(ATUALIZAÇÃO 2026: Este artigo foi um ensaio introdutório, publicado originalmente em 2009 e pode não corresponder em sua totalidade na posição filosófica do autor na atualidade)
Nesta semana iniciarei uma série de ensaios a respeito das pseudociências. O que são exatamente as pseudociências? Suas relações com as protociências e o que podemos levantar a respeito das ativas de nosso tempo.
Bem, começamos a respeito delinear o que são exatamente pseudociências.
Em veículos populares, como a Wikipédia, encontramos a seguinte definição de pseudociência:
Uma pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos.
Em sentido mais lato a pseudociência, diria eu, pode não ser apenas um tipo de informação, mas um conjunto deles (realizando uma doutrina, seja religiosa, cultural, sociológica ou filosófica) que queira se passar por um status de científica, sem adotar o método científico.
Carl Sagan, afirma que as pseudociências, por exemplo, muitas vezes tomam o lugar da ciência, o lugar da sublimidade e da admiração pelo conhecer o que desconhecemos (p. 20, O Mundo Assombrado pelos demônios).
Ainda neste livro, Sagan afirma que “Eles [as pseudociências] parecem usar os métodos e as descobertas da ciência, embora na realidade sejam infiéis em sua natureza“(*1) [Grifo meu] (p.30, Idem).
Talvez por ser este um dos mecanismos das pseudociências encontramos em publicações pseudocientíficas falácias de autoridade como “fulano de tal Ph.D em astrofísica, autoridade no assunto, diz que o planeta ‘X’ está chegando!”.
Não é um argumento lógico, mas sim psicológico, apela para a autoridade para se passar como verdadeiro.
Esses tipos de argumentos são encontrados em obras como “O Segredo”, de Rhonda Byrne e no “Quem somos nós?”.
Da mesma forma, existe, atualmente, uma caça às pseudociências, como uma caça às bruxas, e uma pergunta surge: toda pseudociência é prejudicial? E uma outra pergunta ainda salta: toda doutrina ou informação de crença é pseudociência?
Tenho um palpite de que TODA pseudociência, diagnosticada como tal é prejudicial pois está se passando por algo que não é. São credulidades que podem nos tornar acríticos a diversos tipos de argumentos. Podemos comprar um peixe que não nos fará bem, um peixe apodrecido em forma de uma afirmação enganosa.
E sim há uma busca incessante por parte de muitos em buscar e classificar as pseudociências (apesar do problema da demarcação, que abordaremos em outro ensaio), para que este perigo seja evitado. Entretanto, alerto de que esta busca seja efetuada de forma consciente, conhecendo o sucesso científico, bem como suas temporais limitações. Os argumentos contra as pseudociências não podem seguir o mesmo caminho das mesmas: e existem muitos livros vendidos atualmente, de alguns antirreligiosos, que pecam em algumas de suas argumentativas.
Devemos conhecer o limite das coisas, partilho esse pensar, e dessa forma acho importante sabermos o que são as pseudociências, o que é ciência (além de outras formas de pensamento) para não nos enganarmos e cometermos erros entre o que as diferem. Devemos perceber o perigo da cientificidade (devemos saber o limite de nossas atuais afirmações científicas, mas entender o maravilhoso processo do método científico em aperfeiçoar seus estudos); devemos notar quanto é perigoso adotar pseudociências, como um subproduto da cientificidade (sim, suspeito que a tecnologização e cientificidade geram males como as pseudociências, essas que abrem portas a muitas afirmações dúbias, preconceitos e manipulações de opiniões).
Mas será que toda doutrina religiosa, filosófica ou informação congênere é uma pseudociência? A resposta é não! Pois analisemos o grupo lógico:
Toda pseudociência é uma informação (ou conjunto de informações, doutrina).
Afirmar isso não abre margem para que eu inverta a afirmação dizendo que todo grupo de doutrinas são pseudociências. O grupo de pseudociência pertence ao de doutrina, mas o inverso não é afirmável.
Portanto, voltemos pensar: se uma doutrina religiosa, teoria filosófica ou outro tipo de informação não é repassado como uma pseudociência, ela não é pseudociência. Isso implica que os riscos oferecidos pelo rótulo “pseudociência” não são cabíveis. Pode ser que em cada particular, exemplar de doutrina e teoria, ofereça seus próprios riscos (se oferecerem) diferentes em determinados vieses de atitudes. Suponho que o perigo está na atitude e no uso das teorias, assim uma teoria pseudocientífica é por natureza uma atitude enganosa, consciente ou não, decorrente de um ato cientificista de acreditar como algo cabal. Portanto o valor da pseudociência é um valor prático de “crédito” e por si já perigoso.
Nos próximos ensaios, buscarei analisar as protociências e as dinâmicas envolvidas entre pseudociências e protociências. Pretendo também fazer uma análise a algumas áreas: são ou não são pseudociências?
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(*1) – Estou adotando esses comentários por serem relevantes, e não por quem os falou.
Arnaldo Vasconcellos.
