(ATUALIZAÇÃO 2026: Atenção, por ser um artigo ele pode não refletir em sua totalidade a posição atual do autor)
Este artigo poderia se chamar “A faculdade do entendimento”, mas não é isso que eu quero dizer nesta postagem.
Quero levar em consideração neste artigo como discussões e argumentações, que poderiam ser levadas a sério podem acabar em problemas de entendimento.
Um dos grandes problemas que assolam a comunicação é justamente a má comunicação – quanto nos expressamos de forma errada, ou quando expressamos de certa forma mas não somos compreendidos.
Estive a visitar alguns blogs nos últimos tempos e reparei, em discussões acirradas, como a interpretação equivocada de teorias, apresentações e outros podem causar certos problemas comunicativos.
Em certos casos parece que o autor da contra-argumentação de determinada teoria não teria entendido muito bem certos conceitos base, ou ainda a estrutura de uma determinada teoria.
Sempre, ou quase sempre, que encontro tais casos, procuro alertar a respeito do “princípio da caridade”, que diz basicamente que você deve tentar entender e interpretar uma certa argumentação (e a estendo para teorias) da melhor maneira possível, para que você se poupe de críticas externas e superficiais.
Existem alguns casos na filosofia em que interpretações não ortodoxas levaram um determinado autor a refletir uma filosofia muito prolífica e profunda. Esse é até um movimento normal, mas nem sempre encontramos bons frutos com isso: uma interpretação diferente pode levar a reflexões diferentes e outras, mas quando tentamos imputar tais reflexões no arcabouço daquilo (ou daquele) que interpretamos, podemos causar um erro muito grave – a má interpretação.
Nestes últimos casos de má interpretação a argumentação, ou teorização, prolífica dá lugar para um conjunto de ideias prolixas e superficiais; sem um mínimo de conexão com o núcleo duro de certas ideias a serem estudadas/interpretadas no autor original.
Não estou sendo claro? É proposital: quero ser entendido, mas com o princípio da caridade.
Alguns, podem dizer que esta tarefa é impossível, que o que eu quero dizer literalmente é incognoscível. Mas será mesmo que é? Será que não partilhamos pressupostos comuns que permitem que você não possa entender o mínimo do que está me indignando? Claro que sim; e é por acreditar que alguém possa entender que estudar uma teoria/argumentação é possível para fazer discussões realmente eficazes e cortantes, é que eu escrevo esse artigo.
Arnaldo Vasconcellos

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