente a mais apelativa na TV, onde programas tentavam mostrar coisas absurdas como &#8220;fonte cient\u00edfica&#8221;. Isso ainda acontece? Sim, mas n\u00e3o se pode negar que houve um movimento de divulgadores cient\u00edficos tentando mostrar como funciona a ci\u00eancia. Apesar de haver sim uma falta de letramento na ci\u00eancia e isso ser base para alguns problemas que ocorriam em 2010 e ainda ocorrem hoje, h\u00e1 coisas que necessitam ser vistas com cuidado. Adotar a posi\u00e7\u00e3o que o cientista \u00e9 um detentor \u00fanico de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado de modelo do deficit de informa\u00e7\u00e3o. Esse modelo postula que a falta de letramento cient\u00edfico \u00e9 uma\u00a0<em>falta de saber<\/em>. O problema \u00e9 que esse enfoque tamb\u00e9m pode ser perigoso, porque n\u00e3o \u00e9 apenas a falta de saber, mas como essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 trabalhada. N\u00e3o adianta uma informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ser colocada como uma transmiss\u00e3o \u00fanica e sem possibilidade de debate filos\u00f3fico. A formula\u00e7\u00e3o de uma boa educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica deve ser pautada em discuss\u00f5es saud\u00e1veis em como se constr\u00f3i a pr\u00e1tica cient\u00edfica. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de concordar que havia naquela \u00e9poca e ainda h\u00e1, um enfoque em alguns setores de m\u00eddia que distorcem o que \u00e9 ci\u00eancia, ou transmitem de forma equivocada [fim da nota]).<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>A superficialidade s\u00f3 perde para o preconceito. O povo que ainda l\u00ea alguma coisa est\u00e1 aos poucos sendo condicionado para repudiar os criacionistas como (as &#8220;qualidades&#8221; que seguem foram todas usadas em reportagens e artigos) fundamentalistas, anti-intelectuais, esquizofr\u00eanicos, obscuros, e por a\u00ed vai (Marcelo Gleiser chama at\u00e9 de &#8220;criminoso&#8221; quem ensina o criacionismo).<\/p><\/blockquote>\n<p>Realmente n\u00e3o podemos generalizar. Entretanto tamb\u00e9m devemos olhar criticamente quando s\u00e3o apontadas supostas falhas na teoria da evolu\u00e7\u00e3o com estardalha\u00e7o, sem refletir o mecanismo do funcionamento da ci\u00eancia, e, o que \u00e9 pior, podendo haver distor\u00e7\u00f5es em interpreta\u00e7\u00f5es de resultados. Os criacionistas s\u00e3o humanos assim como evolucionistas e ambos podem padecer de problemas \u00e9ticos. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, saber o funcionamento da ci\u00eancia para avaliar cada caso de maneira real.<\/p>\n<p><strong>(NOTA DE 2026: Endosso que n\u00e3o podemos generalizar, mas tamb\u00e9m n\u00e3o podemos deixar que esse argumento seja deslocado para tentar a substitui\u00e7\u00e3o do ensino evolutivo pelo criacionismo. O ensino de explica\u00e7\u00f5es criacionistas compete \u00e0 educa\u00e7\u00e3o religiosa [e de \u00e2mbito pessoal], enquanto o evolucionista ao ensino cient\u00edfico [e de \u00e2mbito social]. Outro ponto necess\u00e1rio de elucidar \u00e9 que MARCELO GLEISER N\u00c3O CHAMOU quem ensina criacionismo de criminoso. Gleiser afirmou na Folha de S. Paulo em 28\/06\/2005 que a tentativa de implantar no curr\u00edculo \u00e9 criminosa [sentido de demonstrar que h\u00e1 retrocesso cient\u00edfico, em sua vis\u00e3o, ao implantar como ensino] e n\u00e3o necessariamente que quem ensina \u00e9 criminoso. [fim da nota]).<\/strong><\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Concordo de certa forma quando o autor diz que devemos fazer uma reflex\u00e3o e debater o tema sem preconceitos, e espero que aqueles que tenham o cunho criacionista, ao lerem este artigo que vos fa\u00e7o, eu n\u00e3o seja mal interpretado; pois estou fazendo a minha melhor leitura do artigo comentado, utilizando a minha <em>epoch\u00e9. <\/em>Nessa tarefa encontrei pontos falhos.<\/p>\n<p><strong>(NOTA 2026: Tamb\u00e9m vejo que essas proposta de reflex\u00e3o do tema, abdicando de preconceitos e propondo uma conversa franca, apesar de ser um objetivo interessante, \u00e9 muitas vezes deslocado para a tentativa de mostrar que h\u00e1 uma necess\u00e1ria igualdade entre criacionismo e evolucionismo, como se fossem teorias equivalentes e que pudessem ter permutadas. O que n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido. Uma est\u00e1 no escopo que defendo ser religioso, individual e \u00edntimo e o outro de \u00e2mbito de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva por meio de programas; sendo essa \u00faltima uma pr\u00e1tica coletiva.\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>A proposta de discuss\u00f5es filos\u00f3ficas s\u00e3o sim producentes e necess\u00e1rias, mas n\u00e3o devem servir aos valores escondidos para uma ret\u00f3rica propondo a troca de um ensino pelo outro [fim da nota]).<\/strong><\/p>\n<p>Por esses motivos expostos ao longo do artigo, n\u00e3o creio que as alega\u00e7\u00f5es levantadas por Michelson possam enquadrar o criacionismo como algo cient\u00edfico. A ci\u00eancia, como produto bem humano, procura explicar as coisas do mundo, no mundo. Explica com dados que est\u00e3o dispon\u00edveis a n\u00edvel de justifica\u00e7\u00e3o; baseadas nas coisas do mundo (empiria, coer\u00eancia entre teorias, falseamento) e norteadas por imagens de ci\u00eancia e de natureza (que muitos alegam ser baseada no naturalismo).<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de um naturalismo ocorre porque a explica\u00e7\u00e3o de cunho cient\u00edfica sempre procura ser test\u00e1vel\/observ\u00e1vel e por conseguinte procura ser refut\u00e1vel (NOTA 2026: em alguma medida n\u00e3o generaliz\u00e1vel, como pode-se explicar com pensamento lakatosiano).<\/p>\n<p>Um criacionismo que se baseia em teologia (estudo filos\u00f3fico de Deus) ou em teleologia (estudo das causas finais) n\u00e3o me parece uma boa alternativa para algo que ser\u00e1 refut\u00e1vel por empiria: a teologia e a teleologia n\u00e3o s\u00e3o explica\u00e7\u00f5es acerca do que est\u00e1 <strong>necessariamente<\/strong> no mundo. Al\u00e9m do mais, a teleologia usada no criacionismo \u00e9 trivial e n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o sofisticada como pode parecer a primeira vista: parece apontar l\u00f3gica e necessariamente para um ser fora do mundo. Asser\u00e7\u00f5es de seres fora de nosso mundo n\u00e3o s\u00e3o test\u00e1veis\/observ\u00e1veis. O fato de n\u00e3o ser test\u00e1vel n\u00e3o exime a possibilidade de uma exist\u00eancia, mas isenta o car\u00e1ter de que o argumento que o utiliza \u00e9 algo cient\u00edfico. Poderia at\u00e9 afirmar que certos fatores apontam observacionalmente para uma intelig\u00eancia, mas ser\u00e1 que realmente apontam, ou n\u00e3o ser\u00e1 apenas uma interpreta\u00e7\u00e3o devida a uma imagem sobrenatural? (NOTA: A ponte entre o que os criacionistas alegam ser evid\u00eancia necess\u00e1ria \u00e9 fraca: os fatores que apontam uma poss\u00edvel intelig\u00eancia exterior pode tamb\u00e9m apontar um acaso formid\u00e1vel em uma estat\u00edstica incont\u00e1vel de part\u00edculas que podem se combinar, mas isso parece ter sido ignorado ao longo do artigo analisado [fim da nota]).<\/p>\n<p>E se n\u00e3o pode ser cient\u00edfico, creio que deve ficar onde est\u00e1: \u00e9 religi\u00e3o. (NOTA 2026: N\u00e3o como forma de minimizar a religi\u00e3o. Mas por entender que h\u00e1 escopos diferentes entre o processo individual da cren\u00e7a e o processo da constru\u00e7\u00e3o social que \u00e9 a ci\u00eancia [fim da nota]).<\/p>\n<p>Porque, ent\u00e3o, transformar uma explica\u00e7\u00e3o de cunho religioso em uma classifica\u00e7\u00e3o (talvez n\u00e3o verdadeira) de &#8220;cient\u00edfica&#8221;? Se eu refletir sobre o assunto parece que a quest\u00e3o envolve &#8220;garantia&#8221;, mas n\u00e3o uma garantia cient\u00edfica, e <a href=\"http:\/\/arnaldo.networkcore.eti.br\/?p=557\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sim uma garantia social<\/a>: onde parece ser necess\u00e1rio, para aquele que acredita no criacionismo como algo cient\u00edfico, coloc\u00e1-lo obrigatoriamente como cient\u00edfico. \u00c9 por essa necessidade que alguns abusos acontecem (NOTA: abusos no sentido de deturpa\u00e7\u00f5es do processo cient\u00edfico).<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que um cientista n\u00e3o deva ter f\u00e9, ou deva ser necessariamente ser ateu. Isso \u00e9 de cunho pessoal e o uso que o mesmo atribuir \u00e0 ci\u00eancia pela sua f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O criacionismo cient\u00edfico parece um produto de <em>&#8220;marketing&#8221;<\/em> da era em que uma confian\u00e7a exacerbada na ci\u00eancia est\u00e1 presente. Est\u00e1 t\u00e3o presente que o criacionismo, que \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o religiosa por excel\u00eancia, teve se propor a entrar no <em>status<\/em> de cient\u00edfica. \u00c9 problem\u00e1tico. As bases de um criacionismo como cient\u00edfico parecem n\u00e3o se sustentar como ci\u00eancia (assim como entendemos modernamente a ci\u00eancia), mas seus adeptos tentam de muitas formas colocar como algo necessariamente cient\u00edfico.<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo porque uma pessoa que acredite em Deus n\u00e3o possa cr\u00ea-lo ainda que concorde com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o: <em>doxas (opini\u00f5es)<\/em> de cunho religioso podem ser criados e levantados normalmente por aqueles que trabalham com o que \u00e9 ci\u00eancia; pelo simples fato do que \u00e9 religioso ser de cunho pessoal (eu acredito em algo, voc\u00ea pode acreditar em outras cren\u00e7as) e portanto n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o fadada a testabilidade emp\u00edrica (explica\u00e7\u00f5es <em>ad hoc<\/em> s\u00e3o agreg\u00e1veis \u00e0 teorias religiosas).<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o que \u00e9 criacionismo n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o in\u00fatil ou uma discuss\u00e3o que deva ser evitada. O que n\u00e3o pode ser feito \u00e9 a tentativa de estruturar como uma discuss\u00e3o entre duas possibilidades dentro do mesmo escopo, como se fossem pares. A discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se o criacionismo deva substituir a evolu\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o tem que substituir. A discuss\u00e3o \u00e9 sobre esclarecer a natureza do criacionismo e qual a natureza do evolucionismo. S\u00e3o distintas e com focos distintos.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o n\u00e3o deveria se pautar na necessidade da substitui\u00e7\u00e3o de uma pela outra, porque n\u00e3o deve ser feito isso. Mas de entender que uma \u00e9 do campo da f\u00e9 religiosa e n\u00e3o precisa se portar como uma tentativa de ci\u00eancia.<\/p>\n<p>(NOTA: H\u00e1 em meu artigo original uma s\u00e9rie de pensamentos que ficaram abertos, mas que em suma se resumiria em apontar que a conversa filos\u00f3fica, no campo filos\u00f3fico pode ser feito entre fil\u00f3sofos e te\u00f3logos. Mas n\u00e3o h\u00e1 como tentar fazer o aspecto religioso tentar se comportar como cient\u00edfico em busca de uma aprova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m cient\u00edfica. Esse di\u00e1logo n\u00e3o fica saud\u00e1vel, porque se dirige em diminuir o aspecto do que \u00e9 cient\u00edfico e tentar al\u00e7ar o religioso como necessariamente cient\u00edfico [fim da nota]).<\/p>\n<p>Por estes todos motivos, ainda continuo me perguntando, mesmo depois de ler o artigo, o que \u00e9, de fato, o criacionismo dito &#8220;cient\u00edfico&#8221;? Uma tentativa de teoria cient\u00edfica, ou uma teoria religiosa? Se \u00e9 cient\u00edfica dever\u00e1 ser test\u00e1vel\/observ\u00e1vel e refut\u00e1vel. Mas parece n\u00e3o ser refut\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, com base nestes preceitos, o que \u00e9 mesmo o criacionismo?<\/p>\n<p>O conceito &#8220;criacionismo&#8221; deve ser tomado mais como algo para destacar &#8211; classificar &#8211; uma caracter\u00edstica religiosa (religi\u00f5es que professam o mundo como criado por um Criador espec\u00edfico).\u00a0 O criacionismo n\u00e3o pretende explicar o nosso mundo f\u00edsico como ele \u00e9 e sim enquadr\u00e1-lo numa explica\u00e7\u00e3o que gira em torno de uma cosmovis\u00e3o anexada a um magist\u00e9rio de f\u00e9, sabe l\u00e1 por qual motivo: seja para tentar justificar a pr\u00f3pria f\u00e9 em prol de uma garantia, ou seja por outro motivo ainda n\u00e3o vislumbrado por este que aqui vos escreve.<\/p>\n<p><em>Arnaldo Vasconcellos<\/em><\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p>(1) &#8211; O artigo foi sugerido por <em>Fabr\u00edcio Lovato<\/em> em conversas particulares sobre o criacionismo e evolucionismo.<\/p>\n<p>P.S.: Existem <em>hiperlinks <\/em>para <em>sites <\/em>externos e para artigos meus neste <em>blog<\/em> durante esse ensaio. Seria muito interessante a leitura dos mesmos, pois abordam temas que s\u00e3o citados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>NOTA EXPLICATIVA EM 2026<\/strong><\/p>\n<p>Esse ensaio foi escrito em tacada s\u00f3. Lembro de estar cansado. Algumas partes finais, nos \u00faltimos par\u00e1grafos precisaram ser reescritos conforme o que estavam no original e tamb\u00e9m com base nas anota\u00e7\u00f5es e nas lembran\u00e7as que tenho como foram as reflex\u00f5es (foram poucas passagens assim no final e foram pontuados). Inclusive as notas surgem na tentativa de evitar algumas redund\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Bom, h\u00e1 muitas coisas que ocorreram daquela \u00e9poca para c\u00e1. Pandemia de gripo su\u00edna, pandemia de Covid-19. Propostas de parlamentares que tentaram colocar o criacionismo nas escolas, como se fosse equivalente cient\u00edfico \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o. Enfim, v\u00e1rios eventos mostraram que o argumento base de uma conversa despretensiosa n\u00e3o era de fato o que ocorria.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas coisas que eu reescreveria nesse ensaio de forma diferente se eu fizesse hoje. Assim como gostaria de expor que o fato de aceitar uma conversa filos\u00f3fica do tipo n\u00e3o \u00e9 em nenhuma inst\u00e2ncia a aceita\u00e7\u00e3o que h\u00e1 um debate cient\u00edfico entre uma e outra posi\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista de ci\u00eancia n\u00e3o parece que h\u00e1 evid\u00eancias para apontar, em estrutura cient\u00edfica uma posi\u00e7\u00e3o criacionista como o artigo analisado prop\u00f4s.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o religiosa e que deve ser respeitada como tal. Como mostrei \u00e9 poss\u00edvel haver cientistas que creem em alguma divindade e essa \u00e9 uma proposta pessoal e \u00e9 um percurso individual de cada pessoa. A proposta de di\u00e1logo \u00e9 entre quest\u00f5es filos\u00f3ficas sobre a origem e o escopo de cada uma. Agora, a coopta\u00e7\u00e3o desse di\u00e1logo para tentar desmerecer a atividade cient\u00edfica \u00e9 perigosa n\u00e3o apenas para esse caso espec\u00edfico, mas para qualquer outro caso que possa ser derivado desse tipo de atitude.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(ATUALIZA\u00c7\u00c3O 2026: Esse artigo foi publicado em 2010 e pode n\u00e3o corresponder em sua totalidade a posi\u00e7\u00e3o atual do autor, bem como ter links e dados desatualizados. H\u00e1 tamb\u00e9m passagens na conclus\u00e3o que precisaram de notas para manter a ideia b\u00e1sica do artigo, assim como para tamb\u00e9m apontar minhas novas posi\u00e7\u00f5es sobre o assunto). &nbsp;&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7,33,8,9,13,16,24,25],"tags":[45,72,91,107,117,126,141,149,152,232,321,323],"class_list":["post-500","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-epistemologia","category-evolucionismo","category-filosofia","category-gerais","category-natureza","category-teoria-da-ciencia","category-teoria-do-conhecimento","tag-argumentacao","tag-ciencia","tag-criacionismo","tag-discussao","tag-educacao","tag-epistemologia","tag-evolucionismo","tag-filosofia","tag-filosofia-da-ciencia","tag-natureza","tag-teoria-da-ciencia","tag-teoria-do-conhecimento"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=500"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2959,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/500\/revisions\/2959"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/networkcore.eti.br\/analise\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}